É o Deus do Antigo Testamento diferente em misericórdia e graça do Deus do Novo Testamento?

Fatos que não podemos esquecer:


. As outras nações quando guerreavam contra Israel valiam-se de seus deuses;

. Houve guerras em que Israel valeu-se do Deus Criador. Mas houve também guerras em que Israel foi por conta própria, isto é, sem pedir o conselho de Deus;

. Como o Criador é invencível, sempre que Israel lutava com o Seu apoio vencia. E sempre quando o Criador apoiava a batalha os métodos da guerra não eram de tortura, mas de conquista;

. Os adversários que reconheceram o poder do Deus dos hebreus e estabeleceram pactos com Israel permaneceram vivos, um pequeno exemplo é o da prostituta Raabe;

. As intervenções (guerras do passado, narradas no Antigo Testamento) tinham um contexto específico. O objetivo de Deus era trazer paz a Terra, livrando-a de seus moradores cruéis e violentos. E estabelecer uma nação a partir da qual Seu plano de resgate da humanidade fosse efetivado. Desta nação nasceria o Messias;

. Não vejo neste Deus crueldade, vejo determinação de preservar sob Seu poder algo que Lhe pertence por direito. A terra é Sua, Ele a criou. Não será diferente quando Ele vier novamente a Terra. Os que não ouvirem ao Seu convite serão destruídos porque Ele quer a Sua criação de volta. Isto se chama justiça. A Deus o que é de Deus. A história da humanidade com suas guerras e conflitos tem que ser lida neste contexto de forças antagônicas: O Mal querendo se apropriar da Terra como sua e impedir que Deus faça justiça. E o Bem seguindo os passos para a completa eliminação do Mal.

“Olho por olho, dente por dente”

Falamos sobre isto no texto Como Entendo 1 Samuel 15 (parte 3) mas na minha mente salpica ainda outra questão. E os homens, mesmo os que pertenciam ao quadro de líderes entre o povo hebreu, não incorreram eles na tentação de fazer justiça na base do “olho por olho” por conta própria e usando o nome de Deus? Ou mesmo em algumas circunstâncias não lhes pareceria uma solução conveniente quando com interesses particulares a atender? Deixo como reflexão 2 Samuel 21: 1-9.

Foi mesmo Deus quem deu essa resposta a Davi? Ou ele contentou-se com a resposta do rei gibeonita porque lhe seria conveniente a morte desses homens, afinal eram descendentes de Saul!

Não... a justiça dos homens está muito longe da justiça divina. Esta atitude de Davi se contradiz com a vontade de Deus.

Deuteronômio 24:16: 
“Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.”

Jeremias 31: 29-30: 
Naqueles dias, já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram. Cada um, porém, será morto pela sua iniquidade  de todo homem que comer uvas verdes os dentes se embotarão.”

Ezequiel 18:1-4: “
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.”

Há muito que pensarmos não é? Vou complicar mais ainda, vejam este vídeo:




E ai? Você concorda com a análise do pastor Jonh Piper? Você acha que Deus foi justo em “punir” Jesus Cristo por conta dos nossos pecados? Foi injustiça da parte de Deus nos prover um Redentor, um intercessor? Qual a diferença entre o principio de justiça divino aplicado através de Jesus e o princípio de justiça aplicado nas ordenanças das mortes no Antigo Testamento?

Os ateus acham um absurdo a morte de Jesus na cruz. Acham um absurdo a necessidade do sangue na remissão do homem. Uma vez um me disse que Jesus não significava nada para ele. Outros brincam com o diabo como se fosse apenas um personagem de ficção.

Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos (...) e para ser alvo de contradição (...), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. (...) Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.” (Lucas 2: 34-38)

A Bíblia apresenta muitos títulos para Jesus, vimos um pouco sobre isto aqui. A Idolatria e a Tristeza Divina (parte 1). Deus também é apresentado com muitos nomes: Altíssimo, Poderoso, o Eterno, O Grande Eu Sou, Alfa e Ômega, o Princípio e o Fim, Pai, Deus, Jeová. É preciso que digamos que em muitos desses nomes os dois se fundem. Há, porém, um para mim que é especial: 
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus FortePai da Eternidade, Príncipe da Paz;” (Isaías 9:6)

Então, não estaria cometendo nenhuma heresia se dissesse que eu creio que Jesus é Deus sob a condição humana. Ele chorou, sentiu fome, tristeza, angústia, cansaço, solidão, abandono, rejeição, traição, dormiu... morreu. Não que Deus precisasse estar ser humano, para sentir como um ser humano. A Bíblia diz que fomos feitos à semelhança de Deus: “... disse Deus: Façamos o homem à nossa imagemconforme a nossa semelhança;” (Gênesis 1:26) 
Então, como somos criaturas Suas, obras de Suas mãos, nossa herança passa pelo moral,  emocional e espiritual.

