Obediência Moral ou Intelectual? O debate continua

Este texto se fez necessário como resposta ao comentário do nosso querido e assíduo leitor Pedro, feito no seguinte texto:  Obediência Moral ou Intelectual? 

Pedro você disse: “o que significa um culto racional fundamentado nos princípios divinos? (...) Acredito que grande parte do nosso problema está no fato de querermos estabelecer índices para o nível de conhecimento das pessoas. Não dá para se afirmar que alguém tem pleno conhecimento de absolutamente nada. Portanto seremos sempre ignorantes em relação a tudo.”

Penso que para Deus a obediência moral é mais importante do que a compreensão intelectual. No entanto, Deus quer de nós um culto racional, um culto que se confirme através de um agir fundamentado nos princípios divinos. Não afirmei que há níveis de conhecimentos intelectuais a serem definidos para se alcançar o culto agradável a Deus. Mesmo porque o Senhor disse que se não fôssemos como as crianças (simples em nossa fé) não alcançaríamos as Suas promessas.

Venho chamando a atenção sobre isto desde o início, não é a obediência intelectual que nos conduz a Deus. Não corro, portanto, o risco de “querer estabelecer índices para o nível de conhecimento das pessoas.” Isto é totalmente irrelevante para mim. O Reino de Deus não é um terreno de disputa intelectual, mas deve ser discernido espiritualmente, afinal é um Reino Espiritual. Sinceramente, não tenho problemas em ver racionalidade na fé. Mesmo porque a fé não é irracional. A definição de fé que a Bíblia dá no livro de Hebreus 11:1 é:  “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.”

Por que a certeza se não se vê? Porque o crente anda por visão e não por vista. Tal fé é uma condição primária de conhecimento, particularmente de conhecimento sobre o testemunho bíblico. A fé é essencial para que se compreenda a instância espiritual. A fé não é uma superstição, nem muito menos é contrária à razão. Não compactuo o pensamento de que nossos conhecimentos sejam formados apenas pela razão, creio que ele é elaborado também por nossas experiências e sentidos.

O filósofo Decartes pregou que a religião não deveria mais ditar o que o homem deveria pensar, mas o homem. Ele colocou o homem no centro do sistema e o estudou pelo método racional, aplicável a todo o conhecimento humano. Mas, aí veio Blaise Pascal que colocou o "eu" submisso a toda a potência de Deus. E demonstrou que as verdades da razão e da fé não estavam na mesma ordem.

Em sequência veio Kant dizendo que não é a fé, mas a razão que pode dar ao homem a liberdade. Para ele a moral deveria se libertar de toda a referência exterior a razão humana. E depois vieram muitos e muitos outros. E muitas definições sobre fé, razão e Deus.

Acontece que antes de todos houve Alguém que disse “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Ele o disse porque ninguém continua o mesmo depois de O conhecer. Quando Ele liberta, somos verdadeiramente livres (João 8:51). Livres, principalmente, de nós mesmos e de nossas tradições. Durante Sua vida Jesus Cristo ensinou os segredos de um viver autêntico. Curou enfermos, sarou feridas, perdoou e chorou com a dor humana. Aos hipócritas e aos necessitados falou com autoridade, porque tinha consciência de agir como Filho do Eterno Deus, e não apenas um simples pregador, muito menos um filósofo.

Sim, Deus existe e Seus pés foram empoeirados pelos caminhos nos quais Ele aqui andou. Ele, o Grande Criador do Universo. Como bem disse Thomas de Aquino: "A filosofia é serva da teologia."

Jesus viveu a mensagem que pregou. Nisto há o crédito e a força de Suas palavras. Reconhecer a existência de Deus implica responsabilidades para com Ele. Compromisso com os princípios que Ele ensinou. Por isso, tantos fazem questão de negá-LO. No encontro, um dia, face a face com Deus fará grande diferença se foi a fé que norteou meus passos.

