Te Amo Tanto ...



Eu gostava muito de assistir na TV os episódios de “Xena, a guerreira”, embora muito consciente de que aquela força extraordinária da princesa guerreira compunha uma história irreal. Mas, não me agradava sua solidão. Puxa! Havia o Hércules, homem forte e poderoso. Por que eles não podiam ficar juntos?  Sem falar que havia uma forte mensagem que tecia um enredo de disputa entre o universo masculino e feminino. Mas, eu gostava. Talvez porque Xena fosse mais que combativa. Ela era forte, destemida e solidária.

Será que as 'Amazonas', as famosas mulheres guerreiras da antiguidade, descritas respectivamente pelos historiadores Homero e Heródoto como as "Antianeirai” [aquelas que vão à guerra contra os homens] e as "Androktones", [aquelas que matam os machos] existiram de fato? Há relatos que as definem como mulheres ferozes, que travavam grandes combates com os soldados gregos e os legionários romanos.

Interessante são os que fazem referência à presença delas na antiguidade da América do Sul, espalhando-se desde o Peru até o atual território brasileiro. Conta-se que os conquistadores espanhóis, seguindo o curso do grande rio, mais tarde batizado de Amazonas, tiveram que enfrentar em várias ocasiões essa estranha tribo de ferozes mulheres.

As Amazonas são descritas como excelentes montadoras de cavalos e também versadas na arte da guerra, seja com o uso do arco e flecha, seja com a espada. Os relatos dizem que elas eram tão ferozes e impiedosas que algumas chegavam ao ponto de amputar um dos seios para melhor utilizarem os seus arcos. Também é dito que elas escolhiam os melhores exemplares masculinos, os capturavam apenas para poderem procriar, mas que depois disso ou os castravam para os transformarem em escravos, ou os matavam. A morte era o destino dado aos filhos machos que nasciam. Apenas as meninas sobreviviam.

Sinceramente, um universo assim é feio, frio, desumano, frustrante... pelo menos é o que compreendo quando leio Gênesis 2:18: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.”

Em outras palavras, “far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja uma assistente”. Essas palavras do Criador encerram em sua essência muito mais que um significado de “serva”. A mulher, segundo Deus, deve ser para o homem outra parte de si mesmo, sem quem ele seria incompleto, com quem ele transmita e de quem ele receba inspiração e amor em sua totalidade do ser.

“Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora idônea. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das costelas, e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe.” (Gênesis 2:20-22)

Isto me diz que Deus não fez o homem e a mulher segundo o modelo dos animais. Deus os criou a “Sua imagem”. Essa assistente tão necessária ao homem e que Deus proveu para o homem, não fora inspirada a não ser NEle mesmo à partir de Adão. Ele a buscou na própria natureza de Adão. Essa substância não a tirou de membros interiores do homem, como tentam nos fazer crer os adeptos do pensamento de que Deus é machista e Sua Palavra também, mas a extraiu de sua essência biológica.

A mulher é chamada para estar lado a lado com o seu esposo, com o seu igual, para que juntos e em submissão comum a Deus, possam realizar, segundo a parte que compete a cada um, o projeto e o destino atribuído à raça humana: nascer para amar e ser amada.

O amor é um dom de Deus e o casamento é a expressão da vontade divina. “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mateus 19:6)

No projeto de Deus o casamento não se restringe a reprodução, mas é o pensamento concreto de uma estrutura social que prioriza a felicidade humana. Porém, quando os princípios que devem servir de base para essa estrutura são negligenciados o que resulta é a tristeza, a frustração e a dor. Por isso, um dos princípios estabelecidos pelo Criador para proteger essa coesão humana é o amor e a fidelidade. Essa relação pactuada de amor e de compromisso com a qual Deus deseja que se envolvam amigos, filhos, pais, irmãos, namorados, noivos e casados é extraída, em sua essência, da relação que Ele quer que exista entre nós e Ele.

Enquanto escrevia este texto lembrei-me de um pequeno bate-papo virtual que tivemos nesta semana, eu e algumas mulheres assumidamente “bregas” pelo fato de optarmos por cuidar dos filhos, do esposo e da casa, em detrimento de uma carreira profissional. Não somos mais valorosas, nem menos importantes por nossa opção, apenas como mulheres livres e por um possível contexto de possibilidade optamos por esse caminho, o qual, ao contrário do que muitos pensam não é fácil. Afinal, possivelmente houve uma carreira profissional, conquistada com muitos anos de estudos, deixada de lado. Possivelmente a opção implica numa ‘prolongada’ dependência financeira... Não é fácil! Eu sei porque fiz esta opção.

