A Cola da Alma : O Sétimo Mandamento




 
Por Loron Wade


Não sei qual seria o relógio mais bonito do mundo na opinião  dos especialistas, mas em minha mente não tenho dúvidas a esse respeito. Seria o relógio que sempre andou no bolso inferior esquerdo do colete do meu avô. Feito de ouro, tinha uma abertura com dobradiças na parte de trás e, de vez em quando, o vovô o abria para me deixar ver o pequeno mecanismo que se movia para trás e para a frente, para trás e para a frente, a cada avanço do ponteiro dos segundos. Outras rodinhas minúsculas moviam o suporte de diamante ao lado da mola- mestra à qual o vovô dava corda todas as noites antes de ir para a cama. O relógio tinha tanto que ver com o meu avô que parecia impossível imaginá-lo sem ele.

Certa vez, quando eu tinha seis anos de idade, nossa família passou um fim de semana com o vovô e a vovó. No domingo de manhã, acordei cedo. Mamãe e papai ainda dormiam, mas ouvi um suave murmúrio de vozes vindo da cozinha, de modo que saí e vi meus avós comendo mingau de aveia com molho quente de maçã e creme por cima. Depois de um abraço de bom-dia, colocaram uma tigela sobre a mesa para mim, e comi junto com eles. O colete do vovô estava desabotoado, mas a corrente do relógio estava visível, como sempre, saindo da presilha que a segurava e desaparecendo no bolso do colete.

Com os cotovelos sobre a mesa e o queixo nas mãos, olhei para o rosto do idoso homem e expressei uma idéia que havia acabado de brotar na minha mente: 

– vovô, posso ficar com o seu relógio quando você morrer? 

Não me lembro se os olhos azuis dele piscaram naquele momento, como faziam com frequência. Mas sua resposta ainda ecoa na minha memória. 

– Sim – disse ele. – Quando eu morrer, o relógio será seu. 

Um senso de reverência me dominou e fiquei indescritivelmente emocionado. Acho que nem sequer terminei o desjejum antes de sair de mansinho e contar a maravilhosa notícia para mamãe. Para meu espanto, ela ficou horrorizada. 

– você não pediu isso de verdade, pediu? 

Encolhendo-me para trás, balancei a cabeça sem falar nada. A alegria daquele momento se evaporou instantaneamente. O tom de voz da minha mãe deixou claro que eu havia feito algo realmente terrível. 

– Não vê que isso dá a entender que você está desejando que ele morra, para poder ficar com o relógio? – explicou ela. 

Fiquei envergonhado e, naturalmente, nunca mais mencionei o relógio ao vovô. Mas ele não se esqueceu. Dois anos mais tarde, justamente antes de morrer, ele disse à minha mãe: 

– Lembre-se, Zola, meu relógio vai ficar com o Loron. 

Depois que ele se foi, mamãe me mostrou o relógio e então o guardou numa pequena caixa preta na prateleira superior do armário. Enquanto os anos passavam, ela me deixava tirá-lo de vez em quando para lustrá-lo e dar-lhe corda antes de pô-lo de volta no lugar. Era sempre uma alegria vê-lo e recordar o amor que representava, bem como as lindas lembranças do vovô. 

Um dia, quando eu tinha 14 anos, em vez de guardar novamente o relógio, coloquei-o no bolso e disse à mamãe: 

– Agora já tenho idade suficiente para cuidar dele. 

Depois de um silêncio um tanto prolongado, ela respondeu: 

– Não acho que seja uma boa idéia, mas você pode decidir. 

Na manhã seguinte, o relógio do vovô foi balançando para a escola no bolso dianteiro da minha calça jeans. Durante a primeira metade da manhã, era impressionante a frequência com que eu precisava olhar as horas. Nada se igualava ao fato de eu ser o único garoto na sala a ter um relógio de ouro. Notei que outros alunos olhavam na minha direção de tempos em tempos, e achei que talvez iriam se juntar em torno de mim na hora do recreio para admirar aquele notável relógio. Mas, como sempre, quando a sineta tocou, a classe inteira disparou na direção da porta e os meninos pegaram suas luvas de beisebol enquanto corriam. 

