Faça-se a Tua Vontade, Assim na Terra Como no Céu - 4º dia




Este texto é a continuação de "Como Conversar com Deus - O Pai Nosso". Veja o texto de introdução.


“Jesus ensina que, para podermos orar com poder, temos que colocar Deus em nosso pensamento e reconhecer sua soberania. Devemos dizer: “Seja feita a tua vontade”. É aqui que muitas pessoas tropeçam, perdem o alento e se afastam de Deus. Eu creio saber a causa disso.

Quando estudava psicologia na faculdade, formulei um teste de associação de ideias, para aplicar às minhas congregações. Diria a palavra “Natal”, por exemplo, a uma pessoa e pediria a ela que dissesse a primeira coisa que lhe viesse a mente, associada à palavra Natal. As respostas que eu recebia eram quase sempre: Papai Noel, presentes, enfeites, etc. Raramente alguém dizia: Cristo. Cheguei à conclusão de que nós temos comercializado e paganizado o dia do aniversário do Senhor. Eu creio que resguardados certos limites este teste é bastante válido.

Vamos fazer uma prova agora mesmo. Eu mencionarei uma palavra e o leitor verificará qual é o seu primeiro pensamento — “vontade de Deus”.

Que é que isto lhe sugere? A morte de um ente querido ou um grande revés, uma enfermidade incurável ou um grande sacrifício? A maioria das pessoas quando pensa em “vontade de Deus” forma um quadro mental sombrio.

Talvez uma das razões disto seja a oração de Jesus no Getsêmani. “Não se faca a minha vontade, e sim, a tua”. (Lc 22:42). E em consequência de sua submissão, ele se encaminhou para o calvário onde foi pregado a uma cruz para morrer. E é assim que a “vontade de Deus” e “cruz” acabam-se tornando ideias sinônimas.

Mas podemos recuar um pouco mais no tempo. Vejamos Jó. Ele perdeu sua riqueza e os filhos; sofreu uma grave enfermidade, e sua esposa o abandonou; E ele associou tudo isto à vontade de Deus, pois disse: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou” (Jo 1:21). E nós também, quando temos mágoas e tristeza, dizemos: “É a vontade de Deus”. É muito natural que não desejemos tal vontade.

Parece-me que a crença geral é que a intenção de Deus é tornar nossa vida desagradável, como quando temos que ingerir remédios amargos, ou temos que ir ao dentista. Pensamos que seriamos mais felizes se não nos submetêssemos à vontade de Deus. Na realidade, nunca chegamos a dizer: “eu me recuso a acatar a vontade de Deus”. No entanto, afirmamos: “Desta vez, vou fazer o que quero”.

É preciso que nos lembremos de que o amanhecer também é vontade de Deus. Há um tempo de colheita que resulta em alimentos e vestuário para nós, e sem o qual não haveria vida sobre a terra Deus criou as estações do ano; portanto, o fato de elas existirem também é parte da vontade de Deus. A verdade é que as coisas boas da vida superam em muito as más. Há mais alvoradas que ciclones.

Nós vivemos em casas, que durante o inverno são aquecidas por meio do vapor da água (o autor se refere ao sistema de aquecimento mais usado em seu pais — os Estados Unidos). Gozamos também do conforto do gás encanado, que vem diretamente à nossa casa, mas muito antes de nós nascermos, Deus já o tinha estocado no solo, para nosso bem-estar. Na verdade, as geadas invernais são da vontade de Deus, mas o aquecimento artificial também foi Deus quem providenciou para nós. A maneira como encaramos a vontade de Deus é que mostrará se nós a aceitamos de bom grado ou nos esquivamos dela.

Jesus disse: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, em que é que pensamos quando a palavra céu nos vem a mente? Pensamos em paz, plenitude, perfeita alegria e a ausência de dores, sofrimentos e lágrimas. João viu tudo isso, e o registrou em Apocalipse 21. E estas coisas são exatamente o que queremos para nossa vida atual.

Jesus disse que isto é a vontade de Deus para nós. Antes que possamos dizer: “Seja feita a tua vontade...” temos que crer que ela é a melhor coisa para nós. Muitas vezes nós nos preocupamos com as situações imediatas enquanto Deus vê nossa vida como um todo. Tomemos o exemplo de dois estudantes. É a vontade de seu professor que eles dediquem bastante tempo a um estudo aplicado. Um deles, porém, se rebela contra essa imposição desagradável, e como quer se divertir, resolve ir ao cinema. É provável até que ele abandone os estudos para poder viver despreocupadamente.