Mas, ao contrário do que possam pensar, no íntimo da alma das mulheres ‘bregas’ existem princesas guerreiras, alimentadas pelo pensamento de que Deus as fez ‘machos’ de peito. Assim como peitudas e ‘machas’ são as guerreiras profissionais que se encontram na árdua tarefa de serem mães e pais, esposas-mães e profissionais.

Neste instante, sou fisgada por minha memória. A visita da lembrança de um sonho que tive um dia...

Que sonho lindo! Ela chorava muito e estava com a cabeça deitada sobre Seu colo e Ele acariciando seus cabelos lhe consolava dizendo: “Não te esqueças, eu te amo tanto!”.

Naquele dia acordei com vontade de descobrir quem era aquela mulher que gozara do privilégio do consolo do Salvador. Mas, a memória me traia e eu simplesmente não conseguia me lembrar. Pelo menos não até aquele telefonema algumas horas depois.

Eu estava no trabalho quando recebi a chamada. Do outro lado uma de minhas irmãs perguntou-me se eu estava sentada. Depois me contou sobre o fim do casamento de uma de nossas irmãs. De repente o véu de minha memória caiu e eu pude ver o rosto da mulher do meu sonho. Era inacreditável, pois eles formavam um casal muito bonito!

O esposo se esqueceu de proteger e nutrir seu amor e a traiu. Esqueceu-se de honrá-la e respeitá-la. Um sentimento de tristeza profunda invadiu meu coração. A traição do ser amado é uma experiência muito dolorosa!

À noite quando cheguei em casa liguei para ela e lhe falei do sonho. Ela e Jesus ali naquele belo jardim. Conversavam, falavam de sua dor. Falei das palavras do Senhor e de Sua declaração de amor por ela...  mas, sua mágoa era tão profunda que ela disse: “Não deveria ter sido eu a sonhar? Por que você?”

Comentei que talvez seu coração estivesse tão cheio de revolta e isso certamente bloquearia o efeito da mensagem. O tempo revelou para ela a profundidade do recado e que mulher de Deus tem sido minha irmã! Forte, corajosa, abençoada em todos os seus projetos. Não tenho dúvidas de que o amor do Senhor lhe protege e lhe sustenta.

Esta semana enviaram-me por e-mail um artigo intitulado “O Lamento das Mulheres Abandonadas”  . Pensei em algumas... são umas poucas muitas que amo profundamente e respeito por suas histórias de combate, sobrevivência e reconstrução de vidas.

Mas, este texto tem uma missão e ela está muito longe de exaltar a dor. Quero homenageá-las porque souberam exercer o amor de instruir outros pequenos seres a fim de que fossem grandes, a despeito de experimentarem o espinho da rejeição, da solidão e muitas vezes da angústia de ter que ser dois, mesmo sabendo que se é um. É, a palavra correta não é abandono, mas rejeição.

Há pessoas que se tornam muito especiais em nossas vidas. Minha sogra é uma dessas pessoas lindas! A convivência apenas me convenceu disto. Mas, há também minha amiga. Uma jovem senhora.

Se você me pedir para defini-la fisicamente diria que penso sempre que ela me lembra uma bailarina: elegante, educada e muito delicada. Mas, é do seu íntimo que emana toda minha admiração. Ela me lembra uma guerreira. E me faz amar ainda mais todas as guerreiras que conheci. Em especial minha inesquecível mamãe. Como tenho saudades de seus conselhos. Que mulher extraordinária foi minha mãe! Obrigada Jesus pela esperança da ressurreição!

A história de minha amiga e a história de minha sogra são semelhantes em seus traçados. Que mulheres admiráveis! Não se abateram diante da tribulação, ao contrário, transformaram as dores em hinos de vitória!

Ambas conheceram o amor e a ele se entregaram. Ambas experimentaram a dor, que por rimar, teima muitas vezes em caminhar de mãos dadas com o amor. Ambas um dia despertaram para a realidade de que tinham que enxugar sozinhas não somente as lágrimas de seus 4 filhos, mas também as suas próprias lágrimas. Que Deus abençoe as mamães-papais! São verdadeiras ‘machos’ de peito!

Naquela tarde de quarta-feira, enquanto esperávamos nossos filhos que estavam no curso de inglês, conversávamos tranquilamente e eu declarei para ela minha admiração. Minha amiga olhou-me nos olhos e disse: “Vou contar-lhe minha experiência para que você não me admire mais, mas Àquele que me faz agir assim. Eu estava com 4 meses de gestação do meu quarto filho quando ele, em viagem, conheceu alguém e queria ficar com esta pessoa. Passei o restante da gravidez sozinha, embora ele não tivesse declarado ainda que iria embora definitivamente.

