Livre Arbítrio: O debate continua (parte 3)

No Antigo Testamento como era visto o pecado cometido em tempo de ignorância: 

“Mas, se toda a congregação de Israel pecar por ignorância, e isso for oculto aos olhos da coletividade, e se fizerem, contra algum dos mandamentos do SENHOR, aquilo que se não deve fazer, e forem culpados, e o pecado que cometeram for notório, então, a coletividade trará um novilho como oferta pelo pecado e o apresentará diante da tenda da congregação. [...] Quando um príncipe pecar, e por ignorância fizer alguma de todas as coisas que o SENHOR, seu Deus, ordenou se não fizessem, e se tornar culpado; ou se o pecado em que ele caiu lhe for notificado, trará por sua oferta um bode sem defeito. [...]  Se qualquer pessoa do povo da terra pecar por ignorância, por fazer alguma das coisas que o SENHOR ordenou se não fizessem, e se tornar culpada; ou se o pecado em que ela caiu lhe for notificado, trará por sua oferta uma cabra sem defeito, pelo pecado que cometeu.” (Levítico 4)

Em Levítico 5 encontramos: “Disse mais o SENHOR a Moisés: Quando alguém cometer ofensa e pecar por ignorância nas coisas sagradas do SENHOR, então, trará ao SENHOR, por oferta, do rebanho, um carneiro sem defeito, conforme a tua avaliação em siclos de prata, segundo o siclo do santuário, como oferta pela culpa.  Assim, restituirá o que ele tirou das coisas sagradas, e ainda acrescentará o seu quinto, e o dará ao sacerdote; assim, o sacerdote, com o carneiro da oferta pela culpa, fará expiação por ele, e lhe será perdoado. E, se alguma pessoa pecar e fizer contra algum de todos os mandamentos do SENHOR aquilo que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, contudo, será culpada e levará a sua iniquidade. E do rebanho trará ao sacerdote um carneiro sem defeito, conforme a tua avaliação, para oferta pela culpa, e o sacerdote, por ela, fará expiação no tocante ao erro que, por ignorância, cometeu, e lhe será perdoado. [...].” 

Números 15: “... será que, quando se fizer alguma coisa por ignorância e for encoberta aos olhos da congregação, toda a congregação oferecerá um novilho, para holocausto de aroma agradável ao SENHOR, [...] Se alguma pessoa pecar por ignorância, apresentará uma cabra de um ano como oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação pela pessoa que errou, quando pecar por ignorância perante o SENHOR, fazendo expiação por ela, e lhe será perdoado. Para o natural dos filhos de Israel e para o estrangeiro que no meio deles habita, tereis a mesma lei para aquele que isso fizer por ignorância.” 

Ezequiel 45 : “Assim também farás no sétimo dia do mês, por causa dos que pecam por ignorância e por causa dos símplices; assim, expiareis o templo.”

No Novo Testamento como é visto o pecado cometido em tempo de ignorância:

Atos 3: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades;”

Atos 17 : “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;” 

Efésios 4 : “obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,” 

Percebam que o texto diz que há ignorância não somente pela ausência do conhecimento, mas porque há dureza do coração. 

Obscurecido é algo onde há pouca ou nenhuma luz. Onde há também ofuscamento. Mas, este estado de coisa, segundo o texto bíblico é uma consequência e não a causa. A causa mesmo é a dureza do coração. Faraó teve a oportunidade de ver todas aquelas manifestações sobrenaturais, mesmo assim rejeitou, preferiu ficar alheio a autoridade de Deus. Tinha então um entendimento obscurecido pelo orgulhoso coração.

1 Timóteo 1: “a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade.” 

Paulo sofreu o mesmo mal do coração insolente do Faraó. A diferença é que Paulo ainda que de forma equivocada cria em Deus e em Sua autoridade. Porém, diferentemente de Faraó, ao ver a manifestação sobrenatural de Deus rendeu-se. E o resultado foi que Paulo passou pela experiência de transformação e de perseguidor tornou-se perseguido. 

Qual o elemento diferenciador entre esses dois homens? A decisão tomada. A escolha feita. Cada um exerceu a sua capacidade de decisão e escolha, o seu livre arbítrio.

