Conversando sobre a Questão do Suicídio (parte 2):

Quando a Depressão caminha ao lado da Fé


“Os tristes acham que o vento geme;
Os alegres acham que ele canta.” 
(Luiz Fernando Veríssimo)


“Segundo Botega (2007), em termos globais, a morte por suicídio aumentou 60% nos últimos 45 anos, passando a ocupar a terceira posição na lista das causas mais frequentes de falecimento da população entre 15 e 44 anos, sendo os jovens, atualmente, o grupo de maior risco em 30 países, como por exemplo, Lituânia, Rússia, Cuba, China. O grupo de maior risco, no Brasil, é o dos idosos do sexo masculino, contudo, os índices apontam para um aumento significativo entre pessoas jovens.

A relação, entre suicídio e depressão, é estreita, a ponto de o primeiro ser, ainda hoje, considerado, por muitos, um sintoma ou uma consequência exclusiva do segundo. De fato, a importância da associação entre eles é um dos dados mais conhecidos e replicados na literatura psiquiátrica. [...] (Corrêa e Barrero, 2006).

Dados da Organização Mundial de Saúde (2000) indicam que o suicídio, geralmente, aparece associado a doenças mentais, sendo a mais comum, atualmente, a depressão, responsável por 30% dos casos relatados em todo o mundo. Outros transtornos como o alcoolismo (18%), a esquizofrenia (14%) e transtornos de personalidade antissocial (13%) também são citados como fatores predisponentes. Apesar de os quadros psicopatológicos serem considerados, na maioria dos casos de suicídios, a motivação desse ato, existe também, como destaca Brandão (2004), a ocorrência pela motivação moral por si só, no qual entre os motivos desencadeantes podem estar as causas ideológicas, os motivos religiosos, a vergonha, a culpa, as perdas amorosas, enfim, as perdas da relação objetal.

Não obstante o suicídio envolve questões socioculturais, genéticas, psicodinâmicas, filosóficos existenciais e ambientais, na quase totalidade dos casos o transtorno mental é um fator vulnerabilizador que necessita estar presente para que, culmine nesse ato, quando somado a outros fatores. O risco aumenta mais de 20 vezes em indivíduos com episódio depressivo, sendo maior ainda em pessoas com comorbidades com outros transtornos psiquiátricos ou doenças clínicas. Dados de autópsia psicológica mostram que, aproximadamente, metade dos indivíduos – que faleceram por suicídio – estava sofrendo de depressão; se considerarmos os indivíduos com outros transtornos mentais, para os quais a sintomatologia depressiva era central, como nos transtornos de ajustamento com sintomas depressivos, a porcentagem sobe para cerca de 80% (Botega, Werlang, Cais e Macedo, 2006)1

Esses dados não podem ser negligenciados se quisermos de fato olhar o problema de frente. Fechar a questão apenas no ponto de vista espiritual não ajuda a compreender e discernir como intervir no problema de forma que o suicídio se torne de fato uma morte evitável. A questão que nos motivou a entrarmos na discussão sobre esse tema foi levantada por uma leitora cristã: Suicidar-se é um ato de falta de fé?

Sim, alguns cristãos dizem e apontam Hebreus 11:6 que diz que: "Sem fé é impossível agradar a Deus". Outros tomam Romanos 14:23: "tudo o que não é de fé é pecado". Suicídio, dizem, é pecado porque significa falta de fé.

Conversando certa vez sobre essa questão com alguns irmãos alguém disse: “Respondendo de bate pronto, suicídio é pecado. Assim como matar é pecado. No entanto, como sempre, existem aquelas questões éticas difíceis (ex.: matar um bandido pra salvar os filhos, mentir para salvar a própria vida, etc). Então a resposta imediata é: suicídio é pecado e Deus não apoia. Mas especular sobre a situação futura do suicida é complicado, pois temos na Bíblia situações estranhas, exceções que a gente não entende bem (Ex.: Deus abençoando mentirosos conscientes como Abraão e Isaque). Parece-me que Deus ordenou que todo julgamento a respeito de salvação fosse deixado com Ele exatamente porque nós somos incompetentes para saber os motivos e razões por trás dos atos das pessoas.”

Platão e Pitágoras afirmavam que a vida é uma dádiva de Deus e que os nossos sofrimentos, sendo ‘divinamente ordenados’, não podem ser abreviados por nossas próprias ações. Deveriam, ao contrário, ser suportados pacientemente.  Agostinho dizia que “o suicídio é o fracasso da coragem.”5

Por volta do século V d.C., os bispos representantes da Igreja Católica Romana através de Agostinho, por questão moral, utilizando os argumentos de Platão e Pitágoras decidiram tomar uma posição com relação ao suicídio, estabelecendo leis contra essa prática. Para sustentar seus argumentos fundamentaram-se no sexto mandamento: “não matarás”.

