Adeus Ano Velho ou Feliz Ano Novo? (2010)



Pegue uma taça encha pela metade e pergunte a várias pessoas o que elas estão vendo. Algumas dirão que ela está quase cheia, outras que está quase vazia, outras que está pela metade...

Adeus Ano Velho ou Feliz Ano Novo? Qualquer que seja a resposta estará diretamente ligada a sua perspectiva diante da vida.

Não é Ano Velho nem Ano Novo para mim... é continuar a caminhada. Não é metade, nem quase vazio, nem quase cheio é continuar sendo preenchido na medida necessária.

O dia nos é oferecido na mesma medida com os seus desafios a cada manhã. Todos nós temos 24 horas para viver. A história de cada um com suas particularidades são elementos importantes no sentido de que nossa vida em muito depende das escolhas que fazemos.

Um jovem pobre pode olhar para a vida e ver muitos desafios e dificuldades, pode dizer para si mesmo: “vou passar fome, vou ralar muito, vai ser difícil, mas eu preciso me esforçar, ter coragem, ter esperança, ter fé... vou conseguir”.

Mas, um jovem pobre pode também olhar todo esse universo circunstancial e dizer: ”mundo injusto, nasci para sofrer, não tenho chances. Para que sonhar? Não vou conseguir mesmo!”

A diferença essencial entre esses dois jovens é a fé, seja em si mesmo, seja na própria imagem que carrega de si mesmo e da vida.

Da mesma forma um jovem rico pode olhar para tudo o que tem e dizer não há nada mais a conquistar e seguir a vida dia após dia sem grande entusiasmo. Mas, existem também os jovens ricos que se dizem: preciso valorizar e preservar o que tenho. Há ainda o que fazer.

A Bíblia nos conta a história da humanidade. Nela há o registro da história de homens e mulheres. Nela suas vidas são expostas com seus erros e acertos. Ao não esconder essas histórias a Bíblia me ensina muita coisa.

Há a história de dois homens que sempre me chamou a atenção. Eles viveram uma situação muito semelhante. Na mesma época e se confrontaram com o mesmo dilema: fidelidade ou traição.

Estou falando de Pedro e Judas. Viveram a mesma experiência com o Mestre. Andaram com Ele, ouviram as Suas mesmas Palavras, viram Suas mesmas obras.

Judas experimentou, ouviu, viu... pecou pela traição. A leitura distorcida que fez sobre quem seria Jesus e seus valores pessoais lhe derrubaram, mas o pior foi ele não ter compreendido sobre o amor e o perdão de Deus. Achou que não tinha perdão, desesperou-se, deixou-se imobilizar pela culpa e suicidou-se.

Pedro experimentou, ouviu, viu... pecou pela traição. A leitura correta que fez sobre quem seria Jesus e seus valores pessoais lhe permitiram levantar-se. O melhor aconteceu porque ele compreendeu sobre o amor e o perdão de Deus. Achou que podia ser perdoado, ajoelhou-se, deixou-se mobilizar pela fé e reviveu na esperança. Jesus constantemente alertava: “Aquele que tem ouvido que entenda”. Não é bastante apenas ouvir sobre a esperança, a fé, o amor, os sonhos, o perdão... é preciso agir também em função disto.

Pedro achou e entendeu que tinha perdão. E o alcançou. O arrepender-se é uma mudança de orientação interior. Não devemos confundir o arrependimento com o simples sentimento de "eu não devia ter pensado nisto... ou feito aquilo." Nem tão pouco confundir com o remorso de ter ofendido a Deus ou aos homens. O verdadeiro arrependimento se manifesta por um novo estado de espírito e por uma mudança concreta no dia a dia.

Ambos, Pedro e Judas, sentiram profundo arrependimento. A diferença fundamental entre os dois foi que Pedro teve verdadeira dor pelo pecado e esta dor o induziu a uma nova vida em Cristo; enquanto que Judas apenas temeu pelas conseqüências, o que o conduziu a um profundo desespero e ao suicídio.

Em Jeremias 7:3 lemos: "Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Emendai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar."

Em Atos 17: 30: "Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;"

Chamo apenas a atenção de que há uma enorme diferença entre tempo de ignorância e tempo de negligência. Um é passível do perdão de Deus o outro requer a inexistência da rebelião consciente.

Gosto destas palavras de Morris Venden: "Deus tem provido perdão para os cristãos fracos, imaturos, em crescimento, e também poder para vencer. Enquanto aprendemos como apropriar nos desse poder em nossa vida, Ele continua a andar conosco. (...) Mas é a aceitação de Jesus, o amor de Jesus e a comunhão com Jesus que proveem o poder para não pecarmos mais. Daí a absoluta necessidade que o pecador, em pecado, tem de contar com a presença, a contínua presença de Jesus. (...) Somente esse relacionamento de amor, essa contínua comunhão com Jesus, é que conduz à vitória. (...) Somente quando sabemos por experiência pessoal que Jesus não nos condena, que Ele nos aceita tais quais somos, é que obtemos a paz - começo das transformações em nossa vida. (...) É, portanto, possível ao cristão em crescimento, descobrir que tem um pecado persistente em sua vida, e ao mesmo tempo continuar o seu relacionamento com Jesus." Porém, ao sabermos que o perdão de Deus não tem limites não significa que possamos "banalizar" Sua graça. A queda aqui é aquela resultante do conflito do espírito contra a carne:

Romanos 7:14-25: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado."




