Seca e Frio



A primeira vez que ouvi esta música eu tinha como companhia minha mãezinha que já faleceu. Quando a música começou a tocar ela disse: “Escute esta canção, medite na letra, é assim que eu vejo a vida.”



A vida de mamãe não foi muito fácil, mas mamãe soube viver cada manhã no “sabor das massas e das maçãs”. Sovou a massa e não se deixou levar pela vida, mas segurou nas mãos de Deus e prosseguiu. Viveu esta vida em sua simplicidade e ao mesmo tempo na riqueza de suas emoções. Hoje, como nunca, compreendo o que ela quis dizer naquele dia. Desejo com ardor logo revê-la para agradecer por aquele dia em que estivemos juntas e que ela me ensinou tanta coisa!

Augusto Cury em seu livro “Maria, a maior educadora da história” escreveu: “uma pessoa é tanto mais psiquicamente saudável e rica quanto mais faz do pouco. E tanto mais pobre e infeliz quanto mais precisa de muito para sentir pouco. O segredo da felicidade se encontra nas coisas anônimas, tão visíveis aos olhos dos sensíveis e tão ocultas aos olhos dos desatentos.”

Jesus era um expert nisto. Ele conseguia extrair maravilhas das coisas aparentemente simples e comuns. Amava contar histórias e usar parábolas. A natureza era para Ele como um grande livro aberto. Uma fonte inesgotável de sabedoria. Isto faz todo sentido afinal, “todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (João 1:3)

E foi de Jesus o conselho registrado em Mateus 24:32 : “Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.”



Em João 15: 1-5 Deus é identificado por Jesus com o agricultor que arranca fora “todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.”

Jesus identifica-Se como a videira: “Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

Deus é muito generoso. Convido-lhe a ler o Salmo 136 . Ele não corta ninguém da sua história. Judas é o exemplo prático do “cortar-se” do homem. Foi Judas que decidiu ser arrancado da videira. Não Deus. A prova é o fato de Jesus, mesmo sabendo da traição, chamá-lo de “amigo”. E o mais surpreendente ainda foi a advertência que lhe fez ao dizer: “tu me trais com um beijo?”

Analisando esta citação bíblica Cury toca num ponto interessante: “A vida traz suas podas espontâneas. Ninguém precisa procurar dificuldades, elas surgem naturalmente nessa complexa vida. Mas, para o Mestre dos mestres, o sofrimento decorrente dessas podas pode ser útil ou inútil, tomar uma pessoa estéril ou contribuir para que ela gere muitos frutos, como cachos de uvas.“ A nós de aprender a sovar a massa.

Enquanto meditava em todas essas coisas veio à lembrança uma viagem que fiz em 2000. Foi uma viagem em família, simplesmente inesquecível! Fomos nos divertir na Estação de Ski de Méaudre na França. Meu esposo precisava “desestressar” um pouco de sua tese de doutorado.



Seria impossível não conseguir, tamanha era a beleza daquele lugar! 

Tudo me encantava na estrada. Meus pensamentos brincavam comparando a natureza daquele lugar e a do meu intrigante sertão. Havia algo de muito semelhante na rigidez de suas temperaturas! Havia muita vida no que parecia tão morto.

No período da seca as árvores do meu sertão, assim como as árvores no gelado inverno daquele lugar, também perdem suas folhas e o que resta durante o castigo da seca ou do frio gelado são galhos secos e aparentemente mortos. Mas a vida está lá, ressequida ou congelada, mas está lá.

Tudo era novidade para nós: o ski, a luge, a neve, o frio, os encantadores chalés, os cachorros e seus trenós... E as repentinas tempestades de neve.







Para quem mora no Ceará a sensação não podia ser outra! Éramos pequenos e “desprotegidos” picolés.

Foram muitas e muitas as quedas... mas fomos nós que escolhemos estar lá. Havia um prazer indescritível quando conseguíamos nos manter em pé, mesmo que fosse por uma pequena duração.







Nosso filho, na época com 08 anos, rapidamente aprendeu para alegria de nosso amigo, uma vez que eu e meu esposo mal saíamos do chão. De nós três foi o único a se aventurar na própria conquista e ousou subir e descer, subir e descer... Para o nosso medo, alegria e humilhação!

Para nós, restou o consolo do ski de fundo, da raquette e a luge... Nunca me diverti tanto! Senti-me uma criança! Como me encantava toda aquela brancura gelada! Como não lembrar da grande promessa!

“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Isaías 1:18)

Brancos como a neve! Nunca entendi tanto a força dessas palavras como naqueles dias em Méaudre. Não existe nada mais branco do que a neve. Pelo menos tão branco como quando ela cai do Céu! O mais interessante é que ela não tem luz, mas é extremamente incandescente. O branco reflete a luz que recebe. 

Certamente, se permanecermos em Cristo e Ele em nós é impossível não brilhar em nós o testemunho de um caráter transformado, revelador!

 “
Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” Jesus também associou os frutos bons às árvores boas, assim como os bons frutos a uma obra do Seu Santo Espírito na vida de qualquer ser humano que se entrega a Ele e Nele permanece.



“Não esqueçam os óculos escuros!” O amigo francês que nos acompanhava alertou. 

