4- Entra em Cena Daniel: O Profeta do Deus Vivo e a Razão de ser das Profecias – Final




A Bíblia diz que “No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este um sonho; o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono. Então, o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus, para que declarassem ao rei quais lhe foram os sonhos; eles vieram e se apresentaram diante do rei. Disse-lhes o rei: Tive um sonho, e para sabê-lo está perturbado o meu espírito.” (Daniel 2: 1-3)


O historiador judeu Flávio Josefo concordando com o que está escrito na Bíblia afirma: “Dois anos depois da vitória obtida por Nabucodonosor sobre os egípcios, esse príncipe teve um sonho estranho, [...]. Depois que acordou, porém, esqueceu o sonho e o seu significado. Por isso mandou chamar os maiores sábios dentre os caldeus, os que se dedicavam à predição do futuro, chamados magos devido à sua sabedoria.” (“A HISTÓRIA dos HEBREUS de Abraão à queda de Jerusalém”. Casa Publicadora das Assembleias de Deus) 

Segundo a Bíblia este foi o diálogo entre o rei e os sábios caldeus: “Ó rei, vive eternamente! Dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação. 

Respondeu o rei e disse aos caldeus: Uma coisa é certa: se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas monturo; mas, se me declarardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, prêmios e grandes honras; portanto, declarai-me o sonho e a sua interpretação.

Responderam segunda vez e disseram: Diga o rei o sonho a seus servos, e lhe daremos a interpretação. Tornou o rei e disse: Bem percebo que quereis ganhar tempo, porque vedes que o que eu disse está resolvido, isto é: se não me fazeis saber o sonho, uma só sentença será a vossa; pois combinastes palavras mentirosas e perversas para as proferirdes na minha presença, até que se mude a situação; portanto, dizei-me o sonho, e saberei que me podeis dar-lhe a interpretação.

Responderam os caldeus na presença do rei e disseram: Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige; pois jamais houve rei, por grande e poderoso que tivesse sido, que exigisse semelhante coisa de algum mago, encantador ou caldeu.
 A coisa que o rei exige é difícil, e ninguém há que a possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens. 

Então, o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sábios da Babilônia. Saiu o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que fossem mortos.
 (Daniel 2: 4-13)

Veja que o rei lhes disse que tivera um sonho, mas que o havia esquecido. Ele não pedia apenas a interpretação de um sonho, mas exigia que os magos dissessem exatamente o que ele sonhara. Missão impossível para um ser humano! A Bíblia conta que o rei Nabucodonosor ficou muito perturbado com seu sonho. Ao ponto tal que perdeu o sono. Por isso, convocou imediatamente aqueles que acreditava serem capazes de dizer-lhe o significado. Coisa terrível é um pesadelo! Coisa espantosa é um sonho com características de realidade! Eu já tive sonhos assim...


Daniel suplicou-lhe que rogasse ao rei para suspender a execução até o dia seguinte, porque estava confiante de que se pedisse a Deus para revelar o sonho, Ele ouviria a sua oração.” (“A HISTÓRIA dos HEBREUS de Abraão à queda de Jerusalém”. Casa Publicadora das Assembléias de Deus)


Que coisa maravilhosa é um relacionamento pessoal com Deus! Daniel vivia essa experiência e confiava na amizade e amor de Deus por ele. Daí a certeza de que ao buscá-LO encontraria recepção e atenção. Que fé maravilhosa! Não é a toa que o anjo Gabriel tenha lhe dito: “pois és muito amado” (Daniel 9: 23)

“Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes tu fazer-me saber o sonho que tive e a sua interpretação?


Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exigiu, nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhadores lhe podem revelar; mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonozor o que há de suceder nos últimos dias. O teu sonho e as visões que tiveste na tua cama são estas: [...]” (Daniel 2: 26-28)



Comentário de Siegfried J. Schwantes



“[...] Uma vez que é Daniel que afinal lembra o rei o sonho e diz-lhe a interpretação, há quem diga que este verso contradiz a informação contida em 1:5, que afirma que Daniel e seus companheiros deviam ser educados durantes 3 anos. Não há, porém, contradição se se leva em consideração o fato que a primeira campanha de Nabucodonosor no território da Síria e da Palestina realizou-se em seu ano de ascensão, isto é, em 605 a.C. A educação de Daniel teria começado durante o ano de ascensão de Nabucodonosor que se estendeu de setembro de 605 a.C. até a primavera de 604. Teria continuado durante seu primeiro ano, primavera de 604 a.C. a primavera de 603 e teria durado até um ponto no segundo ano de seu reinado, 603/602. Além disto, os judeus seguiam o sistema inclusivo de contar, isto é, mesmo uma fração de um ano era contada como um ano inteiro, do mesmo modo que uma fração de um dia era contada como o dia todo. Ver Ester4:16  e 5:1  como um exemplo de como parte de um dia era contada como um dia todo. Do mesmo modo os "3 dias e 3 noites" que Jesus passou no ventre da terra (Mateus 12:40) compreenderam na realidade somente parte da sexta feira, todo o sábado e parte do domingo. Trata-se de uma expressão idiomática que deve ser entendida à moda dos que a compuseram.


[...] Numa cultura na qual sonhos eram tidos como significantes, não admira que DEUS usasse tal veículo para comunicar a Nabucodonosor uma mensagem repleta de significa­do.1


Em caso de sonhos inquietantes o rei podia contar com o conselho de mágicos, encantadores, feiticeiros e caldeus para interpretá-los de acordo com manuais, dos quais diversas cópias têm vindo à luz. O caráter fictício de tais manuais salta a vista. O fato de que nenhum exemplo foi encontrado nos textos babilônicos do uso do termo caldeu para designar peritos em magia, tem sido alegado por alguns estudiosos como indício da data tardia do livro de Daniel. Haja vista, porém, que Heródoto (c. 450 a.C.) usou o termo neste sentido. Ora, se Heródoto usou o termo neste sentido restrito menos de um século depois do tempo de Daniel, é difícil negar a possibilidade de que o termo já levava esta conotação no tempo em que seu livro foi escrito.


(2:4) Este verso marca a transição do hebraico para o aramaico, que continua sendo a língua do livro até o final do cap. 7. A transição foi ocasionada pelo fato de que os caldeus responderam ao rei em aramai­co. Sendo de origem caldaica, o rei não teria problema em compreender o aramaico, que desempenhava nesta época no meio oriente o mesmo papel que o latim na Idade Média. Familiarizado em ambas as línguas, Daniel continuou a escrever em aramaico até depor a pena no final do capítulo 7. Quando noutra ocasião ele redigiu os últimos capítulos do livro voltou ao uso do hebraico. Alguns estudiosos veem na estrutura A-B-A do livro, hebraico-aramaico-hebraico, um argumento para a unidade do livro. Chamam atenção para o fato de que o código de Hamurabi apresenta o mesmo tipo de estrutura- as leis escritas em prosa são enquadradas entre o prólogo e o epílogo redigidos em estilo poético em estilo altissonante.


[...] A incapacidade dos sábios de Babilônia de recontar ao rei seu sonho põe em relevo a sabedoria de Daniel recebida do único DEUS verdadeiro. É provável que as pretensões absurdas dos adivinhos tenham despertado na mente do rei expectativas altas demais. O que tornava a situação pior é que a capacidade de alguém em recordar um sonho era tida como um sinal de que seu deus estava encolerizado contra ele.2 Ameaçado de morte por sua inaptidão em satisfazer a exigência do rei os caldeus finalmente admitiram: "A cousa que o rei exige é difícil e ninguém há que possa revelar diante do rei, senão os deuses, e eles não moram com os homens" (v.11). Esta confissão marcava como fraudulenta suas pretensões de possuir um conhecimento superior.