Eu havia me esquecido de que, ao suspendermos o jogo na sexta-feira, seria a vez da nossa equipe participar. Demorou uns 35 segundos até que todos se colocassem nos seus lugares e gritassem: “OK, o jogo vai começar!” 

Bonell Stevens deu o início. Depois Larry fields deu uma bastonada que o colocou em segundo e depois disso foi a minha vez. Minha reputação como o rei das rebatidas ficou seriamente prejudicada quando mandei a bola para o campo de trás no primeiro arremesso. No momento em que Glenn hansen a apanhou e jogou para seu irmão Calvin, que estava na primeira base, eu o havia ultrapassado e não estava longe da segunda. Dei um mergulho heroico, deslizando pelo resto do trajeto, e consegui tocar a base um décimo de segundo antes que a bola se encaixasse na luva de Dal Cornforth. 

Puxa! Aquilo foi adrenalina pura! Todos gritavam ao mesmo tempo. foi um dos momentos mais inesquecíveis da vida, especialmente para alguém com a minha fama. Coloquei-me de pé, três centímetros mais alto que antes, e comecei a sacudir a poeira. Nesse momento, minha mão encontrou algo duro, achatado e redondo no bolso direito da minha calça jeans. Ali estava o “objeto”, mas por alguma razão parecia estranhamente deformado. 

Ai, não! Não podia ser verdade! Mas era. Ainda estremeço ao recordar aquele momento terrível. 

Entendi, então, que eu era o garoto absolutamente mais estúpido do mundo. Aos 14 anos, eu não sabia muito acerca do valor de um relógio de ouro de bolso, mas sabia o quanto amava meu avô, que o havia confiado a mim. E descobri que, no espaço de poucos segundos, você pode fazer algo que passará anos – quem sabe o resto da vida – lamentando. 

É disso que trata o sétimo mandamento. É sobre quebrar algo frágil, precioso e muito, muito difícil – às vezes impossível – de consertar. 

Algumas pessoas, naturalmente, discordariam. Pouco tempo atrás, uma atriz se exibia num programa popular de TV. Começou alegremente a citar nomes, enquanto regalava o auditório com detalhes do seu irrequieto estilo de vida. Antes de eu encontrar o controle remoto, ela deve ter mencionado pelo menos meia dúzia de pessoas famosas com quem alegava ter ido para a cama. 

Para aqueles que partilham esse ponto de vista, este é um bravo mundo novo, e seus cidadãos dizem que ocorreu uma “revolução” e uma grande “liberação”, abrindo as portas para uma liberdade e alegria sem limites. 

Mas eles estão errados – e não porque alguém tenha inventado um decreto para estragar sua diversão. Estão errados porque o sétimo mandamento expressa uma lei fundamental da vida, um princípio gravado profundamente no nosso coração e na nossa mente. Baseia-se na maneira como somos programados, e não podemos romper isso sem violar algo profundo lá dentro. 

Uma das mais famosas passagens na Bíblia nos ajuda a entender por que isso é assim. Digo “famosas” porque até pessoas que nunca abriram a Bíblia na vida já ouviram a respeito de Gênesis 2:22 e 23. Infelizmente, às vezes, a passagem é usada no contexto de uma piada. Mas, se deixarmos isso de lado por um momento e tratarmos o texto com o respeito que merece, descobriremos que ele tem um significado profundo. Diz: “Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gênesis 2:21 e 22). 

As primeiras palavras de Adão, que ele pronunciou quando viu aquela linda criatura caminhando na sua direção, mostram que ele entendera o que havia acontecido. Com profunda emoção, Adão exclamou: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne” (verso 23). 

É claro que a alegria de Adão refletia o início de seu relacionamento sexual, porque o registro acrescenta imediatamente: “Por isso [por esta razão; porque a mulher foi tomada do corpo do homem; porque ela é osso dos seus ossos e carne da sua carne], deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (verso 24). O fato de uma vez mais se tornarem uma só carne está relacionado com o fato de terem originalmente sido uma só carne. É desígnio de Deus que, através da relação sexual, a carne se una à carne e o espírito ao espírito. 