“... se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.”
 (Gênesis 6:6)

Deus Se arrependeu (entristeceu-Se) à ponto de ter o coração pesado? Ah! Então Deus também é possuidor de um coração que se comove e sente?

E. F. Kevan analisando este verso bíblico diz: “Falar de Deus como capaz de arrependimento e de experimentar tristeza é, admitidamente, o uso de linguagem antropomórfica, mas tal linguagem, a despeito disso em realidade fala de uma real experiência da parte de Deus. A discussão sobre a passividade de Deus tende a ser um tanto abstrata; porém, o Deus revelado nas Escrituras é capaz de sentir tristeza e de ser entristecido. Ele tem reações reais para com a conduta humanaNão obstante, é impossível conceber o Deus Onisciente a lamentar-Se por algum falso movimento por Ele feito. O arrependimento de Deus não é uma alteração quanto aos propósitos, e sim, uma mudança de atitude. Tal mudança, quando ocorrida no homem, usualmente implica numa mudança operada na mente, pelo que também a palavra arrependimento, na linguagem humana, representa tal mudança. Deus, entretanto, não muda de mente; Sua mente é constante, tanto no que diz respeito ao amor como no que tange à santidade. Quando o homem muda em seu comportamento, então Deus muda em Sua atitude para com ele. A expressão ”arrependeu-Se o Senhor” é simplesmente uma indicação de que a atitude de Deus para com o homem que pecar é necessariamente diferente da atitude de Deus para com o homem que obedecer.”( 
E. F. Kevan, M.TH., Reitor do London Bible College. Gênesis)

Concordo plenamente com este pensamento porque é assim que a Bíblia, como um todo, retrata Deus.

“Porque acima dos céus se eleva a tua misericórdia, e a tua fidelidade, para além das nuvens.”
 (Salmo 108:4)

Como falei no texto Como Entendo 1 Samuel 15 (parte 2) não me situo como advogada de Deus, mas como testemunha Sua. Conheço o Senhor em Quem tenho crido... claro que este conhecimento é dentro do limite que me é permitido por minhas próprias limitações enquanto ser humano em pleno crescimento espiritual. O que eu sei e o que tenho lido na Bíblia me fazem dizer com segurança que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo em misericórdia e graça do Deus do Novo Testamento. Eles são um em princípio e propósito.

“Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.” 
(Apocalipse 5:5)

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” 
(João 1:29)

Como alguém pode ser Leão e Cordeiro? Analise as possíveis diferenças e você encontrará as possíveis semelhanças. 
A grande verdade é que a maioria dos filhos e netos de Adão esqueceu-se de Deus. Tornaram-se egoístas e cobiçosos, briguentos e cruéis, e começaram a lutar entre si e matar uns aos outros, assim como Caim matara Abel. À medida que os homens deixavam mais e mais a Deus, submergiam cada vez mais nos domínios do pecado. É essa visão de homem que guardo quando vejo o Antigo Testamento e o Novo Testamento. E é neste contexto moral que tem sido aplicada a justiça divina.

Mas, para ser completamente honesta digo que não precisamos ir tão longe. O Velho Testamento testifica a bondade do Senhor Deus Criador já em suas primeiras linhas. Abra a sua Bíblia em Gênesis 4:1-16 .

Gostaria primeiramente de fazer uma observação pessoal quanto a expressão “Adquiri um varão”. Particularmente compreendo aqui que Caim não foi necessariamente ou exatamente o primeiro bebê humano. Mas, a expressão me deixa compreender que foi o primeiro bebê masculino. Onde encontro fundamentação para não errar pela literalidade? No próprio fato de que quando a Bíblia se refere a genealogias só os nomes masculinos são apresentados e a razão é chegar à genealogia DAquele que viria a ser o Messias. É claro que temos a citação dos nomes de 4 mulheres como: Tamar, Raabe, Rute e Maria, mas mesmo assim estes vieram acompanhados dos nomes masculinos.

