V - Envelhecimento: uma forma suave de morte

O debate continua: É a morte o fim da Vida?





Quando vi esse vídeo pela primeira vez não me contive, ri demais. Disse para mim mesma o velho jargão: “se não fosse trágico seria cômico”. Pensei na minha pequena Isabelle que disse certa vez que iria faltar a todos os seus aniversários, assim ela não envelheceria. Ah! Se tudo fosse tão simples como são os pensamentos das crianças!

Aliás, minha filha me surpreende sempre. Certa vez estávamos em um ônibus e ela me disse: “mãe deixa a janela para mim”. Então, sentou-se e disse: “agora vou cumprir minha missão”. Achei aquilo curioso, uma frase forte para uma menininha de 09 anos e lhe perguntei qual era a sua missão.

Ela sorriu e disse que gostava de fazer as pessoas se sentirem felizes. Fiquei maravilhada pela beleza interior da minha filha, não tardando muito para compreender sua estratégia. Ela ficava na janela e simplesmente acenava e sorria para as pessoas. Tão simples... e tão profunda era a sua missão.

Ela faz isto sempre. Estejamos em ônibus ou em nosso carro particular. Ela se diverte e se sente feliz quando vê o sorriso das pessoas que geralmente respondem ao seu aceno, acenando também. Todos são seus alvos: jovens, idosos, homens, mulheres, meninos, meninas... não importa! É impressionante o resultado do seu gesto na expressão das pessoas. Ela sempre me faz pensar no texto de Letícia Thompson:

“Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas, se entregam ao vento.

Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.

Entristecemo-nos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos. Perdemos dias, às vezes anos. Calamo-nos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio.

Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.

Não damos um beijo carinhoso "porque não estamos acostumados com isso" e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.

E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos suficiente. Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos.

Consumimo-nos. Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença!

E o tempo passa...

Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos para trás. E então nos perguntamos: E agora?

Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos. Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.

Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente! Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor.

Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, ainda está em nós. Pense!...”



Continuemos agora com o estudo de Niels – Erik Andreasen* sobre o que diz a Bíblia a respeito da morte:

A Ressurreição e a Erradicação da Morte



Já vimos que a morte não é apenas uma transição natural na existência humana, mas um poder que reina sobre a vida impondo-lhe um término e destruindo-a. A morte também traz o castigo pelo pecado, mesmo pela mão de Deus. Entretanto, ela continua sendo o inimigo da vida e de Deus. Portanto, a erradicação final da morte é precedida pela ressurreição, pela qual o poder da morte é quebrado. Isto põe um fim ao reino da morte, e a própria morte é por fim erradicada (ver Segunda Vinda I. G. 1-3; Ressurreição I, II; Nova Terra).

1. O Reino da Morte

Ao descrever o reino da morte, a Bíblia personifica a morte como uma existência, um domínio, um poder a ser enfrentado neste mundo. “Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés” (Romanos 5:14), e “pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte” (v.17). Esse reino da morte dá a entender que a morte exerce domínio sobre o mundo presente e seus habitantes. Jeremias fala da morte como um inimigo com poder para exterminar a vida das pessoas em qualquer lugar, a seu bel-prazer e sem qualquer consideração para com suas vítimas. “Porque a morte subiu pelas nossas janelas e entrou em nossos palácios; exterminou das ruas as crianças e jovens, das praças.” (Jeremias 9:21). A morte exerce esse poder por intermédio do pecado (Romanos 5:17) e do diabo Hebreus 2:14) e o impõe sobre todas as pessoas, pois todos pecaram (Romanos 5:12-13). Por outro lado, “não há nenhum homem que tenha [...] poder sobre o dia da morte” (Eclesiastes (8:8)

2. A Morte como fim da Vida

Embora o reinado da morte provoque na maioria dos casos a interrupção não natural da vida, como no caso de uma doença mortal, acidentes fatais ou pena de morte, ela também põe fim à vida que segue seu curso natural através do processo de envelhecimento – uma forma suave de morte. Com a idade de 175 anos, “expirou Abraão; morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo” (Gênesis 25:8). Aconselhando Jó a uma vida justa, Elifaz prometeu: “Em robusta velhice entrarás para a sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo” (Jó 5:26) . Ao reencontrar seu filho favorito, disse Jacó a José: “Já posso morrer, pois já vi o teu rosto, e ainda vives” (Gênesis 46:30). Renovando o compromisso com Cristo, o apóstolo Paulo exclamou: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).

Estas passagens e outras sugerem que a Bíblia reconhece a morte como uma libertação, um fim natural para a vida, e no caso de uma vida longa e difícil, até mesmo como um alívio bem-vindo. A Bíblia relata com frequência a morte das pessoas de maneira desinteressada, simplesmente como o fim da vida delas. Corresponderia isto à atitude atual de “chegar a um acordo” com a morte uma vez que ela é inevitável e é preciso, portanto, acabar de uma maneira ou de outra? Será que a Bíblia está nos convidando a “fazer um acordo com a morte”?

Com a exceção do caso especial de Filipenses 1:21, que expressa o total comprometimento do apóstolo com Cristo na vida e na morte, os exemplos citados de morte pacífica focalizam geralmente as realizações em vida mais do que a morte e, portanto, não devem ser interpretados como uma atitude de aceitação da morte.

Uma compreensão mais preciosa do ponto de vista bíblico sobre a morte requer que consideremos os efeitos destrutivos do envelhecimento. Logo fica claro que esperar a morte, mesmo depois de uma vida bem vivida, não é desejável nem satisfatório. Assim “os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Salmo 90:10).

Esse texto também adverte contra a natureza muitas vezes problemática do ficar inativo na proximidade do fim da vida. Talvez a passagem mais interessante seja Eclesiastes 12, a triste confissão de um velho: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer;” (v.1). Os versos seguintes deploram a experiência da velhice, apesar da sabedoria e da serenidade que se esperam que a acompanhe. Permanece o lastimável fato de que a vida caminha para um rápido e deplorável fim, e que não conhece retrocessos. “O homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça”, (v.5, ARC) .

Talvez chegue o dia nessa gradual deterioração da vida em que a morte parecerá um escape tolerável e até bem-vindo, mas de acordo com a Bíblia, todo o processo não é nada desejável nem tolerável. Na verdade a própria velhice é uma forma inoportuna de avançar para a morte, que é decorrente da maldição do pecado e nunca desejada (Eclesiastes 12:1-7). A velhice representa um tempo em que a proteção divina é especialmente necessária (Salmo 71: 18). A tristonha cena da morte de Jacó, rodeado por seus filhos e netos no Egito, mostra como a velhice impede o patriarca de voltar para a Terra Prometida. Constitui, na realidade, uma triste e inaceitável conclusão para a vida – alguém de alguma forma deve ser derrotado. “Depois, disse Israel a José: Eis que eu morro, mas Deus será convosco e vos fará voltar à terra de vossos pais” (Gênesis 48:21). Depois deu a seguinte instrução: “Depois, lhes ordenou, dizendo: Eu me reúno ao meu povo; sepultai-me, com meus pais, na caverna que está no campo de Efrom, o heteu,” (Gênesis 49:29).

