Fé ou Presunção?







Esta semana um amigo me enviou uma matéria publicada na revista Época. O texto foi escrito pela jornalista Eliane Brum com o título A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico”. 

Apesar de não concordar com tudo que ela escreveu gostei do texto.  É claro que havia equívocos em suas considerações, mas um diálogo de alguns minutos dificilmente definirá a verdade. Aproxima-se, mas não a define. Entretanto, para ser verdadeiramente justa tenho que dizer que o equivoco se encontrava dos dois lados.

Tanto a jornalista como o taxista precisam compreender que na relação de um adorador com a Divindade crer não é tudo, é importante, mas crer não define tudo. Mesmo porque a própria Bíblia diz que o Satanás e seus (anjos)-demônios crêem que Deus existe. O fato deles crêem em Deus, porém, não os coloca no caminho do Bem. Da mesma forma, ser evangélico não é referência para caracterizar alguém como um servo de Deus. 

Em certa ocasião Jesus deixou isto muito claro quando disse que haveria um grupo que clamaria sempre Senhor! Senhor! E a este grupo Ele chamou de iníquos. Mas, então, estar numa igreja, professar o nome do Senhor, cantar hinos, ler a Bíblia, professar uma fé não é o que define um crente em Deus? Não. Decididamente, não! Jesus ao dirigir estas palavras o fez a um grupo que professava fé, não a um grupo de ateus. Portanto, não devemos pensar que Deus Se deixa zombar.  Ele sabe quem realmente somos. 

E Jesus diz que este grupo pergunta: “Senhor, mas não foi em Teu nome que expulsamos demônios, que curamos?”

“Eu não vos conheço. Apartai-vos de Mim.”  Disse Jesus.

Sabe, não faço juízo de valor sobre ninguém, não ousaria tirar Deus do Seu trono. Somos todos imperfeitos, cheios de falhas. Deus é o único perfeitamente justo e capaz de discernir o que se passa no coração dos seres humanos. Então, faço apenas um comentário baseado no que tenho visto e ouvido em meus anos como cristã. Há muitas Bíblias sendo abertas com pessoas dizendo nela estar escrito coisas que não estão. Há muito púlpito sendo usado irresponsavelmente. Há muitos vendilhões da fé no grande mercado eclesiástico que tem se transformado não somente o Brasil. Meu conselho é fujam realmente de tudo isto. 

Gosto do pensamento de Stephen Covey quando diz que “Se a escada não estiver apoiada na parede correta, cada degrau que subimos é um passo a mais para um lugar equivocado.” Então não basta ter fé. Muito menos crer em qualquer coisa. Não basta ter uma religião. Não basta ir a igreja. Não basta ler a Bíblia. 

Cristianismo é algo muito mais profundo. Foi isto que Jesus demonstrou quando expulsou os vendilhões do Templo do Seu tempo. Foi isto que Jesus ensinou quando era abordado pelos doutores da fé de Seu tempo. Por isto, Jesus condenou tanto a hipocrisia, na mesma extensão em que louvou a fé simples dos que eram excluídos do “rol do fiéis”. Jesus era livre dentro de Si. Ser cristão é basicamente isto, ser livre dentro de si mesmo e creditar aos outros a liberdade de também serem livres dentro de si. 

Há realmente muitos prisioneiros de cadeias invisíveis sentados nos bancos de igrejas, da mesma forma como há muitos homens livres mesmo tendo decidido entregar os cuidados de suas vidas nas mãos de um Ser Superior. Deus é um Deus de liberdade. Ele nos permite escolher se queremos ou não estar com Ele, ou crer Nele. Ele fez o que deveria fazer como um Pai, um Amigo, amou cada um de nós. Independente de nossa cor, nossa fé ou não Nele, nossa posição social, ou até mesmo nossa intelectualidade. Seu amor é incondicional, não depende do nosso. 

A fé é o resultado de um processo. Como disse Martin Luther King Jr.: "Não é necessário vermos toda a escada. Apenas darmos o primeiro passo." 

No texto Não Duvide Jamais do Amor deDeus” vimos que o amor de Deus não provém de nossa bondade, nossa moral, nossa espiritualidade, mas DEle mesmo! Seu amor repousa em Sua própria essência. A essência de Deus é um precioso bálsamo para os que Nele confiam. Mas, o que significa realmente confiar em Deus? Tenho aprendido que é submeter-me a Ele porque há confiança em Sua Palavra. Ele disse: “Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jeremias 31:3). E eu creio nisto, do contrário minha vida seria uma grande mentira. E eu estou aprendendo a me cansar da hipocrisia. Das minhas hipocrisias! 

