Quando o Amor é a Essência : conversando sobre Lucas 15

Jesus era um grande contador de histórias. Ele amava ensinar através de parábolas. Tem duas que amo muito. Elas fazem parte das três parábolas da Graça: a ovelha perdida, a dragma perdida e o filho pródigo. Elas têm uma conexão entre si e são somente encontradas no Evangelho de Lucas. Essas parábolas foram respostas de Jesus aos comentários dos fariseus e dos escribas porque Ele Se associava com publicanos e pecadores:
A Ovelha Perdida: (Lucas 15: 3-7)

“Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”

A Dracma Perdida: (Lucas 15: 8-10)

“Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.”

“As parábolas da Ovelha Perdida e da Dracma Perdida estabelecem o amor de Deus que sai à procura e salientam o aspecto da graça demonstrada na obra do Filho e também do Espírito Santo.” (E.F.Kevan, M.TH., Reitor do London Bible College. Gênesis, Nota sobre as aparições do Senhor Ressurreto).


O Filho Pródigo: (Lucas 15: 11-32)

“E continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos.

Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.

Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.”

Na parábola do Filho pródigo aprendemos sobre o amor perdoador de Deus e Sua maravilhosa graça. Ela está dividida em duas partes: "A primeira (...) revela a atitude do coração de Deus com relação ao mundo dos pecadores. A segunda narra a cerca do irmão mais velho, salienta o espírito dos fariseus e escribas em suas lamúrias contra Jesus e revela a atitude de Deus para com eles. (E.F.Kevan, M.TH., Reitor do London Bible College. Gênesis, Nota sobre as aparições do Senhor Ressurreto).

Interessante ressaltar que segundo a lei judaica o filho mais velho, na herança, recebia uma porção dupla. Isto evoca que o filho mais velho (no caso os fariseus e escribas) estava tomado pelo sentimento do não querer compartilhar, do egoísmo, da ganância. E, portanto, ele já era herdeiro e não deixaria de ser por conta do retorno do irmão mais novo.

O que motivou a ação do pastor, da mulher e do pai? O amor. O amor motivou o esforço da busca e o maravilhoso perdão. Gosto de pensar no Senhor como um Deus que não desiste dos Seus filhos. Um Deus que vai além do comum, que nos deixa livres e quando, em nome dessa liberdade fazemos tolices, não nos rejeita, ao contrário, além do Seu perdão nos conforta e sara nossas feridas. Feridas estas que muitas vezes provocamos seja por ignorância, seja por rebeldia, seja por orgulho e vaidade. O ser humano que se considera autossuficiente sofre muito nesta vida, geralmente essa arrogância rouba-lhe a benção do conforto espiritual. Tenho aprendido que a humildade produz a paz. Ter a certeza da presença do Senhor ao meu lado, seja qual for a circunstância tem me proporcionado tranquilidade, coragem e paz.

Você dirá logo no início deste vídeo: “é o fim do pequenino”, foi isto que eu me disse. Mas, aí o amor, a misericórdia e a amizade, os mais supremos dos sentimentos, entram em cena e mudam a história. Tenha coragem para ir em frente e veja que final extraordinário!

Observem que há um líder, vejam a atitude dele tanto para com os leões como para com os búfalos. Ele sabe que devem permanecer unidos, pois o inimigo é voraz. Isto me lembra o cuidado do Senhor quando enviava os discípulos para alguma missão, sempre eram enviados em dupla. Sem falar nos Seus muitos conselhos sobre a união entre os Seus filhos.





Eu imagino a dor do pequeno animal ao ser objeto de disputa dos ferozes predadores. Penso que há ataques de Satanás e seus anjos a nós seres humanos que são semelhantes. A história de Jó é um grande exemplo. Mas, o maior de todos os exemplos para mim foi o sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Satanás e seus anjos foram cruéis ao extremo. Eles queriam que Jesus desistisse...