No apelo de Jacó a seus filhos para que ele não fosse deixado para trás, vemos ilustrada a oposição da Bíblia à morte, que a considera uma resposta inaceitável para a vida, mesmo de uma vida longa e rica, pois constitui uma ameaça mesmo ao propósito de Deus. O pedido do patriarca também oferece esperança para um futuro que nem mesmo a morte pode frustrar – esperança ancorada na promessa de Deus de que Israel herdaria a Terra Prometida.

3. A Morte como Destruição

A morte nem sempre chega ao fim de uma longa vida. Pode atravessar o caminho de uma pessoa antes, gerando medo e terror. A Bíblia apresenta essa possibilidade como uma experiência aterrorizante. Na verdade, algumas das pessoas mais corajosas da Bíblia, como Moisés, Davi e o apóstolo Paulo, nem sempre foram valentes diante da morte. Durante um de seus confrontos com o instável rei Saul, Davi disse a seu amigo Jônatas: “apenas há um passo entre mim e a morte” (1 Samuel 20:3). Muitos anos depois, o próprio Cristo não procuraria a morte, a não ser que isto fosse da vontade do Pai (Lucas 22:42).

Esse medo da morte, especialmente de sua intrusão prematura na vida, é pintado na Bíblia toda. Ela enfatiza uma concepção bíblica especial da morte: não implica o fim natural ou inevitável da vida presente seguida de uma existência contínua em nível diferente, para que alguém corajoso possa enfrentá-la com determinação. Ao contrário, a morte sem a esperança da ressurreição representa o fim de toda a vida, a ausência de Deus, a escuridão total. Visto da perspectiva bíblica, o medo da morte sem a esperança de ressurreição continua sendo o medo mais fundamental sentido por seres humanos. É o medo de ficar desamparado, pois morrer significa estar sozinho; é o medo de enfrentar o juízo de Deus sem expiação. Ao morrer dessa forma em favor dos pecadores, Cristo garantiu que nenhum ser humano precisará enfrentar a morte sem esperança.

É compreensível, portanto, que a pessoa muitas vezes apele para Deus ao enfrentar a morte, em tempo oportuno ou não, estando rodeada pela família e amigos ou sozinha, sendo crente ou descrente. “Cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam. Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus.” (Salmo 18:5-6). Em sentido oposto, quando Deus está próximo, o temor da morte é vencido, “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Salmo 23:4).

As experiências ameaçadoras da vida que levam ao medo de morrer, presentes no ambiente bíblico, são semelhantes às que enfrentamos hoje. Enfermidades, guerras e calamidades naturais são as mais comuns. Uma doença grave, por exemplo, por estar associada com a morte, infundia medo. A comida envenenada preparada por um dos servos de Eliseu a partir de ingredientes colhidos apressadamente provocou o brado: “Morte na panela, ó homem de Deus!” (2 Reis 23:4-40), e todos pararam de comer. A delicada doença de Ezequias, que o ameaçava de morte, o assustou tanto que ele fez a Deus uma oração. “Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR [...] e chorou muitíssimo” (2 Reis 20:2-3).

A guerra provocava a morte prematura de jovens e incontáveis sofrimentos para as viúvas, órfãos e pais que ficavam. A Escritura é bem ciente de que a guerra fere soldados de ambos os lados nas linhas de combate num estúpido desperdício de vidas (2 Samuel 2:12-17). Mas a dor é igualmente profunda para os que recebem as fatídicas notícias dos campos de batalha. “Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” (2 Samuel 18:33).

Catástrofes naturais, não tão bem compreendidas nos tempos bíblicos como hoje, eram por vezes consideradas “atos de Deus”. Os marinheiros no navio destinado a Társis com Jonas a bordo ficaram cheios de medo da tempestade (Jonas 1:5). Na verdade, o mar tempestuoso é muitas vezes mencionado como causa para o medo da morte (Salmo 107:23-32), assim como o deserto abrasador (Isaías 43:1-2, 16-20).

Essas ameaças à vida faziam surgir o espectro da morte prematura e levavam ao medo da morte, até mesmo entre os maiores heróis da Escritura. Por exemplo, ao enfrentar catástrofes inimagináveis, Jó não “atribui a Deus falta alguma” (Jó 1:22), mas nem por isso aceitou a morte de bom grado, embora fosse tentado a agir e estimulado a pensar dessa forma pelos seus amigos (Jó 15: 1-6; 18). Em vez disso, no momento em que seu sofrimento pessoal mais se agravava sobre ele (19:1-22), confirmou o dom divino da vida acima de todas as catástrofes que lhe sobrevinham. Embora tivesse grande medo da morte, maior era a confiança que depositava em Deus (v. 23-27).


4. Morte como Castigo

A Bíblia fala frequentemente da morte como um castigo pelo pecado, “porque o salário do pecado é a morte,” (Romanos 6:23). Essa concepção de morte evoca Gênesis 2:17: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Encontramos essa idéia novamente nas leis pactuais que defendem a pena de morte: “Quem ferir a outro, de modo que este morra, também será morto” (Êxodo 21:12). O dilúvio sobre a Terra e a destruição de Sodoma, Gomorra e das outras cidades da planície representaram o castigo divino por meio da morte (Gênesis 6:6-7; 19:15-28; cf. 2 Pedro 3:6-7; Judas 6-7).

Na história das guerras de conquista de Israel há o relato da pena de morte sobre o povo culpado. “Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos” (1 Samuel 15:3). Os profetas também pronunciaram castigo semelhante sobre indivíduos que haviam afrontado a Deus de maneira grave e impenitente (Amós 7:16-17). O apóstolo Paulo, sob a ordem de Deus, decretou a morte instantânea para os enganadores Ananias e Safira (Atos 5:1-11).

Pode parecer estranho que a Bíblia pronuncie castigo tão severo a pecadores e utilize como instrumento de punição o que é mais antiético ao caráter de Deus. De fato, a Bíblia apresenta essa ação divina como atípica: “Porque o SENHOR se levantará, como no monte Perazim, e se irará, como no vale de Gibeão, para realizar a sua obra, a sua obra estranha, e para executar o seu ato, o seu ato inaudito.” (Isaías 28:21). A morte, aquilo que Deus menos gosta em Seu universo, torna-se assim instrumento Seu para proteger aquilo que Ele mais gosta: a vida.

Essa perspectiva governa todas as referências bíblicas à morte como uma punição; ela jamais deve se tornar uma solução agradável. Na melhor das hipóteses, deve ser vista como uma solução necessária instituída para proteger a vida e salvaguardar a segurança da sociedade. Uma restrição como essa à pena de morte não vem facilmente a juízes humanos no calor do momento, conforme foi observado, por exemplo, na história da eleição de Saul: “Então, disse o povo a Samuel: Quem são aqueles que diziam: Reinará Saul sobre nós? Trazei-os para aqui, para que os matemos. Porém Saul disse: Hoje, ninguém será morto, porque, no dia de hoje, o SENHOR salvou a Israel.” (1 Samuel 11:12-13). Infelizmente, o rei Saul não permaneceu tão generoso depois no seu reinado, mas tentou usar a pena de morte a seu próprio favor (1samuel 14:36-46). A prática da pena de morte pode facilmente descambar para o abuso, servindo para razões outras que não a proteção da vida, como talvez a vingança (2 Samuel 3:27), a ganância pessoal (1 Reis 21:8-14), ou como resultado da completa falta de compreensão do que é certo e errado, verdadeiro e falso (Atos 8:1).

