O Grão de Mostarda e o Reino da Pedra

Gosto muito das mensagens que as pedras proclamam! Se tiver curiosidade leia este outro texto que escrevemos também sobre o tema  Pedras que Clamam. 

Pedras sempre me encantaram, acho que é porque nasci entre elas. Minha cidade natal é rodeada, literalmente, por Monólitos. Mas, não pense que isto faz dela um paraíso. Quixadá é uma cidade muito, muito quente!










Os monólitos da minha cidade natal são objetos de muitas teorias, dentre elas a de que eles são “portais de passagem para contatos com seres extraterrestres”. Falaremos sobre isto em um texto futuro. O que é bom registrar, no entanto, é que os monólitos de Quixadá são conhecidos internacionalmente por favorecerem a prática de esportes radicais e que recentemente foram tombados como patrimônio da humanidade. No resto, a cidade é como todas as pequenas cidades do nordeste brasileiro: carente de uma boa administração pública.

Mas, este texto não é para falarmos de Quixadá. Mesmo porque a Rocha, objeto de nossa reflexão, é infinitamente inigualável. É Única!

“Com justiça poderíamos chamar o livro de Daniel um manual de história e de profecia. A profecia é uma visão antecipada da história; a história é um repasso retrospectivo da profecia. O elemento previsivo permite que o povo de Deus veja as coisas transitórias à luz da eternidade, põe-no alerta para atuar com eficácia em determinados momentos, facilita a preparação pessoal para a crise final e, ao cumprir-se a predição, proporciona uma base firme para a fé. [...]. As profecias de Daniel estão estreitamente relacionadas com as do livro do Apocalipse. Em grande parte o Apocalipse trata do mesmo tema, mas faz ressaltar em forma especial o papel da igreja cristã como povo escolhido de Deus. Em consequência, alguns detalhes que podem parecer escuros no livro de Daniel com frequência podem aclarar-se ao compará-los com o livro do Apocalipse. Daniel recebeu instruções de fechar e selar aquela parte de sua profecia referente aos últimos dias até que, mediante um estudo diligente do livro, aumentasse o conhecimento de seu conteúdo e de sua importância . Ainda que a porção da profecia de Daniel relacionada com os últimos dias foi selada, João recebeu instruções específicas de não selar "as palavras da profecia" de seu livro, "porque o tempo está perto" (Apocalipse 22: 10). De maneira que para obter uma interpretação mais clara de qualquer porção do livro de Daniel do que seja difícil de entender, devêssemos estudar cuidadosamente o livro do Apocalipse em procura de luz para dissipar as trevas. ” 1

Prometemos aos nossos leitores estudarmos futuramente também o livro de Apocalipse.

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre.” (Daniel 2:44)

Está claro, segundo a interpretação de Daniel, que após o Império Romano não haverá outro. A não ser o Reino simbolizado pela Pedra. A descrição que Daniel dá desse Reino é a de que “não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre”. Um Reino Eterno implica em um poder eterno e o único que possui a eternidade é a divindade. Este é o Reino de Deus.

No livro de Lucas 13:18-21 encontramos este questionamento de Jesus: “Ele, pois, dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta; cresceu, e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.”

Devo confessar que essas palavras de Jesus sempre me encantaram, mas despertaram também questionamentos. Como pode uma hortaliça fazer-se árvore e em seus ramos se aninharem aves? E não era qualquer ave não! Jesus fez referência às aves do céu!

HENK p. MEDEMA e JOHN LYTTON MUSSELMAN falando sobre as plantas da Bíblia escreveram: “Este é uma mostarda excepcionalmente grande (provavelmente Sinapis alba ou s. arvensis). Mas é grande o suficiente para oferecer suporte a aves?

Um expositor da Bíblia não é, geralmente, um botânico treinado, nem o botânico médio é treinado no manual da Bíblia. Experiência em botânica não é geralmente um problema na exposição da Bíblia, exceto quando se trata de explicar as porções da Bíblia no qual plantas desempenham um papel proeminente, por exemplo, em algumas das parábolas contadas por nosso Senhor. [...] Leitores da Bíblia mais modernos, por outro lado, podem perder ou interpretar erroneamente alguns destes ensinamentos através de uma falta de familiaridade com a natureza na Terra Santa. [...]