Jesus Cristo é a grande verdade de Deus audível para nós. Com Ele aprendemos que crer não significa renunciar a razão. Aprendemos que a fé e a razão não são incompatíveis.  Mas, sou consciente de que para muitos fé e razão são incompatíveis.

Mas não para mim! A razão é impotente para por si mesma alcançar toda a verdade. Como disse Blaise Pascal: “O último passo da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que lhe superam.”

Você disse Pedro: “Existe razão para quem ignora o que é divino? Pode-se conhecer o Divino e não se agir com a razão?”

Há um contingente humano que diz que “Deus é um delírio”, que diz também que “não há racionalidade na fé”, que “religião é o ópio do povo”. O mais estranho é que esse contingente se mistura aos que se dizendo cristão se perdem em seus argumentos e fazem coisas dizendo que é em nome de Deus. Abrem a Bíblia assumindo um discurso de obediência e pregam uma prosperidade segundo os homens e a nomeiam como se fosse de Deus. Falam em salvação pelas obras, fazem barganha da benção “divina” (se é que é realmente divina). Falam de um evangelho baseado no rigor de regras e fardo, quando não, dão um discurso tão liberal que nega fundamentalmente a essência do Evangelho de Cristo.

A obediência moral é muito mais do que um conceito, é o exercício prático do conhecimento alcançado. Um conhecimento que transita no terreno da humildade do aprender e do se submeter. Um conhecimento que passa obrigatoriamente pela estrada do reconhecimento da soberania de Deus em sua própria vida e se exercita através da renúncia do egoísmo e da arrogância e o que é mais importante, não se rebela. Mas de que rebelião eu estou falando? 

Você perguntou Pedro: “O mal foi herdado, desenvolvido, criado, inventado? A quem, ou que, se atribui a sua origem? Qual a verdadeira causa do mal? O que é o mal? Os céus e seus habitantes deveriam alegrar-se por terem se livrado do seu feroz inimigo, lançando-o contra os pobres terráqueos? A ênfase na literalidade, se não entendida, compromete a essência da mensagem.”

Vou deixar que a própria Bíblia dê a resposta:

“Pelo que alegrai-vos, ó céus, e vós que neles  habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.” (Apocalipse 12:12)

Entendo que a expressão “ai dos que habitam na terra e no mar” nada mais é que uma expressão que tenciona fazer uma distinção entre a esfera celestial, que é o local onde Lúcifer outrora habitava e a esfera terrestre onde ele passou a atuar e a desenvolver seus argumentos. Não há nenhum sentido de regozijo pelo Céu haver-se libertado dele, mesmo porque a própria Bíblia diz no livro de Jó 1:6 -7 que à Lúcifer Deus permitiu circular pelo Universo, isto é ele ainda tinha acesso, ainda que limitado, ao céu:

“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela.”

Convido o leitor a dedicar um tempo especial na meditação deste texto, será exigida uma leitura do que está escrito na Bíblia no livro de Jó nos capítulos  38 ao 42:1-6. O livro de Jó é um livro universal, pois trata da agonia do coração humano abalado pelas muitas aflições a que a carne é sujeita. Lutero afirmou que “o livro de Jó era “magnífico e sublime como nenhum outro livro das Escrituras.”

É uma denúncia da insuficiência humana para compreender o problema do sofrimento. Muitos dos seus personagens, inclusive os amigos de Jó, falavam sem o menor conhecimento dos argumentos e atuação de Satanás contra Jó.
Mas, o livro se encerra revelando que Deus não estava alheio a nada que acontecia a Jó. Sem lhe explicar o que se passava, revela-Se para ele e desperta no coração de Jó a esperança e o torna mais do que vencedor na batalha.

Era o anúncio do que Jesus faria para a humanidade. O livro de Jó é um testemunho para todas as idades e para todos os tempos de que no coração humano há um vazio que só Deus pode preencher.