Este pequeno búfalo não teria sobrevivido sozinho se simplesmente o amor da manada não tivesse entrado em campo. Interessante como se uniram para alcançar a liberdade do pequenino. Não tiveram a pressa da impaciência, permaneceram unidos e combateram predador por predador. Um a um foram enfrentando. O que isto nos ensina? Penso que não devemos olhar uma situação problema sem considerar as partes do problema. Seja no campo emocional ou mesmo no espiritual.

Outra coisa que aprendo, por mais desesperadora que seja uma situação se tivermos o apoio certo haverá sim uma saída.

Quem depois de um vídeo deste pode ousar dizer que o amor é um sentimento humano? Eu o percebo como divino. Deus imprimiu Sua face em toda a Sua criação. Amamos porque Ele nos amou primeiro:

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. (...) No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. (...)” (1 João 4: 16-21)

Jesus foi vitorioso e Sua vitória é a nossa. Não tenha medo das circunstâncias. Encare as dificuldades com a seriedade, mas, sobretudo com serenidade, descanse nas promessas de um Deus pessoal que disse que estaria conosco até a consumação dos séculos.

Antes de Pedro negar a Cristo ele foi advertido por Ele de que satanás havia reivindicado “peneirá-lo”, a fim de provar a fragilidade de sua fé.

“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.” (Lucas 22:31-32)

Satanás desejou reviver o sofrimento que provocara em Jó: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. (...) Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela. Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR.” (Jó 1: 1-12).

Se você, amigo leitor, não conhece esta história sugiro que leia o livro de Jó, um dos livros do Antigo Testamento das Sagradas Escrituras.

Segundo a Bíblia, Satanás teve a permissão de fazer um teste nos apóstolos, tal como no caso de Jó. Jesus anunciou a negação de Pedro e orou especialmente por ele como o líder do grupo e como um dos que mais necessidade tinha de ajuda. Jesus se dirigiu a Pedro, mas o pronome plural indica que também se referia a todos. Satanás já tinha peneirado e vencido a Judas.

Pedro precisava compreender que ele teria que ser restaurado. Ele precisava aprender que a força semelhante à rocha não era encontrada na confiança própria.

É confortante saber que o Senhor intercede por nós, mesmo quando não estamos cientes do perigo. João 17 fala de uma oração que o Senhor Jesus fez logo depois dessa conversa com os discípulos. Jesus nos incluiu, orou por eles e nós, futuros discípulos Seus: “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. (...) É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. (...) Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; (...) ” (João 17:1-26)

Jesus avisou que Pedro cairia, mas que isto não seria o fim de tudo porque ele seria vencedor, seria transformado.

A experiência de negar o Senhor, arrepender-se e ser perdoado, operou em Pedro a transformação que o capacitou a ajudar outros em sua experiência espiritual.

O Senhor nos alertou que Satanás nos rondaria como um leão, por isso nos aconselhou a vigiar e orar para não cairmos em tentação. Como um Pai amoroso também nos prometeu estar conosco até a consumação dos séculos.




Eu creio em Deus como um Pai assim. Ele nos deixa livres, mas Seus olhos estão atentos. Convide o Senhor para fazer parte de sua vida e submeta-se a Sua vontade. Deixe que Ele seja o Senhor e você gozará da Sua paz e conforto. Ainda que haja sofrimento.


Parte 2: 




Ruth Alencar


Comentários

  1. Sejam bem vindos!



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  2. Teremos sempre a opção de paz no Senhor. Nossa vida não precisa ser somente um fardo a carregar. Ele disse que estaria conosco e que poderia carregar os nossos fardos. Ele disse que poderíamos ter uma vida em abundância.

    Que em sua vida você tenha a tenha em seu sentido pleno.

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    1. 2 de junho de 2011 12:52

      Transferimos este comentário para este texto para melhor discussão:

      Marcos Sancho disse...

      "Amiga Ruth. Lendo Lucas 15,22 me surgiu uma dúvida, talvez de pontuação. Quem, de fato, colocou a roupa, o anel e as sandálias no filho pródigo?"