O outro dedica-se aos livros, embora isto lhe seja penoso. Vejamos estes mesmos rapazes dez ou vinte anos mais tarde. O primeiro agora é grandemente prejudicado pela sua ignorância. Enfrenta muitas dificuldades e contratempos por causa de sua falta de preparo. O outro é mais livre, mais feliz e sua vida é menos penosa, mais compensadora, porque ele se preparou convenientemente.

Foi assim com José, o filho predileto de Jacó. Seu lar era um lugar feliz. Mas o ciúme que brotou no coração de seus irmãos fez com que estes o jogassem numa cova escura, e depois o vendessem como escravo. Mais tarde, aqueles mesmos irmãos tiveram que ir a ele, num momento de necessidade. A palavra de José para eles foi: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque para a conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn. 45:5).

É lógico que os primeiros tempos foram muito difíceis para José, mas ele não desesperou da fé, e nunca arredou de sua posição, de modo que, no fim da vida, ele podia olhar para trás e sentir o mesmo que sentiu o personagem da peça “Hamlet” de Shakespeare quando afirmou: “Existe uma divindade que dá forma aos nossos objetivos”. A submissão de nosso Senhor, ocorrida no Getsêmani, seguiu-se uma cruz, mas depois da cruz houve um túmulo vazio e um mundo redimido.

Às vezes, não é Deus quem nos leva aos vales profundos e às águas escuras. Pode ser a ignorância e a imprudência humanas. Entretanto, mesmo em tais circunstâncias, podemos sentir sua presença, porque de nossos erros Deus pode tirar algo de positivo para nós. Não foi Deus quem enviou a tragédia à vida de Jó, mas como a sua fé resistiu, o Senhor usou todas aquelas tristezas para o bem dele. É maravilhoso o que Deus pode fazer com um coração ferido, quando nós o entregamos a ele.

A vontade de Deus não somente é o melhor para nós; ela também se encontra ao nosso alcance. Muitos se retraem diante da vontade de Deus por temerem que o Senhor lhes pedirá que façam algo que não podem fazer.

Foi o caso do homem que recebeu um talento, e enterrou-o. Depois, ao explicar a razão daquele fracasso, e o porque de nem ao menos ter tentado a mínima aplicação, ele disse: “Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste”, ele disse, “e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o meu talento; aqui tens o que é teu”. (Mt. 25:24-25)

Ele estava receoso de exigências absurdas por parte do seu senhor. Cria que, mesmo que ele fizesse o melhor que pudesse, não conseguiria agradá-lo. Há muitas coisas que não podemos fazer. Por exemplo, são relativamente poucas as pessoas que possuem habilidades artísticas. A capacidade de liderança também é outro dom que a maioria das pessoas não possui. E poderíamos enumerar milhares de exemplos deste tipo.

De uma coisa, porém, podemos estar certos: nós todos podemos fazer a vontade de Deus. Moisés pensou que ele não poderia. Quando Deus o chamou para livrar os filhos de Israel da escravidão, começou a arranjar desculpas. Ele cria sinceramente que aquilo estava acima de suas possibilidades. No entanto, ele conseguiu. Nós todos podemos dizer:

“Faça-se a tua vontade”, com toda a confiança, porque Deus é um Pai amoroso, que conhece seus filhos melhor do que eles próprios. Ele exige de nós o máximo que podemos dar, mas nada além disso.

Orar “Faça-se a tua vontade” é o mesmo que alistar-se num exército para combater na guerra. Em 1972, Willian Carey entregou um sermão baseado no texto: “Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas”. (Is. 54.2). Foi uma das mensagens mais eloqüentes que alguém já pregou, pois dela resultou a criação da Sociedade Batista Missionária, cuja história não caberia em cem livros. Naquele sermão, Carey disse sua famosa frase: “Espere grandes coisas de Deus; realize grandes coisas para Deus”.

O importante, porém, é que ele não se contentou em apenas pregar sobre missões; ele abandonou tudo e foi para a Índia como missionário. Ele realmente orou: “Assim na terra como no céu”. E, para ele, aquilo significava a terra toda, pois dedicou a vida a ver sua própria oração respondida.

Recebi recentemente uma carta de uma pessoa que me solicitava que orasse a Deus para que ele não deixasse mais nenhuma criança ser atacada de poliomielite. Ela mencionava o seguinte verso: “Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos”. (Mt. 14:14). Sendo pai de três filhos, é certo que eu gostaria de ver a poliomielite erradicada completamente.