Quando Jó tirou os olhos de si mesmo para erguê-los em direção a Deus trouxe para si mesmo uma nova visão. Renunciou as palavras humanas trazidas por seus amigos e ouviu as palavras de Deus. Jó teve, então, a sua experiência religiosa e inteiramente pessoal com Deus. Compreendeu a dimensão de Deus e a sua e creu. Por isso, Jesus em João 7:17-18 disse:

“Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo. Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça.”

Há claramente aqui dois grupos:

 .    Quem fala por si mesmo e está procurando a sua própria glória

 . Quem não fala por si mesmo e procura a glória de quem o enviou.

Os amigos de Jó tentaram consolá-lo, mas infelizmente chegaram até mesmo a feri-lo através das palavras. Foi somente ao deparar-se com as palavras de Deus que Jó compreendeu o Seu amor e perdão. Isto me diz que a verdade não está em qualquer lugar.

Quem o verso bíblico de João diz que está com a verdade? Devo entender que em se tratando de verdade e justiça não há o que relativizar. Há uma verdade, há princípios morais a serem seguidos e o culto agradável a Deus é exatamente um culto fundamentado nesta referência. Há uma verdade absoluta, quer o homem aceite ou não, e esta verdade não é um conceito, mas um SER: Jesus Cristo.

A Verdade é uma Pessoa, é isto que a Bíblia diz no livro de Mateus, por exemplo, nos seguintes versos: 5:18, 26 ; 6:2,5 e 16; 8:10; 9:37; 10:15, 23, 42; 11:11; 13:17, 32; 14:33, 16:3, 28; 17: 20; 18:3, 13, 18-19: 19: 23, 28; 21: 21.31; 22:16; 23:36; 24: 34, 47; 25:12, 40, 45; 26:13, 21, 34, 41,73; 27:54.

O que há em comum em todos esses versos? A afirmação de Jesus: “em verdade vos digo”, “na verdade”, “verdadeiramente”.

Ora, dentre todos os seres que respiram quem detém a capacidade do raciocínio lógico, moral? O ser humano. Isto foi um legado de Deus. É isto que está escrito em Deuteronômio 30.15: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal;”

Aqui não existe nenhuma afirmação de que Deus tenha criado o Mal. Ao contrário, Deus evoca que o Bem e o Mal são caminhos diferentes e ao homem é dada a liberdade de escolha.

Leiamos o verso em seu contexto. Um contexto que vem em sequência de versos anteriores: O capítulo 28 discorre sobre as bênçãos decorrentes dessa obediência, ou melhor, do respeito às regras da aliança compactuada. Mas, alerta também sobre os resultados da desobediência.

O capítulo 29 evoca uma renovação dessa aliança. O capítulo 30 traz o contexto das promessas da misericórdia divina. Para entender corretamente este verso é preciso escutar com entendimento estes que o antecedem. Sugerimos uma leitura do capítulo 30: 9-14.

É fácil concluirmos com esta leitura do capítulo 30 que Moisés está afirmando que a palavra não ficou no céu onde os homens não poderiam alcançá-la, mas que Deus nivelou-Se à humanidade numa linguagem clara e simples. O Bem não era inacessível. Eles não tinham somente o Mal como escolha. E um apelo ao íntimo (livre arbítrio) do homem é feito. O que importa para Deus é o nosso coração.

Por isso, as palavras do pastor Alejandro Bullón fazem todo o sentido para mim: “Se não existisse a possibilidade do mal, as criaturas celestes não seriam livres. Seriam escravas do bem. Fariam o bem porque não teriam opção de fazer o mal. (...) O mal não é a simples possibilidade”.

Posso até compreender seu raciocínio Pedro, quando diz que “escravidão é um estado de dependência perniciosa a uma força opressora. Se opressão é uma maldade, poderia Deus abrigá-la em Seu caráter, ou ser considerado opressor por praticar o bem absoluto?”