Hebreus 9 “mas, no segundo, o sumo sacerdote, ele sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelos pecados de ignorância do povo,”

1 Pedro 1: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;”

1 Pedro 2: “Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos;” 

Romanos 1: A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” 

Santo Agostinho ao falar sobre o Livre Arbítrio discorreu sobre a natureza de Deus e a individualidade e unidade das criaturas exatamente porque não dá para compreender o livre arbítrio dissociando-o da concepção de Deus. 

Como vemos há implicações religiosas, morais e científicas no conceito do Livre Arbítrio. Há uma relação entre o cérebro e o corpo, e os homens, no campo da ética, são responsáveis moralmente por suas ações.  A grande verdade é que este tema é por demais complexo, por sua amplitude, mas não de difícil compreensão. Pelo menos não do ponto de vista bíblico. 

Segundo a Bíblia, livre arbítrio é a capacidade que Deus dá ao homem para agir e ser livre, com capacidade para fazer as suas próprias escolhas, inclusive aquelas que não estão de acordo com a vontade divina. O Eterno tem poder para impedir que o homem faça o bem e o mal, no entanto deixa o caminho livre, cabendo ao homem decidir, sendo ele responsável por seus próprios atos.

Deuteronômio 30:19: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,

Deus resiste a compactuar com os erros e decisões erradas do homem (é imutável nisto). Mas, aproxima-Se de quem se sujeita à Sua Autoridade (atende a mutabilidade humana).

Há quem afirme que Deus criou o livre arbítrio para ter um bom motivo pra levar seres humanos para o inferno. Outros afirmam que o Livre Arbítrio simplesmente não existe, o que existem são necessidades. “Você sempre precisa de alguém, ou de algo. Por exemplo, se você não se alimentar, ou se não se hidratar, haverá consequências muito desagradáveis. Cadê a livre escolha ai? O livre arbítrio não existe, você é obrigado a fugir dessas situações; não existe. mas fazemos de conta que existe que é mais prático, daí se conclui que é uma necessidade relacional.” 

Outros ainda se perdem em seus argumentos recheados de equívocos: 

“O "livre arbítrio" é a maior fraude que já se ouviu falar. Um blefe inventado pelos ditos cristãos. [...] Ou você aceita o que eles querem te enfiar goela abaixo... ou vais arder no fogo do inferno! Isso é escolha?”

“... não há como negar que existem contradições na afirmação da existência de Deus quando usa-se a explicação do livre arbítrio. Se ele existe e é perfeito, justo, bom, onipotente e onipresente, por que crianças nascem deformadas? Por que pessoas boas sofrem e pessoas ruins "se dão bem"? Se Deus é onipresente e sabe de tudo e só permite aquilo que ele quer, como podemos ter essas escolhas pelo bem ou pelo mal? Resposta: Deus não existe. Somente os erros são nossos, suponho que os acertos também. Então se nós humanos, de carne e osso, somos responsáveis pelo que acontece no mundo de bom ou de ruim, desculpe, mas pra que Deus?” 

Desculpe quem pensa assim, dizem os cristãos, mas há não somente um equivoco com relação a existência de Deus, também há um completo desconhecimento sobre Quem é Deus.

Deus, em Sua Onisciência sabia que o pecado aconteceria, por isso Jesus já estava pronto como Cordeiro, desde a fundação do mundo. Mas, atenção, não há espaços para a predestinação aqui! Deus sabe, mas cabe a mim o decidir. Compreender isto faz grande diferença.

A Bíblia nos ensina que Deus perdoa o tempo de ignorância, mas será sempre rigoroso com relação à negligência. Por isso, é perigoso para nós, cristãos, sermos negligentes em nosso relacionamento com Deus. Afinal, é este relacionamento que estabelecerá o conhecimento e compreensão de Sua vontade em nossas vidas. 

As passagens bíblicas que citei mais acima com relação ao perdão divino pelo tempo de ignorância, provam que ao Deus perdoar o tempo de ignorância não significa dizer que Ele anulou a falta cometida. O pecado não perde a sua natureza de erro simplesmente porque o desconheço. O que Deus fez e faz é doar-Se como mediador pelo homem e assim livrá-lo da culpa. As ofertas sacrificais representavam o sacrifício divino em prol da humanidade.  Deus por Sua misericórdia e graça decidiu perdoar o homem, mas não aceitar o pecado. 