Todas essas experiências de morte representam diferentes aspectos do salário do pecado, que por intermédio de Adão recaíram sobre toda a raça humana. A morte sobrevém a todos – justos e injustos -, com a exceção daqueles que passaram pela trasladação, como Enoque, Elias e os filhos de Deus que estarão vivos no dia do aparecimento de Cristo (Gênesis 5:24; 2 reis 2:11; 1 Tessalonicenses 4:17). Ela é resultado da terrível separação que se instalou entre Deus e a família humana e do reinado do terror que o diabo implantou neste mundo, tudo em decorrência do pecado. Não é pelo menos que, ao enfrentar a infalível perspectiva de morrer, alguns tenham tentado se conformar com ela, dizendo: “Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos acordo” (Isaías 28:15), mas essa aliança será anulada (v.18). Para resumir, o poder e o reino da morte são tais que não existe nenhuma possibilidade humana de entrar em acordo ou combinação com ela. Só Deus tem o poder de quebrar o reinado da morte e destruir o domínio que ela tem sobre a vida, mediante um novo ato criativo, a ressurreição.


5. A Segunda Morte

A Bíblia se refere a uma segunda morte (Apocalipse 20:14). Diferentemente da primeira morte, que sobrevém a todos os seres humanos por causa do pecado, a segunda morte é o castigo final sobre os pecadores impenitentes (ver Pecado VI. C. 1,2; Homem II. C. 1-3).

O castigo divino sobre os ímpios, no último dia, aparece repetidas vezes na escatologia bíblica (Daniel 7:11; Joel 3:2-3; Mateus24:37-39; Lucas 17:26-30; 2 Coríntios 5:10; 2 Pedro 3:5-7). Esse castigo não deve ser confundido com a morte que é comum a todos os descendentes de Adão, um destino para o qual o Segundo Adão, Jesus Cristo, trará um escape para os justos (Romanos 5:18). A segunda morte é o castigo de Deus infligido diretamente aos pecadores que não se arrependeram nem buscaram salvação em Jesus Cristo. Enfrentar essa possibilidade é algo que oprime os culpados com tanto desespero que eles procuram o mais depressa possível abandonar essa vida (Apocalipse 6:15-17).

Um caso especial de juízo divino sobre pecadores se relaciona com a erradicação definitiva da morte. O livro do Apocalipse equipara esse juízo à segunda morte, para cuja punição não existe recurso, nem confissão de pecado, nem perdão (Apocalipse 20:6-7). Depois dele vem a segunda ressurreição, a “ressurreição da condenação” (ARC) após o milênio (João 5:28-29; Apocalipse 20:5; ver Milênio I. C. 3. E), que leva à última sentença de morte. Nessa ocasião, os pecadores não mais poderão dar testemunho de Deus, expressar arrependimento nem alcançar salvação. Só restam o mal, a guerra, o ódio, o engano e o juízo final. Em seguida, Deus destruirá a própria morte e o inferno (Apocalipse 20:14) e criará um novo céu e uma nova Terra (Apocalipse 21-22).

Em Sua justiça e imparcialidade, Deus não limita a ressurreição a Seus santos, aos que forem fiéis até a morte (Apocalipse 2:10), mas a estende a todos, inclusive aos que nunca a buscaram e decidiram viver sob o poder da morte (Apocalipse 20:11-13). A essas pessoas, juntamente com Satanás e seus agentes, está reservada a segunda morte (v. 14-15).

Depois da segunda ressurreição, a morte não é mais um poder a ser quebrado, mas uma presença a ser eliminada. Não mais domina os santos de Deus nem reina mais na Terra. Não passa de uma repulsiva lembrança do passado sem nenhuma chance de reassumir seu poder. É por isso que sua eliminação é simples, rápida, definitiva e incontestada (v.14). Depois de ter seu poder destruído pela ressurreição, a morte é afastada e a vida passa a ser imortal. Esse quadro é exposto na Bíblia com a presença constante de Deus ao lado de Seus santos, e a permanente ausência da morte e seus horrendos efeitos (Isaías 25:8; Apocalipse 21:3-4).


6. A Esperança da Ressurreição

A esperança da ressurreição, um novo e criativo ato de Deus, aparece já no AT. Jó 14:7-17 expressa a compreensão de que, sem interferência divina, a morte seria uma coisa irrevogável (v.7-12). Somente quando Deus, saudoso de Suas criaturas perdidas, restaurar-lhes a vida, pode o reino da morte ser destruído (v.14-17). Essa esperança em meio ao sofrimento se intensifica na passagem que fala do Redentor (Jó 19: 23-27). Ela também é expressa claramente nas profecias escatológicas (Isaías 25:8-9; Daniel 12:2). A esperança na ressurreição dos mortos recebeu ênfase crescente nos escritos não canônicos entre os testamentos, tornando-se doutrina cardeal para os fariseus da época de Cristo.

Nos tempos do NT, a esperança da ressurreição foi firmemente estabelecida tanto nos evangelhos como nas epístolas (Mateus 22:31-32; Lucas 20: 27-38; João 11:24; 1 Coríntios 15:51-53; 1 Tessalonicenses 4:13-18; Hebreus 11:19). Jesus deu certeza antecipada dessa esperança, ao ressurgir Ele mesmo dos mortos (Mateus 9:23-25; Lucas 7:11-17; João 11:38-44), uma garantia que Deus ratificou ressuscitando Cristo dos mortos, por meio da qual todos os crentes podem desfrutar a vida eterna (João 3:16; 5:25-29; 6:39-40; 1 Coríntios 15:20-23; 1 Pedro 1:3). Essa nova vida, disponível pela fé em Cristo, tornar-se-á vida imortal, não por ocasião da morte, mas depois da ressurreição na segunda vinda de Cristo, quando aqueles que dormem serão despertados para uma nova vida (1 Coríntios 15:51-53; 1 Tessalonicenses 4:13-18; ver Ressurreição I.A.B; segunda vinda 2).

7. A Erradicação da Morte

Depois da ressurreição, o dom divino da vida eterna a todos quantos creram em Cristo significará o fim do poder da morte e a quebra de seu domínio sobre a humanidade (2 Timóteo 1:8-10). Cristo realizou isso através de Sua própria morte e ressurreição: “sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre Ele” (Romanos 6:9 cf. Apocalipse 1:18). A ressurreição, diferente de uma ressuscitação, não frustra o poder da morte no último minuto, mas destrói de vez esse poder. Daí a frase: “a morte já não tem domínio sobre Ele” (Romanos 6:9).

A chave para o fim da morte está na ressurreição de Cristo, que destranca a prisão que mantém a todos cativos: “Porque, se fomos unidos com Ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da Sua ressurreição,” (v. 5). A ressurreição remove os últimos vestígios do poder da morte. Assim, sendo, “quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1 Coríntios 15:54-55)”

Continuaremos ...

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*Professor de Antigo Testamento e presidente da Andrews University)

Fonte: Capítulo 9 do Tratado Teológico Adventista

“O Tratado Teológico Adventista é parte da Série Logos, que será completada com a publicação de sete volumes do Comentário Bíblico Adventista, mais o Dicionário Bíblico. Essa coleção trata-se da primeira exposição sistemática de toda a Bíblia produzida pela Igreja Adventista, com base nas línguas originais. Ela também incorpora pesquisas arqueológicas que oferecem o contexto histórico para a interpretação do texto sagrado.” http://www.portaladventista.org/portal/asn---portugu/5050-tratado-teologico-adventista-e-lancado-em-lingua-portuguesa


Ruth Alencar

Comentários

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    Morte e vida eterna

    Lembro-me de quando estava sendo levado do apartamento para o centro cirúrgico. Presentes, minha esposa, os filhos, os irmãos e alguns amigos. A esposa procurava me confortar dizendo “vai dar tudo certo”.