Vimos também que não foi sem obstáculos que Jesus venceu. Então, podemos começar esta reflexão afirmando que as nossas adversidades são conhecidas por Deus, assim como a nossa fragilidade espiritual. Jesus experimentou dores, a incompreensão, a rejeição, a traição, o cansaço, a fome, a sede... Ele chorou. Não há nada que tenhamos vivido que não tenha sido experimentado por Ele.

A partir da desobediência de Adão e Eva mergulhamos no processo das perdas. Perdemos o direito a imortalidade [condicional] concedida pelo Criador. Perdemos o lar no Éden. Perdemos a paz. E em sentido inverso ganhamos a desconfiança uns nos outros, a falta de amor, a morte, a doença, a tristeza e não menos importante, a indiferença pelo que é verdadeiro, justo e bom.  Aprendemos a mentir, a trair... portamos em nós a doença do pecado. Perdemos realmente tudo em Adão! 

O pecado nos separou de Deus porque gerou em nós os resultados de um amor desconfiado. Desconfiamos de Deus assim como Adão e Eva naquele triste dia desconfiaram. O mais paradoxal, porém, é que Deus em nada mudou. Ele não deixou de amar Adão e Eva pelo que fizeram. Afinal, Ele em Sua onisciência não foi pego de surpresa. Seu amor é um amor existente em Sua própria natureza. Deus não deixa de ser, Ele É. Da mesma forma Ele não deixará de existir porque não se crer na Sua existência.  

O amor perfeito se personificou em Jesus Cristo. Jesus é a representação visível, palpável do amor de Deus. Seu amor é tão grande quanto Sua justiça, daí porque Jesus trouxe em Si mesmo o dom do nosso resgate. Ganhamos em Jesus tudo o que perdemos em Adão.  

É gravíssimo aos olhos de Deus estabelecermos outro libertador ou intercessor. Deus não aceita, nem aceitará jamais, do ponto de vista de salvação,  homens como intercessores de homens, pois nenhum ser humano pode cumprir em si mesmo o papel existente em Jesus.  

A única esperança de ser o homem restaurado ao favor de Deus era através de Cristo. O homem se separou de Deus a tão grande distância pela transgressão de Sua lei, que não podia humilhar-se diante de Deus em nenhum grau proporcional à magnitude do seu pecado. O Filho de Deus podia compreender totalmente a gravidade do pecado do transgressor e em Seu caráter sem pecado, unicamente Ele poderia oferecer pelo homem uma expiação aceitável, suportando o sofrimento agonizante do desprazer do Pai. A tristeza e angústia do Filho de Deus pelos pecados do mundo foram proporcionais à Sua excelência e pureza divinas, bem como à magnitude da ofensa. Cristo foi nosso exemplo em todas as coisas. [...]”1 

Precisamos compreender a complexidade das tentações de Cristo para discernirmos a importância da proposta de Deus através de Cristo Jesus. Rejeitá-LO significa realmente optar pela morte. Se você não se interessa pela eternidade e se contenta com uma vida curta, na melhor das hipóteses 90 anos, saberei compreender se Jesus para você não significar nada. Entretanto, se você deseja sim gozar uma vida eterna, sem a menor possibilidade de doença ou tristeza, convivendo com outros seres humanos numa sociedade verdadeiramente justa e de paz, saiba que não há outro caminho senão Jesus Cristo.  Ele disse: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.” (Lucas 13: 24) Em outra versão é dito: "Porfiai por entrar pela porta que é estreita”

Porfiar=> insistir/ lutar com persistência para se conseguir seu objetivo.

Este processo requer a participação de Deus e nossa. Não que o que venhamos a fazer possa nos trazer a salvação, mas porque Deus nos quer livres e a maior demonstração prática de que desejamos, optamos pela aceitação da proposta de Deus é agirmos em conseqüência. 