Mas, não dar a possibilidade de escolha é tirania Pedro. Por conhecê-LO e acreditar que em Seu caráter Ele não é tirano, posso afirmar sem medo de errar que a possibilidade de amar ou rejeitar a Deus, de servi-LO ou abandoná-LO, de fazer o bem ou o mal, era parte de um mundo perfeito. Deus é um Deus de liberdade, foi para que fôssemos livres que Ele nos criou livres. Não escravos do bem, no sentido de sem outra opção.

Você diz: “Perfeição pressupõe a impossibilidade de imperfeição! Só é perfeito aquele, ou aquilo, que reúne, em si mesmo, tudo em absoluta ordem.”

Pedro, Deus e Suas ações são perfeitas. Pode haver dom mais perfeito do que o do livre arbítrio? Os atos e escolhas dos homens é que são imperfeitos. A possibilidade do erro e da imperfeição será sempre restrita ao homem. Deus não deixa de ser Deus por conta de nossas escolhas. Sem Deus nós não somos nada. Mas Deus continua sendo Deus sem nós. Entendeu?

Alguém disse sabiamente: “a escolha não era entre Bem e o Mal, era entre obedecer a Deus ou não, dai o fato que Deus não destruiu satanás de imediato, para mostrar a todos as conseqüências de suas escolhas.”

Foi exatamente a liberdade do pleno exercício da racionalidade que permitiu a Lúcifer o direito a não obediência a vontade divina. A conseqüência da má escolha, não submeter-se à soberania divina, é que fez surgir a manifestação do Mal. Um Mal que encontrou, na mente de Lúcifer, sua razão de ser.

Lúcifer permitiu em si mesmo a manifestação do mal quando admitiu para si a possibilidade de ser maior do que Aquele que o criou.

Você pergunta: “Por ventura, pode existir ignorância, estupidez, falta de conhecimento, maior do que acreditar na possibilidade de derrubar a Deus? Donde veio a maldade de Lúcifer? Ele herdou, desenvolveu, criou, inventou, como foi que ela apareceu? Numa coisa eu acredito: Lúcifer, como todos os seres, herdou, de Deus, conhecimento limitado. Ele era, e sempre será, ignorante em relação ao todo. Onisciente só Deus.”

Há racionalidade nisto? Há. Digo que sim porque creio que há liberdade na racionalidade e é essa liberdade que dá aos seres racionais o direito de não aceitar ou aceitar as condições estabelecidas pelo Grande Eu Sou.

A tentativa do discurso da não obediência e da negação da existência de Deus não são provas do desconhecimento da verdade ou do saber, muito menos provas da falta de racionalidade. Ao contrário, acredito que um ateu tem toda a liberdade de concluir que Deus não existe e que a moral e a verdade são relativas, mas daí a dizer que suas conclusões são a verdade há uma enorme diferença. Eles optaram por essa resposta em sua racionalidade e Deus respeitará essa posição deles de se excluírem do Seu Reino.

Há “razão para quem ignora o que é divino? Pode-se conhecer o Divino e não se agir com a razão?”

Pode e isto é muito comum, por isso o clamor do Senhor na cruz do calvário:. Leia João 8: 31-36 e  João 14:6.

Você disse Pedro: “Não dá para se afirmar que alguém tem pleno conhecimento de absolutamente nada. Portanto seremos sempre ignorantes em relação a tudo.”

Depende do que você chama de “conhecimento” e do que você chama de “tudo”. Gosto Muito de refletir sobre as palavras de João 17. Elas me ajudam a compreender na missão de Jesus o amor e a justiça divina. Esta oração Jesus faz na presença dos discípulos, oferece ao Pai na véspera da Sua crucifixão. É uma oração profunda e que encontra sua origem nos eventos que se passam nos capítulos 14 a 16.