“E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,” (Atos 3:17-19) 

“Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;” (Atos 17:30) 

A Bíblia ensina que não seremos condenados pelos nossos pecados cometidos no tempo de ignorância, o que diremos então da possibilidade de sermos culpados pelos pecados dos outros? Deus não levará em conta o tempo de ignorância. Isto é fato. Assim como fato é que precisamos nos achegar a Ele com o coração arrependido e lhe pedir perdão até mesmo por este tempo. Ponto para Deus por Sua misericórdia e tolerância. 

Mas, atenção! Não esqueça! Deus perdoa o tempo de ignorância, mas será sempre rigoroso com relação a negligência. Por isso, é perigoso para nós, cristãos, sermos negligentes em nosso relacionamento com Deus. Ponto para Deus por Sua justiça. 

Discorrendo sobre a Lei e o Pecado Paulo afirmou: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim o que detesto.” 

“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos 7:7-25) 

Concordo com este pensamento de Leonardo Herrmann  “Nós fazemos escolhas e muito do que ocorre no mundo é fruto das ações do homem. Por mais que Deus conduza a história, Ele não a determina.” 

Um Deus que dá ao homem o dom do livre arbítrio não pode trabalhar com a predestinação. A única predestinação aceita na Bíblia é a salvação que nos foi concedida naquela cruz. A não predestinação é para mim a certeza de que para Deus o Livre Arbítrio é um direito sagrado. Portanto, imprescindível na relação do homem com Deus. 

Em Mateus 19:16-30 está o registro de uma verdade teológica que gosto muito. Reflita um pouco sobre ela.  Qual a essência da sua mensagem? 

Jesus não estava condenando os ricos porque são ricos. Nem está dando uma orientação geral de que obriga a todo crente seguir uma vida de pobreza. O Senhor convidou ao jovem rico a dar um passo no intuito de instigá-lo sobre o seu amor às suas riquezas. O conselho que Ele deu concorda com o princípio bíblico de que o cristão não deve apegar-se as riquezas e pôr nela o seu coração. Simplesmente porque é naturalmente impossível alguém que o faz, preocupar-se na mesma medida com o que é espiritual. As palavras do SENHOR me dizem que a salvação em si mesma, não somente para os ricos, mas para todos sem exceção, é um trabalho da graça misericordiosa de Deus além do alcance de qualquer esforço humano. Então, o lema “sem caridade não há salvação é questionável” 

Do ponto de vista bíblico somos, por isso, em Deus e por Deus, predestinados para a salvação. Mas, porque Ele nos deu o Livre Arbítrio participamos ou não dessa salvação. 

Nosso amigo leitor, Mateus, certa vez, citando Gênesis 5:21-24 disse: “E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.”  

E ainda Amós 3:3 : “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” 


“Entendo que o andar com Deus implica em conhecer Sua essência, pois, o andar junto a alguém, implica em cumplicidade, companheirismo entre outras coisas que implicam na essência do caráter dos que andam juntos. Ao conhecer o caráter, conhecemos a pessoa, pois o caráter é o que o homem é, ou seja, sua essência. 

Meditemos em: II Samuel 22:31Salmos 18:30;  Tiago 1:17; Mateus 5:48; Salmos 119:80; 

[...] Podemos assumir então que para ocorrer o fato de Enoque “andar com Deus” e conhecer a sua essência exigiu sua submissão à vontade perfeita de Deus.” 

Deus não nos criou escravos do Bem, ao contrário, a possibilidade do mal é o símbolo da liberdade de escolha e do poder de decisão. Mas, a possibilidade do mal não é o mal sendo exercido. Mas sim apenas a possibilidade.

Em Sua Onisciência e Onipotência, Deus predispõe-Se a efetivar intervenções ao invés de simplesmente impedir o seu surgimento. E essas intervenções implicam numa relação dinâmica e cúmplice entre Criador e Criatura. 

Nós ainda seríamos reféns do inimigo de Deus se o Criador não houvesse intervindo através de Jesus. Ele deu Sua própria vida para nos resgatar. Um amor escrito com sangue. É só uma questão de tempo e Satanás terá seu fim. Deus não mente, Ele disse, Ele cumprirá. 

