2- Permaneçam em Mim (parte 2)




Você precisa escutar com a mente e o coração esta canção antes de iniciar sua leitura.




Que canção maravilhosa! Que grande paradoxo! Entregar-se para sentir-se livre. É uma situação onde não existe o medo do entregar-se, mas a percepção da necessidade de que não se está completo. Dar tudo de si porque se compreende que sem Ele não se é. Ser consciente de toda sua história e ainda assim conhecer a paz dos que são livres. É... antes servo do amor do que senhor sem esperança! Claro que não estou dizendo aqui que os que não creem em Deus não têm esperança. Ninguém vive sem esperança! É contra a lei da vida.

A esperança a qual me refiro é a “loucura” do viver pela fé e também na fé fruto do tanto arrazoar!

Como bem disse Martin Buber, filósofo humanista: “De fato Deus está escondido porque o coração e a fé não o procuram mais, mas uma razão doentia, orgulhosa; uma liberdade que não quer amá-Lo, mas apenas satisfazer suas especulações e sede de conhecimentos. Deus vivo não é apenas um Deus que se revela, mas também um Deus que se esconde.” É isto mesmo, as verdades da razão e da fé não estão na mesma ordem.

“Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos.” (1 Coríntios 1:18-19)

Esta é a nossa missão. Levarmos o Céu até as pessoas que ainda não o conhecem. Presunção? Como presunção? Por acaso posso dar o que não tenho? Isto seria ilógico!

João, um dos discípulos de Cristo, disse: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada); sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. [...] E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade;” (1 João 1:1-6; 2:28) João compartilhou porque teve posse dessa verdade. 

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conheceu a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” (1 João  3:1-3)

A mensagem do Evangelho não é uma teoria ou conto de fadas, mas o registro da vida e da presença do Deus vivo entre os homens, de forma tangível através de Jesus Cristo. João nos fala de sua própria experiência. Dá testemunho dos privilégios vividos por ele e por muitos outros que também entraram em contato íntimo com o Senhor.

O Cristianismo é essencialmente prático. Isto é, a vida não pode desmentir as palavras. Gosto muito da clareza com que João expõe a condição do cristão. João considera o fato de que os cristãos não são perfeitos ao mesmo tempo em que afirma que isto não é algo em que se deva ter prazer. João apresenta a realidade de que seu propósito em escrever é anunciar onão pecarmos: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (1 João  2:1)

Isto é maravilhoso! João nos dá indicações de como Cristo age em nosso favor: Ele é o justo e a propiciação pelos nossos pecados.

Sendo Ele o justo nosso livramento não vai de encontro à justiça, mas de acordo com ela. Sendo Ele a propiciação pelos nossos pecados compreendemos que por Sua morte Cristo fez perfeita expiação, pelo que não precisamos mais temer. O próprio Filho de Deus, ao mesmo tempo argumento da defesa e Defensor, sacrifício e sacerdote, impõe-se nos desígnios de um Deus que é fiel e justo. Fiel às Suas promessas e coerente consigo mesmo.

Está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João  1:9) Jesus era o argumento vivo de Sua pregação. Daí o convite constante para que permaneçamos nEle: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 4:17)

“Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5:32)

“Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas.” (Mateus 12:41)

“... se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.” (Lucas 13:5)

O pastor Batista, John Piper escreveu: “Este foi o primeiro mandamento do ministério público de Jesus: “arrependam-se”. Ele deu este mandamento indiscriminadamente a todos os que estivessem ouvindo.Era um apelo para uma mudança interior radical em relação a Deus e ao homem.

“...pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (1 João  2:1)

Dois fatores mostram-nos que arrependimento é uma mudança da mente e do coração, não uma simples tristeza por haver pecado ou uma ligeira melhora no comportamento.

O significado da palavra grega para “arrependimento” (μετανοεω, metanoeõ) favorece essa interpretação. A palavra tem duas partes: meta e noeõ. A segunda parte (noeõ) refere-se à mente e seus pensamentos, percepções, disposições e propósitos. A primeira parte (meta) é um prefixo que, normalmente, significa movimento ou mudança. Em razão da forma pela qual esse prefixo funciona na maioria das vezes, podemos deduzir que o significado básico de arrependimento é experimentar mudança nas percepções, disposições e propósitos da mente.