O Senhor Jesus é o professor perfeito! Por meio de parábolas, ele foi capaz de apresentar profundas verdades espirituais para pessoas simples. Seus exemplos foram sempre relevantes e ele foi rápido para identificar-se com seu público-alvo, usando exemplos familiares da vida cotidiana. Mostarda, mencionada somente no Novo Testamento, é um desses exemplos. Foi perfeitamente claro para os ouvintes de Jesus o que Ele quis dizer - eles tinham perguntas sobre o joio, mas não sobre a parábola da semente de mostarda. Para os leitores modernos e ocidentais a parábola da semente de mostarda pode ser mais difícil de entender. [...]”2

A planta sobre a qual Jesus fez referência, segundo HENK p. MEDEMA e JOHN LYTTON MUSSELMAN apontariam provavelmente para “a mostarda preta (Brassica nigra), a mostarda branca (Sinapis arvense ou Sinapsis alba) e possivelmente Sinapsis jun cea.  Todas as quatro pertencem a Cruciferae (também conhecido como a Brassicaceae), a família da mostarda. [...] dificilmente seria a mostarda amarela, pois não é semeada em jardins ou campos. [...] muitos especialistas concordam, que a parábola aponta para Brassica nigra.”1

O vale do Jordão é subtropical, com muitas espécies de árvores, palmeiras, sicômoros, figueiras, carvalhos, nozes, peras, álamos, salgueiros, acácias, oliveiras, bravas, etc. Há também muitas variedades de flores. Têm sido vistas, nas ricas planícies da Filístia, plantas de mostarda selvagem muito altas. Existem plantas selvagens de Mostardas com mais de dez metros de altura perto do Rio Jordão”2

A pequenina semente de mostarda era proverbialmente usada para representar qualquer coisa infinitamente minúscula. Jesus usou a linguagem popular.

Gosto muito da abordagem de HENK p. MEDEMA e JOHN LYTTON MUSSELMAN quando dizem que “as sementes brancas e pretas são semelhantes em tamanho (1 a 3mm), então não é a menor semente, mas é a menor semente das que você planta no chão indicando claramente que o Senhor não estava comparando a semente de mostarda com todas as plantas, mas somente com aquelas que foram cultivadas.

[...] Ele não diz que a semente de mostarda tornou-se maior do que todas as árvores, mas a maior entre ervas e crescendo como uma árvore, ou seja, aproximando-se do tamanho de uma árvore. [...] Além disso, a semente de mostarda não cresce alta pelas mãos do homem, como a explicação poderia pressupor: ele só faz isso por uma quantidade extraordinária de sol e por outras circunstâncias favoráveis.”1 Elementos externos são necessários para potencializar e estabelecer seu crescimento.

Há uma mensagem extraordinária aqui. Disse Jesus em Mateus 28;19: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,”. Em outras, palavras, espalhem a semente da verdade. Anunciem as Boas Novas do Reino de Deus. Somos, então, mensageiros do Senhor, mas será Dele a obra do estabelecimento do Seu Reino. Em Daniel 2:45 está escrito: “Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, [...]” Quando penso nos homens e mulheres religiosos que sempre existiram e existem e que delegaram a si mesmos o direito de se apropriar da mensagem do Reino de Deus para roubar e mentir, penso nas palavras do Senhor: "Apartai-vos de Mim, malditos, não vos conheço!"

Usando a semente de mostarda Jesus disse também que se o homem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, moveria montanhas (ver Lucas 17:6 e Mateus 17:20). Que riqueza de linguagem!

Ao comparar o Reino de Deus à semelhança de “um grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta; cresceu, e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu”, Jesus queria dizer que o Reino de Deus já estava estabelecido entre os homens, pois Ele estava presente entre eles. Por isso, a humanidade poderia já desfrutar dessa benção. A beleza e riqueza desse ensinamento de Jesus é o ensinamento de que há um processo que no início é pequeno, mas depois cresce a ponto de tornar-se o abrigo para os que procuram descanso. 

Estas palavras de Jesus foram anunciadas em Sua última viagem registrada, na Bíblia, feita a uma Sinagoga. Quando Jesus pronunciou essas palavras Ele estava sendo confrontado pelo dirigente da Sinagoga, o qual estava muito zangado porque Jesus curara no sábado uma mulher enferma. Este dirigente atacou-O indiretamente ordenando ao povo que não fosse no sábado para pedir uma cura qualquer. Jesus expôs a hipocrisia dele e repetiu a parábola da semente da mostarda, a qual descreve o resultado duplo da presença do reino do Senhor no mundo, o de produzir uma organização visível e bem grande de um começo pequenino, e o outro resultado seria o de exercer uma influência extensiva e escondida na sociedade humana.

