O que é "Mundano"?



Tenho um casal de amigos que são pessoas maravilhosas! Tenho muitas saudades deles. Eles tinham medo de serem felizes e o medo deles era tão somente porque achavam que a felicidade era pecado. Para eles o cristão não deveria ficar contente neste mundo. Isto era ser do mundo. O marido chegou para mim certa vez e disse: “estou muito bem com minha esposa, muito bem mesmo... penso que está na hora de me afastar um pouco. Deus quer isto.”

Eles faziam “tudo certinho”... moravam longe da civilização, eram extremamente zelosos com a alimentação vegetariana, guardavam o sábado, iam a igreja.

Porém, o que me parecia é que isto não estava sendo suficiente para que tivessem paz. Havia algo que faltava... Eles achavam que sendo felizes estavam sendo pecaminosos, mundanos. “Deus quer isto” ou eles não queriam isto porque achavam que ser cristão significava privar-se pelo duro conceito de privar-se para obter a salvação?

Eles faziam “tudo certinho”, o marido sempre fazia questão de frisar isto. A despeito de não concordar com muitas coisas que ele chamava de “erro” e “acerto”, gostava muito da companhia deles e sinto saudades das tardes de conversas e dos almoços nos sábados. Família cristã maravilhosa...

Veio também à minha mente a experiência vivida nas montanhas do sul da França na casa de uma amiga. Esta também escolheu “sair” do mundo e alimentava-se literalmente do que a natureza lhe oferecia. Durante uma semana comemos o que colhíamos dos arredores. Enquanto estávamos lá ela recebeu em sua casa a visita de outra amiga. Esta para onde ia levava um aparelhinho para medir o grau de radiação (vivia sob o medo da contaminação de Chernobyl, que ainda hoje assusta a França). De vez em quando passava seu aparelhinho em nosso corpo também, medindo a nossa possível contaminação.

Havia algo de errado na experiência de vida dos meus amigos que achavam que estar feliz era estar em pecado. As pessoas não davam muito crédito às suas pregações. A minha amiga da montanha que considerava o isolar-se do mundo “o deixar de ser mundano” tinha um problema sério de relacionamento com os outros irmãos da fé, ela era um ser solitário, faltava-lhe o estar no mundo e ser cristã. A visita, coitadinha, com seu aparelhinho... Faltava-lhe a paz! Eles eram pessoas assustadas diante da vida!

Em Marcos 4:19 lemos: “mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.”

Esta parábola nos ensina que como cristãos não podemos simplesmente apresentar argumentos convincentes ou que possam induzir outros pela eloquência sedutora de nossa própria maneira de pensar, mas devemos semear a semente viva da Palavra de Deus no solo da mente humana. Sem a implantação dessa Palavra ninguém se torna cristão. E ser cristão é viver os princípios do cristianismo e o Cristianismo é o complexo Reino de Deus. Um Reino Espiritual porque Deus é espírito e Se importa que O sirvamos em espírito. Ser “mundano” é não viver pelos princípios desse Reino... É viver o eu. É não aplicar na própria vida o princípio de João Batista: “Que Ele cresça e eu diminua”.

Em Lucas 21:34-36 lemos:  “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra. Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.”

O que pode impedir alguém de viver os princípios desse Reino espiritual senão a indiferença, a falta de espiritualidade, a preocupação com os cuidados e riquezas do mundo. Jesus disse que quem ama o mundo mais do que a Ele não é digno DEle. Quando não damos para Ele, então, o primeiro lugar estamos subjugando Sua Autoridade e Soberania. Estamos dizendo que os princípios do Seu Reino não é o mais importante para nós. Gostamos na mesma medida ou em mais medida do que temos no mundo. Ele nos atrai e aceitamos o seu poder de sedução.

Somos “mundanos” quando subjugamos Aquele que deve por direito ter o primeiro lugar em nossas vidas. Isto está muito longe do conceito do ter ou não uma árvore de natal em casa, usar ou não uma calça comprida, usar ou não joias e maquiagem, ou ir ou não ao cinema, por exemplo.

Em Efésios 4:1-6 lemos: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.”

A falta de amor e até mesmo o orgulho para não amar os que não são amigos, são sentimentos mundanos. Temos que ser realmente livres espiritualmente para que o orgulho não nos prive das virtudes do Espírito. Afinal, “o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder.” (1 Coríntios 4:20) O padrão cristão (não mundano) é transcendentemente alto, somos realmente chamados para sermos responsáveis como testemunhas do Reino dos Céus, por isso a importância do discernir espiritualmente aquilo que espiritualmente é.

Em Filipenses 1:27 lemos: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, [...]”

Em Colossenses 1:10 lemos: “a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;”

Em 1 Tessalonicenses 2:12 lemos: “exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.”