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    2. 2 de junho de 2011 14:21
      Marcos,

      “O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;” (Lucas 15:22)

      Se vc ler este texto “Quando o amor é a essência verá que nele ressalto que a essência do ensinamento de Jesus com essa parábola é o amor motivado pela graça e misericórdia de um Deus que tem os braços longos o suficiente para alcançar Seus filhos errantes não importa onde tenha que ir buscá-los. Um Deus misericordioso, amoroso e perdoador. Um Deus que gosta de fazer alianças e que está sempre disposto a recomeçar. Mas, não é qualquer recomeço. É começar do zero! Por isso, o coração escarlate do pecador pode tornar-se branco como a neve. Ele dá essa garantia.

      Gosto de pensar no Senhor como um Deus que não desiste dos Seus filhos. Um Deus que vai além do comum, que nos deixa livres e quando, em nome dessa liberdade fazemos tolices, não nos rejeita, ao contrário, além do Seu perdão nos conforta e sara nossas feridas. Nos limpa, nos calça, nos veste com Sua justiça.

      Quando estamos despidos ou maltrapilhos o que nos falta? Vestes e em condições melhores do que as que portamos. Quando estamos descalços é lógico que nos é necessário são sandálias para nos proteger os pés. E o anel? Por que um anel?

      Essa parábola revela a atitude do coração de Deus com relação ao mundo dos pecadores. Deus conhece as nossas necessidades essenciais e as supre em sua plenitude. É Ele quem nos supre com o perdão, com a justiça, com a liberdade e com a redenção.

      Vc pergunta: "Amiga Ruth. Lendo Lucas 15,22 me surgiu uma dúvida, talvez de pontuação. Quem, de fato, colocou a roupa, o anel e as sandálias no filho pródigo?"

      Bem, se levarmos em conta que estamos analisando uma parábola e uma parábola se caracteriza por uma razão moral e como esta foi contada por Jesus, com certeza há uma lição de teor espiritual também.

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    3. 2 de junho de 2011 14:34
      Note que na lição é dito que “O pai, também, ordenou aos empregados que trouxessem “a melhor roupa” e a colocassem sobre o filho. A palavra grega traduzida como “melhor”, nesse texto, vem de ‘protos’, que significa muitas vezes “primeiro” ou “principal”. O pai estava lhe dando o melhor que tinha para oferecer.”

      Quem era o público alvo desta parábola? Ao contar narrativa Jesus queria ensinar algo a um público que Ele identifica tb na narrativa como o irmão mais velho.

      O público alvo seria, então, os publicanos, pecadores e fariseus/escribas. Os publicanos eram os odiados; os pecadores eram os imorais; e os fariseus/escribas eram os críticos.

      Wendel Lima comentando a lição diz: “Talvez tão trágica quanto a rebeldia inicial do filho mais novo, foi a reação final do filho mais velho.

      Quando ele voltou do trabalho e viu que a festa era para o irmão que havia desperdiçado tudo, ficou indignado (v. 28). Nem sequer entrou em casa. A alegria do filho mais velho não foi a mesma do pai. Ele nem considerou mais o pródigo como seu irmão: “este teu filho” (v. 30). O amor do pai para com o filho que desperdiçou tudo no vício e com as prostitutas foi um insulto para ele. Sua linha de raciocínio parece justa: ele havia renunciado o prazer, trabalhara duro e nunca fora reconhecido. O pai nunca tinha matado um bezerro para comer com ele e seus amigos. Numa frase-chave, porém, o filho mais velho denunciou sua motivação: “todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens” (v. 29, NVI).

      O filho mais velho não havia entendido o que era ser filho. Ele se havia comportado como um jornaleiro, um servo. O pai carinhosamente explicou que ele, assim como o pródigo, não precisava comprar seu direito de filho; ele já era filho: “tudo o que tenho é seu” (v. 31). A justiça própria leva o homem a distorcer o caráter de Deus e a criticar o próximo. O mais velho se sentia digno. Pensava que ele, sim, merecia a herança, em lugar do mais novo. Que tragédia! Os dois filhos estavam perdidos!

