A Vontade de Deus e sua Decisão






por Morris Venden



Antes de ler o texto de hoje proponho a você alguns poucos minutos de reflexão com o pastor batista Paul Washer.




Que cada um de nós possa discernir a verdade dessas palavras em sua vida e Deus possa estar no único lugar que Lhe é devido: o primeiro.


O Livro - Introdução e Passos

Passo 7


A Bíblia está cheia de chamados à decisão. Depois de quebrar as tábuas de pedra sobre as rochas da encosta da montanha e lidar com o problema do bezerro de ouro, Moisés convocou o povo para decidir, disse ele: "Quem é do Senhor, venha até mim. " Êxodo 32:26. O povo devia então enfrentar as conseqüências de sua decisão.

Às margens do Jordão, Josué instou o povo à decisão. Disse ele: "Escolhei hoje a quem sirvais." Josué 24:15 . Elias, no cume do monte Carmelo, disse à multidão atenta: ''Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-O; se é Baal, segui-o." I Reis 18:21. 

E assim, em nossa busca para conhecer a vontade de Deus em nossa vida, chega o momento de tomar uma decisão. Não se espera que estejamos para sempre suspensos pelo polegar. Não devemos esperar por algum raio ou manifestação sobrenatural. Depois de dar um período razoável de tempo na consideração dos vários passos no conhecimento da vontade de Deus, chegamos ao passo sete e simplesmente decidimos. 

Olhamos para a informação que temos acumulado até aqui e tomamos a melhor decisão que podemos com a informação que está disponível. Se for necessário errar de um lado ou do outro, há menos perigo em agirmos precipitadamente às vezes do que passar demasiado tempo matutando sobre uma decisão. O passo final na série de oito passos tem uma salvaguarda embutida no caso de você tomar uma decisão errada. 

O rei Saul tinha dificuldades para tomar decisões. Ele vacilava, um dia determinando seguir a Deus, no dia seguinte escolhendo seu próprio caminho. Um dia ele honrava a Davi, dando-lhe um lugar perto do seu trono. No dia seguinte tentava cravá-lo contra a parede com sua lança. Caçava a Davi por todo o país, tentando matá-lo. Então a compaixão de Davi em não tirar a vida de Saul quando se lhe apresentou a oportunidade levou Saul a reconhecer a mão de Deus na vida de Davi e a admitir isto. Pediu desculpas a Davi por seu comportamento passado. Todavia, como você sabe, logo a seguir Saul estava mais uma vez perseguindo a Davi! 

Por outro lado, a Bíblia nos conta de pessoas como Daniel, que tomou uma decisão pelo direito e jamais vacilou nesta decisão, sem levar em conta as conseqüências que poderiam advir. 

O que fez a diferença? Por que alguns são capazes de chegar a uma decisão e ir avante com confiança, ao passo que outros são tão indecisos que parecem não poder resolver nem mesmo acordar de manhã? Certamente a constituição da personalidade tem algo a ver com isto, mas devemos ser vitimas da nossa herança, não tendo nenhuma determinação de fazer uma escolha e perseverar nela? 

Quanto a uma resposta bíblica para este dilema, recorramos a um verso que talvez não seja o primeiro que você esperaria estudar em termos de tomada de decisão, mas que é, todavia, muito oportuno. Paulo está escrevendo aos crentes, e ele diz: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade." Filipenses 2:12 e 13. 

O apóstolo Paulo, forte como era, fariseu de fariseus, tinha um problema com a sua vontade. Ele o descreveu em Romanos 7:18 quando disse: "O querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo." Paulo havia descoberto um princípio poderoso da natureza humana, de que há mais para seguir a vontade de Deus do que simplesmente tomar uma decisão certa. Nesta conexão a palavra vontade se refere à faculdade da escolha. Paulo descobriu que ele poderia escolher as coisas certas, tomar as decisões corretas, mas que lhe era impossível perseverar nelas, seguir até ao fim. Talvez foi o mesmo problema que levou o rei Saul a ser tão fraco e vacilante, ocasionalmente ele sentia o desejo de fazer o que é correto, mas quando tentava pôr em prática este desejo, não tinha forças para realizá-lo. 