O segundo fator que aponta para esse conceito de arrependimento é essa exigência de Lucas 3:8, a respeito da relação entre arrependimento e novo comportamento: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;” Em seguida, o texto apresenta exemplos desses frutos: “Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo.” (v.11). O arrependimento ocorre dentro de nós. Depois essa mudança produz os frutos do novo comportamento. Arrependimento não significa novo modo de agir: é a mudança interior que produz os frutos do novo modo de agir. Jesus ordena que sintamos essa mudança interior. [...]

“Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.”(Lucas 5: 32). [...] Na parábola do filho perdido, ele resume desta maneira o pecado do filho: “... desperdiçou os seus bens, vivendo irresponsavelmente. [...] esbanjou com as prostitutas” (Lucas 15: 13, 30). Mas, quando se arrepende, o filho diz: “Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” (v.21). [...]Essa é a natureza substancial do pecado: ele é uma agressão a Deus. [...] Os pecados que Deus perdoa são comparados com os que os outros cometem contra nós.

“... e perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve;”

Esses pecados são chamados de “dívidas”. Portanto, a opinião de Jesus acerca do pecado é que ele desonra a Deus e nós ficamos com a dívida de restaurar a honra divina que difamamos quando menosprezamos a Deus com comportamento e nossas atitudes. [...] Para desfrutar essa graça, porém, devemos nos arrepender.

Arrependimento significa experimentar uma mudança na mente para que possamos ver Deus como verdadeiro, belo e digno de todo o nosso louvor e obediência. [...]

“Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3: 7)

Quando Jesus disse: “Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5: 32), Ele não quis dizer que alguns são bons e não necessitam de arrependimento. Ele quis dizer que alguns pensam e que outros já se arrependeram e acertaram as contas com Deus.


[...] Jesus, o Filho de Deus, está advertindo o povo de que o julgamento está próximo e oferecendo uma saída: o arrependimento. É por isso que o mandamento de arrepender-se faz parte da mensagem central de Jesus a cerca do Reino de Deus.

“O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Marcos 1: 15)

O evangelho – as “boas novas” – significa que o julgamento de Deus chegou por meio de Jesus para salvar os pecadores antes da chegada do Reino em Sua segunda vinda, para o Juízo Final. O mandamento de arrepender-se baseia-se, portanto, na oferta misericordiosa do perdão e na advertência igualmente misericordiosa de que, um dia, os que recusarem a oferta perecerão no juízo de Deus.

“Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas.”(Lucas 24: 46-47)

O mandamento de Jesus a toda a humanidade é: “Arrependam-se. Passem por uma transformação radical de dentro para fora. Substituam todas as desonras feitas a Deus, todas as percepções, disposições e propósitos que menosprezam a Cristo por atitudes que honrem a Deus e exaltem a Jesus”.” (O Que Jesus Espera de seus Seguidores: Mandamentos de Jesus ao Mundo”, Editora Vida)

“Permaneçam em Mim”, disse Jesus. Ainda que caiamos, Seus braços de amor e de justiça não são curtos a ponto tal que não possa alcançar-nos e reerguer-nos. Precisamos crer nisto de todo nosso coração, ao mesmo tempo também discernirmos a importância e urgência de compreendermos a necessidade de esvaziar-nos de nós mesmos a ponto tal que não haja mais a nossa vontade, mas a Dele dirigindo nossas vidas. Isto é entrega total. Isto é amar a Deus com toda a mente, forças e entendimento. Isto é amar ao próximo no sentido pleno da palavra.

Sim, porque nossos pecados sempre ultrapassam a barreira do campo do eu. Há sempre um próximo que foi ferido, magoado por nossas ações.

“Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6: 30-33)

Quando abrimos a Bíblia não devemos procurar por respostas às nossas questões pessoais; antes atentemos para as orientações de conduta. Quando está complicado resolver os problemas do caminho, e não conseguirmos identificar o que é ou não a vontade de Deus, é o momento, então, de descansarmos e esperarmos contra toda a nossa ansiedade. Os planos do Senhor para nós não giram em torno de benefícios para nós mesmos, mas cumprem finalidade de formar em nós o Seu caráter! Aceitar essa realidade nos aproxima Dele. Penso que temos nos preocupado muito com aquilo que é detalhe. Não que Deus não se preocupe com os detalhes da nossa vida, afinal é nosso Pai, mas detalhes são apenas detalhes se comparados ao que realmente importa. E o que importa é andarmos de forma tal que o Senhor seja honrado. Tenho aprendido que esse é um processo de aprendizagem doloroso, daí precisamos esperar humildemente e pacientemente que o propósito divino de restaurar em nós o Seu caráter se cumpra. Afinal, é um processo gradativo, de anos... De uma vida.

