A Lei como uma Expressão da Vontade Divina


Muitos atribuem os pactos e Aliança de Deus a um povo específico: os judeus. Acontece que a Bíblia conta que Deus é um Deus pessoal e que Sua história junto à humanidade começa, na verdade, com Adão.

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Gênesis 2:4-7)


 “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gênesis 2:1-3)

O que este verso nos diz? O homem fora criado no 6º dia da criação e já no sétimo deveria descansar? E Deus? Ele Se cansa? Certamente que não! Isaías 40:28 diz: “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.”

E o homem? Como Jesus dissera anos depois: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado;” (Marcos 2:27) 

Loron Wade em seu livro “Os Dez Mandamentos” diz: “O sétimo dia é o descanso apontado pelo próprio Deus. É o dia durante o qual o Criador nos convida a participar com Ele do Seu descanso. (...) Ao repousar com Deus, declaramos ao Universo que o descanso sabático é sinal de um relacionamento com o Criador baseado na fé. [Não é irônico que algumas pessoas acusem os observadores do sábado de crer na salvação pelas obras quando, na verdade, a observância do sábado significa exatamente o oposto?]. Mas o descanso do sábado não simboliza apenas esse relacionamento; ele o promove e aprofunda, tornando-se parte dessa realidade. Nosso descanso no sétimo dia não apenas declara que encontramos segurança ( e, portanto, paz) no amor de Deus; ele fortalece essa segurança. Afirma e confirma o relacionamento entre Deus e Sua criação.”

Se você quiser aprofundar-se mais sobre o 4º mandamento da Lei de Deus este é o lugar:


Voltemos ao texto. Na narração da origem de todos os seres a atenção segue até concentrar-se no homem. Não entraremos aqui em debate sobre a natureza do processo criador da humanidade, pois isto daria outro estudo. Fixemo-nos no fato de que esta reflexão obedece a linha do pensamento de que Deus criou o homem e a mulher. E isto é o essencial, sabermos que fomos criados por um Ser inteligente e infinitamente Superior.

O que a Bíblia nos conta neste verso de Gênesis 2:1-3 é que Deus estabelece logo, desde o princípio de Sua relação com o homem, a Sua vontade. Em presença deste verso bíblico somos levados a concluir que a instituição do sábado é anterior a Moisés (Êxodo 20).

A Bíblia conta que Adão, primeiro homem, duvidou da palavra de Deus e do amor de seu Criador quando deu ouvidos às acusações do inimigo de Deus.

“E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?” (Gênesis 3:811).

Deus não foi pego de surpresa! Em Sua Onisciência tudo sabia... desde o princípio. No entanto, não cabe aqui o pensamento da predestinação. Deus sabia, mas coube ao homem fazer a História a partir de suas próprias escolhas.






De Adão até a geração de Abraão muitos outros exemplos são dados na Bíblia de rejeição ou de aceitação dessa Aliança do Criador com Suas criaturas. (Você pode conhecer esta história no livro de Gênesis do capítulo 4 ao 11)

No mesmo livro de Gênesis cap. 12 encontramos mais uma vez Deus buscando o homem e com ele fazendo Aliança. Sua vontade sempre esteve acessível ao homem. Ela já era conhecida antes da sua promulgação por escrito.

Convido você a fazer uma leitura reflexiva sobre Deuteronômio 30: 9-14.

“Porque este mandamento que, hoje, te ordeno não é demasiado difícil, nem está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Pois esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires.”

Moisés está afirmando aqui que a Palavra não ficou no céu onde os homens não poderiam alcançá-la, mas que Deus nivelou-Se à humanidade numa linguagem clara e simples. Portanto, uma Aliança nova não passou a existir, o que ocorreu foi que Deus mais uma vez vai em busca do homem... o primeiro passo sempre é Dele. Ainda que os homens anulem, quebrem o seu pacto para com Deus, o Senhor não desiste, é fiel a Sua Palavra e com Sua benignidade nos convida, nos atrai. A imutabilidade de Deus atende a nossa mutabilidade e o Senhor, então, nos faz um convite mais desafiador: amá-LO com o nosso entendimento e coração: “Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.”

Em Gênesis 25:11 nos é dito que Sua Aliança foi renovada com Isaque e depois com Jacó, seu filho (Gênesis 28: 13-21). Pergunto: A Aliança do Senhor com estes homens excluía os outros? Não, claro que não. A Aliança de Deus com os homens sempre esteve condicionada à resposta do homem, embora a Sua fidelidade, como Deus, não esteja submissa à fidelidade dos homens.

“...aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem...” (Romanos 3:2-4)

Deus sempre estará com Suas mãos estendidas para o homem. Sempre! Sua mão não se encontra encolhida. Mas, ao homem, por seu livre arbítrio, cabe o aceitar ou o rejeitar. Os braços abertos de Jesus naquela cruz são a certeza disto!

Deus não vê nações, mas seres. O homem, mesmo o homem que se diz cristão, quando distorce a verdade em mentira ergue muros... com sua vã filosofia, ergue muros, barreiras, e contraditoriamente dificulta, impede que outros se acheguem a Jesus e alcancem a verdadeira liberdade que só a Verdade é capaz de proporcionar.

Após sua experiência pessoal com Deus, Jacó teve seu nome mudado para Israel. (Gênesis 32:27) E foi com seus 12 filhos que a Aliança Divina foi renovada (Gênesis 20).