Penso que estar pela metade, ou quase cheio é um pouco a mesma coisa, o importante é que tenhamos discernimento de que falta algo e o que seja este algo. Se já temos o que realmente precisamos e por isto estamos completos não nos falta mais nada, ainda que outros vejam de outra forma. Por isso, Jesus disse "a minha graça te basta".

Jesus disse que deveríamos ser mansos como uma pomba e prudentes como uma serpente. Vigiarmos sobre nós mesmos e as circunstâncias. Orarmos sempre, pois são nesses momentos de reflexão espiritual que experimentamos de forma prática o exercício da humildade e em consequência, o do gozo que se contrapõe a tristeza, da fé que se contrapõe ao desespero. O Novo não precisa romper com o Velho, apenas precisa vir com mais maturidade, afinal experiências foram vividas e olhar para trás de maneira positiva pode nos trazer grandes benefícios emocionais.

Para este novo período de continuidade em nossa luta existencial desejamos a cada um de vocês sabedoria. Não estamos falando de intelectualidade, mas da sabedoria como dom de Deus.

É... A sabedoria é um dom de Deus e como Ser Infinito Ele não Se limita em nada. A não ser nos limites que o próprio homem impõe. Ou por sua própria natureza ou por sua própria disposição. Todos os atos de Deus, apesar de Sua natureza como Deus pessoal, visam à salvação da humanidade. A nossa salvação pessoal. Então, Ele alia Suas ações à história que o próprio homem constrói. A Sua verdade obedece a historicidade desse processo. Por isso, deu entendimento a Daniel, mas disse que não era para seu tempo. Daniel alcançou um entendimento diferenciado do povo da sua geração.

Na própria Bíblia encontramos muitos versos que nos permitem concluir que a nossa salvação não depende da nossa intelectualidade, do quanto compreendemos, mas do como compreendemos a graça de Cristo e discernimos a sua necessidade para a nossa felicidade de hoje e de amanhã. E do que fazemos com o que compreendemos.

Deixo para reflexão Efésios 4:7-32. http://biblia.com.br/






Feliz caminhada... Feliz novo caminhar...

Com carinho,

Brígida e Ruth

Comentários

  1. Sejam bem vindos!



    Melhor visualização do blog no Google Chrome e Firefox!



    Em alguns navegadores poderá ocorrer a não visualização de comentários postados ou poderá ocorrer a visualização de comentários sobrepostos aos posts recomendados: "Poderá também gostar de:".


    Boa leitura a todos!

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  2. Efésios 4


    “10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.

    12 -14 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.

    15 -16 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

    17-24 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.

    Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.”


    Compreenda essa medida plena como perfeição e santidade. Compreenda perfeição e santidade como amadurecimento, tornar-se adulto espiritualmente.

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  3. Valeu... Muito amor e Paz...Meu desejo pra você em 2011 http://bit.ly/fDgmZk

    Cada manhã é mesmo uma página em branco... e o ano um grande capítulo...

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  4. Que Deus nos ajude a ser mais o que pregamos e menos o que somos...

    "...Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço..."

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  5. .
    .

    Querida Ruth

    Embora não tenha me pronunciado a cada novo texto postado, continuo “saboreando” a todos eles.

    Sem contestar o que disse outro participante, não me incomoda o tamanho da mensagem. Se inteligentemente escrita, facilita a minha compreensão e não é cansativa.

    Diferentemente de outros mais afortunados, a minha percepção e entendimento são muito limitados, o que, certamente, me traria dificuldades diante de textos muito concisos. Também, porque não é fácil, muitos tentando ser concisos acabam por não conseguirem se fazer entender.

    Então, eu gosto que você escreva bem muito! Rsrsrs...
    .
    .

    Só pra variar! Rsrsrs...

    Conhecer a Deus é tudo.

    Em Atos 17: 30: "Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;"

    “Chamo apenas a atenção de que há uma enorme diferença entre tempo de ignorância e tempo de negligência. Um é passível do perdão de Deus o outro requer a inexistência da rebelião consciente.”

    Deus não leva em conta os tempos da ignorância, e manda que todos os homens, em todo lugar, ao adquirirem conhecimento que os leve a reconhecer os seus enganos, se arrependam.
    É óbvio que ninguém precisa se arrepender de algo que não entenda ser errado.
    Negligenciar é um ato de ignorância. Rebelar-se contra Deus é um atestado de extrema ignorância.
    Só Deus tem consciência plena. É onisciente.
    Todo aquele que tem consciência relativa é ignorante.
    .
    .
    Fraternalmente, em Cristo.

    Pedro

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  6. "... porque não é fácil, muitos tentando ser concisos acabam por não conseguirem se fazer entender."


    O segredo é fazer como o Mateus... ser Jackestripador.

    Ler um pouco de cada vez para não se perder no cansaço...

    um grande abraço

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