Outra coisa, a própria Bíblia fala que nossa mente limitada não pode entender tudo sobre Deus e Seus modos de agir. Quem disse que a lógica humana é o recurso a ser utilizado para compreender as coisas de Deus? Ele está além de nossa finita compreensão. Saberíamos resolver o problema do mal melhor do que Deus? Aqui cabe o andar pela fé. Confiar em Seu caráter de justiça e amor. 

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro?" (Romanos 11:33-34) 

"Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (I Coríntios 2:14) 

Isto quer dizer que não é pelo fato de não poder compreender Deus plenamente e mesmo assim aceitá-Lo como Deus que O estou seguindo irracionalmente. O Deus que Se "omitiu", foi "cruel" e "injusto", como dizem os que não O reconhecem, não Se limita ao que penso dEle. O conhecimento do verdadeiro caráter de Deus como um Deus de amor se revela claramente em Cristo, na consecução do plano da salvação da raça humana. 

"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas," (Hebreus 1:1-3) 

"Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer." (João 1:18) 

Temos questões sobre Deus? Estudemos a vida do Deus entre nós, Jesus Cristo. Se não entendemos tantas coisas sobre Deus, Suas leis e Seu modo de agir, como pretendemos entender tudo sobre a Sua natureza divina? Só o Espírito de Deus sabe as coisas íntimas de Deus. 

"Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus." (I Coríntios 2:11)

Busquemos, pois a presença de Deus em nossas vidas. É por isso, que como cristã não estou preocupada em levar as pessoas para uma religião, mas para Deus. Não é de religião que o mundo tem sede, embora não reconheça que tenha sede, mas de Deus e do que significa estar com Ele e NEle. Como cristãos não precisamos posar de advogados de Deus, basta sermos Suas testemunhas.  Honestamente, a questão do mal e do sofrimento entre nós, e até mesmo do pecado em si, se explica pelo exercício do livre arbítrio. 

Quem é realmente Deus para nós, Salvador apenas ou Salvador e Senhor? Nossa felicidade e angústias nesta vida é o resultado da resposta que damos a esta pergunta. A quebra dos princípios que regem os mandamentos (a vontade de Deus) passa inevitavelmente por essa questão. 

Fazemos escolhas e muito do que ocorre no mundo é fruto das ações do homem. Talvez o pregador pensasse nisto quando, ainda comparando a loucura e a sabedoria disse: “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.” (Eclesiastes 7:29) 

O processo do aprendizado da vontade de Deus, da compreensão dos Seus atos é doloroso, porque implica na compreensão do nosso livre arbítrio e no entendimento de Sua Soberania. Até que sejamos humildes para compreendermos o “equilíbrio” de tudo isto há muitas quedas, muito perdão a ser liberado, muita transformação a ser operada. 

Reflitamos sobre isto... penso que encontraremos respostas. 


Ruth Alencar



Comentários

  1. Pedro,

    espero sinceramente ter lhe ajudado amigo.

    fraternalmente

    ResponderExcluir
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    Claro que ajudou, mas como sou muito cabeça dura, peço que tenha mais um pouquinho de paciência. Postarei, ainda, mais um comentário a esse respeito.

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    ResponderExcluir
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    Ruth

    Só para que você tenha uma ideia do quanto eu sou importuno, eu fico imaginando como será o "jeitinho" que Deus vai dar quando for permitir que eu "adormeça".

    Mas, meu questionamento não é sem motivo, é que eu faço tantas besteiras, e quando chegam as consequências, Deus está sempre com a Sua mão protetora "quebrando os meus galhos".

    Sabe, eu estou convencido de que Ele é apaixonado por mim!

    Por todos nós, aliais!

    Fraternalmente.

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  4. "... é que eu faço tantas besteiras, e quando chegam as consequências, Deus está sempre com a Sua mão protetora "quebrando os meus galhos".

    Sabe, eu estou convencido de que Ele é apaixonado por mim!"

    Neste momento Pedro, a única paz verdadeira que provo é saber que os olhos do Pai não me têm abandonado...

    Besteira!!! Põe besteiras na nossa conta!!! O amor e a bondade do Senhor me constrangem...

    Ainda bem que conhecemos a Sua misericórdia e amor incondicional! Desta forma podemos descansar sob Sua proteção enquanto a tempestade nos assola.

    grande abraço...volte sempre para compartilharmos desse amor tão maravilhoso!!!!