O Concílio de Orleans em 533 d.C., proibiu que se prestasse honra fúnebre a todo aquele que se matasse. Em 562, o Concílio de Braga abraçou a mesma decisão, proibindo as honras fúnebres a todo e qualquer suicida, independente de sua posição social. O passo final foi tomado, no ano 693, pelo Concílio de Toledo, que decidiu que aqueles que não obtivessem sucesso em suas tentativas de suicídios deveriam ser excomungados. No século XIII, Tomás de Aquino editou uma Suma, dizendo: ‘o suicídio é um pecado mortal contra Deus, que nos deu a vida; é também um pecado contra a justiça e a caridade’.  Aqueles que morriam dessa forma não eram enterrados, os corpos ficavam ao ar livre para serem devorados pelas feras e aves de rapina”.

Quanta falta de sensibilidade! Quão longe isto está do olhar misericordioso do Evangelho. O pior é que este conceito foi abraçado por toda a cristandade. Não estou dizendo: “Mate-se! Você não estará pecando.” O que quero que você saiba é que Deus não é uma alucinação da mente dos que creem. Muito menos é Deus o produto hipotético do judaísmo. Ele não está alienado ao sofrimento humano como afirmam alguns críticos da espiritualidade. Ele ouve, vê e a Seu tempo age. Ele estava atento ao desejo de Ana por um filho. Ele perdoou Paulo e Davi quando eles eram assassinos e se arrependeram. Ele acompanhou Sansão em sua história de vida e conheceu cada uma de suas decisões. Respeitou cada uma delas e interveio quando solicitado. Nosso ponto a ressaltar aqui é: Aprenda a cultivar o hábito de buscar o Senhor em oração. Peça-Lhe que lhe ajude em suas fragilidades aceitando a Sua oferta de paz. E, jamais duvide do Seu amor por você.

A mensagem desse texto tem um alvo: dizer aos deprimidos, aos tristes e aos desesperados que eles precisam aceitar em sua mente a importância da essência da vida. Essa essência forte que lhes sustentará durante a sua existência. Essa essência que não se arma jamais da condenação, mas da libertação através da vitória de cada dia. Para isso, precisamos compreender que somos cristãos, mas isso não faz de nós super-homens ou super-mulheres. É importante, pois compreendermos que em alguns momentos a benção de Deus vem através de profissionais. Não é falta de fé buscar ajuda de um médico ou um psicólogo. Ao contrário, é confirmação porque você pediu ajuda e crê que Ele enviará a resposta.

Sabe-se hoje  que muitos sintomas da depressão apresentam como causa “o baixo nível dos neurotransmissores, que são determinadas substâncias químicas no cérebro. Isso, por sua vez, pode ser resultado do estresse. Dependendo do caso, para se tentar normalizar os níveis dessas substâncias, algumas pessoas são medicadas. [...] Em suma, uma pessoa depressiva está mentalmente doente, passando por distúrbios mentais e muitas vezes fazendo uso de determinados medicamentos que, mesmo em casos raros, podem levá-la ao suicídio. Como avaliar as ações de alguém nesse estadoUma pessoa com um quadro assim pode estar fazendo pleno uso da sua faculdade da razão?4

Sentir-se triste e deprimido não desqualifica o cristão. A vida nesta Terra, por enquanto, se compõe desses momentos também. Precisamos dizer que o suicídio não é a solução por excelência porque há esperança em qualquer que seja a situação. Mas, daí a dizer que todo suicida estará impedido de entrar no reino de Deus é uma afirmação muito séria. É tentar tomar o lugar de Deus. Lugar que nem mesmo Cristo ousou.

Um leitora cristã compartilhou conosco sua história: "Lembro-me das três vezes que tentei o suicídio. Minha disposição mental era de total desespero. Nenhuma palavra de conforto, nenhuma promessa de Jesus, nem o apelo para que pensasse em meu filho ainda muito pequeno, conseguiam acender nem que fosse uma única centelha de esperança em meu coração. Não conseguia explicar às pessoas que havia chegado ao fim da linha, que já não havia mais caminhos para eu trilhar, que sentia um cansaço de alma, um desejo de apenas deitar e não acordar mais.

