E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do Mal - 7º dia


[pois Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém!]




Este texto é a continuação de "Como Conversar com Deus - O Pai Nosso". Veja o texto de introdução.


“O Senhor nos concede a oportunidade de fazer três pedidos em nosso próprio favor. Um deles refere-se ao presente: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Outro refere-se ao passado: “Perdoa-nos as nossas dividas, como nós temos perdoado aos nossos devedores”. O terceiro apresenta uma questão referente ao futuro. Todos nós estamos de acordo quanto à nossa necessidade de pedir o pão e o perdão dos pecados. Todavia muitos discordam quanto a oração que devemos fazer com referência ao amanhã.

Ao contemplarmos o futuro, qual a nossa necessidade mais patente? O que é que mais tememos ou que mais nos causa apreensões? Para alguns são as enfermidades, e por isso suplicam a Deus que os conserve em boa saúde.

Por isso, o homem se interessa tanto por medicina preventiva, e faz seguros contra doenças ou hospitalização. Tememos a pobreza, e por isso procuramos fazer nosso “pé de meia”. Outros temem o sofrimento e se preocupam com a possibilidade de acidentes.

Outras coisas que tememos também são a impopularidade e a crítica, a velhice e a morte. Entretanto, quando Cristo quis ensinar-nos como fazer uma petição concernente ao futuro, ele não mencionou nenhuma destas coisas. A única coisa a respeito da qual ele nos manda orar, com relação ao futuro, é a possibilidade de pecarmos. O único receio que devemos ter realmente é o de que venhamos a cair em tentação.

Contudo, nós encaramos esta petição com respeito ao futuro com menos seriedade do que qualquer uma das outras cinco. Não temos medo das tentações. Pelo contrário, temos tanta confiança em nossa capacidade de dirigir nossa vida, que acabamos fazendo da tentação nossa companheira constante.

Conta-se a história de um velho que fora escravo da bebida mas reformara-se, e, aparentemente, havia superado o vício. Entretanto, toda vez que ia à cidade, ele amarrava o cavalo em um poste que havia bem em frente à taverna. Depois de algum tempo, ele voltou a antiga vida.

Tivesse ele cultivado um salutar temor pela tentação, e teria passado a atar o cabresto em outro poste.

Na maioria das vezes, a tentação começa no pensamento. No recôndito de nossa mente nós dramatizamos ou colocamos em ação os pensamentos. Lemos livros que tratam de impiedade; brincamos com a dinamite das emoções, como se fosse um brinquedo inocente. Nós nos colocamos em situações perigosas e nos deleitamos nelas. Andamos em más companhias. No trabalho ou na diversão, às vezes, ouvimos uma tentadora voz dizer-nos: “Amigo, empresta-me tua alma”! E possível que hesitemos em gastar dez centavos, mesmo estando com o bolso cheio de moedas. No entanto, arriscamos a segurança de nossa alma, embora saibamos que a perda dela e eterna.

Quando se trata de tentação, nossa coragem e pueril.

Jesus não pensa assim. Ele nos ordena que temamos a tentação mais que qualquer outra coisa. Os pontos em que julgamos fortes é que se constituem em fraqueza, pois o excesso de autoconfiança em nossa força nos leva à queda. Tememos nossas fraquezas e somos cuidadosos com elas.

Com nossa força, porém, agimos descuidadamente e é ai que somos derrotados. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia”. (2 Co. 10:12)

O que é tentação? Primeiro, é uma instigação para o mal. O terceiro capítulo de gênesis contém a descrição de uma tentação que se repetiu, de uma forma ou de outra, na vida de cada um de nós, descendentes de Adão e Eva.

A serpente disse a Eva: “Foi isso que Deus disse: que vocês não podem comer de nenhuma árvore do jardim?” Ao que ela respondeu: “De todas menos uma. Se comermos dela, morreremos”. Então a serpente retrucou-lhes que se comessem dela não morreriam. “Pelo contrário, se comerem, ficarão mais sábios; terão uma vida melhor, mais livre”.

Então as inclinações naturais de Eva começaram a entrar em choque com sua consciência e bom-senso. Aquela ordem de Deus “Não comerás” estava em conflito com a maravilhosa e tentadora promessa de uma vida melhor. E assim a tentação estava lançada.