Jesus conforta Seus discípulos. Fala de Sua partida e o destino deles. Ordena-lhes: “Credes em Deus, credes também em mim.” O que Jesus estava dizendo é que Ele e o Pai eram dignos de confiança, eram um na oferta de amor, proteção, esperança e segurança.

Quando Jesus diz, “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, Ele estava dizendo que a meta de tudo era o conhecimento do pai. E este conhecimento somente Ele podia conhecer. Conhecer Jesus Cristo quer dizer conhecer Deus. Precisamos compreender que a Sua união com o Pai está assegurada na união das Suas obras, pois tanto Suas palavras como Suas obras originavam-se no Pai.

Jesus iria deixá-los para unir-Se ao Pai, mas não os deixaria órfãos. Voltaria para eles. Enviaria um Consolador. Na verdade, o Espírito do Pai e dEle mesmo, permaneceria com eles. Mas qual seria a condição para que pudessem viver essa experiência?

O amor. O amor era a condição imprescindível e deveria resultar na obediência. Sim, a obediência à Palavra de Deus: “Se alguém me ama guardará a minha palavra... e viveremos para ele e faremos nele morada.” Sem amor não pode haver obediência.  Disse Jesus: Creiam em Mim, no Meu amor, sejam obedientes e terão a paz. Uma paz diferente da que o mundo dá. Uma paz que o mundo nem pode dar, nem tirar.

Quando Jesus diz: “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28) Jesus está comparando aqui o ofício e as funções, não o mérito e dignidade entre duas pessoas da Trindade. Suas palavras devem ser interpretadas à luz do seu contexto. Não há aqui nenhuma referência à criação do Filho com implicação de Sua inferioridade ao Pai.

Jesus estava querendo que eles compreendessem que Ele precisava voltar ao Pai porque o Pai era a meta final. A Sua condição como Filho se deu pela necessidade da encarnação, tornar-Se homem. Mas, após Sua morte Ele precisava retornar a Sua origem e o caminho que Ele deveria percorrer tinha que ser a humilhação e morte. Eles eram um. Jesus veio pelo homem, cumpriu Sua missão e agora tinha que voltar para onde viera: para o Pai.

A morte de Jesus é, portanto, o ato CULMINANTE da grande controvérsia entre bem e o mal. A testemunha fiel do caráter de amor e justiça de Deus. Somos a razão dessa morte, por isso estamos mais do que envolvidos neste conflito. O caráter de Deus, Sua Lei e Sua soberania sobre o Universo são os temas desta batalha. Um conflito que se originou no Céu, quando Lúcifer, um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás (diabo), o adversário de Deus, e conduziu à rebelião a terça parte dos anjos. Ele introduziu não somente o espírito de rebelião na Terra, mas também todo o sofrimento e dor. Leia o que diz João 3:4.

O pecado dá a Lúcifer uma propriedade e autoridade sobre nós. Segundo a Bíblia quem comete pecado é do Diabo. Para isto o Filho de Deus veio a este mundo: para destruir as obras do Diabo e nos libertar de tão grande prisão. 

Segundo Koogan e Houasse, rebelião é resistência, revolta contra o poder estabelecido, oposição veemente. Segundo a Bíblia, é isto e mais a rejeição: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Deuteronômio 30:19).

De qual maneira simples, então, Deus utiliza para colocar em prova a lealdade e obediência do homem? Gênesis 2:16-17 diz: “Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”

Árvore da vida : não é a que foi proibida.

Árvore do conhecimento : é a que foi proibida.

Esta árvore marca a diferença entre Deus (Criador) e o homem (criatura). A fronteira entre Adão e Deus. Sempre haverá essa fronteira, assim como sempre haverá conhecimento a ser aprendido. O homem terá sempre o que aprender sobre Deus e essa diferença será eterna porque nem mesmo Deus pode eliminá-la.

Deus dá a vida. O homem a recebe

Deus não tem criador. O homem tem um criador.

Deus é necessário para o homem. O homem não é necessário para Deus.

