Daniel 7: A visão dos quatro animais (parte 1)




Comentário de Siegfried J. Schwantes1 e C.Mervyn Maxwell2


“Tendo estabelecido um fundamento firme para confiança em DEUS, o profeta passa a guiar seus leitores através dos vários episódios na história da salvação até à inauguração do reino eterno de DEUS. [...]. Da vasta tela da história apenas alguns pontos são focalizados por causa de seu interesse religio­so. A soberania divina e a liberdade humana aparecem entretecidas num magnífico gobelino que se estende pelo corredor da história até o eschaton

Os capítulos 7 a 12 são escritos do ponto de vista da eternidade, sub specie aeternitatis. Como alguém que tinha acesso ao conselho de DEUS (Jeremias 23:18, 22), e somente este acesso conferia autoridade ao profeta, ele delineia o futuro do ponto de vista do céu, de tal modo que aconteci­mentos chaves na terra são vistos como a repercussão de acontecimentos chaves no céu. Nenhum dos eventos históricos considerados é puramente político. Todos eles têm sua conotação religiosa. Cada profecia indicará que DEUS é soberano, que a história marcha rumo ao alvo de Sua própria escolha. O tema dominante é que na luta titânica pelo poder DEUS tem a última palavra.

A profecia do cap. 7 realça o fato de que embora os santos possam sofrer perseguição em mãos de poderes demoníacos, é a eles que afinal será dado o reino eterno (vv.22, 27). O cap. 8 exalta a verdade da vindicação do santuário celeste no qual se centraliza toda obra da salvação, ao passo que o cap. 9 revela aquele aspecto do plano da redenção pelo qual o termo final seria posto ao pecado, e a justiça eterna seria estabelecida em definitivo (v. 24). Os cap. 10 e 12 consti­tuem uma grande visão com um prólogo (cap. 10) e um epílogo (cap. 12) do qual o clímax é a ressurreição dos santos mortos para a vida eterna (12:2).


A Perspectiva do Tempo

[...] Para os profetas clássicos como Amós e Isaías, todos os acontecimentos significativos do futuro fundem-se num grande "dia do Senhor". Num oráculo, referente à Babilônia, Isaías juntou a destruição daquele império com o fim do mundo. Ver particularmente Isaías13:6-13 com sua conotação escatológica.  De igual modo os cap. 65 e 66   de Isaías retratam a restauração de Israel depois do exílio em Babilônia como introduzindo um novo céu e uma nova Terra. À maior parte dos profetas não lhes foi dada a percepção de que longos intervalos de tempo separavam os acontecimentos que tentavam retratar. Assim, em Joel 2:28-30 o derramamento de Espírito precede sem outra "o grande e terrível Dia do Senhor". Ageu descreve a restauração do templo depois do exílio como levando diretamente à era Messiânica (2:6-9). Malaquias 3:1-5  equaciona a primeira vinda de Cristo com o julgamento final.

Mesmo os apóstolos não possuíam uma perspectiva clara como é evidente na pergunta que fizeram a Jesus antes de Sua ascensão: "Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel ?" (ATos 1:6). No tempo em que escreveu a primeira epístola aos tessalonicenses Paulo parecia esperar a vinda de Cristo em seus próprios dias (ITessalonicenses 4:13-17) . Somente em II Tessalonicenses 2:1-4 ele esclarece que a apostasia deve preceder o dia da volta de Cristo.

A ausência da perspectiva de tempo é evidente em outros escritos do NT. Pode ter sido o desígnio divino não fazer a Igreja imediatamente cônscia do longo tempo que decorreria antes da vinda de Cristo. Fazê-la consciente teria sido muito doloroso para a maioria dos crentes, e poderia abafar a nota de urgência na proclamação do evangelho.

Coube a Daniel introduzir a perspectiva do tempo na visão do futuro. Isto se tornou possível quando a inspiração divina lhe revelou períodos proféticos cuja duração seria marcada por acontecimentos específicos. Somente agora os acontecimentos críticos na história da redenção podiam ser percebidos como separados por intervalos mais ou menos longos. Assim em Daniel 9 a vinda do Messias é claramente separada da volta do exílio por um intervalo de 483 anos. No livro do Apocalipse a perseguição da Igreja pelo Anticristo é vista estender-se sobre um período de 1.260 dias proféticos, isto é, 1260 anos literais (Apocalipse 12:6, 14 e 13:5).

A inclusão dos livros de Daniel e Apocalipse no canon das Escrituras demonstra a mão da Providência. Pois estes dois livros suprem um senso de perspectiva na visão profética do futuro como nenhum outro livro no canon. Não fosse pelas profecias de Daniel 7,8 e 9 e Apocalipse 11,12 e 13, a Igreja não saberia onde se encontra no curso da história. Mas graças a períodos proféticos claramente ligados a acontecimentos históricos específicos a Igreja pode saber que está à porta da eternida­de.


Os Reinos deste Mundo Contra o Reino de Cristo

O cap. 7 divide-se naturalmente em duas seções: a visão propria­mente dita (vv.2-14), e sua interpretação (vv.15-27). A visão por sua vez pode ser dividida em duas partes: acontecimentos que transpiram na terra (vv.2-8 e 11-12), e acontecimentos que transcorrem no céu (vv.9-10 e 13-14). A interpretação também compreende duas etapas: a primeira pergunta de Daniel seguida pela breve explicação do anjo (vv.15-18), e a segunda pergunta de Daniel seguida por uma interpretação mais pormenorizada (vv.19-27).