Chamo a atenção para a expressão “no fim de uns tempos”. Percebo que um longo período se passou entre o v.1 e o v.3. Caim e Abel não eram mais crianças e com certeza outros seres humanos já haviam nascido, fêmeas, por exemplo.

Outra observação importante: “trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.”

O que isto significa? Há algumas coisas interessantes aqui: Os homens não são todos tentados em todos os tipos de pecados, mas há um teste que se impõe a todos os homens: a fidelidade e lealdade a Deus segundo a Sua vontade (vontade divina).

Gênesis 3:21 diz: “Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” Estaria errada a conclusão de que um primeiro sacrifício fora feito neste instante e que a partir daqui houve a instituição divina do sacrifício? O fato da oferenda de Caim ter sido incruenta (sem derramamento de sangue) teria algum peso na postura divina?

Hebreus 11:4 nos dá uma luz: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.”

Algo me chama a atenção, o nome dos ofertantes vem antes das ofertas. O que agradou a Deus foi o ofertante ou a oferta? Se levarmos em conta o fato de que na lei levítica o estado da mente do ofertante era o que dava valor moral a oferta, posso chegar à conclusão de que o coração de Abel agradou a Deus e o de Caim não. Em Sua Onisciência já sabia Deus o que se passava no interior dos pensamentos de Caim, talvez com relação a seu irmão ou mesmo com relação a Ele (Deus) mesmo. O fato é que os dois irmãos tomaram consciência de que Deus havia considerado diferentemente suas ofertas.

Foi Deus quem procurou Caim e lhe mostrou o que se passava em seu coração. Não foi Caim que, arrependido, O buscou. Deus o aconselhou e advertiu. Não parece isto uma repetição de Gênesis 2:16-17?

“E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Atentou Caim para Seus conselhos e advertências? Gênesis 4: 8 diz que não: “Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.”

Mais uma vez quem deu o passo seguinte? Gênesis 4:9-12 nos dá a resposta: “Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.”

Não lhe parece isto uma repetição de Gênesis 3:13?

“Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.”

A mentira e a omissão seguiram a primeira desobediência: escutar do Senhor qual era a Sua vontade e não confiar e obedecer. Este é o pecado original segundo a Bíblia. Agora vejamos a sequência da história de Caim. Deus o abandonou? Não. O pecado de Caim trouxe uma ruptura na sua relação com Deus. Caim não buscou a Sua presença. (Gênesis 4:13- 16)

O pecado faz isto, nos leva para longe de Deus. Adão e Eva foram expulsos do Éden e Caim foi para longe. Deus dizia com isto que não os amava mais e os rejeitaria para sempre? Não é isto que me dizem estes versos: “Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” (Gênesis 3:21)

“E pôs o SENHOR um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse.”
 (Gênesis 4:15)

Não hesito ao pensar na misericórdia e graça como os sentimentos de Deus nestes dois momentos. Sim, o Deus do Antigo Testamento era misericordioso e gracioso. Moisés esteve com Deus, conversava com Deus e isto foi durante muitos e muitos anos. E foi Moisés quem disse: “SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade  a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”

Não, o Deus do Antigo Testamento não era diferente em misericórdia e graça do Deus do Novo Testamento. Parto do princípio de que nossa ira em nada se assemelha a ira divina. A ira divina vem pelo ódio (repulsa) que Ele sente contra o mal, o pecado, a crueldade, a iniquidade. E a nossa ira? O que Caim fez pode nos responder. Normalmente ela se direciona ao próximo. Nossos critérios de julgamento vêm sempre influenciados por nosso egoísmo, vaidade e arrogância. Estes foram os sentimentos existentes no coração de Lúcifer quando se rebelou contra Deus.

Facilmente podemos ser condenados por nossas ‘vinganças’, mas será com dificuldades nossa condenação por nossos atos de misericórdia. Claro que misericórdia aqui não está relacionada à permissividade e frouxidão com relação ao erro, mas ao nosso senso de que somos também necessitados de misericórdia.