Por isso Deus proibiu tocar o fruto da árvore do conhecimento (essa diferença): “Não toque nessa diferença, pois ela é sua vida. Não toque nesta fronteira pois a medida em que sou o seu Deus você verá as conseqüências da benção de me ter como seu Criador e SENHOR.”

O homem tocou no fruto, tocou na fronteira, rebelou-se contra a autoridade do Deus criador.  Deus deu ao homem toda liberdade, menos esta de querer ser Deus. Menos a de querer a Sua posição, o Seu lugar.

Qual a atitude, então, de Deus em relação à rebelião?

 “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor e não há outro.” (Isaías 45:18)

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei.” (Ezequiel 18:32)

“Quem é Deus semelhante a ti, que perdoas a iniquidade, e que te esqueces da transgressão do resto da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque ele se deleita na benignidade.” (Miqueias 7:18)

“o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos. Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.” (Atos 14:16-17)

O amor infinito e incondicional de Deus pela humanidade foi provado na missão do resgate da humanidade. Seu amor foi grande e longe, pois escolheu humilhar-Se, esvaziar-Se. Suportou a morte como todos os mortais, mas ressuscitou como somente Deus pode fazer. NEle ganhamos o direito a vida eterna, a vida que foi perdida em Adão foi  ganha em Jesus. Somos, então, confrontados com o amor que emana de uma cruz. A grande intervenção de Deus em nosso favor se deu através dessa cruz. O conhecimento dessa verdade nos abre espaço para outras verdades de Deus. Verdades aqui no plural não porque são relativas, mas porque se complementam.

Sim, Pedro, conhecer Jesus é tudo. Qual, então, é a dificuldade para nós aqui? No “Conhecer” ou no “tudo”?

Particularmente e com humildade eu digo que o “tudo” sobre Deus não me atrai, pois tenho consciência plena que minha mente é finita. Como, pois poderia imaginar alcançar o infinito? Mas, o conhecer Jesus é tudo para quem aceita os princípios do cristianismo.

Ruth Alencar

Indico os seguintes textos:

 . Criou Deus o Mal? dando uma atenção especial para o vídeo - Mensagem 1/11 



Comentários

  1. Sejam bem vindos!



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    No Internet Explorer poderá ocorrer a não visualização de comentários postados ou poderá ocorrer a visualização de comentários sobrepostos aos posts recomendados: "Poderá também gostar de:".


    Boa leitura a todos!

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    Comunicar-se! Que coisa difícil de se conseguir!

    Em vão tenho tentado transmitir a minha idéia sobre “conhecimento”.
    Já escrevi várias vezes que o conhecimento a que tanto me refiro trata do que sabemos sobre Deus. É o que conhecemos do Divino. Não é o conhecimento acadêmico! É aquilo que nós sabemos a respeito de Deus.

    Afirmo, inclusive, que Deus, embora imensurável, é, para cada um de nós, do tamanho do conhecimento que temos d’Ele.

    Todo conhecimento é importante, porém, o conhecimento que busco incansavelmente, a cada dia, é o conhecimento relacionado às coisas de Deus. Eu quero conhecer mais e mais, a cada instante, o Deus que me deu a vida, que me redimiu e que me mantém.

    Comentei, anteriormente, sobre a dinâmica do aprendizado, dizendo que a convicção de hoje pode ser a dúvida de amanhã. Tudo em função da evolução do conhecimento. Nesta reflexão, você cita Decartes, Blaise Pascal, Kant. As divergências nos entendimentos deles são exemplos que confirmam o meu entendimento.
    Tudo é relativo, inclusive o conhecimento que temos de Deus. Só o próprio Deus é absoluto, perfeito, imutável.

    Deixemos convencionado que sempre que eu falar em conhecimento estou me referindo àquilo que conhecemos de Deus!
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    “Venho chamando a atenção sobre isto desde o início, não é a obediência intelectual que nos conduz a Deus. Não corro, portanto, o risco de “querer estabelecer índices para o nível de conhecimento das pessoas.”