Tenho certeza de que nós podemos ver esta oração respondida à hora que desejarmos. No entanto, é preciso notar que, no orçamento da nação, dedicam-se bilhões de dólares à corrida armamentista. Mas quando pensamos em pólio, realizamos apenas uma “March of Dimes” (Campanha dos tostões). Quem sabe se utilizássemos em pesquisas o dinheiro empregado em bombas atômicas, não encontraríamos a cura não só para a poliomielite, mas também para o câncer, a artrite, e muitas outras enfermidades?

Contudo, nós somos forçados a manter este amplo programa de defesa. E de quem é a culpa? Se nós tivéssemos empregado em trabalho missionário no Japão uma quantia equivalente ao preço de uma daquelas naves de guerra afundadas em Pearl Harbor, talvez nem houvesse a Segunda Grande Guerra.

Se tivéssemos mantido o espírito cristão na Alemanha, logo após a Primeira Guerra talvez Hitler nem chegasse a ser conhecido.

Na realidade, a vontade de Deus está em operação na terra, atuando na vida de cada um de nós. Por exemplo, nenhum de nós decidiu em que século nasceria. Nenhum de nós é livre para escolher os país, a cor da pele, o sexo ou a aparência física. Tudo isto foi resolvido por uma vontade superior, a vontade de Deus.

E a vontade de Deus está operando em nossa vida. Existe um propósito para nossa vida. Eu creio que ninguém nasceu por acaso. Antes de nascermos aqui na terra, já existíamos na mente de Deus. É possível nos rebelarmos contra Ele, mas no fim seremos completamente derrotados. Uma pessoa pode recusar curvar-se à vontade de Deus e resignar-se a viver tolerando o que lhe sobrevém, mas nunca encontrará paz, nem alegria.

E como disse o poeta britânico, Tennyson: “Nossa vontade é nossa, não sabemos por que. Nossa vontade é nossa, para torná-la tua”.

Como podemos saber a vontade de Deus para nossa vida? Muitos nunca saberão pois Deus não se revela a quem não o busca com seriedade.

Ninguém pode entrar em sua presença apressadamente. Quem diz: “Senhor, aqui está minha vontade; espero que tu a aproves”, está perdendo tempo.

Somente aqueles que sinceramente desejam fazer a vontade de Deus e confiam NEle o suficiente para se submeterem completamente a ela, irão realmente conhecê-la. É inútil dizer a Deus: “Senhor, mostra-me a tua vontade; se eu gostar dela, eu a aceitarei”. Temos que aceitá-la antes mesmo de conhecê-la. As possibilidades que temos de assim agir dependem de nosso conceito de Deus.

Deus revela sua vontade de muitos modos aos que são genuinamente sinceros. Nós aprendemos muitas coisas pelo discernimento interior. Um psiquiatra declarou-me certa vez: Uma pessoa tem ou não tem discernimento. Ele não pode ser adquirido por aprendizado”. É algo que Deus nos dá.

Tenho conversado com pessoas que tem problemas de difícil solução. Elas passam horas e horas virando-se na cama, tentando dormir, mas não conseguem, por causa de seus problemas. Algumas vem no meu gabinete pastoral e ali, no silêncio e na calma, nós conversamos acerca de Deus e de seu amor e cuidado por nós. Primeiro oramos e depois falamos sobre o problema. E muitas vezes, tenho visto o rosto da pessoa se iluminar de alegria ao receber a resposta da oração e a solução de seu problema. Eu diria que Deus lhe deu discernimento. Alguns chamam a isto de “revelação interior”.

Deus também pode revelar-nos sua vontade através de terceiros ou de circunstâncias especiais, através de experiências da História, ou da descoberta de suas leis pelos pesquisadores científicos ou ainda através de sua igreja. E naturalmente, nós descobrimos a vontade de Deus também ao estudarmos a vida e os ensinos de Cristo.

Eu possuo um rádio portátil. Quando estou em casa, posso ouvir bem todas as emissoras de Atlanta. Mas, se me afasto um pouco da cidade, o som da estação fica bem fraco. O rádio ainda está ligado na mesma emissora, que ainda transmite na mesma freqüência. Fui eu quem me afastei demais. O mesmo acontece com a voz de Deus. Muitos não ouvem sua voz, porque se afastam demais dele.