Um termo bem conhecido na psicologia popular descreve o conceito ensinado em Gênesis 2:22-24: “identificação”. “Identificar-se” com alguém envolve mais do que alimentar essa pessoa ou cuidar dela. Significa que, de algum modo misterioso, chegamos a partilhar sua identidade, como se de alguma forma fôssemos essa pessoa. Por meio da identificação, podemos ver o mundo através dos olhos dela, entender sua alegria e sua dor. Essa força poderosa está em ação quando choramos no fim de um filme triste. Nossas lágrimas fluem porque o ator fez com que nos identificássemos com a personagem na tela, de modo que a sua perda se tornasse a nossa. 

Quando Adão viu aquela formosa criatura que se aproximava, teve um senso profundo de identificação lá no íntimo. Ela era parte dele, pois havia se originado de seu próprio corpo. Essa é a razão do incrível impacto que tal experiência produziu nele, levando-o a exclamar: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne”! Então, o que seria mais maravilhoso e natural para Adão do que segurá-la nos braços, sentir o corpo dela junto ao seu e partilhar com ela o intenso prazer que, segundo o desígnio de Deus, devia acompanhar esse alegre encontro? 

Deus planejou e criou a união sexual para que fosse um poderoso instrumento de identificação e união. Dizendo com outras palavras, o sexo é o “superbonder” da alma. 

Isso não é meramente uma teoria agradável ou uma idéia carinhosa. A ciência descobriu uma química poderosa que o corpo libera durante o sexo. Esses elementos químicos intensificam a ligação do casal. Um hormônio chamado oxitocina atua diretamente no cérebro para fortalecer nossa relação e identificação, e seu fluxo aumenta durante a relação sexual. Isso significa que Deus planejou o aspecto físico do ato sexual como parte da intimidade total do coração e da mente, que é o casamento. 

O apóstolo Paulo também fala da função unificadora do sexo e diz que ela opera inclusive quando podemos nem ter essa intenção. Isso quer dizer que, ao contrário do que alguns poderiam desejar ou crer, não é realmente possível fazer sexo e ir embora na crença de que nada aconteceu. 

“Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela?”, pergunta Paulo. “Porque, como se diz, serão os dois uma só carne” (1 Coríntios 6:16). você pode sair da cama, vestir-se e ir embora, mas alguma coisa aconteceu. Ocorreu uma ligação e você está levando algo consigo. Você esteve tecendo uma teia que o enreda e que, de um jeito ou de outro, voltará para assombrá-lo. 

Jesus também Se referiu à função vinculadora da intimidade física. “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. (Mateus 19:4-6). 

Assim como Paulo, Jesus está dizendo que o relacionamento sexual é uma agência divinamente designada para tornar forte e permanente a união de duas vidas. É o meio que o Céu usa para cimentar dois corações, e eles não poderão depois disso ser separados sem grave dano a ambos.

Sexo Seguro 

Uma das expressões usadas por aqueles que promovem a revolução sexual é “sexo seguro”. O termo tem levado milhões de pessoas a crer que existe mesmo segurança num estilo de vida libertino. Refere-se à idéia de que os preservativos podem evitar doenças. Sem dúvida, eles ajudam nesse sentido; contudo, a proteção que oferecem reduz, mas não elimina o risco. Além do mais, esse mito repousa sobre a idéia de que a doença é a única consequência indesejável de tal comportamento. Porém, os resultados da quebra do sétimo mandamento são multifacetados e de longa duração. 

Faz parte desse mesmo mito a idéia de que “você precisa testar um carro antes de comprá-lo”. Parece lógico, não é? Morar juntos ou coabitar parece uma forma livre de riscos para verificar a compatibilidade.  Deveria ser um excelente método de chegar a um casamento perfeito. 