Lembro-me de uma vez em que no momento final eu clamei por Deus, mas já não havia retorno eu havia pulado do alto de uma cachoeira. Sinceramente não sei bem como saí da água só lembro que fiquei com o corpo coberto de escoriações por ter me afligido nas pedras. [...] Depois de tudo que passei hoje eu tenho a certeza de que é Deus quem me sustenta, pois a depressão, a angústia, o medo, a insegurança e o desanimo são presenças constantes em minha vida. Todos esses sentimentos ainda me assediam, mas Deus tem me ensinado a conviver com eles. E sempre que pareço que vou sucumbir a algum deles, sinto a mão poderosa de Deus a me erguer.

Por gratidão a tão grande cuidado me empenho em jamais transparecer minhas dores, estou sempre incentivando as pessoas, animando-as, espalhando alegria com meu sorriso e minhas brincadeiras. Gasto tempo para ouvir as pessoas, sou uma verdadeira entusiasta, mas às vezes me sinto muito triste, dilacerada por dentro e ninguém além de Deus sabe. Sou do tipo que conversa com Deus o dia quase todo [...] Sei que isso não me faz melhor que ninguém, mas que me dá uma força enorme, ah isso dá! E foi assim que comecei a entender que na verdade nunca quis de fato morrer. Tudo que eu queria e ainda quero é viver de verdade. [...] Aprendi o que significa o combate da fé. Para mim é acordar todos os dias e dizer: Senhor eu creio, mas me ajude a crer cada vez mais. Crer em quê? Creio que Ele está ao meu lado mesmo sem poder vê-Lo, crer que Ele me ama tão loucamente que até morreu por mim. Crer que Ele fez de tudo para que eu me salve. Crer que Ele virá me buscar e finalmente me dará a vida que tanto almejo. Enquanto isso eu seguro firme em Sua mão e só assim suporto esse mundo. Sou muito abençoada por Deus, diria que sou até mimada, mas nunca menti para Ele a respeito de minha constante insatisfação. Todos sabem que o ser humano é um insatisfeito por natureza e por isso vive correndo atrás do vento, acreditando que quando estiver mais magro ficará feliz, quando ganhar mais dinheiro ficará feliz, quando se casar ou se formar será mais feliz.

[...] Jesus mesmo avisou que teríamos aflição nessa jornada, por isso detesto ouvir as pessoas dizendo que quem tem Jesus é feliz o tempo todo. Eu não consigo ver ninguém plenamente feliz nessa Terra. Como ser feliz enquanto me banqueteio sabendo que em outro lugar alguém passa fome? Como ser feliz se olho meu filho dormindo seguro em seu quarto enquanto jovens da idade dele estão na Cracolândia vivendo como zumbis?
Meu pai abusou de mim quando criança, fui usuária de drogas, fui diagnosticada como esquizofrênica, [...] cheguei ao fundo do poço porque não dava para ir mais fundo. Então, estou cansada dessa hipocrisia dos supercrentesde que o mundo com Cristo é cor de rosaAndar com Cristo rumo a Canaã celestial é trilhar um caminho estreito e pedregoso. É levar uma cruz, é lutar contra nossa natureza o tempo todo. Não estou aqui dizendo que andar com Cristo é a maior tristeza, mas que andar com Cristo não significa que não vou sofrer, que não vou pecar ou cair, mas que tenho em quem me apoiar, [...]. Sei que meus pecados impedem muitas vezes a atuação de Deus em minha vida, mas aprendi que a cada dia que meus olhos se abrem significa que Deus está me dando mais uma chance. [...]”

Que depoimento forte. É triste, mas ao mesmo tempo maravilhoso! Há elementos aqui para grandes discussões... 

Eu não posso abordar esse tema apenas numa perspectiva religiosa, pois sabemos que a depressão é uma doença e como uma doença tem que ser tratada também na perspectiva médica. Por outro lado, não posso negar a importância da abordagem espiritual, pois muitos males têm nela a sua origem.

Jesus nos vê em nossa totalidade do ser, por isso nos ensinou sobre a necessidade de protegermos nossas emoções. Nossa abordagem será, portanto, cristocêntrica. Escute essas palavras do pastor Diego Ignácio:




Os que não conseguem proteger suas emoções serão sempre pessoas tristes e insatisfeitas. Sejam elas portadoras de depressão ou não. Muitos alcançam o sucesso, enriquecem, são aplaudidos, alcançam o topo da fama, mas por não terem cuidado de suas emoções carregam dentro de si um vazio. Na hora do confronto consigo mesmos desistem da vida ou passam a vida se entorpecendo num gesto de fuga. Perdem o prazer pela vida porque se sobrecarregaram de insatisfações e preocupações. Algumas passam pela vida alimentando a mente com pensamentos pessimistas. São tão desprotegidas emocionalmente que são torturadas por suas decepções e frustrações.