Por isso, quando Jesus atravessou a tentação no deserto, “Deus tolerou que Satanás por algum tempo tivesse poder sobre Seu Filho. Jesus sabia que se Ele preservasse Sua integridade nesta posição de extrema provação, um anjo de Deus seria enviado para aliviá-Lo, se não houvesse outra maneira.”1 

Você compreende? Deus sabe tudo, simplesmente tudo sobre nós. Conhece nossas tendências, fraquezas e forças. Ele não nos impede de cometermos erros, ainda que Seus olhos contemplem as consequências que virão por nossas decisões. Ele permite que as adversidades sobrevenham sobre nós porque sabe que precisamos delas para amadurecer. Entretanto, não nos preocupemos, Ele compreende na mesma medida que somos frágeis e temos em nós limites pessoais, então junto com a adversidade é preciso que saibamos que vem sempre o socorro.

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.

Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto. Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.

E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.

Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.  Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo.” (1 Corintios 10:1-15)

O conselho de Paulo é para fugirmos da idolatria, isto é, de tudo aquilo que nos desvia de Deus. Sim, pois se nos desvia de Deus é porque não estamos considerando Deus como a autoridade máxima em nossa vida. O que é mais grave é constatarmos que a nossa espiritualidade pode nos desviar de Deus. Isto é, se estou vivendo na prática uma religião hipócrita é porque Deus não está sendo autoridade em minha vida. Se digo que estou servindo Deus, mas não tenho fé de que Ele cuidará de mim, proverá o que preciso, me ajudará em momentos de necessidades, me protegerá em tempo de angústia, não está havendo verdade na minha fé. Se é que há realmente fé em meu coração. 

Jesus suportou todas as provações a que foi submetido em sua vida porque sabia quem era o Pai. Ele descansava no Seu amor e cuidado. Jesus não conjecturava com certas probabilidades, nem presumia que o Pai estaria com Ele provendo o necessário para que Ele vencesse. Jesus tinha certeza que o Pai estava com Ele. 

Falando sobre “O Pecado da Presunção” escreveu Ellen White: “O pecado da presunção jaz ao lado da virtude da fé perfeita e da confiança em Deus. Satanás se gabava de que poderia ter vantagem sobre a humanidade de Cristo, insistindo com Ele que passasse da fé para a presunção. Neste ponto muitas pessoas já caíram. Satanás tentou enganar a Cristo através da lisonja. Admitia que Ele estava correto no deserto, tendo fé e confiança de que Deus era Seu Pai, mesmo sob circunstâncias difíceis. Então intimou Cristo a dar-lhe uma prova adicional de Sua inteira dependência de Deus atirando-Se do templo. Disse a Cristo que se Ele realmente fosse o Filho de Deus não tinha nada a temer, porque anjos estariam ali para ampará-Lo. Satanás dava evidências de que conhecia as Escrituras pelo uso que fez delas. O Redentor do mundo não vacilou de Sua integridade, e mostrou que Ele tinha perfeita fé no cuidado prometido por Seu Pai. Não levaria a fidelidade e o amor do Pai a um julgamento desnecessário, apesar de estar nas mãos de um inimigo e colocado numa posição de extrema dificuldade e perigo. Não iria tentar presunçosamente a Deus a que agisse em Sua providência por sugestão de Satanás.”1

Isto é muito sério! Estamos, então, atendendo ao apelo de Satanás quando nos pomos em uma situação perfeitamente evitável, somente para dizer que somos crentes? Não gosto das modernas “teologias” que homens dito de fé vêem apregoando. A teologia da prosperidade, onde Deus se resume a um papel de gerente de banco ou a um provedor assistencialista, ou mesmo a teologia do “cair no espírito”, não passam de engôdos na fé. Milhões no mundo todo estão sendo enganados, hipnotizados por uma falsa demonstração de espiritualidade e fé. Alimentando assim o exército da incredulidade. 

Não nos enganemos, a religião verdadeira liberta. Jamais aprisiona. Estas teologias rendem seus seguidores escravos de si mesmos e de seus líderes. A religião se torna apenas uma relação de troca: me dê, eu dou a Deus e Ele lhe devolve multiplicado. Não há base bíblica para isto! 

Intercessão maligna! Isto está completamente diferente do que ensina a Bíblia.  Jesus disse que a falta de conhecimento fazia o Seu povo perecer. Conhecimento de que?

“Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis, e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.” (2 Pedro 3:14-18)

“Cristo sabia que Deus realmente O sustentaria se Ele Lhe tivesse ordenado atirar-Se do pináculo do templo. Mas fazer isto sem ser mandado, tentando o protetor cuidado e o amor do Pai, porque Satanás O desafiara a fazer tal coisa, não mostraria a força de sua fé! Pois Satanás sabia muito bem que se Cristo prevalecesse e sem ser ordenado pelo Pai, saltasse do templo para provar na Sua assertiva do cuidado protetor do Pai celeste, justamente neste ato estaria mostrando a fraqueza de Sua natureza humana. Cristo saiu vitorioso da segunda tentação. Manifestou perfeita confiança e fé no Pai durante Seu severo conflito com o poderoso inimigo. Nosso Redentor, na vitória aqui obtida, deixou para o homem um exemplo perfeito, mostrando-lhe confiança e inabalável fé em Deus, nas provas e perigos. Ele recusou prevalecer sobre a misericórdia do Pai, colocando-Se em perigo, obrigando o Pai celeste a demonstrar Seu poder para salvá-Lo do perigo. Isto forçaria a providência em Seu favor e Ele não deixaria para Seu povo um exemplo perfeito de fé e firme confiança em Deus. O objetivo de Satanás ao tentar a Cristo era levá-Lo à presunção audaciosa, mostrando a fraqueza humana que impediria fosse um perfeito modelo para Seu povo. Pensava que se Cristo falhasse em suportar o teste de suas tentações, não poderia haver redenção para a humanidade e o seu poder sobre ela seria completo.”1 

Sei que a experiência do Nosso Senhor aborda um contexto diferente, mas quero chamar a atenção para o aspecto similar. Satanás deseja, em nome de uma falsa espiritualidade, desviar-nos da verdadeira adoração. Então, para ele tudo é válido, principalmente subjugar nossas mentes. É o terreno perfeito para sua obra destruidora! 

Qual a objetividade da fé de um crente que para demonstrar estar cheio do espírito permite deixar-se dominar por outro homem, ou seja lá o que ou quem for, chegando ao ponto de conceder o domínio de sua mente? O resultado não poderia ser outro: o chão! 

Não devemos agir assim. Fé não é isto! Religião não é isto! Deus não pede isto! Cuidemos, aprendendo a reconhecer os lobos vestidos de cordeiro de quem a Bíblia tanto fala! Rejeitemos as doutrinas estranhas àquelas ensinadas de forma tão clara pelas Escrituras. Assumamos a fé necessária aos que são seguidores de Cristo. Mas a fé, não a presunção! Devemos isto ao cristianismo! 

Fé “é crer que Deus existe, mesmo sem vê-LO. É acreditar que Ele pode nos ajudar em qualquer situação”.2  Simples assim! Se você me pedisse para dizer qual o exemplo de fé perfeita na Bíblia, excetuando Jesus Cristo, eu lhe daria como resposta: Jó. Que homem de fé espetacular! E por que sua fé era assim tão maravilhosa? Jó conhecia Deus e sabia que Deus o conhecia. Foi isto que lhe sustentou no seu terrível momento de dor e angústia. 

“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim.” (Jó 19:25-27) 

Jó não confiava em Deus pelo que Ele podia lhe dar, mas por Quem Ele era. Então, não importava se ele estava sob forte provação e dor. Deus era seu grande abrigo e era Nele que estava o seu consolo.  Discernir isto faz grande diferença. Eu almejo uma fé assim. E é esta fé que tenho clamado a Deus.

Minha filhinha de 9 anos certa vez me disse: “mãe Deus não me escuta, todos os dias eu peço a Deus para me transformar num gato e olhe ainda sou uma menina!”  Ela sabe que pode Lhe pedir qualquer coisa. Por isso pede isso.

O que ela não sabe é que o que ela está pedindo não tem o menor sentido. Deus escuta sim e é por escutar que Ele não nos dá tudo o que pedimos. Escutemos, pois com sabedoria o conselho sagrado:“Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.” (1 Coríntios 14:20) 

“não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Efésios 4:14)

Mas por que é tão importante assim a fé?2

. Porque temos uma doença chamada pecado. Por isso, precisamos da fé em Deus. A fé purifica o nosso coração.

. Porque através dela podemos ser beneficiados com o perdão de Deus.

. Porque a fé nos dá esperança.

. Para sermos salvos e desfrutarmos da vida eterna. A fé não compra a salvação. Ela é a “mão” que nos ajuda a pegar o presente que Deus nos dá. É pela fé que nos beneficiamos da salvação.

. Para nos tornarmos filhos de Deus.

. Para termos nossas orações atendidas.

. Para recebermos uma cura.

. Para nos protegermos das tentações de Satanás.