[...] Ao ser notificado do decreto de morte por Arioque, chefe da guarda do rei, Daniel não hesitou em apresentar-se ao monarca para pleitear uma audiência futura para lhe revelar o sonho e sua interpreta­ção (v.16). A coragem manifestada por Daniel, cremos, foi inspirada por sua perfeita confiança no Deus que ele servia.


O que se segue é uma cena comovente de comunhão com Deus na qual figuram Daniel e seus 3 companheiros. Eles pleitearam que Deus lhes revelasse o mistério relacionado com o sonho do rei, porque desta revelação dependia sua própria vida. Sua fé foi honrada, e o mistério foi revelado a Daniel numa visão da noite (v.19). A primeira reação de Daniel foi de expressar sua gratidão numa prece que aparece em forma poética em nosso texto (vv.20-23). Ele louva a Deus por Sua sabedoria e poder e por Sua soberania sobre o tempo e as estações o que equivale a dizer sobre o curso da História. Neste hino de louvor Daniel anuncia o tema de todo o livro quando declara: É Deus Quem "remove reis e estabelece reis" (v.21). No conflito dos séculos esboçado no próprio sonho dado a Nabucodonosor, Daniel expressa a verdade essencial de que a história, apesar de seus aspectos sombrios, obedecem ao desígnio eterno de Deus. Ao dizer que "Deus dá sabedoria aos sábios e entendimentos aos entendidos", Daniel declara que Deus dá sabedoria àqueles que são receptivos à luz celeste, isto é, aqueles cuja mente está sintonizada à Sua. Em perfeita humildade Daniel não se arroga nenhum mérito, mas reconhece que toda sabedoria e poder vem de Deus, "que a todos dá liberalmente" (Tiago 1:5).


Daniel informa a Arioque que a sentença de morte não precisa ser levada a efeito, pois está pronto a comparecer perante o rei e declara-lhe a interpretação (v.24). Arioque, aparentemente desejoso de angariar mérito para si, não perde tempo em trazer Daniel à presença do rei: "Achei um dente os filhos dos cativos de Judá, o qual revelará ao rei a interpretação" (v.25). [...] Daniel começa por declarar que nenhuma sabedoria humana poderia revelar o mistério do sonho e esta era a razão por que os sábios tinham falhado. Mas ele conhecia um Deus nos céus que revela segredos e seu Deus se tinha dignado revelar ao rei e a ele próprio um vislumbre dos acontecimentos futuros (vv.26, 27).


Embora menos de 3 anos tivessem passado desde que subira ao trono, Nabucodonosor estava preocupado com o futuro. A recente queda catastrófica do império Assírio deve ter impressionado a todos os contemporâneos a natureza transitória de toda a glória humana. Se o colosso assírio tinha sido derrubado de seu pedestal pelo curso dos acontecimentos, que esperança de durabilidade poderia haver para seu império? Humilhado pelo reconhecimento de que o curso da história escapava a seu controle, Nabucodonosor estava na disposição correta para receber uma revelação da soberania divina. Esta revelação era autenticada pelo fato de que o mesmo sonho foi concedido a Daniel e ao rei. O rei estava pronto para ouvir.


Em ser escolhido como o mediador da interpretação do sonho, Daniel nega possuir qualquer sabedoria superior aos demais mortais. Ele era um simples canal através do qual a revelação divina estava sendo comunicada ao rei concernente ao "que há de ser", isto é quanto ao futuro curso dos acontecimentos até o desfecho final da história (vv.28-30).”  (O Livro de Daniel, comentários de Siegfried J. Schwantes)


Você pode está se perguntando sobre a razão pela qual estamos nos demorando sobre a questão da profecia. O fato é que é simplesmente impossível entender o propósito de Deus para a história sem a profecia bíblica. Consideramos que as profecias bíblicas são excelentes ferramentas de evangelização. Além de que, a profecia bíblica cumpre o papel de fortalecer a fé dos que creem e de advertir as descrentes quanto ao juízo vindouro que Deus preparou para este mundo confuso, inseguro e rebelde. 