Ruth Alencar

Se você tiver interesse de se aprofundar mais neste tema, sugerimos escutar este episódio do Biblecast: A Bíblia no Banco dos Réus nº 1 . Explicando sobre o processo de formação do Canôn bíblico os pastores Diego e José Maria Flores abordam o que pensava o gnosticismo a respeito de Deus e Jesus. Recomendo. O tema começa a ser apresentado no tempo 17:04


Comentários

  1. Sejam bem vindos!



    Melhor visualização do blog no Google Chrome e Firefox!



    Em alguns navegadores poderá ocorrer a não visualização de comentários postados ou poderá ocorrer a visualização de comentários sobrepostos aos posts recomendados: "Poderá também gostar de:".


    Boa leitura a todos!

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  2. Vejo como é grande a percepção de Ruth sobre alguns "detalhes" importantes. A leitura da Palavra não bastaria...

    O estudo e a leitura nas "entrelinhas" é capaz de nos falar tanto!

    Confesso que não consigo ler, ouvir, estudar sobre um Deus tão Grande em Misericórdia e Graça sem me comover, me emocionar com um Amor tão especial, Zeloso, imensurável...

    Não tenho dúvidas que o Deus Justiça é o mesmo Deus Amor, e que infelizmente muitos conseguem e teimam em separar.

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  3. .
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    Inicialmente, peço desculpas pela extensão da postagem, mas como o texto foi gentilmente dirigido a mim, me senti no dever de comentá-lo com mais detalhes.
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    Ezequiel 18:1-4: “Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.”

    É muito bom que atentemos para a confirmação do seguinte detalhe: Romanos 14:5 – ...Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo.
    12 - De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

    Segundo os versos acima cada um de nós vai acertar contas só das suas próprias dívidas.
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    “... se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.” (Gênesis 6:6)

    Mesmo conhecendo tão pouco o meu Deus, não posso deixar de ignorar a literalidade desse verso. O Deus que eu conheço é perfeito! Jamais faria nada de que tivesse de arrepender-se.
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    .

    John Piper – Não concordo com tudo que ele diz, porém, há alguns anos atrás escrivi o coméntario abaixo. Hoje meu entendimento em relação à misericórdia divina está um pouco mudado. Segundo algumas pessoas, cometo o erro de “super dimensionar” a misericórdia de Deus. Absurdo!


    DEUS MATA?

    Quando sentimos sede, qual a solução para saciá-la?
    – Água, naturalmente.
    – Água ou Deus?
    – Certamente, água!
    Água é um elemento disponibilizado por Deus e que pode ser usado, também, para matar a nossa sede.
    Mas, e se não aceitarmos tomar água – água abundantemente existente ao nosso dispor – o que nos acontecerá?
    – Com certeza, depois de algum tempo morreremos.
    E, em assim ocorrendo, qual foi a causa da nossa morte?
    Quem ou o que nos matou?
    Deus, a água ou a nossa teimosia?
    A Lei de Deus expressa, traduz, manifesta, revela, o Seu caráter.
    O conjunto de leis de um país expressa, traduz, manifesta, revela, o caráter dos seus governantes.
    Numa ditadura prevalece o poder do ditador, aquele que dita as normas de convivência. O ditador personifica a lei.
    Na democracia o poder emana do povo e se caracteriza pela participação coletiva em tudo que diz respeito à convivência popular. A lei existe soberanamente, todos estão sujeitos a ela.
    Deus é o exemplo maior de um democrata por excelência! Reinando absoluto, de eternidade a eternidade, bem poderia impor de forma unilateral as Suas vontades sobre todos, pois, de todos é a fonte de existência em toda sua extensão, no entanto, a todos concede liberdade de ação individual, indistinta e absoluta. Livre escolha, opção, independência, são palavras intrínsecas à vida de cada indivíduo em relação a Deus.