    “Vai dar tudo certo” expressava a sua esperança de que tudo correia bem durante a cirurgia e que eu iria ficar bom. Já eu dizia a ela: não se preocupe Nêga, Deus quer o melhor para nós. Se eu não voltar, estou certo de que nos reencontraremos “lá em cima”.

    Nascida em berço adventista, uma cristã consagrada, em oração pedia a Deus mais pela minha cura física do que por qualquer outra coisa. Nas suas convicções, quanto à vida futura, há sempre a possibilidade de que o “reencontro” poderá não acontecer. Mas, essa dúvida que aflige a tantos cristãos não quer dizer que não sejam consagrados irmãos de fé. É só uma questão de entendimento. No fundo, a esperança que alimentam já os deixa confiantes e felizes.

    Quanto a mim, sou o mais feliz dos cristãos!
    Dentre todos os que se achavam presentes, naquela oportunidade, eu era o único com esta plena convicção: tenho certeza absoluta de que viverei eternamente com Cristo. Eu e todos os meus irmãos. Creio que todos somos filhos do único Deus verdadeiro e que o Seu propósito, a Sua vontade, é que todos sejam salvos e felizes eternamente. E, Ele tem poder e amor bastante para realizar o Seu querer. Portanto, não haverá excluídos, o reencontro e inevitável.

    Provas disso é o que não nos falta!


    Respeitosamente.
    .
    .

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  2. "Mas, essa dúvida que aflige a tantos cristãos não quer dizer que não sejam consagrados irmãos de fé. É só uma questão de entendimento. No fundo, a esperança que alimentam já os deixa confiantes e felizes."

    Pedro,

    É verdade. Mesmo se a dúvida fosse maior que a esperança, não deixaria de amar meu Jesus e tentar ser uma cristã segundo a vontade DEle.

    O sacrifício que Ele fez por mim, por todos nós, já me basta para desejar seguí-lo e falar a todos do Seu amor imensurável.

    Belas palavras as suas!

    Fraternalmente.

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  3. Como sempre, Pedro, vc nos encanta com suas palavras de fé e esperança e eu tb louvo a Deus por vc e por Euridice. Deus em Seu tremendo amor infinito há de julgar os moradores dessa Terra com justiça plena... não há dúvidas sobre isto.

    Sim, Ele é tremendo em misericórdia e Sua graça é a nossa bendita esperança em Cristo Jesus. Uma graça que não se furta de amar, convidar e perdoar tantas quantas forem as necessidades, pois com Deus as oportunidades de reconciliação e salvação não têm limites. A não ser aqueles que o próprio homem define para si no uso do seu livre arbítrio.

    Afinal, precisamos reconhecer o direito de um homem ou de uma mulher de não querer saber de Deus, de rejeitá-Lo e até mesmo de negar Sua existência. Assim como de não aceitar a Sua proposta de vida.

    Com certeza, nós os que aceitamos e experimentamos o Seu amor e Sua bondade porque dissemos sim a Sua proposta, não temos o direito de aplicar o julgamento da inclusão e exclusão. Como discípulos do Senhor só podemos dizer: “Pai,perdoa porque eles não sabem o que fazem”.

    Pedro, há algo que não podemos esquecer. Deus é perfeito em Seu amor. Um amor que implica em liberdade. Liberdade plena, isto é, isenta de escravidão. Deus em Seu amor não Se faz escravo de Si mesmo, por isso Ele é justiça plena. E justiça só é justiça quando a todos é dada a mesma liberdade de escolha.

    Deus é a verdade, então se Ele diz que é não é certo assassinar é porque há mais do que uma condenação de uma lei estabelecida. É porque ninguém tem o direito de tirar a vida do outro. A vida não nos pertence, é um dom de Deus. A Ele, pois, cabe o direito sobre cada ser que respira. Quando um homem assassina outro está querendo para si o direito de tomar o lugar de Deus. E seu ato é movido pela quebra de outros princípios divinos: faltou-lhe o amor ao próximo, houve o domínio da cobiça em seu coração, por exemplo.

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  4. Que diremos, pois, do ato do adultério, da mentira, da desonra aos pais, do seguir a outros deuses? Tudo não passa de uma conseqüência do que existe no coração.

    Compartilho o seu pensamento quando diz que “Creio que todos somos filhos do único Deus verdadeiro e que o Seu propósito, a Sua vontade, é que todos sejam salvos e felizes eternamente. E, Ele tem poder e amor bastante para realizar o Seu querer.”

    Em Sua Palavra está escrito que a vontade de Deus é que todos cheguem ao arrependimento e sejam salvos. Afinal, essa é a única predestinação defendida por Sua Palavra: fomos em Jesus, todos predestinados para a salvação.
    Mas, infelizmente o querer de Deus não encontra resposta no querer dos homens. Há homens e mulheres que não aceitam a salvação oferecida por Deus. Livres moralmente decidem não aceitá-Lo porque compreendem de forma errada as decisões de Deus ou simplesmente não as aceitam.

    E Deus respeitará suas vontades e decisões, então é certo que Deus não excluirá ninguém de Seu Reino. Homens e mulheres excluir-se-ão a si mesmos.

    Euridice tem razão quanto “a possibilidade de que o “reencontro” não venha a acontecer”.
    Neste ponto, discordo de vc quando diz: “Portanto, não haverá excluídos, o reencontro e inevitável.”

    O que nos faz, eu e Euridice, pensarmos assim? Os homens e mulheres que pereceram no dilúvio. Os homens e mulheres que pereceram em Sodoma e Gomorra.

    Haverá sim, um grupo que perecerá eternamente também por ocasião do retorno do Senhor, quando Ele vier reivindicar a Terra das mãos de Satanás.

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  5. Deus estabeleceu em Jesus a condição para que todos sejam salvos, mas respeitará a decisão dos que não quiserem aceitar.

    Jeremias 2: 19- 32:

    “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o SENHOR, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos. Ainda que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías.Eu mesmo te plantei como vide excelente, da semente mais pura; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, como de vide brava? Pelo que ainda que te laves com salitre e amontoes potassa, continua a mácula da tua iniqüidade perante mim, diz o SENHOR Deus. Como podes dizer: Não estou maculada, não andei após os baalins? Vê o teu rasto no vale, reconhece o que fizeste, dromedária nova de ligeiros pés, que andas ziguezagueando pelo caminho; jumenta selvagem, acostumada ao deserto e que, no ardor do cio, sorve o vento. Quem a impediria de satisfazer ao seu desejo? Os que a procuram não têm de fatigar-se; no mês dela a acharão. Guarda-te de que os teus pés andem desnudos e a tua garganta tenha sede. Mas tu dizes: Não, é inútil; porque amo os estranhos e após eles irei.