Ao contemplarmos a história de Israel e tudo quanto Deus fizera desde a sua libertação do Egito, passando pelo processo sobrenatural da travessia do Mar Vermelho e do Jordão, as vitórias maravilhosas de seus heróis guerreiros, como Josué, Calebe, Sansão, Jonatas, Davi, e refletimos também sobre suas derrotas, vemos a mão de um Deus perdoador e misericordioso. Um Deus que poderia tomar a história em Suas próprias mãos sem a participação dos homens e fazer cumprir o Seu querer. Ao invés disto, prefere nos incluir em Seus planos e através do Seu Espírito nos encher de fé, coragem e esperança, tornando-nos agentes ativos nestes planos.


Numa relação de amizade e amor o Senhor, através da Sua Palavra profética, nos ensina que Ele é um Deus vivo e quem com Ele está não conhecerá jamais a derrota dos que vivem sem esperança. A história de Daniel e seus companheiros saem de um roteiro de escravidão e humilhação e adentram no terreno da vitória. Uma vitória garantida pela presença do Eterno Eu Sou.

Nabucodonosor, um rei pagão, foi agraciado de maneira maravilhosa por Deus. Quão instigante e misterioso sonho! Quão tremendo é Deus! Tanto o rei como o profeta Daniel, o senhor e o escravo, contemplaram o fantástico panorama do que aconteceria no futuro.


E disse Daniel (2:45-47): “Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que há de suceder no futuro. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação. Então o rei Nabucodonozor caiu com o rosto em terra, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe oferecessem uma oblação e perfumes suaves. Respondeu o rei a Daniel, e disse: Verdadeiramente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos mistérios, pois pudeste revelar este mistério.”


E “adorou a Daniel”?

No próximo texto estudaremos sobre isto e sobre o sonho do rei Nabucodonosor e sua relação com os nossos tempos.

Continuaremos...




Notas

1. Para a importância de sonhos no meio babilônico ver Transaction of the American Philophical Society, vol. 46, part 3, 1956,p. 227. Para um sonho de Assurbanipal ver ANET, pp. 451 e 606.

2. A. L. Oppenheim, Op. Cit., p. 237.



Ruth Alencar




- Conversando sobre o Livro de Daniel
- por Ellen White , Profetas e Reis, Capítulo 35

- por Pr. Isaque Resende
- por pr. Ezequiel Gomes

- por Ruth Alencar com texto base de Luiz Gustavo Assis e vídeos da Tv Novo Tempo

- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo e Edward J. Young

 - por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo
- por Ruth Alencar

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 1) (com comentário de Siegfried J. Schwantes)

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 2)  (Siegfried J. Schwantes) 


. capítulo 1

. capítulo 2
. Revelação e explicação do sonho de Nabucodonosor (com Comentário de Siegfried J. Schwantes) 

. O Reino da Pedra

- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes
. Um pouco mais sobre a Mensagem de Daniel 3
- comentários de C. Mervyn Maxwell e Ellen White 

. capítulo 4
- comentário de Siegfried J. Schwantes
- por Ruth Alencar com comentários de C. Mervyn Maxwel, Urias Smith e Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

. capítulo 5
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 6
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 7
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel.
- por Ruth Alencar 
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes 
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
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 Continuando nossos estudos sobre Daniel 7  
 - por Ruth Alencar

. capítulo 8
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  C. Mervyn Maxwel
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 8  
- por Ruth Alencar 

. capítulo 9
- com comentários de Siegfried J. Schwantes
- por Matheus Cardoso

. capítulo 10
. Daniel 10: O Conflito nos Bastidores
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 11
- Comentário de Siegfried J. Schwantes
. capítulo 12
Daniel 12 : O Tempo do Fim – Parte 1- Por Siegfried J. Schwantes


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