O estranho é que as estatísticas mostram que acontece o contrário: casais que começam seu casamento dessa maneira têm quase o dobro de possibilidade de divorciar-se dentro de dez anos, em comparação com os que começam a vida em comum com o casamento.1

Além disso, um estudo recente descobriu que os casais que apenas coabitam têm um índice de agressão física três vezes mais elevado que os casais casados,2 e o índice de violência grave é quase cinco vezes maior do que em casais casados.3 Quanto mais ativos sexualmente os cônjuges forem antes do casamento, maior será a probabilidade de que eles se traiam depois de estabelecido o vínculo.4 Não é de surpreender que as mulheres envolvidas em relacionamentos casuais5 relatem um índice muito mais elevado de depressão e muito mais baixo de satisfação sexual do que as mulheres numa relação matrimonial.6

A atual explosão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) desafia ainda mais o conceito do sexo seguro. Uma análise da literatura científica revela que os preservativos não evitam a transmissão do vírus hiv – que causa a Aids – entre 15 e 31% das vezes.7  Portanto, não deveria nos surpreender que, apesar de ter aumentado o uso de preservativos nos últimos 25 anos, novos casos e novos tipos de DSTs hajam aumentado ainda mais.8

Nos anos 60, antes do início da “revolução sexual”, as principais doenças transmitidas pelo contato sexual eram a sífilis e a gonorréia, e se acreditava que estivessem desaparecendo por causa do desenvolvimento de antibióticos. hoje, a ciência médica descobriu mais de 20 tipos amplamente disseminados de DSTs, com média de mais de quinze milhões de novos casos por ano nos Estados Unidos. Dois terços de todas as DSTs ocorrem entre pessoas de 25 anos de idade ou menos.9  A cada ano, três milhões de adolescentes contraem uma DST nos Estados Unidos. Em média, pelo menos um quarto dos adolescentes sexualmente ativos é infectado.10

A DST líder é o papilomavírus humano (hPv), com 5,5 milhões de novos casos relatados a cada ano.11 Outro flagelo mortal é a Chlamydia trachomatis, que agride as trompas de falópio e é a causa de infertilidade que mais cresce. A ciência médica ainda não tem cura para doenças virais como herpes e o vírus da imunodeficiência humana (hiv), que causa a Aids. Segundo os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, a Aids lidera como causa de morte entre pessoas de 25 a 44 anos de idade. 

A simples menção desses números dificilmente apresenta um quadro do que significa ter a vida devastada pelo hPv ou presenciar a morte de um ente querido com Aids. Posso garantir que essa é uma forma horrível de morrer.

O que dizer das crianças? 

Um resultado ainda mais triste da revolução sexual tem sido o aumento quintuplicado no número de crianças que crescem em lares com a presença de apenas um dos pais. De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde dos Estados Unidos, os nascimentos fora do matrimônio naquele país representaram 33% de todos os nascimentos em 2002, comparados com 7% em 1960. Isso acontece a despeito de mais de 1,3 milhão de abortos realizados anualmente ali. 

“Não há um único fator em que as crianças deste país não estejam em pior situação” por causa da mudança nos valores sexuais, segundo Patrick Fagan, da Heritage Foundation.12

As crianças em lares dirigidos por apenas um dos pais têm maior probabilidade de sofrer abuso sexual, ser presas, repetir o ano escolar, parar de estudar ou ser expulsas, usar maconha, cocaína e cigarro, carregar armas, ter graves problemas emocionais e comportamentais, sofrer de problemas de saúde física, ser sexualmente ativas, tornar-se mães/pais solteiros, sofrer depressão ou cometer suicídio. 

Esses são alguns resultados mais óbvios da “liberdade” e “liberação” que ocorre. É verdade que aconteceu uma mudança radical nos padrões morais de alguns elementos da sociedade, mas descrevê-la como “liberação” ou promovê-la como avanço ou melhoramento é como gabar-se da liberdade para fumar. E o número anual de pessoas que morrem como resultado da revolução sexual excede em muito o número anual dos que morrem devido ao fumo.

Obtendo o controle 

Jesus disse que o adultério começa onde termina: no coração. “Ouvistes o que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:27 e 28). 

Ele reconheceu que o impulso sexual se origina na mente e que a mente é estimulada pelos sentidos – “olhar para uma mulher com intenção impura”. O sexo mental – fantasias sexuais desenfreadas – pode parecer um prazeroso e inocente passatempo, mas não é. Olhar cenas que excitam o desejo sexual e ouvir ou ler histórias e descrições de sexo estimulam fortemente essas fantasias. É aí, portanto, que deve começar a batalha pelo autocontrole. 

É comum falar acerca da contaminação do ambiente por indústrias pesadas. Mas existe outro tipo de poluição que é igualmente disseminado. É a contaminação do ambiente por pessoas que usam imagens sexualmente estimulantes em outdoors, na televisão, nos cinemas e impressas em toda parte. 