Mas Filipenses 2:13 nos fala algo surpreendente a respeito da vontade, ou da faculdade da decisão ou escolha. Deus, que opera dentro de nós, quer efetuar tanto o querer como o realizar. Ele está ansioso por mostrar-nos não apenas a escolha correta a fazer, mas fazer a escolha correta em nós, e então dar-nos o poder de realizar aquilo que Ele escolheu para nós. 

Isto não parece alarmante, assustador? Não soa como heresia? Note as palavras de Josué ali junto ao Rio Jordão. Ele não disse: "Escolhei hoje o que fareis." Ele disse: "Escolhei... a quem sirvais." Outra maneira de expressar isto seria: "Escolhei àquele de quem quereis vos tornar servos." 

Pense por um momento a respeito da relação senhor/servo. Quem escolhe o que o servo deve fazer? O senhor ou o servo? O servo não tem realmente uma escolha. Sua escolha é se ele deve ou não permanecer servo. Uma vez tomada esta decisão, é o senhor quem toma as decisões, não o servo. 

Jesus usava freqüentemente a analogia da relação servo/senhor em Sua tentativa para explicar as operações do nosso relacionamento com Deus e com as leis do reino dos Céus. Falou dos servos a quem o senhor entregou certos talentos, a um cinco talentos, a outro dois talentos e a um terceiro apenas um talento. Falou dos servos infiéis que mataram os mensageiros do proprietário da vinha, e finalmente mataram o próprio herdeiro. Falou dos servos que foram enviados a procurar convidados para o banquete preparado pelo rei. Falou dos servos que não sabiam a que hora seu senhor retornaria e destarte deveriam estar sempre prontos para a sua vinda. E no Sermão da Montanha Ele apresentou um princípio universal e eterno: que nenhum servo pode servir a mais de um senhor. "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. " S. Mateus 6:24. 

Por que é impossível um servo servir a dois senhores? Porque as escolhas que os senhores fariam para esse servo entrariam em conflito. Um servo não pode servir a dois senhores porque é impossível alguém render o seu poder de escolha a mais de uma autoridade ao mesmo tempo. Você não pode estar simultaneamente sob o controle da General Motors e da Chrysler Corporation. 

Há um termo para o que acontece quando alguém tenta ser leal a duas forças opostas ao mesmo tempo. Chama-se "conflito de interesses". E ter um conflito de interesses é, em muitos casos, motivo suficiente para o fim do emprego. Ninguém pode servir a dois senhores. 

Não é possível ser cidadão dos Estados Unidos e da União Soviética ao mesmo tempo. A dupla cidadania só é possível para crianças que nasceram no estrangeiro, e quando atingem a idade adulta elas têm de tomar uma decisão. 

Nenhum cidadão pode servir a dois países. 

Não é possível ser controlado por Deus e por qualquer outro poder ao mesmo tempo. Há somente dois poderes, no que concerne ao controle do ser humano. É Deus ou o diabo. Não há uma terceira opção. Através da Bíblia, há dois grupos descritos. Eles têm muitos rótulos: as ovelhas e os cabritos, os sábios e os tolos, os justos e os ímpios, o trigo e o joio. Somente em Apocalipse 3 encontramos um grupo médio: os mornos, e os mornos não têm muito boas notas nas Escrituras. Realmente, Deus vai tão longe a ponto de afirmar que preferiria que eles fossem frios. O morno é pior do que o frio. Tentar ficar na neutralidade é pior do que ficar do lado errado! Se você está do lado errado, pode ter a esperança de mudar de opinião. Mas se em primeiro lugar você nunca se decidiu, você está em uma condição deveras perigosa. E não passa muito tempo antes que o morno seja forçado a se tornar ou quente ou frio. Não há nenhum lago de fogo morno para os mornos! 