Precisamos perseverar em meio a quedas e levantar. Precisamos ter fé no amor de Deus e em Sua capacidade de amar incondicionalmente e de misericordiosamente nos perdoar. Perseveremos na fé suportando as adversidades, as dores que as quedas produzem, cientes de que tudo está exatamente do jeito que precisa estar para que adquiramos as características de Deus. Reconheçamos a Sua amorosa mão em todas as situações da vida.

“... a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem.” (Hebreus 11: 1)

Permaneçamos no Senhor, ainda que Ele esteja aparentemente no silêncio diante de tudo o que se passa em nossa vida.

Sei que seria muito mais fácil se Deus rompesse esses silêncios físicos e viesse nos visitar e conversasse em som audível conosco, explicando-nos e respondendo-nos, enfim, a todas as nossas questões. Certamente que assim muitas mais pessoas se renderiam a Ele. Quando tais pensamentos vêm à minha mente sempre respondo a mim mesma: Não estarei eu querendo andar pelo som e não pela fé?

De fato no início foi assim com Adão e Eva. Deus os visitava a cada final do dia: “E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.” (Gênesis 3:8)

Porém, se você leu todo o verso bíblico verá que ele nos conta que Adão e Eva “esconderam-se [...] da presença do Senhor Deus”. Viu a extensão do pecado? Ele nos faz desejar ficar longe de Deus. Ele ultrapassou o limite de Adão e Eva. Toda a humanidade foi separada pelos pecados não só do primeiro casal, mas de cada um de nós, da benção da presença santa do Senhor.

Nossa única esperança é a ponte que Deus estabeleceu em Cristo Jesus. Por isso, Ele disse de Si mesmo ser o Caminho, a Verdade e a Vida e que ninguém, ninguém mesmo, vai ao Pai se não for por Seu intermédio. Fico triste quando vejo religiosos ensinando que há outros caminhos, outros intercessores.

Em Jesus temos a certeza de que gozaremos a presença física de Deus por toda a eternidade. Nesse meio tempo, que é o nosso hoje, precisamos da sensibilidade para perceber as dicas do Espírito Santo, desde o nosso íntimo, sobre o que devemos ou não fazer. Essa orientação começa de forma muito sutil, e precisamos estar preparados para ouvi-la. Mas, será preciso sempre que tenhamos paciência para não nos tornarmos filhos cansados, enfadados, sem alegria em servi-LO. A verdade de Deus não é como uma pedra de granizo que acerta nossas cabeças no meio de forte tempestade. Ela se revela de forma suave e contínua. Ao pensarmos que já sabemos tudo sobre ela seremos sempre surpreendidos. Deus nos deu um cérebro, a Bíblia e o Espírito Santo, não temos porque andarmos ansiosos e preocupados. Precisamos aprender a gostar de alimentos sólidos para crescemos com maturidade espiritual, afinal até Jesus voltar estaremos sujeitos a constantes riscos, a muitas quedas e muito levantar. O importante é compreendermos que no meio de tudo isto há um enorme espaço para o perdão e a graça divina.

“E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda.” (1 João  2:28)

Quando o Senhor voltar, e Ele vai voltar porque Sua palavra é fiel, Ele fará tudo de novo e aquilo que é corruptível tornar-se-á incorruptível. Sirvamos ao Senhor com alegria, sabendo que Ele nos ama exatamente como somos e que o Seu amor, com o nosso consentimento produzirá o que preciso for para a restauração do Seu caráter em nós para que se cumpram as palavras ditas no princípio de todas as coisas: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;” (Gênesis  1:26)







Ruth Alencar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3º Dia: Por que as coisas pioram quando mais buscamos a Deus?

5º Dia: Unges a minha cabeça com óleo e o meu cálice transborda

O Rio Jordão: As Águas de Naamã