Hoje ocorre um debate público acerca da educação sexual. Um grupo diz que precisamos mostrar aos jovens que o único sexo seguro é a abstinência. “É só dizer não”, defendem. Seus oponentes alegam que essa idéia simplesmente não funciona. Não importa quantas vezes você disser isso, eles vão fazê-lo de qualquer jeito. 

Ambos os grupos têm razão. É claro que os jovens nunca serão capazes de “simplesmente dizer não” se isso for tudo o que lhes dissermos. Como conseguiriam, quando são bombardeados dia e noite com imagens altamente estimulantes e propaganda sexual na mídia? Precisamos explicar aos jovens – e, deixando a presunção de lado, vamos reconhecer que todos nós precisamos disso, não só os adolescentes – que o controle sexual começa onde Jesus disse: na nossa mente. Se, vez após vez, nos permitirmos ser levados até o limite e se nosso plano de defesa for parar quando estivermos a ponto de cair, certamente fracassaremos. 

É aqui que o poder de escolha entra em cena. Os anunciantes podem publicar quadros estimulantes, mas não podem nos forçar a continuar olhando ou a comprar seus produtos. Os compositores podem incluir palavras vulgares na sua música, mas não podem nos obrigar a ouvir ou prestar atenção à sua mensagem. Ninguém pode nos forçar, contra nossa vontade, a continuar olhando um vídeo ou um programa de TV obsceno uma vez que percebamos de que se trata, nem a continuar sendo amigos de pessoas que insistem em fazer pressão sobre nós com seus falsos valores e histórias sobre seus casos e conquistas. 

Estávamos parados no topo de El Peñol, um gigantesco monólito de arenito que se ergue abruptamente 200 metros acima dos campos de Antioquia, na Colômbia. Com alguns amigos, arfando e ofegando, havíamos subido os 649 degraus até o topo. 

Para nossa grande surpresa, não vimos nenhuma grade de proteção lá em cima, nenhuma barreira ou mesmo placas de advertência. O amistoso guarda nos contou que já estava naquele emprego fazia mais de vinte anos. 

– Alguém já despencou aqui de cima? – perguntei. 

– Sim – disse ele. – Uns trinta. 

Chocado, perguntei: – E todas essas pessoas tiveram a intenção de se jogar ou foi por acidente? 

– Não sei. Nunca pudemos fazer a pergunta. – Ele parecia divertir-se com essa resposta.
Depois de conversar com o homem por algum tempo, andamos por ali para observar o cenário. A área plana no topo compreende cerca de meio hectare. O curioso é que não há um precipício repentino na margem. Existe apenas um declive gradual. Na verdade, não parece tão perigoso. 

Enquanto observava isso, fiquei pensando que seria interessante descobrir se alguma pessoa já teria chegado perto da beirada o suficiente para espiar lá para baixo. Podíamos enxergar quilômetros ao redor em todas as direções, mas seria mais excitante se pudéssemos olhar diretamente para baixo, não seria? 

Hummm, OK. Acho que vou chegar um pouquinho mais perto da extremidade. Ei, isso é divertido! Mas ainda não vejo direito. Está bem, mamãe. Não se preocupe. Não penso mesmo em ir até o fim. 

O topo do El Peñol não tem placas de advertência. Mas fico feliz porque Jesus nos deixou um claro aviso em Seu ensino acerca do sétimo mandamento. Não chegue nem mesmo perto da margem, disse Ele. Decida por si o que seus olhos verão, em que sua mente pensará. Não permita que anunciantes obscenos e roteiristas de cinema determinem o conteúdo do seu pensamento. 

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8). 

É aqui que devemos traçar a linha na batalha pela pureza. Só poderemos vencer a batalha afastando-nos do mal, ocupando a mente com idéias positivas e enobrecedoras, fazendo de Deus a prioridade da nossa vida. “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em Ti” (Isaías 26:3).

Completo Novamente 

Numa sociedade perfeita, poderíamos encerrar este capítulo aqui mesmo, mas vivemos num mundo devastado pelo mal. Sem dúvida, algumas pessoas que lêem isto estão relembrando experiências que prefeririam esquecer. 