Na verdade, foram dez meses sozinha enquanto ele não se definia. Mas, um dia ele se foi...  quando o bebê estava com cinco meses. Meu chão se abriu, fui até o meu quarto e chorei. Chorei muito, derramando minha alma diante do Senhor. Implorei para que Ele interferisse nos sentimentos do meu esposo. Ele tinha que esquecer aquela mulher e voltar a me amar.

O tempo insistia em me mostrar que Deus ‘ficara em silêncio’, pois meu esposo não voltava para casa. Minha angústia e desespero só aumentavam. O que seria de mim e dos meus filhos? Como encarar a sociedade e a igreja?


Encontrei apoio de algumas pessoas e isto foi muito importante para mim, mas foi numa certa noite, numa madrugada de choro e solidão que ouvi e senti o consolo de Deus. Neste dia encontrei a paz. O Senhor me consolou.

Conversando em oração com Deus disse-LHE que estava cansada e que a partir daquele dia não LHE pediria mais que trouxesse meu esposo de volta. Abri aleatoriamente a Bíblia e meus olhos foram instantaneamente ao encontro do Isaías 54: 5- 17:

‘Não temas, porque não serás envergonhada; e não te envergonhes, porque não sofrerás afrontas; antes te esquecerás da vergonha da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez. Pois o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor, que é chamado o Deus de toda a terra.

Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e triste de espíritocomo a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus: Por um breve momento te deixei, mas com grande compaixão te recolherei; [...] a minha benignidade não se apartará de ti, nem será removido o pacto da minha paz, diz o Senhor, que se compadece de ti. [...] E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante. Eis que embora se levantem contendas, isso não será por mim; todos os que contenderem contigo, por causa de ti cairão. [...] Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justificação que de mim procede, diz o Senhor’.

Minha amiga recitou Isaías 54 pela memória de seu coração e à medida que ela recitava a emoção tomava conta de mim... a melhor expressão para descrevê-la é dizendo o quanto me “arrepiei” (expressão cearense cujo significado é ficar com os cabelos dos braços em pé).  Que experiência maravilhosa! A voz do Senhor se fez ouvida em meio a angústia da solidão! O Senhor prometeu e tem cumprido Sua promessa para minha irmã, minha amiga e minha sogra.

Certamente nem todas as mamães conheceram ou conhecem esse drama, mas desejo dedicar Isaías 54 para todas as mamães.

É claro que minha amiga sabe que Isaías 54 tem um contexto específico. Mas, a resposta que ela obteve naquela noite através da Bíblia transformou essa mensagem numa mensagem pessoal.

Embora a “vergonha da tua mocidade” e o “opróbrio da tua viuvez” sejam referentes à servidão egípcia e ao cativeiro babilônico, não são diferentes os sentimentos de uma mulher rejeitada. Afinal, o que lhe resta é a dor da perda da liberdade com a chegada da solidão.

O fato é que a essência da resposta de Deus para todos nós, através desses versos nos fala que é importantíssimo que, enquanto filhos e filhas de Deus devemos nos regozijar com Ele e que Ele deve ser a nossa glória, enquanto homens e mulheres livres. Afinal, os conselhos eternos não sabem o que é recuar, muito menos pode ser impedida a Sua vontade. Ele quer que sejamos felizes e nós potencialmente podemos e devemos ser.

Isaías 54 é na verdade um hino de confiança em que a fidelidade do Senhor e a eternidade do Seu amor são garantidas. Nele o Senhor confirma que sob Sua proteção o abatido é erguido e sua vida é restaurada pela certeza de uma união verdadeiramente indissolúvel. Ele e nós.

Ainda que as lutas e dores da vida nos abatam os sentimentos do Senhor nos afirmam que Seu amor é grande e perdurável e que comparado com o Seu amor a fase de rejeição não merece ser lembrada.

Neste dia especial para você mulher mamãe o nosso desejo de uma vida plenamente abençoada pela presença de Deus.






Ruth Alencar

Comentários

  1. " Nada pode apagar o que o Tempo escreveu dentro de cada ser" , mas essas páginas podem ser viradas.Muitos homens e mulheres que sofreram duras experiências conseguirão seguir adiante com o poder do Grande Consolador.
    Quando vemos homens e mulheres superando páginas amargas de suas vidas , acreditamos na promessa de que Ele está conosco todos os dias.Louvado seja Deus por essas pessoas especiais que não desistiram de viver . São verdadeiros vencedores!!

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