O Altar Desagradável a Deus



“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? - diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios?

Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.

Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.

Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Isaías 1:11-18)

Nestes versos compreendemos claramente que o formalismo na adoração não é agradável a Deus. Compreendemos também que Deus tem uma exigência com relação ao culto que Lhe prestamos. Isto é, aqueles que professam ser adoradores e que procuram obter favores do Senhor sem buscar satisfazer a Sua vontade, (vontade divina), negligenciando a essência dos princípios da ética divina, a submissão e amor a Deus e ao próximo, estão correndo um perigoso risco de não poderem fazer parte da eternidade com Deus. Isto é, estarem perdidos mesmo dentro da igreja. Estes cumprem em si as palavras proferidas por Jesus e registradas em Mateus 7:21-23 :

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.”

Quantos crimes na história da humanidade foram cometidos em nome da religião! Quantas vidas têm sido ceifadas, quantos enganos têm sido pronunciados com a Bíblia aberta! Quantos púlpitos têm sido usados para proclamar as mentiras e engodos dos homens! Igrejas são abertas a cada esquina... Que mensagem estão pregando? Há homens religiosos cuja “bíblia” apresentam um “evangelho” pretensioso, arrogante, ganancioso, mentiroso. Um “evangelho” financeiro onde Deus é o servo e o “crente” o senhor. Um deus que dá um preço humano às suas bênçãos e graças. É um “evangelho” imoral, antiético. Maldita teologia da prosperidade!

Para Deus não basta apenas a purificação cerimonial, é preciso o amadurecimento espiritual. É preciso abrirmos a Bíblia sim. É preciso anunciarmos as Boas Novas da Salvação. Mas, é preciso acima de tudo que voltemos ao verdadeiro Evangelho. Do contrário, faremos parte do grupo que tem se transformado em gorduras da corrupção espiritual e que tanto tem aborrecido ao Senhor.

O que vemos hoje é um emaranhado de remendos religiosos compondo um tecido que para o Senhor não passa de um trapo de imundícia! Nunca diremos o suficiente o quanto precisamos retornar com urgência ao primeiro amor. Às primeiras letras do Evangelho vivido por Cristo. O evangelho da renúncia em detrimento da ganância. O Evangelho da paz em detrimento da intolerância. O Evangelho da verdade em detrimento da mentira! Se o que está sendo anunciado não está nas Escrituras ou se não é aprovado pelas Escrituras, então é anátema!

Quem ensina que para recebermos bênçãos de Deus precisamos dar algo em troca não tem compreendido o Evangelho de Cristo! Se damos é porque já recebemos do Senhor. Quem ensina qualquer que seja uma adoração que envolva um culto a outro que não o Grande Eu SOU, não tem o Evangelho de Cristo, pois foi Ele mesmo quem disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Quem introduzir outro como intercessor ou intermediário entre Deus e os homens não está pregando o Evangelho de Cristo. É anátema e não será tido por inocente, pois coisa tremenda aos olhos do Senhor é a idolatria! Seja a si mesmo, seja a outros!
O falso frustra, decepciona, rouba as esperanças. Quando Deus diz: “tira a tua sandália”, pois há Santidade em Mim, Ele não está exercendo o orgulho, a soberba, a vaidade, muito menos a megalomania como dizem os que não creem Nele. 

Ele é o mesmo que diz: “vinde a Mim todos os que estão cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei”. Ele não Se contradiz em Sua mensagem, Ele a confirma. Venha a mim, pois Sou o que Sou. Sou a perfeição, a paz, a felicidade, a vida, a justiça por excelência. Há perfeição em Mim. Venha a Mim e você se beneficiará de tudo isto. Você gozará da verdadeira paz, da verdadeira justiça, da verdadeira felicidade, do verdadeiro amor. Sou o que Sou, Sou tudo isto!

Nele há, então, a excelência da verdade. O homem não deve depositar suas esperanças no falso, pois o falso não vai lhe satisfazer plenamente. Porque o Deus Criador É Quem Ele É, só Ele é digno de reverência. O altar verdadeiro é aquele que se firma na verdade e longe de Deus, qualquer adoração é mentira.

Muitos cristãos sinceros estão envolvidos na adoração equivocada. Privando-se a si mesmos da plenitude das bênçãos da verdadeira adoração. A nós o Senhor tem lançado a advertência: “Não terás outros deuses diante de mim”. Isto é, não centralize a sua adoração no seu eu, na sua própria vontade, nem em deuses que não darão a excelência do que existe e pode ser usufruído por você. Busque a Minha vontade. Eu tenho o melhor para você. 