Num dia terrível, um grupo de homens foi a Jesus arrastando uma mulher, que jogaram aos pés dEle como um trapo sujo. 

– “Mestre – disseram – “esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.” (João 8:4). 

Depois de Jesus ter desmascarado aqueles hipócritas e eles terem saído, Ele disse à mulher: 
 “Onde estão as pessoas que a acusavam?”

Surpresa, ela abriu os olhos e olhou ao redor. Depois respondeu: – “Não há ninguém, Senhor”

A pergunta de Jesus é para todos os que, assim como aquela mulher, já se acharam vencidos pelo pecado e ficaram cheios de remorso e desespero. Jesus disse: – “Nem Eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”

“Porquanto Deus enviou o Seu filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (João 3:17). 

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). 

– Acho que não é uma boa idéia – comentou minha mãe quando eu quis levar o relógio do vovô para a escola. 

– Ei, já tenho 14 anos – respondi. – Sei o que estou fazendo. – E lá fui eu. 

Quando o desastre aconteceu, parecia que eu havia quebrado a coisa mais preciosa no mundo e que nada podia doer tanto. Mas, de lá para cá, descobri que isso não era verdade. Há coisas que são infinitamente mais preciosas do que um relógio de ouro, e quebrá-las dói mais do que eu poderia ter imaginado. 

Desde aquele dia, já conheci mais de trinta pessoas que despencaram pela borda do abismo com relação ao sétimo mandamento, e já vi o dano de longo alcance causado pelo que fizeram. Mas também testemunhei a cura, a esperança e a restauração, e sei que isso é possível. 

O dano que causei naquele dia ao relógio do vovô teve conserto. Algumas semanas mais tarde, ele tiquetaqueava fielmente como sempre. Por falar nisso, eu ainda o tenho hoje. 

Louvo a Deus pelo sétimo mandamento. Ele mostra que Deus nos ama e Se importa conosco o suficiente para nos avisar do terrível perigo. Também me sinto grato porque o perdão e a restauração se encontram livremente acessíveis a todos. 

_________

1-  Neil G. Bennett, Ann Klimas Blanc e David E. Bloom, “Commitment and the Modern Union: Assessing the Link Between Premarital Cohabitation and Subsequent Marital Stability”, American Sociological Review 53 (1988): 127-138. 

2- Sonia Miner Salari e Bret M. Baldwin, “Verbal, Physical, and Injurious Aggression Among Intimate Couples Over Time”, Journal of Family Issues 23 (2002): 523-550. 

3- Kersti Yllo e Murray A. Straus, “Interpersonal Violence Among Married and Cohabiting Couples”, Family Relations 30: 343. 

4- Andrew M. Greeley, Faithful Attraction: Discovering Intimacy, Love and Fidelity in American Marriage (Nova York: Tom Doherty Associates, 1991). 

5- Christina Hoff Sommers, Who Stole Feminism? How Women Have Betrayed Women (Nova York: Simon & Schuster, 1994), p. 251. 

6- Esses resultados se baseiam numa pesquisa entre 1.100 pessoas acerca de sua satisfação sexual, realizada pelo Conselho de Pesquisa Familiar e relatado em William R. Mattos Jr., “The Hottest Valentines: The Startling Secret of What Makes You a High-Voltage Lover”, Washington Post, 13 de fevereiro de 1994. Entre as surpreendentes revelações da pesquisa estava a informação de que “mulheres estritamente monógamas experimentam o orgasmo durante o sexo com frequência duas vezes maior que as mulheres promíscuas”. 

7- Dra. Susan Weller, “A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV”, Social Science and Medicine 36 (1993). Ver também Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas, Instituto Nacional da Saúde, Departamento de Saúde e Serviços Humanos, “Summary of Scientific Evidence on Condom Effectiveness for Sexually Transmitted Disease (STD) Prevention”, 20 de julho de 2001. 

8- Centros Para a Prevenção e o Controle de Doenças, “Tracking the Hidden Epidemics 2000: Trends in STDs in the United States”, em http://www.cdc.gov/nchstp/od/news/RevBrochure1pdftoc.htm. 