    Como se envergonha o ladrão quando o apanham, assim se envergonham os da casa de Israel; eles, os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas, que dizem a um pedaço de madeira: Tu és meu pai; e à pedra: Tu me geraste. Pois me viraram as costas e não o rosto; mas, em vindo a angústia, dizem: Levanta-te e livra-nos. Onde, pois, estão os teus deuses, que para ti mesmo fizeste? Eles que se levantem se te podem livrar no tempo da tua angústia; porque os teus deuses, ó Judá, são tantos como as tuas cidades. Por que contendeis comigo? Todos vós transgredistes contra mim, diz o SENHOR. Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a minha disciplina; a vossa espada devorou os vossos profetas como leão destruidor. Oh! Que geração! Considerai vós a palavra do SENHOR. Porventura, tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Somos livres! Jamais tornaremos a ti? Acaso, se esquece a virgem dos seus adornos ou a noiva do seu cinto? Todavia, o meu povo se esqueceu de mim por dias sem conta.”


    Hebreus 3: 7-13

    “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.”

    Pedro, tanto no Vt como no NT há a definição bíblica de que há duas categorias: os que aceitam e os que rejeitam. Infelizmente, haverá sim alguns que não poderão entrar no Reino de Deus. Não porque Deus os excluirá, mas porque eles não desejarão estar lá. Amarão mais o mundo e seus próprios desejos, rejeitaram a proposta de Deus.

    Um Deus que não Se cansa de convidar e não Se furtar de perdoar e de usar de misericórdia:

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  6. Oséias 14:4-9

    “Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano. Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide; a sua fama será como a do vinho do Líbano. Ó Efraim, que tenho eu com os ídolos? Eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim procede o teu fruto. Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.”


    Lucas 15: 20-22

    “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;”

    Que o Senhor seja louvado por Seu caráter de amor e justiça.

    Fique em paz, pois sua fé em Deus só produzirá bençãos em sua vida.

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    Ruth e Brígida

    Falo sem nenhuma pretensão materialista, o que digo é a expressão mais pura do meu entendimento. Creio na luz do Espírito Santo e que Deus é fiel. Ele jamais dará uma pedra a quem Lhe pede pão. Eu tenho Lhe pedido o conhecimento da Sua Palavra! Mas, se, ainda assim, o meu entendimento estiver errado, creio na sua misericórdia e que Ele perdoará a minha ignorância.

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    “E Deus respeitará suas vontades e decisões, então é certo que Deus não excluirá ninguém de Seu Reino. Homens e mulheres excluir-se-ão a si mesmos.”

    Não consigo entender como vontades e decisões, sem o respaldo do conhecimento do que é divino, podem prevalecer sobre o amor, a vontade, o poder e a onisciência de Deus?

    Quanto a atribuirmos nível de conhecimento para quem quer que seja, contraria os ensinamentos divinos. Não nos foi concedido o direito de julgar a ninguém. Não conhecemos nem a nós mesmos, como podemos fazer avaliação dos atributos alheios?!

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    Hebreus 3: 7-13

    (...) Não entrarão no meu descanso. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.”

    O que é que nos leva a praticar enganos, um coração (uma mente) perverso ou um coração ignorante?
    Erro, pecado, engano, são sinônimos. Tudo tem como causa a ignorância, a falta de conhecimento do que é divino. Não fomos criados com pecado, fomos criados limitados em conhecimento, ignorantes. Não somos malvados por natureza, somos ignorantes por natureza!

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    A propósito de Oséias 14: 4 a 9

    (...) Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.”

    Onde estão e quantos são os justos, para que possam andar nos caminho do Senhor?

    “(...)pelo engano do pecado.”
    “(...)e os justos andarão neles,(...)”

    Literalidade figurativa, o maior dos problemas na interpretação dos textos bíblicos!
    Só vejo duas opções, ou enquadramos tudo na macro contextualização dos propósitos de Deus ou sublimaremos pecadores à condição de “justos” e exaltaremos ignorantes a sobrepujarem a onisciência divina.

    Tudo que está escrito na Bíblia é sagrado, o problema está em considerarmos:

    - quem disse;
    - a quem disse;
    - porque disse;
    - como disse;
    - onde disse;
    - quando disse.

    Contextualizações geográficas, políticas, sociais, culturais, entre outras, são avaliações que não deixam de ser circunstanciais. Só há uma opção confiável, absoluta, a macro contextualização tendo como padrão a essência do propósito de Deus.

    Respeitosamente.
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    Caríssimas e diletas Ruth e Brígida.

    Deus é perfeito.

    Referindo-nos aos atributos amor e justiça, fica fácil de entender porque fomos criados, redimidos e salvos.

    Fomos criados por Deus. Ele nos criou com o propósito de que fôssemos felizes eternamente. Essa é a Sua vontade, tanto que, diante dos enganos que cometemos, impossibilitados de nos redimir por nossa própria condição, Ele se ofereceu em sacrifício vicário, a fim de que retornássemos ao estado de pureza, tal e qual fomos criados.

    Amor, justiça e onipotência. Deus, graças ao Seu amor, nos quer junto a Ele, por toda a eternidade. Graças à Sua justiça amorável podemos alcançar essa graça. Mas, tudo isso só é possível, graças ao Seu poder. Ele é amor e onipotência, Ele quer e pode!
    Querendo Deus, quem O impedirá?!

    Criação e salvação foram dois gestos de puro amor. Redenção envolve, além de amor, uma dupla aplicação de justiça.

    A Lei de Deus é inexorável. Todo aquele que transgredi-la será punido com uma penalidade capaz de “compensar” o seu erro. Assim se faz justiça perante a Lei. E, Deus é o justo juiz. Não podemos duvidar da Sua justiça.

    Para que fôssemos redimidos, por uma questão de justiça, todos os nossos erros teriam de ser pagos com uma “moeda” cujo valor correspondesse à dívida gerada pelos nossos enganos. Eis a primeira forma de aplicação da justiça!

    Mas, nós não fomos criados com essa capacitação, daí a impossibilidade de, por nós mesmos, alcançarmos a redenção. E, aí entra o amor de Deus para que justiça vicária se faça sobre Ele.

    Também não possuímos onisciência, e a falta deste atributo nos faz ignorantes em relação a infinitos aspectos do conhecimento, o que fatalmente nos cria uma inevitável possibilidade de cometer enganos.

    Deus nos criou assim, portanto, Ele, embora não seja culpado, é co-responsável pelos nossos enganos. E, Ele mesmo confessa essa co-responsabilidade, ao criar o plano da redenção. Aí aparece a segunda forma de justiça, a mais sublime! Deus aplica sobre Si mesmo a Sua própria Lei.

    É incrível, mas, segundo o entendimento de muitos, o simples argumento do “livre arbítrio” ’pode anular’ o querer e o poder de Deus.

    Afirma-se: – Ele não quer e Deus, em respeito ao livre arbítrio que lhe concedeu, não pode fazer nada.

    No meu entender, Deus jamais dotou, plenamente, nenhum ser terráqueo, extra-terráqueo ou celestial, de nenhum dos Seus atributos. Todas as suas concessões são relativas, parciais, limitadas. Nunca, nada foi dado a ninguém em termos absolutos.
    Absoluto só existe Deus. E, na hora em que algo for dado à criatura, de forma absoluta, ela se tornará igual ao Criador, pelo menos nesse atributo.

    Mas, lamentavelmente, defende-se que o livre arbítrio é a única exceção feita por Deus, nesse sentido.