No texto É o Deus do Antigo Testamento Diferente em Misericórdia e Graça do Deus do Novo Testamento?, abordamos um pouco sobre os sacrifícios de Caim e Abel. Por que um foi aceito e outro rejeitado se os dois ofereceram o “melhor” que tinham?

Será realmente que a questão é essa? Em Gênesis 4:1-16 está escrito: Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.”

Os homens não são todos tentados em todos os tipos de pecados, mas há um teste que se impõe a todos os homens: a fidelidade e lealdade a Deus segundo a Sua vontade (vontade divina). O fato da oferenda de Caim ter sido incruenta (sem derramamento de sangue) teria algum peso na postura divina? Se sim, significa isto dizer que Deus Se alegra com o sangue?

Hebreus 11:4 nos dá uma luz: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.”

Observem que o nome dos ofertantes vem antes das ofertas. O que agradou a Deus foi o ofertante ou a oferta? Se levarmos em conta o fato de que na lei levítica o estado da mente do ofertante era o que dava valor moral a oferta, podemos dizer que o coração de Abel agradou a Deus e o de Caim não. Em Sua Onisciência já sabia Deus o que se passava no interior dos pensamentos de Caim, não apenas com relação a seu irmão, mas com relação a Ele (Deus) mesmo.

O fato é que os dois irmãos tomaram consciência de que Deus havia considerado diferentemente suas ofertas. “Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

Foi Deus quem procurou Caim e lhe mostrou o que se passava em seu coração. Não foi Caim que, arrependido, O buscou. Atentou Caim para Seus conselhos e advertências? Gênesis 4: 8 diz que não: “Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.”

Mais uma vez quem deu o passo seguinte? Gênesis 4:9-12 nos dá a resposta: “Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.”

Deus o abandonou? Não. O pecado de Caim trouxe uma ruptura na sua relação com Deus. Caim não buscou mais a Sua presença. O pecado faz isto, nos leva para longe de Deus. Adão e Eva foram expulsos do Éden e Caim foi para longe.

O pecado deles em sua essência não era diferente. Seus corações não estavam completamente submetidos à vontade divina. O pecado da idolatria é desagradável aos olhos do Senhor. A vaidade de um coração insubmisso impede o derramamento das bênçãos divinas. Não é Deus que Se limita, é o homem, no exercício de seu livre arbítrio, que impede que as bênçãos da obediência lhe alcancem.

Foi por isso que Adão e Eva fugiram escondendo-se da presença de Deus. O sentimento de culpa aliado a consciência de haverem sido desleais para com a bondade do Senhor os encheu de vergonha. Não era mais a obediência que os ligava a Deus. Passaram a exercitar uma transferência de culpa mútua. O rompimento com o Criador refletiu-se no rompimento de amor de um para com o outro. Estavam emocional e eticamente corrompidos. Já não refletiam a pureza da imagem do caráter do Criador.

Abel compreendeu o plano da salvação anunciado no sacrifício do animalzinho que tanto amava e agia em consequência. Não somente reconhecia o Deus Salvador, mas também o Deus Senhor de sua vida.

Ao levar frutas Caim demonstrou que não Se importava tanto com a vontade de Deus, mas com a sua. Eram frutas que ele queria oferecer, não o que Deus determinava. Para quem era a oferta? Para ele ou para Deus? No íntimo do seu coração Caim afirmava que não adorava a Deus incondicionalmente, fazia exceções à sua vontade. É perigoso adorar a Deus do nosso próprio jeito. É verdade que Deus quer que sejamos nós mesmos ao Lhe rendermos uma adoração, mas é preciso que nossa adoração seja centrada na glória de Deus. Não deve haver espaços para a nossa vaidade.

Quando alguém elege um objeto criado por mãos humanas, ou um ídolo, ou uma imagem de escultura, está dizendo que o Senhor não é suficiente em Si mesmo como Deus. É preciso um deus para as causas perdidas, outro para as causas urgentes. Há ainda outro que deve interceder junto a Deus. Isto não tem sentido, não tem base bíblica!

O verdadeiro adorador do Deus Altíssimo baseia sua devoção e submissão na compreensão de sua impotência para salvar-se a si mesmo. Deus não precisa da misericórdia intercessora de homens já mortos e santificados por outros homens para revelar a Sua misericórdia a Seus filhos.