Em 2 Tessalonicenses 1:5 lemos: “para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo;”

Não ser mundano é ter solidez na conduta cristã. Uma solidez consequente de um viver diário consciente e continuo de luta contra o mal. O mal aqui compreendido como princípio, o que se opõe ao bem. Isto é, não ser mundano é ser já aqui cidadão do Reino dos Céus.

Chamo a atenção para os versos bíblicos de Marcos 9: 38- 50 e Mateus 7:13-23. (http://biblia.com.br/)

Amar os inimigos, perdoar como Ele nos perdoa são frutos do Espírito. Que Deus nos ajude a compreendermos e entendermos isto. Assim nossas preocupações serão ter um coração puro e não estar vestido segundo a última moda. Não estaremos preocupados com um presépio ou uma árvore de natal em nossa sala, mas se podemos usar o dinheiro neles gastos para alimentarmos quem tem fome.

“Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.”

Estas palavras não são dirigidas a um ateu, mas a um professo cristão. Isto me diz que há muitos nas fileiras do cristianismo presos aos argumentos do mundo, vivem uma fé sem conhecimento do Senhor da fé.  Fizeram-se senhores da fé. Uma fé equivocada que não é fruto da real presença de Deus em sua vida. Isto é ser mundano.

Então o ser digno parece ligado ao não ser mundano. Mas, quem de nós pode com honestidade dizer que é digno do Reino de Deus?

Leiam Apocalipse 5:1-13. 

O “mundanismo” é de fato um problema sério. Muitos ficarão de fora do reino de Deus por causa dele! Pego emprestado as palavras de Norbert Hugede registradas em seu “Le Christ Oublié” (O Cristo Esquecido):

“[...] O chamado é dirigido a cada um de nós. [...] Deus procura os que são Seus. Estes que, na luta decisiva, tomarão posição ao Seu lado. Uma obra imensa está diante de nós. [...] Esteja certo que o ideal que Deus tem para você ultrapassa seus mais altos sonhos. A vida cristã [...] é uma empreitada audaciosa e apaixonante que requer o mais perfeito desenvolvimento de todas as faculdades humanas. [...] O que precisamos hoje é de pessoas que provem e argumentem, mas que vivam o que acreditam ser o certo. O cristão é uma testemunha não um advogado."

“Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.”

“Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.”

2 Coríntios 6: 14-18: “... porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? [...] Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? [...] Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.” 

Deixe de viver os argumentos do mundo. Não seja mundano! É isto que entendo nestas palavras. Deus é espírito e importa que O sirvamos em espírito e em verdade.  Jesus disse que o que contamina o homem é o que vem de dentro. Então, parece que o Senhor vê as intenções com muito zelo assim como vê as ações. O culto que Lhe prestamos passa com muita profundidade pelo viver dos que professam serem Seus adoradores. Jesus disse em Mateus 5: 28-48: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”

Meditem em: 1 João 2:9-16; João 8:12 e 23;  João 9:5, 32, 39; João 9:39; João 11:9 e João 12:25, 31, 43-46.

A verdadeira moralidade nasce de um coração renovado pela graça. Disse o apóstolo Paulo “transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2) Experimentar a vontade de Deus significa mais do que conseguir dar a resposta certa para questões morais. Envolve mais do que simplesmente possuir informações. [...] A adoração, assim como o amor, é uma atitude do coração. È uma disposição e uma decisão de tornar Deus o primeiro, de colocá-LO no trono da vida e de dar-LHE o lugar como soberano, fazendo Dele o rei da nossa vida. [...] Fazer Deus o primeiro significa deixar de lado ideias, interesses e pensamentos que entrem em competição com Ele ou diminuam Sua soberania sobre nossa vida. Esse conceito é a base, o princípio fundamental da verdadeira moralidade e do viver espiritual. É um princípio abrangente que nos permitirá avaliar as infindáveis decisões e alternativas que enfrentamos no dia-a-dia.

Em cada caso, perguntaremos: Como este vídeo, este jogo, esta amizade, este emprego ou esta propriedade vai afetar meu relacionamento com Deus? Quando realmente começarmos a viver dessa maneira, a ordem e a moralidade tomarão conta de nossa vida, a paz, substituirá a angústia, e a esperança afastará a depressão e o desespero. Somente então começaremos a compreender a obediência profundamente espiritual que Jesus descreveu no Sermão do Monte.

Muitas pessoas que instintivamente creem na existência de Deus não chegam ao ponto de torná-LO o primeiro em sua vida. Mas este é o único lugar que Ele pode ocupar se de fato for Deus. (...) Se não dermos a Deus o Seu lugar, se não tivermos feito Dele o Senhor de nossa vida, todos os outros mandamentos serão apenas regras morais que não têm o poder maior do que milhares de outras boas ideias.” (Loron Wade

“Agora... que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do SENHOR e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Deuteronômio 10:12-13)


Ruth Alencar

Comentários

  1. Que Deus nos dê sabedoria e humildade para vivermos "o que Ele cresça e eu diminua".

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