Parece estranha e assustadora a idéia de ser controlado por Deus? Você já cantou o cântico que um pregador de rádio descreveu como "o cântico que ninguém despreza"? Intitula-se "Faz' o que Quiseres, Senhor". Você se lembra das palavras? 

Faz', o que quiseres, Senhor! Faze o que quiseres! 

Tu és o oleiro, eu sou o barro. 

Molda-me e faze-me segundo a Tua vontade, 

Enquanto estou aguardando, submisso e calmo. 

Faz', o que quiseres, Senhor! Faz', o que quiseres! 

Tem sobre meu ser absoluto domínio! 

Enche do Teu Espírito até que todos possam ver 

Somente Cristo, sempre, vivendo em mim!

É este um bom cântico, ou é um cântico que nunca deveria ser cantado? É um cântico sobre o controle completo de Deus. 

Paulo trata da analogia da relação senhor/servo em Romanos 6:16, onde diz: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Não temos escolha neste mundo quanto a se vamos ser controlados ou não. A única escolha que temos é sobre quem nos controlará. Ou servimos ao pecado, ou servimos á justiça. É um ou outro. 

Já fizemos a escolha quanto a quem nos controlará, se é Deus ou o diabo? Como fazemos a escolha sobre qual dos dois grandes poderes terá a influência dominante em nossa vida? Isto vem através do relacionamento com Deus, ou recusando esse relacionamento com Ele. Não é necessário escolher contra Deus. Tudo o que se exige para recusar Seu controle é não optar por Ele. O resultado de não escolher o controle de Deus é automático. S. Mateus 12:30 diz isto, registrando as palavras do próprio Jesus sobre o assunto: "Quem não é por Mim, é contra Mim; e quem comigo não ajunta, espalha." 

Mais uma vez chegamos à linha de fundo em todo o conhecimento da vontade de Deus, em toda a compreensão da orientação que vem do Alto. A fim de conhecer a vontade de Deus, devemos conhecer a Deus. O relacionamento pessoal, vital e diário com Ele é o que torna possível, não apenas conhecer o que é bom, mas também encontrar o poder e a graça do Alto para realizá-lo. 

É somente indo a Ele dia após dia, passando tempo em Sua Palavra, no estudo da Sua vida e caráter, contemplando-O e comungando com Ele através da oração, que passamos para o Seu controle. À parte deste relacionamento com Ele, é inútil até mesmo tentar refletir sobre o conhecimento da vontade de Deus em nossa vida, porque separados do Seu controle, separados da operação do Seu Espírito em nós, não estaremos dispostos nem teremos poder para fazer a Sua vontade. 

Mas quando vivemos em comunhão com Ele, as decisões da vida que nos são apresentadas podem ser decididas por Aquele que nos ama e sabe o que é melhor para nós. 

Que certeza, que segurança pode isto trazer ao coração quando chega o momento de tomar uma decisão! 


Morris Venden é o mesmo autor do Livro Como Conhecer a Deus 

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Título original em inglês: How to Know God’s will in your Life
Tradução: Francisca Alves de Pontes
Casa Publicadora Brasileira

Comentários

  1. As reflexão do pastor Morris Venden sobre a vontade de Deus e a minha estão sendo uma benção para mim... afinal, todos os dias são dias de importantes decisões.

    Desejo de coração que estas reflexões lhe ajudem também em seu processo de amadurecimento espiritual (e pessoal).

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  2. Bman Marques disse:

    "Linda e falou muito ao meu coração."

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  3. Nemar Costa disse:

    "Obrigado. Linda música. A letra precisa ser o nosso discurso. Clamamos ao Espírito Santo para reforçar o nosso caráter na verdade. A justiça e o amor vêm logo atrás. Já agradeci a mensagem? Sempre !"

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