“O problema não é ser golpeado pela angústia, mas o que fazer com ela. A questão é sobreviver com dignidade, não machucando os outros, nem se autopunindo. Normalmente, quando alguém passa por grandes tempestades e não sabe proteger sua emoção, arrasta todos ao seu redor. Seja por si negar a viver, seja por negar o direito de os outros viverem, ou, então, por projetar nas pessoas mais íntimas seus conflitos e golpeá-las com ansiedade, reações impulsivas. Raros são os que sofrem com maturidade.”3

Eu já ouvi de alguém deprimido: “Não me fale de Deus”. E sempre quando isto me acontece calo-me, mas em meu silêncio testemunho que Ele está ali. Alguns depressivos parecem se irritar mais ainda quando falamos de Deus. Entretanto, conheço também pessoas que dizem que suportaram os momentos de dificuldade emocional porque nesses momentos buscaram o auxílio de Deus. Algumas até não se identificavam com Deus, mas na dor tornaram-se mais receptivas ao ponto tal que entregaram conscientemente suas vidas aos cuidados de Deus.

Outra de nossas leitoras, que também é cristã, comentando sobre suas crises depressivas e tentativas de suicídio, disse: “Naqueles momentos eu sei que os ‘flashs’ de lembrança de meus filhos não foram coincidência, sei que Deus tomava conta de mim quando pensava em pular do prédio. Sei que Deus mandou meu filho na hora que preparava a dose fatal de medicamento. Ele era bem pequenininho e se agarrou forte em minhas pernas.  Nunca deixei de crer em Deus, nunca! Nunca me revoltei com Ele. O problema é que a dor invisível deixava-me cega, sem raciocínio... Em um tipo de transe. Graças a Deus, nunca mais senti vontade de morrer ou ‘dormir por um ano’...”

O suicídio de um cristão é algo de difícil compreensão. Norman L. Geisler, um dos maiores apologistas da atualidade, disse: “até mesmo a eutanásia, uma forma de dar cabo a própria vida, é uma contradição em termos, porque o ato final ‘contra si mesmo’ não pode ser ao mesmo tempo um ato ‘em prol de si mesmo’ ”.

Então, pode acontecer de um cristão que está em comunhão com Cristo  suicidar-se? Um crente fiel também pode cair em tristeza e depressão? Cai. A Bíblia mesma nos confirma:

: “O meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão se apagando, e só tenho perante mim a sepultura”. (Jó 17:1)

O salmista: “Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia” (Salmo 38.6)

.Paulo: “que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração” (Romanos 9:2)

Jesus: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo" (Mateus 26:38)

. Elias: “... Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.” (1 Reis 19:4)

 . Jonas: “Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jonas 4:3)

A grande ressalva, então, fica por conta das motivações da tristeza de cada um desses personagens. Eles não tinham o pensamento suicida, estavam, no entanto, muito tristes. O fato é que não há uma só referência bíblica que afirme que o suicida não tem o perdão de Deus. Se a pessoa cometeu o suicídio por causa de uma doença, como uma forte depressão, como podemos imaginar a depressão maior em poder do que a graça de Deus?

Afinal, não foi uma atitude racional e intencional da pessoa, foi a doença. Além do mais, as Escrituras dizem que o Diabo “é homicida desde o princípio” (João 8:44). Nele se encontra a origem de todo mal. Todo pensamento suicida provém de sua inspiração, porque ele não ama o ser humano e se aproveita de suas doenças físicas, mentais e por que não dizer espirituais, para causar-lhe sofrimento. Isto, porém, não significa dizer que o suicida pertence ao diabo. Mas, que ele se aproveita da baixa autoestima e da própria fragilidade física do ser humano para agir. Deus conhece o diabo e suas intenções. Deus sabe separar pecado e pecador. Deus não perdoou o pecado, perdoou o pecador, pois pecado não se perdoa, se paga.