Verso 2  a Visão é altamente simbólica, mas a maior parte dos símbolos já tinha sido usada por um ou outro dos profetas clássicos, e muitos deles são interpretados no capítulo mesmo. Assim "ventos" simbolizam frequentemente conflito político entre as nações. Ezequiel descreve o ataque de muitas nações contra as montanhas de Israel nos termos seguin­tes: "Então subirás, virás como tempestade, far-te-ás como nuvem que cobre a terra, tu e todas as tuas tropas" (Ezequiel 38:9). A luta perpétua entre as nações por um lugar debaixo do sol é comparada por Isaías com o bramido do mar e o rugido de suas "impetuosas águas" (Isaías 17:12-13). Em Apocalipse 17:15 as "águas" são interpretadas como "povos, multidões, nações e línguas". É claro, então, que os "4 ventos do céu" que "agitavam o grande mar" (v.2) constituem um símbolo apropriado dos choques militares entre as nações em sua luta contínua pela supremacia.”1



“O caudaloso rio de Daniel 7 é um fluxo largo e profundo. [...] Sua mensagem básica é que Deus é nosso Amigo e que, no julgamento todo homem, mulher, menino e menina que deposita sua confiança em Jesus Cristo, encontrará plena e graciosa salvação. [...]. Chega-nos quase como
Uma surpresa muito agradável, o fato de que em meio ao capítulo cheio de monstruosas bestas e chifres, Deus nos faça recordar que Ele tem cuidado de nós, de que Ele realmente vela sobre nós e toma conhecimento de tudo o que ocorre conosco de forma como outras pessoas nos tratam. Não apenas uma vez, mas quatro vezes, somos lembrados neste capítulo de que um dia Deus removerá o erro e recompensará o bem.”2

O tema de Daniel 7 é o mesmo do capítulo 2. Estamos tratando, portanto, não com um sonho comum de Daniel, mas com uma revelação da parte do próprio Deus.

O mar representa a humanidade. Os quatro ventos cardeais simbolizam os poderes celestes e esses poderes celestes põem em movimento as nações do mundo. Os quatro animais são revelados como quatro impérios que surgiriam sucessivamente na terra. Vimos até aqui que isto tem se cumprido fielmente. Porém, no que a profecia de Daniel 7 não é uma simples repetição da profecia de Daniel 2?

Na verdade, precisamos compreender que essas duas revelações se situam em duas perspectivas diferentes:

. A visão do capítulo 2 foi dada a um chefe político: Nabucodonosor. Metálica, a estátua invoca símbolos frios. A história é visualizada sob o ângulo político-econômico;

. A visão do capítulo 7 foi revelada a Daniel que era então profeta e homem político. Outra coisa interessante é que as potencias não são mais simbolizadas por metais, mas por seres vivos, embora sejam animais. Aqui a história é vista sob o aspecto político-religioso.

Na parte 2 daremos continuidade analisando a simbologia dos quatro animais e sua relação com a história da humanidade. História política e religiosa.


Ruth Alencar


- Conversando sobre o Livro de Daniel
- por Ellen White , Profetas e Reis, Capítulo 35

- por Pr. Isaque Resende
- por pr. Ezequiel Gomes

- por Ruth Alencar com texto base de Luiz Gustavo Assis e vídeos da Tv Novo Tempo

- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo e Edward J. Young

 - por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo
- por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 1) (com comentário de Siegfried J. Schwantes)

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 2)  (Siegfried J. Schwantes) 


. capítulo 1

. capítulo 2
. Revelação e explicação do sonho de Nabucodonosor (com Comentário de Siegfried J. Schwantes) 

. O Reino da Pedra

- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes
. Um pouco mais sobre a Mensagem de Daniel 3
- comentários de C. Mervyn Maxwell e Ellen White 

. capítulo 4
- comentário de Siegfried J. Schwantes
- por Ruth Alencar com comentários de C. Mervyn Maxwel, Urias Smith e Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

. capítulo 5
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 6
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 7
- por Ruth Alencar 
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes 
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 7  
 - por Ruth Alencar

. capítulo 8
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  C. Mervyn Maxwel
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 8  
- por Ruth Alencar 

. capítulo 9
- com comentários de Siegfried J. Schwantes
- por Matheus Cardoso

. capítulo 10
. Daniel 10: O Conflito nos Bastidores
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 11
- Comentário de Siegfried J. Schwantes
. capítulo 12
Daniel 12 : O Tempo do Fim – Parte 1- Por Siegfried J. Schwantes

Comentários

  1. AAaahhhh, quando estava ficando legal, acabou...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Logo, logo estaremos postando a continuação deste estudo Rafael. Aguarde...

      Excluir

Postar um comentário

Estamos felizes com sua participação. Volte sempre. Responderemos seu comentário logo que possível.

Postagens mais visitadas deste blog

3º Dia: Por que as coisas pioram quando mais buscamos a Deus?

O Rio Jordão: As Águas de Naamã

Revelação e Explicação do Sonho de Nabucodonosor - Capítulo 2