Sorri incrédula de sua necessidade, mas logo compreendi que o fato de eu não estar vendo o sol não significava que ele estava ausente. “Escondidinho” por cima daquelas nuvens ele mantinham-se poderoso. Por experiência própria vi que havia muito sentido no alerta do amigo... Pensei naqueles que gritam aos quatro ventos que Deus é uma ilusão, que Ele não existe. Ou ainda naqueles que afirmam que Ele é um Deus omisso.

Jesus diz de Si mesmo: “Eu Sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (João 8:12)

Lembro-me que enquanto me divertia não pude deixar de pensar em Apocalipse 3:18 : “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.” Sem aqueles óculos não teríamos conseguido permanecer na neve por muito tempo! Sem o Espírito de Deus em nós não conseguiremos. Sem Jesus nada podemos fazer.

Norma Youngberg em seu livro “Ayesha” conta a história de uma garotinha de 14 anos que “enfrentou uma implacável trama de perigo ao rejeitar a religião de seus pais para tornar-se cristã”. O que fez esta garotinha ter coragem para isto? Ela conheceu a Deus através da história da morte de Jesus na cruz. Aprendeu e creu que as mulheres e crianças também tinham direito à uma morada com Deus. Nada pode contra a verdade!



Foi realmente um grande susto! Nossos amigos foram skiar e nos juntamos a um grupo de desconhecidos que praticavam ski de fundo. Era nossa primeira vez.

Havíamos andado mais da metade do caminho, a chegada estava próxima... Quando de repente caiu uma tempestade de neve.

Lembrei das tempestades na caatinga... E pensei: são todas duas tempestades. Na vida a gente pode ver tipos diferentes de tempestades. Para cada uma delas há uma saída.

Naquele dia, sob aquela tempestade branca e gelada, era impossível enxergar um palmo do nariz, tudo era branco. Mas, alguém gritou: “sigam as bandeirinhas!” Só, então, descobri o porquê de todas aquelas bandeirinhas coloridas ao longo da estrada. Os responsáveis pela estação conheciam o lugar e sabiam que as tempestades com certeza viriam. As bandeiras estavam lá, como luzes naquela imensidão branca a nos guiar até a chegada. Agradeci aquela voz e me tranquilizei. Agradeci o aviso dos amigos para não esquecermos os óculos. Chegamos em paz, graças àquelas vozes e àquelas bandeirinhas.

Em Sua Palavra escrita o Senhor no deixou conselhos vitais, advertências e proibições. Tudo com um só intuito, não nos perdermos no meio do caminho. Que possamos todos compreender a Sua vontade.

Na aridez da seca do sertão e no frio daquele lugar há muita vida é só observar. E onde há vida há lições a aprender.










Após uma seca há sempre um inverno. Após um inverno há sempre uma primavera. E no controle de todos eles há o Grande Deus e Eterno Criador dos Céus e da Terra.










Ruth Alencar


Comentários

  1. Sejam bem vindos!



    Melhor visualização do blog no Google Chrome e Firefox!



    Em alguns navegadores poderá ocorrer a não visualização de comentários postados ou poderá ocorrer a visualização de comentários sobrepostos aos posts recomendados: "Poderá também gostar de:".


    Boa leitura a todos!

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  2. Ai que vontade que dá!

    Amo o frio... Que lindo tudo isso!

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  3. Nossa que legal, ainda vou ver a neve também e esquiar e tudo mais, claro que ñ vou eskecer de usar o oculos escuro....rs
    Nossa como sempre inspirador seu texto, continue escrevendo suas letras e algo mais, pq muito inspiram e edificam....fk na paz de Cristo minha amiga....Obrigado pela oportunidade de te-la como amiga para ler esse texto....

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  4. Eddie

    que bom vê-lo por aqui. É bom saber que vc compreendeu a essência...

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  5. Bri, o frio é bom, mas garanto para vc que o frio finda lembrando do calor...

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  6. Ruth

    A minha esposa lutou, ferrenha e docemente, durante muitos e muitos anos para que eu conhecesse a Jesus. Demorou mas conseguiu. E eu sou-lhe eternamente agradecido pelo santo empenho.

    Das suas andanças, a beleza que mais lhe impressionou foi a francesa. Ela insiste que eu não posso morrer sem que antes conheça Paris. E a nossa meninada concorda com ela. A minha filha mais jovem que o diga! Nem sei quantas vezes ela já foi a Paris!

    Caatinga, neve e a presença de Jesus, um perfeito triângulo amoroso! Parabéns pela experiência com os três.

    A “briga doméstica” e essa mensagem fizeram meu coração balançar!

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  7. Muito bom observar a neve, a natureza seca e a congelada por meio de seu olhar. Aliás, essa série de reflexões suas a partir da natureza me fizeram lembrar de Rubem Alves. Para ele, precisamos educar o olhar das crianças (e também dos adultos) para que elas consigam não apenas enxergar o mundo, mas vê-lo em cada rico detalhe. Agora, imagine a dimensão desse pensamento quando buscamos a presença do próprio Deus em tudo o que existe. Tremendo, né?
    Ah! Gostei muito de suas fotos na neve. O frio deixa a gente tão mais charmosas, não é mesmo? rss
    Abração,
    Tatiana Cavalcante

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  8. Sim... bem mais charmosa!!! hehehehehehehe

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