      Jesus queria que seu público terminasse o enredo. Cada um de Seus ouvintes precisava se identificar com um dos irmãos e escolher seu destino. Fica fácil perceber o que Cristo quis insinuar: o filho mais novo representava os publicanos (odiados) e os pecadores (imorais); já o filho mais velho simbolizava os fariseus/escribas daquela e de todas as épocas."

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    4. Compreendo, Marcos, que é Deus (o pai) quem provê essas necessidades, isto é, quem coloca a roupa, o anel e as sandálias é Deus. O fato de evocar a participação dos servos é o reforçar que Jesus quer dar da importância da participação do compartilhar dos servos com a Sua alegria. Os fariseus e escribas, público alvo da parábola estavam tomados pelo sentimento do não querer compartilhar, do egoísmo, da arrogância e da ganância.

      Na lição lemos: “Se vermos “a melhor roupa” como o manto da justiça de Cristo, então tudo que era necessário foi provido naquele momento e naquele local. O filho pródigo se arrependeu, confessou, e se converteu de seus caminhos. O pai supriu o restante. Se isso não é um símbolo da salvação, o que seria?”

      A lição diz tb que “o anel é colocado no dedo, como símbolo de sua realeza.” Eu acrescentaria tb o aspecto da nova aliança entre Pai e filho.”

      E as sandálias? Lembra da ordem do Senhor para Moisés tirar as sandálias? Agora é ressaltado o colocar das sandálias. “O que isso mostra, entre outras coisas, é que a restauração, pelo menos entre o pai e o filho, naquele momento foi completa”. Ele estava completamente perdoado, digno de”estar calçado”.

      Há comentaristas que dizem que sandália e anel são símbolos de liberdade.
      Wendel Lima diz: “A reação do pai é espetacular, um ícone da postura de Deus em relação ao pecador. Diz a Bíblia que o pai enxergou o filho de longe. O tempo poderia ter passado, as roupas estavam gastas e o rosto sujo, mas esse pai não se havia esquecido do jeito de andar nem da fisionomia de seu filho. Antes que o rapaz terminasse de se explicar, o pai o abraçou. O que havia de melhor no pai se encontrou com o que havia de pior no filho: perfume x fedor; limpeza x sujeira; riqueza x sujeira; e dignidade x humilhação. O pai trocou as roupas do filho, deu-lhe um anel e sapatos, símbolos de que era um homem livre, não um escravo. Ele fez questão de não expor o filho, cobriu sua imundície, seu passado. As novas roupas deram ao filho um novo status; ele estava novamente identificado com o pai. A alegria do pai foi contagiante. Ele organizou uma festa. Mandou matar um novilho cevado, animal reservado para uma ocasião especial. O filho que estava morto reviveu!

      Por essa compreensão espiritual do significado da parábola concluo que quem, de fato, colocou a roupa, o anel e as sandálias no filho pródigo foi o Pai. Tem sido assim conosco!

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  3. Amiga Ruth. Obrigado por sua rica resposta. Gostei. Mas, minha dúvida, devido a tradução e pontuação do texto, seria: Foram os servos que lhe colocaram a melhor roupa e seu pai colocou o anel e as sandálias?

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  4. 1-Versão João F. Almeida Revista e Atualizada:

    "O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;"

    2-Versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

    "Mas o pai ordenou aos empregados: "Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés."

    3- Versão Nova Versão Internacional:

    "Mas o pai disse aos seus servos: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés."

    4-Versão João F. Almeida Atualizada

    "Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;"

    5- Versão Reina Valera (1909)

    "Mas el padre dijo á sus siervos: Sacad el principal vestido, y vestidle; y poned un anillo en su mano, y zapatos en sus pies."

    6-Versão King James

    "But the father said to his servants, Bring forth the best robe, and put it on him; and put a ring on his hand, and shoes on his feet:"

    7-Versão Louis Segond (1910)

    "Mais le père dit à ses serviteurs: Apportez vite la plus belle robe, et l'en revêtez; mettez-lui un anneau au doigt, et des souliers aux pieds."