    Quando eu escrevi “querer estabelecer índices para o nível de conhecimento das pessoas.” acrescentei que me referia ao costume que temos de afirmar: “ele sabe o que está fazendo”, “ele tem o conhecimento necessário para fazer a escolha certa”. Isto é estabelecer índice de conhecimento às pessoas. E, ninguém está habilitado a fazer tal avaliação.

    É meu entendimento que todo engano, pecado, é fruto da nossa ignorância. Com isto estou fazendo uma avaliação do nível de conhecimento das pessoas, considerando que pelo fato de termos sido “criados” com limitação de conhecimento, e que a nossa existência é um eterno aprendizado, estamos sempre sujeitos a errar nas nossas escolhas.

    “A obediência moral é muito mais do que um conceito, é o exercício prático do conhecimento alcançado.”

    Falamos a mesma língua, apenas não estamos nos fazendo entender!

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    ResponderExcluir
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    Entendo que a interpretação de Apocalipse 12: 12 é bem mais abrangente do que uma simples distinção entre o que é céu é o que terra! Mas...

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    João 7:17-18 disse:

    “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina,(...)

    Conhecimento do Divino, eis a questão!
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    “Há “razão para quem ignora o que é divino? Pode-se conhecer o Divino e não se agir com a razão?”

    Pode e isto é muito comum, por isso o clamor do Senhor na cruz do calvário: “Pai, perdoa porque não sabem o que fazem.”

    (...) e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

    Não consegui entender o uso das duas citações acima. Se o propósito é confirmar que se pode conhecer o Divino e não se agir com a razão, elas dizem justamente o contrário. A falta de conhecimento é a causa dos problemas. E, a justificativa divina contempla à ignorância.

    Na primeira, Jesus pediu que o Pai os perdoasse, apresentando como justificativa a ignorância de não saberem o que faziam

    Na segunda, Jesus afirma que ao conhecerem a Verdade a Verdade os libertará. Outra vez a falta de conhecimento é a causa dos problemas

    ResponderExcluir
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    “Você disse Pedro: ‘Não dá para se afirmar que alguém tem pleno conhecimento de absolutamente nada. Portanto seremos sempre ignorantes em relação a tudo.”

    “Depende do que você chama de “conhecimento” e do que você chama de “tudo”.“

    O que eu chamo de conhecimento, espero que esteja bem claro no que escrevi no início deste post, quanto ao “tudo” é literal.

    “(...) assim como sempre haverá conhecimento a ser aprendido.”

    Entendo que não temos conhecimento absoluto sobre nada.

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    “Quando Jesus diz, “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, Ele estava dizendo que a meta de tudo era o conhecimento do pai.”

    É por aí mesmo, CONHECER A DEUS É TUDO, inclusive o único meio de não se cometer enganos, pecados!

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    “Segundo a Bíblia quem comete pecado é do Diabo.”

    E você acredita nisso, de verdade? Literalmente?

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    ResponderExcluir
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    “Sim, Pedro, conhecer Jesus é tudo. Qual, então, é a dificuldade para nós aqui? No “Conhecer” ou no “tudo”?

    Particularmente e com humildade eu digo que o “tudo” sobre Deus não me atrai, pois tenho consciência plena que minha mente é finita.”

    A dificuldade é não conhecer a Deus - Deus é a Trindade - Para mim não é questão de salvação conhecer tudo sobre Deus, e sei que jamais chegarei a tanto, porém, não me canso de procurar conhecê-Lo sempre mais, e quanto mais eu conseguir, mais vou querer. Conhecer a Deus me atrai, me fascina, me entusiasma, me encanta... eu quero, quero, mais, mais...

    .
    .