    continua

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  5. Naturalmente se entende que democracia preceitua igualdade de direitos e de obrigações para todos!
    Homens são devidamente selecionados e capacitados para em estâncias próprias aplicarem a lei com imparcialidade e justiça.
    Um detalhe interessante é o fato de que depois de cometer um delito o individuo terá que se submeter a um julgamento imparcial e se declarado culpado terá que cumprir a pena que lhe for legalmente imposta. Não há perdão! Esta é a lei dos homens, mesmo no mais sublime regime político do universo, errou tem que pagar.
    Sabemos da existência de vários países, mesmo democratas, onde à lei é legitimado o direito de aplicar penalidades extremas que podem culminar com a condenação à morte.
    Suponhamos, então, que num destes países onde existe a pena capital, os Estados Unidos, por exemplo, um parente nosso cometa um crime tal e que em conseqüência seja condenado à morte. Ao nos referirmos ao fato, vamos dizer que o presidente Bush ou o juiz Fulano de Tal matou o nosso parente, ou que as leis americanas o condenaram à morte? E em relação ao carrasco, o executor material do ato, vamos taxá-lo de criminoso? Na verdade, para sermos justos, teríamos que dizer que o nosso parente cometeu um crime nos Estados Unidos e que, segundo a lei americana, o crime que ele cometeu o levou à condenação máxima.
    Não foi o presidente Bush, não foi o juiz Fulano de Tal, nem tão pouco os Estados Unidos, nem muito menos o carrasco, a causa da morte em questão. O indivíduo poderia viver “eternamente” se não tivesse infringido às leis estabelecidas naquele país. O presidente, o juiz, a nação, o carrasco, não se alegram em penalizar a quem quer que seja, no entanto, têm de fazer cumprir a lei!
    A isto chamamos: JUSTIÇA.

    continua

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  6. Vejamos, em si tratando do Democrata número um, como são tratados os crimes da comunidade universal:
    1 – A Lei deste Governante “é santa; e os Seus mandamentos, santos, justos e bons.” Romanos 7: 12;
    2 – A misericórdia habita nEle eternamente. “Ele é paciente e incansável em perdoar”. Lucas 1: 50;
    3 – Mas, “O salário do pecado é a morte.” Romanos 6: 23;
    4 – Porém, a Sua justiça é perfeita. Tiago 2: 13 Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.
    Deus é santo, no Seu governo a democracia é exercida com misericórdia e justiça. Mas é bom lembrar que, misericórdia sim, porém, com ordem e disciplina! Diferentemente dos homens, Deus realmente perdoa as nossas transgressões, e de pecado perdoado não restam conseqüências espirituais, já em relação às conseqüências materiais a questão é tratada de outra forma.
    Mas, e o texto “Deus perdoa e esquece”, joga no fundo do mar os nossos pecados?
    Vamos analisar detalhadamente como tudo isto se processa!
    A misericórdia Divina é infinita como atributo de Deus, porém, em nós a sua aplicação é finita. Há de chegar o momento em que a porta da graça há de ser fechada, definitivamente, e então:
    Apocalipse 22: 11 - Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.
    Mas, alguém poderia questionar:
    – Afinal, Deus perdoa, ou não perdoa? Como perdoa se as conseqüências do pecado são indeléveis?
    Perdoa sim, no entanto, precisamos entender alguns aspectos do perdão Divino. Quando o homem pecou sentenciou-se de imediato às mortes física e espiritual. Com o sacrifício vicário de Cristo ambas as mortes foram vencidas, bastando ao pecador tão somente aceitar a Jesus como sendo o seu salvador, mediante à Sua ação sacrificatória.

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  7. Romanos 5: 18 – Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
    – Ora, se Cristo me absolveu, pois eu aceitei o Seu holocausto, por que então ainda tenho que morrer?
    A explicação é simples! O salário do pecado é a morte, já vimos, e dos pecados, mesmo que perdoados, se conservam as suas conseqüências materiais. Melhor explicando tudo isto: aceitar a Cristo como salvador implica numa radical mudança de comportamento. Ao aceitá-Lo renunciamos ao pecado, instrumento que provoca a nossa separação, e neste instante tornamo-nos um novo ser, morremos para o pecado e passamos a viver para e em Cristo. A transformação espiritual é imediata, mas precisa ser mantida ininterruptamente, e ainda assim não nos livramos das conseqüências materiais do pecado, continuamos passivos da morte física. No entanto, segundo o beneplácito Divino, Elias e Enoque foram trasladados, não passaram pela morte corpórea, também muitos serão arrebatados quando da volta de Cristo, portanto, podemos asseverar que para o convertido há sempre uma esperança. Lamentavelmente os efeitos da depravação humana tornam impossível ao homem uma recuperação permanente. A sua malignidade nos faz ter uma nova recaída a cada instante, o que só ratifica a sentença fatal.
    Vimos, anteriormente, que o crime foi a causa da condenação à pena de morte imposta ao nosso suposto parente nos Estados Unidos. Não concordamos com a pena capital, ficamos chocados a cada ocasião em que tomamos conhecimento da sua aplicação, no entanto, é difícil considerá-la um ato de injustiça, quando é praticada de acordo com a lei. “Porque o salário do pecado é a morte”. Romanos 6: 23.