    Fraternalmente.

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  5. .
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    Minha diletíssima irmã Ruth

    Nós nos conhecemos, virtualmente, há cerca de cinco anos. Foi numa “respeitável” comunidade evangélica onde, em nome do grande conhecimento teológico que cada um dos participantes se arvora de ter, os irmãos, flagrantemente, faltam com respeito a quem conhecem, a quem não conhecem e até a si mesmos. Aquela comunidade é um exemplo de que no universo religioso dos nossos dias a “santa inquisição” não atua em sua mais absoluta plenitude, não por amor a Deus e respeito às Suas Leis, mas, por temer as leis dos homens.
    Graças a Deus, a democracia que dá liberdade é a mesma que cerceia. Liberdade para o que é de direito, cerceamento, para os abusos! Mas, o que é direito e o que é abuso está separado apenas pelo fio do entendimento.
    Há, ainda nos nossos dias, uma grande quantidade de nações onde, em nome dos seus deuses, se continua matando gente. Não vamos muito longe para encontrar um exemplo de como funcionam as coisas, tomemos como base a instituição denominacional que seguimos. A direção, com base no conhecimento teológico que tem, elege as doutrinas que nortearão as crenças da sua comunidade. Essas doutrinas não são apresentadas como algo que a direção “pensa” que representa a Verdade, elas são impostas e defendidas com o ardor da mais firme convicção, fé e crença. No entanto, felizmente, essa defesa nem sempre é radical, são muitas as situações em que prevalece o bom senso e, diante de um novo entendimento, altera-se a crença doutrinária. Afinal, somos eternos aprendizes! Segundo entendo, esse deve ser o comportamento de cada um de nós.
    Quando estudamos a Bíblia estamos procurando conhecer a Deus e, diante do entendimento que Ele nos concede, formamos um conceito a Seu respeito. Ora, se afirmamos que foi Deus que nos deu tal ou qual entendimento, então, como devemos vivê-lo? – Com fé e crença, claro!
    Mas, diante de todo esse blá, blá, blá, afinal o que estou querendo dizer?!
    É simples, entendo que, mais do que a “verdade” apresentada e defendida por quem quer que seja, vale mais, para mim, o meu entendimento, afinal, “cada um responderá pelos seus próprios atos”.
    As expressões “eu penso que é assim” e “eu acho” estão muito longe da força de “eu creio que é assim”, enquanto as primeiras aparentam insegurança, a última afirma convicção.
    Amada Ruth, eu tenho meu conceito formado a seu respeito. Os cinco anos de contato virtual me levaram à convicção de que você, como todos nós, embora limitada em seus conhecimentos, é uma pessoa honesta, uma cristã fervorosa e atuante na obra do “ide”. Essa convicção me leva a mais que pensar que você é uma cristã, eu creio nisso. O que eu conheço de você não me permite duvidar da sua idoneidade, solidariedade fraternal, amor a Deus...
    É assim, e muito mais, que funciona o meu entendimento em relação a Deus. O conceito que eu tenho dEle não me permite acreditar que Ele mate, destrua, odeie, Se vingue, esqueça, Se arrependa, condene... Certamente, as pessoas dirão: - essas expressões são figuras de linguagem; - Deus mata, castiga e condena, sim! Tudo bem, é a forma como cada um entende, acredito que a questão é de entendimento e não de caráter.

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    ResponderExcluir
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    Particularmente, não consigo entender o livre arbítrio absoluto como um ato necessário para provar o amor democrático de Deus. Muito pelo contrário, entendo que o amor de Deus se confirma, também, mediante um livre arbítrio parcial. Não admitir as interferências divinas em nossas vidas, entendo, é negar o Seu amor. Volto a afirmar, entendo que Deus é o único ser absoluto em tudo, inclusive em onipotência, e que a concessão absoluta de qualquer um dos Seus atributos nivelaria, nesse atributo, a criatura ao Criador. Por incrível que pareça, não conheço nenhum atributo, além do livre arbítrio, que seja apresentado como dotação absoluta.