9- Shepherd Smith e Joe S. McIlhaney, “Statement of Dissent on the Surgeon General’s Call to Action to Promote Sexual Health and Responsible Sexual Behavior”, editado pelo Instituto Médico de Saúde Sexual (Austin, Texas), 28 de julho de 2001; Associação Americana de Saúde Social (Triangle Park, NC), “STD Statistics”, em http:// www.ashastd.org/stdfaqs/statistics.html. 

10- Alan Guttmacher Institute, Sex and America’s Teenagers (Nova York: Alan Guttmacher Institute, 1994), p. 19, 20. 

11- Sociedade Americana de Saúde Social, “STD Statistics”. 

12- Ver Patrick F. Fagan et al., The Positive Effects of Marriage (Heritage Foundation, 2002).

Comentários

  1. .
    .

    “Sem dúvida, algumas pessoas que lêem isto estão relembrando experiências que prefeririam esquecer.”

    Vinte anos atrás: juventude, muito vigor físico, dinheiro, amigos, desconhecimento de Cristo. O que esperar de uma receita tão perigosa?!

    Naquele tempo, ele usava dependurado no pescoço, um lindo cordão de ouro com um robusto crucifixo delicadamente trabalhado. Durante as suas “loucuras amorosas”, ver o crucifixo balançando sobre o busto da parceira era a única coisa que lhe causava um leve constrangimento, então, ele o tirava e colocava num lugar qualquer e estava livre de tudo que pudesse tocar à sua consciência.

    Encontros, desencontros, um “Ismaelzinho”! Tempestades, tormentas, amor, muito amor, perdão, e finalmente a paz cristã. A redenção começou com a sua conversão; logo depois foi a vez de “Agar”; e por fim, a fraternal convivência entre todas as partes envolvidas. A sua esposa é evangélica de berço.

    Doze anos depois estava ele a cerca de 200 quilômetros de distância de casa. Sua esposa sabia onde e com quem ele estava. Fora visitar o seu “Ismaelzinho”.

    Mesmo confiando nele, vez por outra, ela o lembrava:
    – “Amor, não se deve brincar com fogo. Nem bombeiro o faz!”

    “O curioso é que não há um precipício repentino na margem. Existe apenas um declive gradual. Na verdade, não parece tão perigoso.”

    Pois não é que, apesar de tudo, ele tropeçou!
    Fatalidade, tudo muito rápido, cinco minutos!
    No instante imediato a “ficha” caiu. Foi até à beira da praia e começou a chorar copiosamente. – Meu Deus, o que eu fiz!
    Já começava a escurecer, pegou a sua 650 cilindradas e, literalmente, “correu” para casa.
    Estradas estreitas, sem acostamento, muitas curvas, tráfego intenso, escuridão, e, somado a tudo isso, o seu desequilíbrio emocional!
    Um perigo!
    Tudo isso, sem contar o drama que deixara para trás!

    Esse episódio lhe causou mais sofrimento do que todos os enganos cometidos durante toda a sua vida de promiscuidade.
    Esse não foi apenas mais um “engano”, entre tantos outros!

    Consciência, conhecimento do Divino, a diferença que realmente transforma.
    O robusto crucifixo, delicadamente trabalhado, podia ser retirado e posto em qualquer lugar, mas a consciência que nos liga a Deus é indescartável.

    A esse fato, seguiram-se dias de angústia e de arrependimento até que, por fim, conseguiu falar com a sua esposa. Pela graça divina, mais uma vez falou mais alto o sentimento de amor cristão e o problema foi, finalmente, resolvido.

    Por essa, e por tantas outras experiências, entendo que só o conhecimento de Jesus leva à conscientização que pode operar o milagre da verdadeira transformação.

    Tudo é uma questão de conhecimento do Divino. Quanto mais conhecemos a Deus, menor o risco de cometermos enganos e maior a probabilidade de reconhecermos o erro, no caso de tropeçarmos.

    Conhecer a Deus é a solução, o problema está em ignorá-LO!
    Então, ignorância e conhecimento: problema e solução.

    .
    .

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  2. ... e a máxima do evangelho: "onde abundou o pecado, superabundou a graça."

    Com elementos diferentes esta história parece a de todos.

    grande abraço Pedro.

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