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  8. Então, há sensatez em se afirmar que o pecado é o responsável pela morte? Sim, este é o nosso entendimento!
    – Como exemplo maior de Democrata universal, Deus dotou o homem da faculdade do livre arbítrio, numa confirmação insofismável do Seu governo democrático;
    – Como exemplo de amor supremo, disponibilizou, mediante a Sua auto-revelação, um enorme rol de coisas boas em Si mesmo existentes desde a eternidade a fim de que o homem usufruísse as suas benesses;
    – Como exemplo de misericórdia, deu o Seu Filho Unigênito para que, vicariamente, pagasse pelos pecados de todos os homens, em todos os tempos;
    – Como exemplo maior de justiça, concede a todos a mesma oportunidade de salvação e vida eterna.
    Estudemos melhor sobre o que venha a ser justiça, sobre tudo Justiça Divina, a fim de que evitemos tantas injustiças praticadas em relação ao nosso próximo e principalmente injustiça contra Deus.
    Antes de acusarmos ao Senhor, apontando-O como maligno, (maligno é todo aquele que exerce a prática do mal), matador (matador é todo aquele que mata), vingativo, destruidor, odiento, façamos uma análise mais cuidadosa do Seu caráter, das Suas manifestações e, conhecendo-O melhor, certamente esse conceito de malignidade será desfeito.

    ResponderExcluir
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    Só mais uns poucos comentários
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    Quando o homem muda em seu comportamento, então Deus muda em Sua atitude para com ele. E. F. Kevan

    Não é minha intensão jogar pedras em ninguem, mas sou muito presunçoso para aceitar tudo que dizem “certas autoridades”, respaldadas pelo fato de terem um diploma de teólogos, não são poucos os “mestres” que não adimitem serem eternos aprendizes.

    Com todo respeito ao ilustre E. F. Kevan, não entra na minha cabecinha teimosa que Deus fica mudando de atitude em relação a mim a cada vez que eu mudo o meu comportamento. Por ventura Deus é surpreendido por qualquer coisa que eu venha a fazer?
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    ”O que eu sei e o que tenho lido na Bíblia me fazem dizer com segurança que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo em misericórdia e graça do Deus do Novo Testamento. Eles são um em princípio e propósito.”

    Em vista da minha ignorância, a minha concordância não tem grande significado, porém, assino em baixo. E, ponto e pronto.
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    ResponderExcluir
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    Gênesis 3:21 diz: “Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” Estaria errada a conclusão de que um primeiro sacrifício fora feito neste instante e que a partir daqui houve a instituição divina do sacrifício?

    “Costumo dizer que aí foi pregado pela primeira vez o Evangelho de Cristo.”

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    “Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.”

    Entendo que só se engana a quem não tem conhecimento, e esse é um dos pontos em que se firma o meu entendimento de que tudo é uma questão do conhecimento que temos ou que deixamos de ter.
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    “A ira divina vem pelo ódio (repulsa) que Ele sente contra o mal, o pecado, a crueldade, a iniqüidade.”

    “Claro que misericórdia aqui não está relacionada à permissividade e frouxidão com relação ao erro,”

    O meu entendimento é que Deus é absolutamente permissivo, deixa correr na frouxidão os absurdos da nossa ignorância. E mais, na Sua misericórdia, “super dimensionada” por mim, ainda pagou por todas essas besteiras que fazemos. E ainda mais, o Seu propósito é que todos tenham “vida em abundância”, é a Sua vontade que todos tenham vida eterna, e Ele é onipotente! Será possível que alguma força saia vitorioso nessa luta contra Ele? A nossa ignorância, por exemplo?! Eu não creio.

    Fraternalmente
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    .

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  11. Comecei a ler as suas postagens agora... são muito interessantes e fala muito bem das questões cristãs... Qndo eu estiver com mais tempo, leio o blog inteirinho, rs
    Grande beijo

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  12. Vc é especial para mim Lud. Continuará assim muito especial. Apareça sim, gostaria muito de ver sua manifestação através de opinião... mesmo que seja para discordar.