    O meu entendimento é de que Deus nos concedeu um arbítrio relativo, com limites determinados por Ele. Logo, segundo o Seu entendimento, quando atingimos esse limite, Ele, fazendo uso do direito que é Seu, interfere, sem que esteja sendo desrespeitoso, e sempre com o propósito de nos ajudar.

    Os nossos erros são fruto da falta de conhecimento do que é divino, logo a prevalência da nossa vontade ignorante, seria a vitória da ignorância e do erro sobre a vontade, o amor e a onisciência divinos.
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    O próprio Deus, por intermédio de Jesus, quitou todos os nossos débitos perante a Lei, de sorte que nada devemos a ela. O nosso credor é Jesus. E, Ele, misericordiosa e graciosamente, levou em conta a nossa ignorância e nos perdoou, a todos!

    “PAI, PERDOA-LHES, PORQUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.”

    - Perdoar a quantos? A todos.
    - Qual a condição? Nenhuma.
    - Qual a justificativa? “Eles não sabem o que fazem”. (Eles são ignorantes).

    Não é o amor, não é a fé, não é a justiça, não são as obras, não é o arrependimento, não é o cumprimento da Lei, nada do que fizermos poderá nós salvar.

    Somos salvos porque essa é a vontade amorável e poderosa de Deus.

    Amém.

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  9. Pedro

    continue em paz, pois o essencial vc compreendeu.

    Saber que Deus é amor e misericórdia e esse amor infinito e misericórdia sem medida estão ao dispor de todos quantos respiram é um passo extraordinário! O fato de compreendermos isso nos remete a conhecermos a nós mesmos. O discernimento de nossas necessidades diante da certeza da potência da provisão divina nos conduz a buscá-LO, a abrir a porta de nossos corações para que Ele reine com Sua vontade em nossas próprias vidas.

    É o grande paradoxo do cristianismo: deixar-se, permitir-se tornar-se servo para experimentar a verdadeira liberdade do ser.

    Enquanto o orgulho e a vaidade humana, juntamente com a soberba e a auto-suficiência humana persistir no coração este “encontro” com a liberdade não acontece. Estou falando do que o Senhor Jesus mesmo disse: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.

    Não estou falando de filosofias e dos conceitos tão relativos que o homem estabelece como critério de verdades. Jesus é a Verdade absoluta. Quem não aceita isto, tende a rejeitar Sua vontade, Seus princípios em sua própria vida e é isto que leva à perdição, ou exclusão do Reino de Deus.

    Sim, Pedro, Deus respeitará as vontades e decisões dos homens e mulheres desse mundo. Foi isto que aconteceu com aqueles que pereceram no Dilúvio, em Sodoma, em Gomorra, em Jericó. E, infelizmente é isto que ocorrerá no final dos tempos.

    A Bíblia diz que o inferno (entenda-se aqui a destruição) estava preparada para o Diabo e seus demônios (anjos que se rebelaram). E a salvação estava predestinada a todos os homens e mulheres. Esta é a vontade de Deus. Mas, os homens e as mulheres, assim como os anjos que se rebelaram são livres moralmente para decidirem sobre o destino que querem dar às suas próprias vidas.

    Deus não deseja a morte para ninguém, tanto que em deuteronômio 30 está escrito: eis que te dou a vida e a morte, isto é vc tem a opção entre a vida e a morte. Escolha a vida para que tenha vida eterna.

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  10. Os que questionam Deus e Sua existência dizem que o livre arbítrio não existe, pois Deus determinou apenas duas opções. Mas, qual seria a 3ª via? A meia vida? A meia morte?

    A meia do que quer que seja, vida ou morte, já não é a plenitude da vida. Estar na penumbra, não é o mesmo que estar no escuro ou no claro! É está sem a plenitude da luz. Deus não quer nos dá apenas o aroma da vida, a penumbra do viver. Ele quer nos dá a vida em sua excelência.

    Há pessoas que conhecem a Bíblia, o Diabo mesmo a conhece, tanto que argumentou com Jesus usando suas próprias palavras. Conhecer a letra não é passaporte, tem que aceitar a Palavra. Há muitos crentes na existência de Deus que não irão para o Reino de Deus, porque simplesmente crer em Sua existência, conhecer que Ele existe não é o suficiente. É preciso que Ele seja o Senhor e há muitos que têm dificuldades para subjugar o próprio eu. O orgulho e a vaidade foi o pecado original. Aquele que tirou Lúcifer do Reino de Deus, lembra? Pois, será isto que tirará muitos do Reino de Deus.

    Vc disse:

    “Não consigo entender como vontades e decisões, sem o respaldo do conhecimento do que é divino, podem prevalecer sobre o amor, a vontade, o poder e a onisciência de Deus?”

    A questão, Pedro, é que o amor, a potência e a Onisciência de Deus não são a causa do problema da perda da salvação. Deus é o que É e sempre será. Sua fidelidade não se exclui porque a fidelidade do homem se fragiliza. Seu amor e o que Ele É não depende do que somos, muito menos da vulnerabilidade de nosso ser. Deus continuará amando o pecador até seu último suspiro e continuará insistindo com o pecador até seu último suspiro. Ainda que em Sua Onisciência saiba que a escolha por uma vida de prostituição, “bebedice” e corrupção moral possa levar a um destino de morte, Ele permanece insistindo, convidando.

    Mas, há uma coisa que Ele jamais fará. Ele jamais nos tratará como marionetes. Ele não nos forçará a nada! Não nos pegará pelo cangote se não quisermos estar entre os que querem servi-LO e obedecê-LO. Ele respeitará, mesmo com muita tristeza e pesar, se um homem ou uma mulher decidir rejeitar a Sua proposta de vida.

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  11. Quero chamar sua atenção quanto a isto que vc disse: “Quanto a atribuirmos nível de conhecimento para quem quer que seja, contraria os ensinamentos divinos. Não nos foi concedido o direito de julgar a ninguém. Não conhecemos nem a nós mesmos, como podemos fazer avaliação dos atributos alheios?!”

    O que foi que o Senhor Jesus disse a Seus discípulos?

    “Ide e pregai o Evangelho a todas as nações, línguas e povos”. Pregar o Evangelho é apresentar as Boas Novas, que é Jesus cristo. Apresentar Jesus Cristo é dizer que há necessidade de mudança de comportamento, há decisões a serem tomadas. É dizer que há salvação Nele para todos, mas também é dizer: “arrependei-vos”, “confessai os vossos pecados”. É dizer “buscai ao Senhor enquanto se pode achar”.

    Não creio que o que agrada a Deus seja a obediência intelectual. Então, atribuir níveis de conhecimento não é o que temos feito. Primeiro, creio que eu preciso todos os dias renovar minha entrega e dar passos em direção ao meu Senhor. Pois, comunhão diária implica nisto. Não duvido do amor de Deus por mim. Não duvido do seu perdão e salvação. Aceitei.

    Mas, nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que vem de Deus. Eu preciso me nutrir diariamente, comungar com Ele para experimentar a cada dia os benefícios e o poder da salvação, até que seja dia perfeito. E quando será esse dia? Quando estivermos em Sua presença em Seu Reino. Não julgamos ninguém, afinal compreendemos que somos nós mesmos dependentes da misericórdia divina.

    Entretanto, está escrito que há joios e trigos, ímpios e justificados. Pecadores todos somos. O problema vem quando nos tornamos pecadeiros. O Reino de Deus é para os pecadores não para os pecadeiros. Quem julgará os pecadores? O Senhor Jesus. Quem julgará os pecadeiros? O Senhor Jesus.