Em segundo lugar, uma tentação significa um teste ou provação. Trata-se de uma encruzilhada da vida onde a pessoa tem que decidir que decisão vai tomar, que ação vai escolher, que tipo de caráter vai cultivar. Pode ser uma mãe que perdeu um filho tragicamente e esta sendo tentada a se tornar rancorosa e amargurada. Ou uma pessoa que enfrenta uma situação difícil e pode ser tentada a fugir através da bebida.

Alguém que está destinado a passar os dias numa cama ou numa cadeira de rodas, pode ser tentado à autopiedade. Quando somos tratados injustamente, logo sentimo-nos tentados a odiar, magoar o ofensor ou guardar rancor. Uma pessoa que enriqueceu de repente é tentada a vaidade e ao amor-próprio. A pessoa que obteve uma alta posição é tentada a lutar para obter mais poder.

Quando menino, Napoleão escreveu uma redação escolar sobre os perigos da ambição desmedida. No entanto, sua própria ambição arruinou-lhe a vida.

Moisés era conhecido pela mansidão. A Bíblia até diz que ele era o homem mais manso da terra (Nm. 12:3). Entretanto, no momento em que tentou se apoderar do poder de Deus batendo na rocha, ele perdeu sua oportunidade de entrar na terra prometida. O ponto alto da personalidade de Simão Pedro era sua coragem impulsiva. Todavia, no momento em que deveria apelar para sua qualidade mais forte, esta lhe faltou, e ele cometeu o terrível erro de negar ao Senhor.

A força do homem se mede pelos seus momentos de maior fraqueza. Todos temos um “Calcanhar de Aquiles”, um ponto vulnerável. Não podemos acabar com a possibilidade da tentação, porque somos dotados com a liberdade de escolha. E como ninguém tem vontade de ferro, todos estamos correndo o perigo de cair. Podemos escolher entre o bem e o mal, entre sermos honestos ou falsos, entre a bravura e a covardia, entre a generosidade e o egoísmo. Nossa própria liberdade de escolha em si já se torna uma tentação.

Muitas pessoas encontram dificuldades para entender esta petição, por sentirem que Deus não queria mesmo que nenhum de seus filhos caísse em tentação. Ele porém, está interessado na formação de nosso caráter, e para isto concede-nos liberdade de escolha. De outro modo, não passaríamos de simples marionetes.

A vida seria bem mais simples se não tivéssemos tal liberdade. Thomas Huxley declarou certa vez: “Se um ser poderoso se propusesse a fazer-me pensar sempre no que é certo e agir apenas para o bem, mesmo sob a condição de tornar-me um robô, eu aceitaria. A única liberdade que realmente me interessa é a de fazer o que é certo; a de fazer o que é errado, posso dispensar”. Contudo, a liberdade de fazer uma coisa exige a possibilidade de opção, dai, a tentação.

Deus nos dotou com uma vontade livre, mas o fato de a possuirmos deve nos levar a evitar, por todos os meios possíveis, o seu mau uso.

Deveríamos temer qualquer circunstância estranha que pudesse significar uma possibilidade de queda para nós.

Jesus nos adverte nos seguintes termos: “Se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti” (Mt. 5:30). Ele bem poderia estar-se referindo a uma ação literal, pois realmente é melhor perder a mão do que a alma. Entretanto, eu creio que quando ele disse mão, queria dizer a obra das mãos: “Tudo que te vier às mãos para fazer...” . Se o trabalho diário de alguém coloca-o em situações em que será mais tentado, é melhor desistir do emprego à custa de sacrifícios pessoais.

Ele disse também: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti” (Mt. 5:29). Provavelmente ele desejava referir-se às coisas em que nossos olhos estão fixados, nossos objetivos e ambições.

Uma pessoa pode se preocupar tanto com o sucesso próprio, ou com sua escalada social e material, que chegará a um ponto em que desejará o sucesso a qualquer preço. Se a direção que nossa vida está seguindo implica em perigo para nossa alma, é melhor procurar outra estrada.

“Não nos deixes cair em tentação” é uma petição que nos leva a examinar nossas decisões diárias e a olhar não para nossos alvos, mas para o destino final da estrada em que nos encontramos.

Este pedido pode ser respondido — e é respondido — de diversas maneiras.

Às vezes, é uma intervenção divina direta, ou o que chamamos coincidência. Por que foi que perdemos a oportunidade de obter um certo emprego ou posição? Talvez tenha sido pela providência de Deus. Outras vezes, ele é respondido pelo que chamamos de discernimento interior. É o caso quando, em alguns momentos críticos, sentimos a orientação segura sobre qual é o caminho certo a tomar.