A Bíblia contém as promessas de misericórdia e os conselhos de Deus. Do aceitar ou rejeitar esse conselhos depende as bênçãos ou ausências (maldição) das bênçãos divinas.


É bem verdade que a cena da presença de Deus na Montanha e a Aliança ali firmada foram no contexto específico de um povo que Deus escolhera como Seu. O Senhor falava para Moisés e o povo hebreu. Mas, quem pode contestar que Deus falava também a toda a humanidade, haja vista que esta Aliança é a mesma feita com Adão e sua geração?

Não é verdade o que estou dizendo? Se essa Lei não estava presente desde a fundação do mundo por que Deus repreendeu Caim por haver assassinado seu irmão?

“Não matarás”, “descansarás no sábado”... se examinarmos bem o princípio da vontade de Deus já estava lá, não escrito, é claro, mas já estava lá!

O povo hebreu fazia parte da grande nação que o Senhor, em Seu amor e misericórdia, Se propunha a organizar. A nação espiritual para o Seu Reino espiritual. Isto traz para as palavras de Deuteronômio 30 um caráter de universalidade: são palavras dirigidas a toda a humanidade. Jesus, Seu nascimento, morte e ressurreição confirmam isto.

Vou lhes dar uma série de passagens bíblicas para uma reflexão pessoal: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.” (Romanos 2:28-29)

“...justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem  porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus...” (Romanos 3:22-23)

“É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios,” (Romanos 3:29)

“Está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido.” (Romanos 9:33) Jesus é esta Pedra. Lembram-se das palavras dirigidas a Maria e José por Simeão no Templo?  Leia Lucas 2:27-35

Jesus é as Boas Novas do Evangelho. Seu nascimento, Sua vida, morte e ressurreição é a resposta de Deus para o problema do pecado. Quando Jesus estendeu Seus braços naquela cruz o fez por toda a humanidade, embora Seu gesto guarde em si a natureza de um sacrifício pessoal, por cada um de nós individualmente.

Em Jeremias 31:31-33 vemos o cumprimento extensivo da graça de Deus, contida já no momento do resgate do povo hebreu, quando este era escravo no Egito.

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.” (Êxodo 20:2) Quando se é escravo não se tem liberdade. Deus estendeu Seu favor e perdão a um povo que ainda não podia compreender a obediência por amor. Vemos já, no socorro divino o estabelecimento de Sua graça. A benignidade de Deus não depende de nossa ação. Ela se nos antecipa. Uma graça que se antecipa às nossas obras.

“Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jeremias 31:3)

A Bíblia conta que o povo de Israel não cumpriu seus votos a Deus: 





“... porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR”


Não foi Deus que anulou a Sua Aliança, mas os israelitas. Enganam-se os que creem e ensinam que os 10 Mandamentos foram escritos para os hebreus. Enganam-se os que creem e ensinam que esta Lei pode ser alterada e esquartejada.

“Contudo, não obedeceram aos seus juízes; antes, se prostituíram após outros deuses e os adoraram. Depressa se desviaram do caminho por onde andaram seus pais na obediência dos mandamentos do SENHOR; e não fizeram como eles.” (Juízes 2:17)


(clique na imagem para ampliá-la)



“Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?” (Êxodo 16:28)


Por que a Lei de Deus foi alterada, então, se a Bíblia é a fonte da verdade sobre a vontade de Deus e é nela que se encontram as advertências de juízos sobre os que a alterarem?

A advertência do Senhor é séria e positiva com relação ao erro dos homens em alterar a Sua Palavra: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.” (Deuteronômio 4:2)

“Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” (Apocalipse 22: 18-19)

Não lhe parece uma contradição abrir a Bíblia, mas falar suas próprias palavras? Dentro do Cristianismo existem mais de 3.000 subdivisões, todas com a Bíblia aberta, mas em sua maioria fazendo o que querem e não o que Deus diz em Sua Palavra que devemos fazer.


Quem quer conhecer a verdade não se furtará de buscá-la mesmo que lhe pareça cansativo e doloroso. Não sei você, querido leitor, mas em assuntos de fé e vida eterna, eu decidi escutar o Senhor e não os homens.

Ruth Alencar


Comentários

  1. É intrigante o fato de que as pessoas, em geral, a maioria delas, sabem dessa mudança.

    Cegos em seguir a vontade dos homens e a "ordem" de seus "superiores", acatam as mudanças sem questionar.

    Muitas coisas mudam, em todas as denominações religiosas...alguns continuam sendo tradicionalistas, outros imparciais e outros liberalistas.

    Tudo bem, sou do tipo de pessoa que não vejo problemas em ser liberais ou tradicionais, CONTANTO que uma coisa não mude: A Bíblia e seus ensinamentos!

    A Bíblia nunca mudou e nunca irá mudar. Seus ensinamentos são eternos, a Lei de Deus é Eterna!

    Os ensinamentos de Jesus são os mesmos, não mudou com o passar dos séculos.

    Querer aceitar como prática de vida o que prega o pastor, o padre, o bispo... aceitar e não questionar quando os ensinamentos e orientações se "esbarram" contrariamente no que diz a Bíblia... É deixar que a voz dos homens falem mais alto que a voz de Deus!

    Sim!

    "Que o Senhor nos dê sabedoria..."

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