    Então, a justiça será feita e se alguém entrar e se alguém sair, a justiça será feita, pois foi o Senhor Jesus quem examinou e sondou os corações. Aliás, não vejo Deus preocupado em fazer entrar ou expulsar ninguém. Ele fez o que necessário foi. Deu a salvação a todos. A nós de dar o passo e tomar nossas decisões. É certo que Ele não levará em conta o tempo de ignorância, mas julgará com a mesma equidade o tempo de conhecimento.

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  12. Vc citou Hebreus 3: 7-13

    “Não entrarão no meu descanso. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.”

    E perguntou: “O que é que nos leva a praticar enganos, um coração (uma mente) perverso ou um coração ignorante?”

    Compreendo, olhando para mim mesma, que quando erro o faço ou por displicência, ou por falta de sabedoria, ou por fraqueza espiritual... mas também ocorre de agir por minha natureza carnal. A mim, digo sempre, é preciso mais da presença de Deus, pois os frutos do Espírito são outros que não os que vc tem praticado.

    Mas, há aqueles que encontram prazer em fazer o mal. Gostam de provocar sofrimento. Estupram porque têm prazer nisto. Assassinam porque gostam de ver a queda do outro. A esses a mensagem é: “cessem de fazer o mal”

    Alguns fazem parte desse grupo em algum momento escutam o apelo do Senhor e se voltam de seus maus caminhos. Arrependem-se, confessam-se e são completamente perdoados. Estes mudam de vida. Mas outros sentem os apelos do Senhor como comichões em seus ouvidos e simplesmente decidem não escolher o bem. Isto acontece, Pedro.

    Não se trata de exercer julgamentos. Deus é quem julgará cada um de nós. Nossa missão é outra. É abrir portas, mostrar o Caminho. Viver e testemunhar a proposta de vida que Deus nos deu e que conhecemos. É sermos o sal, a luz.

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  13. Não concordo quando vc diz

    “Deus nos criou assim, portanto, Ele, embora não seja culpado, é co-responsável pelos nossos enganos. E, Ele mesmo confessa essa co-responsabilidade, ao criar o plano da redenção. Aí aparece a segunda forma de justiça, a mais sublime! Deus aplica sobre Si mesmo a Sua própria Lei.”

    O plano da Salvação foi para o homem Pedro, não para Deus. Deus não erra, não Se engana. Isto são atributos humanos. Ele não nos criou imperfeito. O homem é que se estribou em seus próprios caminhos e errou. A responsabilidade de Deus é apenas a de não nos abandonar a nossa própria sorte, pois o Seu amor de Criador não Lhe permiti o esquivar-Se diante de Sua criação. Ofereceu-nos a vida, mas mesmo quando falhamos em nossas decisões, Ele vem com a Vida , que é a essência Dele mesmo e nos resgata. Sua responsabilidade vem do fato de que Nele há solução definitiva contra a morte, o pecado, o mal. E Ele não Se furtou, nem Se furtará de vir como a solução, pois o mal não terá jamais a última palavra!

    O Mal, como Satanás, não é nossa responsabilidade, mas de Deus. E Satanás já sabe qual é o seu destino: a morte eterna. E esta será o destino de todos os que não quiserem saber de Deus. Por uma questão de justiça com a paz e o bem, o Mal precisa ser erradicado e isto sim é responsabilidade de Deus. Não os nossos erros e enganos.

    Errar é humano. Enganar-se também é humano. Deus sabe disto, pois conhece que somos pó. Nossos erros e enganos compõem o tecido de nossas vidas, como retalhos que vamos consertando à medida que vamos amadurecendo. Alguns desses erros podem compor o quadro de pecados que cometemos em nossa caminhada. Para todos esses pecados há uma solução: a presença de Jesus com Sua morte e Sua vida. Deus vai apagando conforme vai relacionando-Se conosco. Porém, é certo que Sua misericórdia é a causa de nosso perdão.

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  14. Há pecados, portanto, mas há o Pecado. Esse é o que complica, pois o Pecado é a rebelião contra Deus. Enquanto houver rebelião não pode haver perdão, pois o perdão pressupõe o arrependimento, o reconhecimento da falta. É aqui que ocorrerão as exclusões pessoais.

    Alguns se excluirão porque não querem abandonar o Pecado da rebelião.

    Tudo tem como causa não a ignorância, Pedro, mas a rebelião decidia contra Deus. A “ignorância” é algo relativo, pois um índio pode adorar a natureza, mas fazê-lo na mesma precisão que eu faço quando adoro a Deus.

    Podemos todos os dois estar enxergando Deus. Ele apenas o chama de natureza, e eu de Deus.

    Espero não ser mal compreendida!

    Não fomos criados com pecado, nem criados limitados em conhecimento. Deus não julgará um adulto da mesma forma como julgará uma criança. Deixemos o julgar nas mãos de Deus.

    É importante que compreendamos que não somos pecadores porque pecamos. Pecamos porque somos pecadores.

    Vc perguntou: “Onde estão e quantos são os justos, para que possam andar nos caminho do Senhor?”

    A mesma Bíblia que classifica alguns como justos, diz também que não há um justo sequer entre os homens. E aí? Contradição?

    Não. É preciso apenas que contextualizemos “o justo” na graça e misericórdia de Deus. É a Sua justiça imputada que nos faz justos.

    Vc diz: “É incrível, mas, segundo o entendimento de muitos, o simples argumento do “livre arbítrio” ’pode anular’ o querer e o poder de Deus.”

    Não anula, Pedro, pois Deus não nos deixa de amar, nem perde Sua capacidade de nos salvar, porque escolhemos rejeitá-LO.

    Ele simplesmente quer que todos se salvem, mas Sua potencia não é arrogante, nem o Seu amor invasivo. Ele não fará nada contra a nossa vontade quando o quesito é decisão pessoal. Deus não é tirano, nem manipulador da vontade humana.

    Vc diz: “O meu entendimento é de que Deus nos concedeu um arbítrio relativo, com limites determinados por Ele.”

    Lembra do que Ele disse a Satanás por ocasião de seus argumentos acusadores contra JÓ. Deus limitou a ação de Satanás, Ele não podia tocar na vida de Jó.

    Compreendo aqui que Deus tem o poder sim de limitar-nos. Mas, interferir, em nome de um livre arbítrio relativo é outra coisa!

    A isto dou o nome de manipulação, Pedro. Não livre arbítrio. Está escrito que o seu desejo é de que “arrazoemos”.

    abraço

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    Divergências não, entendimentos diferentes!
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    Caríssima Ruth

    Se me pedirem para falar da Praia de Iracema, evidentemente, embora se trate do mais belo cartão postal de Fortaleza, a minha descrição estará limitada ao que eu conheço dela. Portanto, terei pouco a dizer diante da magnitude e da beleza desse presente que Papai do Céu ofereceu ao povo cearense.
    Porém, a singeleza da minha “pintura” não vai modificar em nada o que realmente existe aí. Amanhã, quando a conhecer com mais profundidade, certamente, a minha apresentação será muito mais impressionante.
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    Numa outra situação, vou descrever como eu vejo a Deus. O que eu conheço dEle, hoje.
    Para mim Deus é Todo em tudo, porém, dentre os seus atributos registro com destaque os seguintes:
    Eternidade Onipotência Onisciência
    Onipresença Amor Misericórdia
    Justiça Perdão Redenção
    Salvação Caminho Verdade
    Vida Longanimidade Imutabilidade

    Sendo essa a imagem que tenho de Deus, nada mais lógico de que seja esse o parâmetro para a minha análise em relação a tudo que diga respeito a Ele. Não importa quem tenha dito, quando, onde ou a quem, qualquer referência ao Deus que eu conheço tem que estar em plena harmonia com essa “tela”. E, acredito que assim deve ser em relação a cada um de nós. Nós amamos, adoramos, obedecemos, acreditamos e seguimos ao Deus que conhecemos!