    Ruth

    Uma das razões que me fazem gostar de ler o que você escreve é porque as verdades dos seus escritos vêm recheadas de melodia melífera, romantismo poético, floreio angelical. As vezes, as suas floridas incursões fazem a gente até quase esquecer o tema principal. Lamentavelmente, não tenho esse dom! O meu trato é seco, duro, objetivo. Só para facilitar o meu entendimento, gostaria que deixássemos mais claras as questões envolvendo “conhecimento”, ”mal” e misericórdia.

    Se você concordar, vamos voltar ao que é “conhecimento”, analisar direitinho o que é o mal e, também, como funciona a misericórdia divina.

    Fraternalmente.

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  7. Pedro, vc disse: "vamos voltar ao que é “conhecimento”, analisar direitinho o que é o mal e, também, como funciona a misericórdia divina."

    Com todo prazer. Abordaremos esses temas especificamente através de textos específicos.

    Quando eu disse que “Particularmente e com humildade eu digo que o “tudo” sobre Deus não me atrai”, não estava dizendo que saber sobre Deus não me atrai. Apenas quis deixar claro que não há em mim a menor pretensão de tudo saber sobre Deus. No sentido arrogante de dizer que pelo conhecimento posso dominar o assunto Deus. Eu sei quem eu sou e sei Quem Ele é.
    E tenho certeza absoluta que estes são os seus sentimentos também.

    Por isso concordo com vc quando diz: “Para mim não é questão de salvação conhecer tudo sobre Deus, e sei que jamais chegarei a tanto, porém, não me canso de procurar conhecê-Lo sempre mais, e quanto mais eu conseguir, mais vou querer. Conhecer a Deus me atrai, me fascina, me entusiasma, me encanta... eu quero, quero, mais, mais...”

    ResponderExcluir
  8. Pedro, “pelo fato de termos sido “criados” com limitação de conhecimento, e que a nossa existência é um eterno aprendizado, estamos sempre sujeitos a errar nas nossas escolhas.”

    Não seria a nossa limitação de conhecimento algo inerente à nossa própria natureza de criatura? A Onisciência jamais será um atributo humano. Por toda a eternidade seremos aprendizes do conhecimento divino. Nossos erros e acertos fazem parte desse aprendizado.

    O que mais gosto no Deus que a Bíblia apresenta é o fato de que Ele conhece a intimidade de cada um de nós e nos aceita como somos. Ele vê o que há em nós, sabe se queremos honrá-LO realmente e nos perdoa a imperfeição. Com Sua presença em nossas vidas, faz nossos corações melhores.

    Por isso, acho que Ele permite que as provações nos alcancem... para que aprendamos. Grande benção há nas provações, elas nos fazem mais prudentes, menos orgulhosos e arrogantes, mais confiantes não em nós mesmo, que somos imperfeitos, mas em NEle.

    “Falamos a mesma língua, apenas não estamos nos fazendo entender!”

    Por que vc diz que não estamos nos entendendo? Estamos debatendo, Pedro, e isto é se entender. Falamos sim, meu amigo, a mesma língua. Não tenho a menor dúvida sobre isto.


    “Entendo que a interpretação de Apocalipse 12: 12 é bem mais abrangente do que uma simples distinção entre o que é céu é o que terra! Mas...”

    Hehehehehehe... tive que me policiar ao extremo para não cansar vcs. Vou longe quando pego na caneta...

    Realmente há muito mais a ser discutido sobre Apocalipse 12:12. Podemos fazê-lo em um espaço específico para tal. Um texto só para esta passagem, topas?

    Vou elaborar um texto e ai a gente conversa. Quero ouvir vc, aprendo muito. E tenho muito prazer em compartilhar conhecimento com vc, meu amigo.

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  9. Pedro, tomei nota das suas outras observações no comentário desse texto. Voltaremos a conversar em outras propostas de textos. Não me esquecerei.

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  10. .
    .

    Ruth

    Você é como caldo de cana caiana: doce e na hora!rsrsrsrsrs

    Saudações, em Cristo

    .
    .

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