    Um grande beijo

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  13. Pedro

    Não se desculpe pela extensão, não se reprima, pergunte, critique, discorde, escreva muito... este blog não é uma passarela para a vaidade pessoal, mas um espaço onde podemos conversar livremente sobre Deus, fé, religião, perdão, salvação e outras coisas mais. Afinal, o nome dele é Nossas Letras e Algo Mais. Este é um espaço de aprendizado, inclusive e principalmente para nós.

    Vou comentar seus comentários no próximo texto. Tem muita coisa aí sobre o que conversar.

    Um abraço

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  14. "É o Deus do Antigo Testamento diferente em misericórdia e graça do Deus do Novo Testamento?"

    - Certamente os atributos de Deus são imutáveis, mas não podemos negar que a manifestação de Deus nos dois períodos (AT e NT)é muito diferente!...

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  15. "A manifestação de Deus nos dois períodos (AT e NT)é muito diferente!..."

    Diferentes sim, mas exatamente porque a imutabilidade de Deus atende a mutabilidade humana.

    Os contextos são diferentes porque os homens agem diferentemente ao construirem sua história, seja moral ou espiritualmente falando.

    Mas, mesmo manifestando-Se de forma diferente Ele é o mesmo em justiça e amor. É nisto que consiste a Sua imutabilidade.

    O Deus Criador é um Deus pessoal daí porque Suas manifestações assumem características diferenciadas no contexto humano.

    Este está sendo o tema do nosso próximo texto.

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  16. " Diferentes sim, mas exatamente porque a imutabilidade de Deus atende a mutabilidade humana. Os contextos são diferentes porque os homens agem diferentemente ao construirem sua história, seja moral ou espiritualmente falando."

    *** Deus é imutável não porque atende a mutabilidade humana, mas porque Ele é imutável; e em todas as épocas, o agir do homem é o mesmo: sempre com inclinação para o pecado...

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  17. Muito bem Anônimo... há um equivoco aí, não atribui ao homem o fato de Deus ser QUEM ELE É.

    Desculpe-me por haver me expressado de forma confusa.

    O que eu disse foi que as diferentes manifestações divinas existem porque Deus, apesar de ser imutável, atende a mutabilidade humana.

    Um bom exemplo disto é a destruição da cidade de Ninive.

    Eu não disse que Deus é imutável porque atende a mutabilidade humana.

    É claro que Deus é Quem Ele É e não quem os homens querem que Ele seja. Deus é imutável porque Ele é imutável. Sua imutabilidade está ligada à Sua perfeição como Pedro bem falou.

    E esta perfeição imutável atende perfeitamente a mutabilidde humana.

    Deus é um Deus pessoal e Ele nos julgará cada um por nosssas obras.

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  18. Que debate rico!! Estou aprendendo muito com essas leituras. Conhecer a Palavra do Senhor é mesmo muito mais complexo do que parece.
    Não tenho muito conhecimento teológico para acrescentar qualquer comentário às suas palavras, Ruth. Mas não posso deixar de registrar minha surpresa com relação ao posicionamento do pastor Jonh Piper sobre a pena de morte existente em alguns países. Confesso que achei o raciocínio dele bastante coerente, mas está certo?

    Tatiana Cavalcante

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  19. Quando o homem julga é sempre complicado não é?
    Somos seres falíveis e por isso há uma forte possibilidade de erros e injustiça.

    Quando Deus julga é diferente porque Deus é Onisciente, puro e justo. Creio que é por isso, que Ele reivindica para Si a vingança contra o mal.

    Entendo que o pastor Jonh Piper chocou mesmo com as suas palavras... mas há casos tão absurdos de comportamento humano que não nego às vezes ter concordado com a pena de morte.

    Em países onde a impunidade e a corrupção imperam é muito complicado porque normalmente os ricos e poderosos se safam.

    Vc pergunta se Jonh Piper está certo... Deus será rigoroso contra o mal no fim dos tempos. Às vezes eu acho os homens muito coniventes com a injustiça.

    É claro que não estou falando aqui dos apedrejamentos e forcas. Os países que aplicam tais penas são por demais injustos. A pena deve de qualquer forma vir acompanhada da misericórdia.

    Porém, não sei se como seres humanos somos éticos o suficiente para poder utilizar o sistema da pena de morte. Sinceramente sou muito desconfiada da justiça humana.

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