Muitos dos milagres de Cristo nos apresentam os necessitados indo a Sua procura, mas no caso dessa mulher enferma é Jesus quem a chama: “Jesus estava ensinando numa das sinagogas no sábado. E estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e impôs-lhe as mãos e imediatamente ela se endireitou, e glorificava a Deus.”

O semeador semeia uma pequena semente, vem o inimigo e introduz minúsculos germes do mal. O Senhor desejou com essa cura também nos ensinar sobre o significado da verdadeira relação com Deus e que o grande inimigo de Deus era a causa das enfermidades humanas: “E estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e impôs-lhe as mãos e imediatamente ela se endireitou, e glorificava a Deus. Então o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curara no sábado, tomando a palavra disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, neles para serdes curados, e não no dia de sábado. Respondeu-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, para o levar a beber? E não devia ser solta desta prisão, no dia de sábado, esta que é filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? E dizendo ele essas coisas, todos os seus adversário ficavam envergonhados; e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.”

A hipocrisia religiosa os cegava para esta realidade. O orgulho deles era tão grande que nem haviam percebido o nascimento do Messias. “O grão de mostarda” que crescera entre eles e agora era a árvore da vida a lhes oferecer pessoalmente os frutos, bênçãos da presença de Deus entre os homens: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor”. (João 15:1)

É-nos dito que Voltaire exclamou: "Estou farto de ouvir que doze homens levaram o nome de Cristo pelo mundo inteiro e vou provar ao mundo que basta um só homem para exterminar esse nome.”

É... Jesus parecia a “menor das sementes”, Seus seguidores eram contados em dúzias e não por milhões. Mas, a História não foi mais a mesma depois de Jesus Cristo. (1 Coríntios 4:20; Lucas 10: 3,8-9)

O Reino de Deus, ainda que pequeno, através de Jesus, já é chegado à humanidade, como a "menor de todas as sementes" e ainda mesmo com um humilde começo, prosperará com poder e prevalecerá sobre todos os reinos.

Ainda falta cumprir a parte da profecia do estabelecimento definitivo do Reino de Deus: “... a pedra, porém, que feriu a estátua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra.” (Daniel 2:35). Em Jesus a primeira parte já se cumpriu: “É chegado a vós o reino de Deus”, falta-nos agora o cumprimento de Suas promessas:

Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós.” (João 14:18)

“Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós.” (João 14:28)

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (João 14:1-3)

Lembre-se: “... a pedra, porém, que feriu a estátua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra. [...] o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre.” (Daniel 2:35 e 44)


Continuaremos...


Daniel Capítulo 3
O Cristão e as Fornalhas Ardentes


Notas:




Ruth Alencar



- Conversando sobre o Livro de Daniel
- por Ellen White , Profetas e Reis, Capítulo 35

- por Pr. Isaque Resende
- por pr. Ezequiel Gomes

- por Ruth Alencar com texto base de Luiz Gustavo Assis e vídeos da Tv Novo Tempo

- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo e Edward J. Young

 - por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo
- por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 1) (com comentário de Siegfried J. Schwantes)

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 2)  (Siegfried J. Schwantes) 


. capítulo 1

. capítulo 2
. Revelação e explicação do sonho de Nabucodonosor (com Comentário de Siegfried J. Schwantes) 
. O Reino da Pedra

- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes
- comentários de C. Mervyn Maxwell e Ellen White 

. capítulo 4
- comentário de Siegfried J. Schwantes
- por Ruth Alencar com comentários de C. Mervyn Maxwel, Urias Smith e Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

. capítulo 5
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 6
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 7
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel.
- por Ruth Alencar 
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes 
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 7  
 - por Ruth Alencar

. capítulo 8
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  C. Mervyn Maxwel
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 8  
- por Ruth Alencar 

. capítulo 9
- com comentários de Siegfried J. Schwantes
- por Matheus Cardoso

. capítulo 10
. Daniel 10: O Conflito nos Bastidores
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 11
- Comentário de Siegfried J. Schwantes
. capítulo 12
Daniel 12 : O Tempo do Fim – Parte 1- Por Siegfried J. Schwantes

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