O verdadeiro adorador do Deus Eterno não serve a uma ideia religiosa ou a um sistema de fé. Mas, a um Deus vivo e que tem bons pensamentos acerca de Seus filhos. Um Ser que lhes ama profundamente e quer um relacionamento pessoal, sem atravessadores. Os que dedicam Suas preces somente ao Senhor em nome de Jesus são aqueles que compõem o quadro dos verdadeiros adoradores do Deus Criador. Isto é bíblico!

Os que dividem as suas orações a outros senhores ainda que estes portem o nome dos santos homens e mulheres de Deus de alguma forma estão dizendo “não confiamos em Ti plenamente, precisamos que eles nos ajudem a Te fazer sensível às nossas preces.” Sinceramente, não há nada mais ofensivo a Deus do que a fé desconfiada. Isto lhe causa tristeza.

Mas, é certo que Deus não leva em conta o tempo de ignorância, embora na mesma medida cobre de quem já aprendeu. Pois, está escrito: “A quem muito é dado, muito será pedido.”

Por outro lado, coisa terrível é dedicar as suas preces a outros que não seja o Deus Criador. Não é uma questão simples! Não estou fazendo uma comparação entre as religiões. A questão é bem mais complexa! O assunto é mais profundo do que uma simples explicação espiritualizada. O que os “grandes mestres espirituais” fizeram no passado pela humanidade? O que eles fazem hoje? O que poderão fazer no futuro? Quais são as garantias que eles dão com relação à eternidade? Deus dá e isto já manifestou através de Jesus Cristo.

Um altar (mente) que rejeita o conhecimento do que o Deus Criador pode fazer com todas essas questões é um altar que se firma em areias. Vêm os ventos e as tempestades existenciais e com eles partem as grandes esperanças.

Um altar (mente) erguido sobre bases religiosas equivocadas conduzem a um exercício de fé equivocado. O cristianismo é uma de suas maiores vítimas. Há muitas Bíblias aberta anunciadas por bocas com coração dividido. Daí os muitos “evangelhos estranhos” anunciados em púlpitos. Não basta crer que Jesus salva, liberta e cura. É preciso que se viva o Jesus Senhor. Não basta pertencer a uma denominação religiosa, é preciso que a religião seja a essência do viver. Não servimos a Deus porque temos uma religião, temos uma religião porque servimos a Deus.

Alguém escreveu certa vez: “Em alguns momentos não conseguimos entender o que o Deus Criador quer de nós, e porque precisamos enfrentar todo sofrimento e dores com as quais convivemos. Por muito menos, muitos desistem! [...] Quantas vezes já dissemos em nossas orações que gostaríamos que Deus cumprisse o Seu querer em determinadas questões de nossas vidas? Quantas vezes repetimos isso, sem refletir sobre o alcance dessas orações, o que resulta em falta de sinceridade de nossa parte. Muitos aspectos dos Planos de Deus não fazem sentido para nós agora; por isso é tão difícil fazer a Sua vontade. Gostamos de estar no controle, saber onde pisamos e abraçar o mundo com nossos pequenos braços. Mas, quando caminhamos perto de Deus, aprendemos a nos desprender de certas coisas, entregando-as a Ele, mesmo sem saber o desfecho da história. Esse é um dos maiores desafios na jornada ao centro da vontade de Deus!”

Um altar agradável a Deus é um coração que confia completa e exclusivamente Nele, mesmo quando as circunstâncias dizem que não.

Um altar verdadeiro é aquele que não se expressa por uma fé desconfiada. Adorar A Deus em exclusividade é reconhecer que Ele basta em Si mesmo como Deus e Senhor. Não há necessidade de outro, pois Ele É Quem Ele É. A verdadeira adoração brota de um coração conhecedor e reconhecido de que só Deus pode amar, ajudar, salvar e livrar em sua plenitude. A verdadeira adoração brota de um coração cheio de amor e gratidão para com Aquele que deu a própria vida para que tivéssemos vida em abundância. Só Jesus é digno de adoração. Ninguém mais. Com Jesus em exclusividade, tudo! Com “Jesus” e outros, nada!

Deus é a excelência em tudo: na paz, na vida, no amor, na liberdade, na justiça e na verdade. Ele basta em Si mesmo. Adorar outro junto com Ele, ou em Seu lugar, é negar a Ele toda a dimensão do Seu próprio caráter. Ele é o Grande Eu SOU.

“O que quer que acariciemos que tenda a diminuir nosso amor para com Deus, ou seja incompatível com o culto a Ele devido, disso fazemos um deus.” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, pág.305)


Que Deus nos ajude a todos!

  Ruth Alencar

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