    Então, para evitar enganos, toda contextualização que fizermos deve ter como parâmetro os valores que Lhe atribuímos.

    Poderíamos citar algumas centenas de versos onde a literalidade textual compromete gravemente a essência do propósito da mensagem divina, no entanto, basta uma análise mais cuidadosa e facilmente se perceberá que o problema está apenas nas figurações. A essência é imutável.

    Vejamos o choque dos versos seguintes em relação aos atributos que conferimos a Deus.

    Is 47: 3 As tuas vergonhas serão descobertas, e se verá o teu opróbrio; tomarei vingança e não pouparei a homem algum.

    Jeremias 46: 10 Porque este dia é o Dia do Senhor, o SENHOR dos Exércitos, dia de vingança contra os seus adversários; a espada devorará, fartar-se-á e se embriagará com o sangue deles; porque o Senhor, o SENHOR dos Exércitos tem um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates.

    2Samuel 24: 16 Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o jebuseu.

    Logicamente, vingança e esquecimento, nesses textos, são apenas figuras de linguagem.

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    Então, eu creio na Bíblia. Tenho-a como sendo o manual do cristão, porém, não sou radical quanto à sua inerância absoluta e nem à sua plena literalidade textual.

    Creio que o conhecimento que temos das coisas divinas é o que faz a diferença em nossas vidas. Entendo que “consciência” é um estágio do conhecimento no qual o indivíduo está capacitado a discernir acertadamente diante das opções que lhe sejam apresentadas.

    Entendo que, assim como trevas é a falta de luz, ignorância é a falta de conhecimento. Assim sendo, da mesma forma que não podemos herdar maldade de Deus, visto que esse não é um dos atributos do Seu caráter, igualmente, não somos Seus herdeiros de ignorância.
    Herdamos luz e conhecimento, atributos que poderão ser desenvolvidos durante a nossa existência, porém, sem a possibilidade deque jamais alcancemos os níveis de plenitude exclusivos da Divindade.

    Somos ignorantes porque nascemos limitados em conhecimento, mas, não somos pecadores porque nascemos pecadores. Ignorante é todo aquele que não tem plenitude de conhecimentos e pecador é aquele que pecou. Ao nascer não temos onisciência, portanto, somos ignorantes, também não temos pecado, então, não somos pecadores. É fato que, já ao nascer, somos pecadores em perspectiva, visto que a nossa ignorância nos torna pecadores em potencial, no entanto, só nos tornamos pecadores quando consumamos a pratica do primeiro pecado.

    Se não é assim, qual o pecado que se pode imputar a um recém nascido?
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    “É importante que compreendamos que não somos pecadores porque pecamos. Pecamos porque somos pecadores. “

    Como afirmar que o indivíduo que jamais, sequer, pensou em matar alguém é um homicida. Ele se tornará homicida depois que praticar um crime de morte. A não ser que se admita que ele nasceu predestinado para matar! Teríamos, também, de aceitar que Deus criou Adão, já pecador.

    “Ele não nos criou imperfeito. O homem é que se estribou em seus próprios caminhos e errou.”

    Então, Deus criou Adão, perfeito? A criatura igual ao Criador?
    Perfeição pressupõe a impossibilidade de imperfeição, assim ocorre com Deus, não existe a menor possibilidade de que Ele venha a cometer erros, visto que é perfeito.
    Entendo que nós fomos criados em estado de pureza e que a falta de onisciência nos levou a cometer enganos.

    “Não creio que o que agrada a Deus seja a obediência intelectual. Então, atribuir níveis de conhecimento não é o que temos feito.”

    As minhas referências a “conhecimento” sempre dizem respeito ao conhecimento que temos do que é divino. Para evitar mal entendido, sempre que possível vou utilizar a palavra “consciência”.

    “Não anula, Pedro, pois Deus não nos deixa de amar, nem perde Sua capacidade de nos salvar, porque escolhemos rejeitá-LO.”

    Concordo plenamente. Se, por não ter consciência do que Ele realmente é, eu escolher “rejeitá-LO” o meu engano não prevalecerá sobre o Seu amor e a Sua onisciência.

    “Ele simplesmente quer que todos se salvem, mas Sua potencia não é arrogante, nem o Seu amor invasivo. Ele não fará nada contra a nossa vontade quando o quesito é decisão pessoal. Deus não é tirano, nem manipulador da vontade humana.”

    Deus é onisciente, justo e amoroso. É nisso que se fundamentem as suas decisões.

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    O meu entendimento é de que Deus nos concedeu um arbítrio relativo, com limites determinados por Ele.

    Comentário esse texto você postou:

    “Lembra do que Ele disse a Satanás por ocasião de seus argumentos acusadores contra JÓ. Deus limitou a ação de Satanás, Ele não podia tocar na vida de Jó.”

    Ok. Mas, se Deus limitou a ação de Satanás não foi exatamente porque Ele sabia que a sua pretensão era destruir plenamente a Jó? Deus agiu, sim, preterindo a liberdade de Satanás.

    “Compreendo aqui que Deus tem o poder sim de limitar-nos. Mas, interferir, em nome de um livre arbítrio relativo é outra coisa!
    Ele não nos criou imperfeitos.”

    Se Deus deu livre arbítrio, o fato de depois limitá-lo não é interferir?!
    Se “Ele não nos criou imperfeitos”, então, criou perfeitos. Será que se consegue segurar essa tese?
    Se Deus não nos concedeu consciência plena, será que liberdade absoluta não seria nos colocar numa situação de risco irremediável?!
    Não é mais sensata a tese de que as interferências de Deus correspondem ao uso do direito que Lhe foi reservado por Ele mesmo?!

    “E Ele não Se furtou, nem Se furtará de vir como a solução, pois o mal não terá jamais a última palavra!”

    Concordo plenamente. O engano tem “pernas curtas”.

    “Errar é humano. Enganar-se também é humano. Deus sabe disto, pois conhece que somos pó. Nossos erros e enganos compõem o tecido de nossas vidas, como retalhos que vamos consertando à medida que vamos amadurecendo.”

    Na verdade, Deus conhece que somos pó, mas, entendo que não é este fato que nós leva a errar e sim a falta de consciência.
    De fato, só o “amadurecimento” que conduz à consciência divina nos consertará.

    “Não fomos criados com pecado, nem criados limitados em conhecimento.”

    Se não fomos criados em pecado, ao nascer não éramos pecadores, e se não fomos criados limitados em conhecimento, nascemos onisciente.
    O meu entendimento é que: não nascemos em pecado e nem oniscientes.
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    Há, ainda, muito o que poderíamos comentar, mas, para isso haja tempo, então, fiquemos por aqui!

    Um respeitoso e fraternal abraço.

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