    Segundo entendo, a Bíblia é um compendio de situações onde Deus interfere na vida das Suas criaturas. Satanás não queria sair do Céu, pelo contrário, ele queria comandá-lo; a comunidade antediluviana não queria ser exterminada; os construtores da Torre de Babel não queriam interromper a sua construção; Jonas não queira ir para Nínive; os suicidas que não conseguiram realizar o seu intento não queriam continuar vivendo; os ateus não reconhecem e nem querem nada de Deus, mas Ele os mantém; Paulo não reconhecia a existência de Deus e nem queria servi-Lo, na ordem cronológica, primeiro ele foi tocado pelo Espírito Santo e só depois se curvou diante de dEle. Pergunto então: será que alguém se arrisca a dizer que Paulo primeiro prostrou-se diante de Deus e que só depois se converteu, ou que a ação do Espírito Santo em sua vida foi um ato de desrespeito à sua liberdade? Claro que não! Todos nós reconhecemos que Deus o derrubou do seu cavalo, tirou a sua visão e que só depois ele se tocou quanto ao que estava lhe acontecendo. Também reconhecemos que Deus não invadiu a privacidade de Paulo, então, porque não admitir que Ele agiu de acordo com a Sua justiça, interferindo depois do limite de arbítrio que havia concedido a Paulo, mesmo antes da sua existência? Aliais, é ou não verdade que todos nós sabemos, acreditamos e afirmamos que: - A obra é do Espírito, é Ele quem convence; quem não vem pelo amor vem pela dor.

    A fundamentação bíblica apresentada no seu trabalho, de acordo com os textos que você apresentou, é irrefutável diante de uma micro contextualização, porém, se submetida à macro contextualização, onde Deus é o padrão supremo, tudo pode ser explicado de forma a que sejam mantidos o amor, a misericórdia, a vontade, onipotência, onisciência, onipresença e a justiça, atributos divinos e imutáveis, conforme o meu entendimento.

    Veja que coisa linda:
    “Pai, não Te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal”; “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”; “o meu povo perece por falta de conhecimento”; Deus é infinito em misericórdia “...

    Entendo e creio que Deus interfere em nossas vidas a todo instante; que as Suas ações não representam desrespeito à nossa liberdade de escolhas, pois elas têm limites estabelecidos; que as intervenções divinas são sempre para beneficiar o homem, portanto, bem vindas.
    .
    .

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  7. .
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    E quanto a Pedro, como será que se deu a sua conversão? Como era ele, um estudioso da Bíblia, vivia procurando conhecer a Deus, servi-LO, e então o Espírito o tocou e ele se converteu? Ou o Espírito o tocou primeiro, deu-lhe a conhecer a Deus e, só então, ele nasceu de novo? Certamente, o nome de Jesus não era estranho para Pedro, mas, até ser convocado ele tinha escolhido pegar os seus peixinho ou seguir a Jesus?
    E em relação a todos os apóstolos, eles eram convertidos e por isso Jesus os chamou, ou Jesus os chamou e eles foram convertidos? Jesus os chamou para que eles fossem salvos ou para que levassem salvação a outros? “Não foram vocês que Me escolheram, fui Eu que lhes escolhe”. Vê-se, claramente, que a iniciativa é divina. O Espírito age na vida de quem quer e de quem não quer, de acordo com a Sua vontade suprema.
    Entendo, é uma temeridade se acusar o Espírito de ditador quando Ele transforma a vida de um rebelde.

    - "Larga tudo e segue-Me."
    .
    .

    ResponderExcluir
  8. Estou lendo e refletindo nestes seus comentários ... voltaremos a conversar sobre isto.

    Por enquanto, deixe-me fazer um parentese...

    Um dia, Pedro, um dia...

    com a ajuda de Cristo e a atuação do Espírito Santo em minha mente vou ser tudo isto que vc me deu como qualidades.

    Por enquanto... estou no traçado do aprendizado. Há muitas quedas, levantar e perdão de Deus a me ser liberado ainda...

    Por instante fico feliz que vc dê credibilidade as palavras que tenho lhe falado, afinal, as palavras que tenho anunciado aqui não foram minhas. A fonte é a Palavra, escrita com o meu linguajar humano é certo, mas a mensagem que é a essência, não é minha... sou apenas portadora. Uma portadora em busca de vivê-las assim como você. A Deus pois toda e qualquer admiração.

    Muito obrigada por esses 5 anos ... tenho aprendido muito com você.

    ResponderExcluir

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