Na maioria das vezes esta petição é respondida pela força interior que Deus dá a todos os que sinceramente a desejam. Há momentos em que nós nos desesperamos. Parece que nos sentimos emaranhados em uma rede de circunstâncias, seja pela sujeição a um vício, seja pela nossa fraqueza inata. Nestas ocasiões, dizemos: “De que adianta lutar? Não consigo melhorar”. Todavia, quando desejamos sinceramente nos colocar acima das tentações, e buscamos a libertação em Deus, ocorre em nós uma renovação de forças, e um espírito de confiança brota dentro de nós.

Um dos mais sublimes versos da bíblia acha-se meio escondido no pequeno livro de Judas: “Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua gloria” (V.24). É então que começamos a compreender que fomos criados para a vitória e não para a derrota; que temos de vencer o mal e não ser derrotados por ele; e, então, triunfantemente, podemos declarar como o apóstolo: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp. 4:13).

A maior mentira que o diabo forjou é a de que não podemos deixar de pecar. “Afinal de contas, você é humano”, diz ele, e com isso lança por terra os nossos altos propósitos de uma vida de santidade. Nós nos rendemos e abandonamos a luta. Mas quando travamos conhecimento com este poder sobre-humano passamos a ver tudo sob um prisma diferente. “Tudo posso naquele que me fortalece”. Esta verdade torna-se de grande poder depois que nós a experimentamos.

Há uma historinha infantil que fala de uma máquina de trem de ferro que ia subindo a serra e dizendo: “Acho que posso; acho que posso; acho que posso”. Quem insiste em dizer: “Não consigo”, ou “Está acima de minhas forças”, nunca conseguirá nada mesmo. Só em dizermos “Tudo posso”, já obtemos forças. E se ainda adicionarmos as palavras: “naquele que me fortalece”, aí então nossas forças se multiplicarão enormemente.

Li recentemente a respeito de um psicólogo que realizou certa experiência. Utilizou um dinamômetro, que dava o resultado em libras.

Pediu a três homens que medissem suas forças. A média dos três ficou em 101 libras (cerca de 45 kg). Depois ele os hipnotizou e disse a cada um: “Você agora está muito fraco”. Sob a influência daquela sugestão, a média das forças caiu de 101 libras para 29 (13 kg).

Com os homens ainda sob hipnose, ele lhes disse: “Agora terão muita força”. E dessa vez, quando eles disseram para si mesmos: “Eu posso”, a média das forças foi cinco vezes maior do que quando disseram: “Não consigo”.

Analisemos a vida daqueles que chamamos santos, daqueles que obtiveram poder espiritual acima do comum, e descobriremos que o segredo deles estava justamente nisto. Eles cometeram pecados, sim, mas não se renderam ao pecado. Nunca aceitavam uma derrota como sendo definitiva.

Não deixavam de olhar para a frente com toda a confiança. Eles diziam: “Nele, tudo posso”. E a sua força máxima era acrescentada à força do Senhor.

Este mesmo poder se acha à nossa disposição. Se olharmos para trás, talvez vejamos apenas vergonha e derrota, mas eu afirmo que é possível enxergar-se um futuro de paz e vitórias. “Crê somente”. Isto não é apenas um corinho, e fé crista.

Que maravilha a confiança que o Senhor Jesus tem em nós! Lembro-me da velha lenda que narra que, quando Jesus regressou aos céus, um anjo lhe perguntou: “Quem o Senhor deixou lá para continuar a obra”?

Ele respondeu: “Um pequeno grupo de homens e mulheres que me amam”.

“E se eles falharem, quando vier a provação? Tudo o que fizeste ficará sem efeito”?

“Sim”, respondeu o Senhor. “Se eles falharem, tudo o que eu fiz dará em nada”.
“Não há nada que se possa fazer?”

“Não”, disse Jesus. “Nada mais pode ser feito”.

“E então”? perguntou o anjo.

Jesus respondeu-lhe tranquilamente: “Eles não falharão”.

Nós podemos encarar o futuro tendo tal confiança, e declarar triunfantemente: “Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”.

E veremos a vitória de Deus tanto no mundo como em nossa vida.” (Charles Allen)

Que Deus possa abençoar você.

Comentários

  1. Sejam bem vindos!



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    Boa leitura a todos!

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