. Para vencermos as coisas más que existem no mundo.

. Para prestarmos a Deus um serviço de qualidade.

. Para testemunharmos do amor de Deus.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Reflitamos nestas passagens bíblicas: 

Atos 15:9
1º Pedro 1-9
Gálatas 3:26
Tiago 1:6
Tiago 5:15
Efésios 6:16
João 5:4
Atos 14:20
1 Tessaloniences  10:3
Romanos 7:24-25
Romanos 8:1-2
Hebreus 4:15-16

O que podemos fazer para conseguirmos fé, como podemos desenvolver nossa fé?2

. Pedirmos que Deus nos ajude a ter mais fé.

. Lermos e estudarmos a Bíblia diariamente.

. Orarmos constantemente.

. Obedecemos a Deus. Além de ser evidência da verdadeira fé, as obras desenvolvem a confiança em Deus.

Reflitamos nestas passagens bíblicas: 

Deuteronômio17:19
João 5:39
Romanos 1:5
Tiago 2:21-22

A verdadeira fé é movida pelo amor e a vontade de obedecer a Deus.

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.” (Gálatas 5:6) 

“Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” (Hebreus 10:37-39) 

Não espere que Deus faça o que compete a você fazer. Tenha fé e aja em consequência. Peçamos a Deus, mas submetamos o nosso pedido a Sua vontade e decisão. Presunção é pedir exigindo. A fé exige humildade. Ter fé é submeter-se a vontade de Deus. 

Certa noite eu acordei no meio da madrugada e como perdi o sono liguei o rádio sintonizando em uma emissora gospel. Havia um homem que dizia estar anunciando a palavra de Deus. Ele pedia aos membros da igreja para trazerem sua carteira de dinheiro e uma panela. Os membros deveriam se apresentar naquela igreja no dia seguinte à tarde com a sua carteira dentro de uma panela. Ele iria preparar um óleo e iria agir como Elias agiu em relação a viúva de Sarepta. E ele dizia: “Aí irmãos, nós vamos cobrar de Deus o cumprimento de Sua palavra. Vou colocar o óleo sobre a carteira que está dentro da panela e vamos exigir de Deus que nos dê prosperidade.”  

Isto foi de uma presunção imensa! É triste ver tanta falta de vergonha, tanta exploração da fé! A Bíblia diz para não termos uma fé morta. “Assim como o corpo, sem o espírito está morto, também a fé sem obras é morta”. (Tiago 2:17-26) Mas ela também nos alerta sobre os falsos pastores. Homens que exploram a fé em benefício próprio. 

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13).  

"Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz o SENHOR" (Jeremias 23:11).

É verdade que quando alguém pede a Deus alguma coisa deve proceder como se já a houvesse possuído. Mas, isto não pode acontecer por presunção, mas sim porque sabemos em Quem temos crido. Lembram da história dos 10 homens leprosos curados por Cristo?

A Bíblia diz: “indo eles ficaram curados” (Lucas 17:14). Quando obedeceram exerceram a fé. Puseram a sua fé em ação e Deus atendeu o seu pedido. Mas, você está lembrado que apenas 1 veio agradecer? Este foi o que tinha a verdadeira fé. Ele não queria apenas a cura. Queria também o Senhor que lhe deu paz e felicidade.

Se buscarmos a Deus num esforço que crê, Deus ouvirá nossas orações e será conosco dando-nos a vitória que precisarmos. Quando Jesus disse ao homem da mão ressequida: “Estende a tua mão”, Ele sabia da dificuldade que isto representaria para aquele homem. Deus apenas pediu que ele fizesse a parte dele, pois a Sua Ele estava pronto para fazer. Era impossível para aquele homem estender uma mão que não tinha forças, mas quando Cristo ordenou, ele fez o esforço e a sua mão ficou perfeitamente sã. 

Ele não presumiu que falharia, ele creu e agiu. Interessante é também perceber que Jesus sempre perguntava: “queres ficar curado?” Somente a partir das respostas dos homens Ele manifestava o seu poder. A base da fé então está na vontade e não na vaidade.

Que o Senhor nos ajude a compreender e discernir qual é a Sua vontade.





Continuaremos...

Fonte:

1-Ellen White, No Deserto da Tentação.
2- Revista Princípios, tema 5 Um Pulo no Escuro http://www.ofimdomundo.com.br/revista-principios/#


Ruth Alencar

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