Perdoa-nos as nossas dívidas assim como temos perdoado aos nossos devedores - 6º dia




Este texto é a continuação de "Como Conversar com Deus - O Pai Nosso". Veja o texto de introdução.


“Nesta oração Jesus menciona seis petições. Três delas se referem a Deus, e  três delas a nós. Todas as seis são sumamente importantes, mas ele parece dar um enfoque especial a uma delas. Ele não conferiu destaque nem a “Santificado seja o teu nome”, nem a “Venha o teu reino”, nem a “Faça-se a tua vontade assim na terra como no céu”, embora todos estes fatos sejam de grande importância.

Tampouco ele enfatiza nossa necessidade de pão, embora seja verdade que sem o alimento todos perecemos. Mas, depois de apresentar toda a oração, o Senhor resolve destacar uma das petições, e faz um comentário especial a respeito dela. Trata-se da seguinte: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como temos perdoado aos nossos devedores”. O comentário que ele faz é: “Se, porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas), tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. (Mt. 6:15)

Não é que Deus somente conceda o perdão na base da permuta. O perdão que damos a outrem não é uma condição para que o perdão divino seja concedido a nós. Antes ele condiciona nossa própria recepção do perdão de Deus. Shakespeare disse: “A misericórdia não pode ser forçada; ela desce suavemente como a chuva fina que cai do céu”. entretanto, é possível, por exemplo, colocar-se sobre uma planta uma cobertura de ferro, e assim impedir que a água da chuva chegue até ela. Do mesmo modo, podemos rodear nosso coração com uma cerca de rancor e assim estaremos impedindo a entrada da misericórdia de Deus.

Uma atitude errada para com outra pessoa pode prejudicá-la ou não, mas é certo que prejudica a nós. O educador americano Booker T. Washington definiu a questão muito bem quando disse: “Nunca permitirei que minha alma seja aviltada pelo ódio”.

Lembro-me de um episódio interessante do Programa de TV “Amos e Andy”.

Havia um homem alto que sempre que encontrava Andy dava-lhe um tapa no peito. Por fim, este ficou cansado daquilo e preparou-lhe uma represália.


“Agora estou preparado”, disse ele a Amos. “Coloquei uma carga de dinamite no bolsinho interno do paletó, e quando ele me der o tapa, sua mão vai explodir”. Ele se esquecera de que o seu coração também explodiria. A dinamite do ódio pode realmente infligir sofrimentos a outrem, mas também destruirá nosso coração.

As palavras “perdão” e “perdoado” são inseparáveis. Estão sempre juntas.

Quando a Rainha Caroline da Inglaterra morreu, Lord Chesterfield disse uma frase muito triste: “Uma mulher que não perdoava, agora morre sem ser perdoada”.

Na cruz, Jesus pronunciou as palavras: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Geralmente quando alguém pratica um ato condenável, sem maldade consciente, nós apenas deploramos o fato. Existe, porém, um motivo mais forte para não guardarmos rancor contra ninguém: “porque nós não sabemos”. Se compreendêssemos as razões que levam cada pessoa a agir como age, nosso julgamento não seria tão rigoroso.

Tendo nós um conhecimento tão limitado uns dos outros, é um pouco temerário nos colocarmos na posição de juízes. A Bíblia diz: “A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm. 12:19). É mais sábio deixar o assunto por conta de Deus. Li em algum lugar o seguinte poema:

Será que Deus abandonou os céus
Deixando a teus cuidados
Julgar entre o que é certo e o que é errado
E o quer e que cada um deve fazer?

Creio que ele ainda lá está
E sabe a hora certa de aplicar a vara.
Quando julgares a outros
Lembra-te: tu não és Deus.

Ele disse que devemos orar assim: “Como nós temos perdoado aos nossos devedores”.

Certo casal foi a um orfanato para tentar adotar uma criança. Havia ali um garotinho que os atraiu muito. Conversavam com ele e lhe falaram das coisas que poderiam dar-lhe. “O que é que você deseja”? Ao que ele respondeu: “Só quero alguém que me ame”.

Isto é o que todo ser humano deseja. No fundo do coração de cada um de nós existe uma grande fome de amor. O problema da solidão é bem mais sério do que pensamos. Entretanto, a maioria das pessoas não é muito fácil de se amar. Em geral, elas tem tantos defeitos; dizem o que não devem e muitas possuem espírito antagônico, quase repulsivo. Contudo, Jesus disse: “Perdoa-nos... como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Esta foi a única petição que ele enfatizou e talvez seja esta a mais difícil de fazermos.

“Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas” — débitos, pecados! Qualquer uma destas palavras exprimirá bem o que o Senhor tinha em mente. O vocábulo debito sugere a ideia de um não cumprimento de certas obrigações, que não soa apenas financeiras. Há débitos que resultam de implicações de amizade, de nossa cidadania, etc.

Ofender significa ferir a outrem de algum modo. Nossos conhecidos “nos ofendem” abusando de nosso tempo e de nosso nome ao falarem mal de nós, etc. Podemos ser ofendidos de diversos modos.

A palavra pecado fala de vício e conduta errônea, e vemos muito disso em nossos amigos. Quanto mais observamos os erros de nossos conhecidos, mais difícil se nos torna dizer esta petição; “Como nós temos perdoado aos nossos devedores”. Muitas vezes dedicamos afeição a certas pessoas, e depois somos tristemente decepcionados por ela.

Às vezes, nos sentimos como Sir Walter Raleigh, que antes de sua morte escreveu à esposa: “Não sei a que amigo encaminhar-te, pois os meus me abandonaram no momento da provação”. Algumas pessoas já foram tão magoadas, que são incapazes de pensar como o poeta Tennyson que disse:

“Eu sei que é verdade, haja o que houver,
E sinto isto, mesmo em meio ao sofrimento;
É melhor amar e sofrer,
Do que nunca amar”.

Devemos notar, porém, que Jesus disse: “Perdoa-nos as nossas dívidas”.

Ele chama atenção, em primeiro lugar, para nossas próprias dividas, ofensas e pecados. As faltas dos outros também são encontradas em nós.

Talvez não sejam exatamente as mesmas e podem ser até piores. Ele não disse: “Perdoa-nos se nós pecarmos”. Não existe nenhum se.

Façamos a nós mesmos, com todas a sinceridade, as seguintes perguntas:

“Qual é meu erro mais grave? Isto é, onde é que tenho falhado em meu dever? Que pessoas tenho ofendido? Quais os pecados que tenho cometido?”

Cada um de nós terá suas próprias respostas para estas perguntas. Todos nós erramos.

Entretanto, nossos amigos e conhecidos também terão respostas a estas perguntas. Também eles erram. O importante é sabermos que, se estivermos dispostos a perdoá-los, então poderemos receber perdão de Deus. Quanto a mim, isto me parece mais que justo. O que pensa o leitor?” (Charles Allen)


Continuaremos...

Comentários

  1. Sejam bem vindos!



    Melhor visualização do blog no Google Chrome e Firefox!



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    Boa leitura a todos!

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  2. Salvos pela graça e misericórdia de um Deus que nos ama profundamente.

    Não entendo os religiosos que ensinam a necessidade de penitências. Nada, mas nada mesmo que pudermos fazer será capaz de nos proporcionar a paz do perdão que acalma e sara feridas.

    Maravilhoso amor que se dá pela essência de amar doar-se. Maravilhoso Deus que consciente de quem somos insisti em nos querer em Seu Reino de Paz.

    Como não amar um Deus assim?

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