A certeza de estarmos fazendo a vontade de Deus é nossa melhor arma para combater os temores e preocupações. O grande poeta Dante disse: “Em sua vontade, está a nossa paz”. Render-se à vontade DEle elimina a apreensão pelo futuro. Nós sabemos com absoluta certeza que, se nós fizermos a vontade DEle hoje, o amanhã será regido pela vontade DEle também. E não estou sendo fatalista, pois, como o salmista, eu também posso dizer:

“Jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl. 37:35).

Quando nos submetemos à vontade de Deus hoje, o Senhor passa a se responsabilizar pelo nosso futuro.

Resumindo, Jesus nos ensina então que os três primeiros pedidos de nossa oração devem ser feitos com os olhos fixos em Deus. Haverá o momento de apresentarmos nossas necessidades. Jesus nos assegura que é correto orar por nós mesmos, mas antes de podermos apresentar nossos problemas a Deus, Ele deve ocupar nossa mente. Só então é que estamos preparados para pedir-lhe bênçãos para nós.” (Charles Allen)



Continuaremos...

Dedico este texto a você Brígida.


Comentários

  1. Sejam bem vindos!



    Melhor visualização do blog no Google Chrome e Firefox!



    Em alguns navegadores poderá ocorrer a não visualização de comentários postados ou poderá ocorrer a visualização de comentários sobrepostos aos posts recomendados: "Poderá também gostar de:".


    Boa leitura a todos!

    ResponderExcluir
  2. Me sinto como um criança...

    Talvez meus filhos aprenderam melhor as lições que lhes ensinei que eu mesma.

    Eles dizem que as pessoas que conseguem tudo que quer, que pedem e lhes são dadas imediatamente, não conhecem o valor que tem o "aprendizado da conquista".

    Eu digo isso eles pois aceredito nisso.

    Agora, porquê será que fico ansiosa esperando a resposta de Deus?

    Somos adultos, mas não passamos de crianças que tem muito o que aprender com o dizer NÃO dos pais.

    Nossa visão é limitada àquilo que queremos no momento, ou até mesmo esperamos por um tempo, mas depois de certo tempo em espera pensamos "Onde está a resposta de Deus? Ele não me ouviu? Ou ele não deseja isso para mim? O que Deus quer que eu faça?"

    Aprender e colocar no coração as palavras "Seja Feita a Tua Vontade" precisa ser exercitada a cada dia, pois temos a incrível facilidade de questionar sempre as razões de não termos nossas vontades atendidas.

    Fé é um exercício... Isso eu sei.
    Preciso é exercitar e fazer o que digo, não apenas ensinar sem antes ter aprendido com o coração.

    Que Deus nos abençoes a todos e que nos dê entendimento que quando colocamos a Sua vontade em primeiro lugar, na hora certa a resposta virá. Negativa ou positiva. Se for negativa, saberemos o quão é maravilhoso nosso Deus, pois teremos aprendido que o nosso desejo não era o melhor.

    "Temos que olhar para o outro lado da rua!"

    Obrigada, Ruth!

    ResponderExcluir
  3. Ah... minha amiga, Bri, vc disse:

    "Agora, porquê será que fico ansiosa esperando a resposta de Deus?"

    Todos ficamos. Todos.

    Sabe, penso que isto não aborrece Deus. O que Lhe entristece mais é a nossa falta de fé. Não ter fé NEle significa que não Lhe fazemos confiança.

    Nem sempre estar ansioso significa falta de fé. É tb sinal de impaciência.

    Mas, um dia a gente aprende... como vc disse é um exercício diário. Para isto, precisamos ser realmente humildes e esperar que o Senhor no Seu tempo nos dará todas as respostas.

    Às vzs essa respostas passam por atalhos. A dor, a frustração são atalhos... pelo menos é assim que penso.

    O mais importante é desenvolvermos em nossas mentes o pensamento de que o Senhor é bom e só tem bons pensamentos acerca de nós.

    Acho que a fé em qlgum momento é também um salto no escuro. Escuro para nós, mas para Ele será sempre luz, afinal Ele disse de Si mesmo: "Eu Sou a luz do mundo".

    Qual a melhor coisa a fazer? Jogar-se literalmente em Seus braços e dizer: "Faça Senhor a Tua vontade".

    De uma coisa tenho certeza com Ele é felicidade certa, pois Ele não frustra.

    um grande abraço de urso.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Estamos felizes com sua participação. Volte sempre. Responderemos seu comentário logo que possível.

Postagens mais visitadas deste blog

3º Dia: Por que as coisas pioram quando mais buscamos a Deus?

5º Dia: Unges a minha cabeça com óleo e o meu cálice transborda

O Rio Jordão: As Águas de Naamã