Jesus já pagou o preço do pecado da humanidade. Jesus incluiu a todos, ninguém, ninguém mesmo ficou de fora. O pecado não pegou Deus de surpresa, pois Sua graça antecipou-se ao pecado. O perdão de Deus não beneficia apenas o que se entrega humildemente a Ele. Na verdade, não há no mundo ninguém que não tenha sido perdoado por Deus. A questão é compreender que a grande maioria está perdoada apenas para os anos de sua vida (80, 90 anos!) Este é o perdão temporal de Deus, afinal está escrito que “o salário do pecado é a morte” e se todos pecamos e não morremos instantaneamente é porque como pecadores vivemos pela graça de Deus. É por Sua graça que respiramos, porque Jesus através do Seu sacrifício por nós assumiu o nosso lugar. Estamos sob a graça do perdão temporal (nosso tempo de vida). É o tipo do perdão que garante ao pecador as bênçãos da vida temporal: água, oxigênio, fertilidade da terra, etc. Nesse tipo de perdão Deus não espera por uma resposta ética nossa.

Essa é a boa nova do Evangelho, anunciar ao mundo que já existe perdão disponível. Esse é o compromisso do Evangelho, mostrar aos seres humanos que somos dependentes absolutos de Deus. Ele nos amou primeiro... A estratégia divina é nos fazer viver a graça do perdão temporal e através dela descobrirmos a vida eterna. Exatamente por compreendermos que nossa reação diante do amor e perdão de Deus precisa se confirmar através de nossa entrega pessoal a Sua soberania e autoridade. Deus quer nos dar vida eterna porque para Ele só existe este tipo de vida: a eterna.

O conceito de vida temporal é conhecido na Bíblia como morte, daí porque disse Jesus: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” (João 12:25)

Essa é a grande tragédia do pecado. O pecado tem o poder de nos deixar doentes: “Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas e inchaços e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo” (Isaías 1:5-6) Mas, saiba que Jesus conhece e sabe que nossas dores emocionais são reais e destrutivas. A Bíblia nos assegura que Ele é rico em perdoar. E que Ele tem poder para nos curar: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois... enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos” (Lucas 4:18-19).

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vos o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:28-29).

Paulo era um homem experimentado na dor e são dele essas palavras: “Porque não quero irmãos que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que o podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nos mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda” (2 Coríntios 1:8-10).

Trabalhar sobre este tema está revelando para mim o quanto temos em nossas igrejas irmãs e irmãos atormentados por tal sofrimento. Estou cada vez mais convencida do quanto precisamos nos capacitar e orar para sermos ponto de apoio e sustentação e não de condenação. Precisamos olhar com cuidado especial os que são frágeis emocionalmente. Precisamos compreender a realidade das doenças da alma, entre elas a esquizofrenia, a depressão e a bipolaridade. Precisamos desenvolver nossa paciência e misericórdia para com os que sofrem desse mal.

Quem deseja ter uma vida saudável e plena deve compreender que ela percorre esse caminho: o físico, o mental e o espiritual. Por isso, devemos proteger nossas emoções. Não nos exponhamos emocionalmente, desnecessariamente. Aprendamos a vivenciar nossas emoções, no dia bom e no dia mau. Amemo-nos, independente do que dizem sobre nós. Jesus manteve sua paz, apesar das rejeições a Sua pessoa. Alegremo-nos com nossas vitórias, fartura e felicidades. Mas, sobretudo, aprendamos, principalmente, a lidar com a tristeza, as frustrações, a doença e as perdas na certeza de que Deus nos sustentará, principalmente, nas adversidades. Eu não vejo felicidade completa, paz completa, emoção fortalecida sem a presença de Deus. Então, a espiritualidade é importante no enfrentamento do problema. Compreendo que Deus, em Jesus, seja a essência da vida.

“... sem mim nada podeis fazer”, disse Jesus (João 15:5). Reconhecer isto me dirá que não posso lutar sozinho contra o meu problema. Preciso de ajuda.

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, (Filipenses 4:13). Acredite que o poder de Deus pode lhe sustentar quando em paz, mas sobretudo quando em crise.

Lembre-se: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Romanos 5:20). O poder de Deus é maior do que qualquer um de nossos problemas ou dificuldade a vencer.

Daremos continuidade a essa reflexão...
  

Outros textos sobre o tema:

com comentários do Livro Suicídio uma Morte Evitável.

Conversando sobre a questão do Suicídio - parte 1:  Quando a Depressão caminha ao lado da Fé


 Ruth Alencar

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Notas:


2- SANSANO, R. Suicídio: Buscando alternativas. Barcelona: Clie 1992.

3- Augusto Cury, Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta. “Maria, a maior educadora da história”. SP, Editora Planeta, 2007.

4- Revista Kerigma, Ano 6 -Número 2 -2º. Semestre de 2010  www.unasp.edu.br/kerygma  Faculdade de Teologia do Unasp, 2º Semestre de 2010


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