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  5. Marcos, sinceramente, não vejo nenhum problema de pontuação. A não ser que o original nos traga alguma novidade, mas como não sei grego fica apenas aqui o registro da Versão Hebreu (c/vogais)/Grego Transliterado:

    "eipen de o patêr pros tous doulous autou a=tachu exenegkate tsb=tên stolên tên prôtên kai endusate auton kai dote daktulion eis tên cheira autou kai upodêmata eis tous podas"

    Se alguém que sabe grego ou hebraico quiser nos explicar se no original há algo em relação à sua pergunta será bem vindo.

    Agora, complementando nossa reflexão, veja o que diz o comentário adventista:

    "Tirem.

    A evidência textual estabelece a inclusão da palavra "rapidamente". "Tragam às pressas o melhor vestido".

    "'Vestido' = Grego 'stol', objeto masculino, exterior e ampla que chegava até os pés. As pessoas que ocupavam posições hierárquicas costumavam usá-los. Do primeiro momento o pai o recebeu como filho e não como servo. O pai já havia tcoberto o jovem com seu próprio manto para que não se vissem seus farrapos. Ele queria evitar a vergonha de que os servos da casa o vissem vestido desse modo.

    Não é provável que os servos tivessem acompanhado a seu senhor quando saiu correndo a receber a seu filho, e que portanto a ordem de tirar o melhor vestido fora dada quando pai e filho se aproximavam da casa."

    Vc pergunta: "Foram os servos que lhe colocaram a melhor roupa e seu pai colocou o anel e as sandálias?"

    Podemos compreender que na verdade ao dar o próprio manto o pai foi quem vestiu o filho.


    O comentário diz ainda:

    "Um anel.

    Uma evidência mais de que o pai ainda o considerava como seu filho. É
    provável que este fora um anel de selar; se o
    era, o fato de ficar o indicaria ainda mais claramente que tinha sido recebido
    novamente como membro da família. Não há dúvida de que o jovem fazia muito
    que tinha vendido ou empenhado o anel que antes usava.

    Calçado.

    Quer dizer "sandálias". Os servos usualmente andavam descalços. O calçado é outro sinal de que o pai recebia ao pródigo arrependido como filho e não como servo. O melhor vestido, o anel e o calçado não eram coisas necessárias, a não ser objetos especiais de seu favor. O
    pai não só supriu as necessidades de seu filho, mas também o honrou, e ao fazê-lo demonstrou o amor e o gozo que enchiam seu coração.

    Com esta parábola Jesus justificou a bem-vinda que dava aos pecadores que se reuniam ao redor dele e repreendeu aos escribas e aos fariseus
    pela atitude severa que tinham assumido contra Ele por havê-los recebido."

    Marcos, eu fico com a essência da mensagem. O que é mais importante a reter é o princípio da justiça amputada pelo pai. O amor perdoador e reconciliador. A importânica de não sermos arrogantes diante dos que ainda não buscaram a Deus. Todos representamos em algum momento o papel do filho pródigo e o do filho mais velho.

    um grande abraço.

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    Respostas
    1. Lembrando que, como disse anteriormente:

      Compreendo que é Deus (o pai) quem provê essas necessidades, isto é, é Deus quem coloca a roupa, o anel e as sandálias. O fato de evocar a participação dos servos é o reforçar que Jesus quer dar a importância da participação do compartilhar dos servos com a Sua alegria. Os fariseus e escribas, público alvo da parábola estavam tomados pelo sentimento do não querer compartilhar, do egoísmo, da arrogância e da ganância.

      A lição diz tb que “o anel é colocado no dedo, como símbolo de sua realeza.” Eu acrescentaria tb o aspecto da nova aliança entre Pai e filho. E na nova aliança o Espírito Santo sela, pela Palavra do Pai e intercessão do Filho.

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