Como compreendo Romanos 5 (parte 1)

Um de nossos leitores nos propôs uma discussão sobre Romanos 5:12. Você pode conhecer o contexto dos questionamentos aqui 

Sua pergunta foi: 

“E o pecado? Entrou no mundo por um Adão histórico? Eu responderia que não, mas por qual razão? [...] Considerando que Adão é tratado por Paulo como símbolo da própria humanidade como um todo, e que a visão do Antigo Testamento não é a de homens nascendo pecadores, mas de um mundo que é pecaminoso pela presença da própria humanidade dentro dele, nós conseguimos explicar o problema da entrada do pecado.”

A Bíblia apresenta Adão e Eva como pessoas literais recebendo do Criador o dom de terem a Sua imagem. Nossa origem é, portanto, divina. O homem não tem um ancestral comum com o macaco. Segundo a Bíblia, o homem e o macaco são dois seres diferentes, duas espécies distintas, e que estão historicamente unidas por um outro motivo: compartilham um Criador comum.


Porém, os cientistas não criacionistas, quanto à evolução do homem, acreditam que macaco e homem possuem um ancestral comum. 

É preciso que ressaltemos que há dentro do modelo evolucionista várias correntes, algumas delas não negam a existência de Deus:

1. Teoria do Intervalo (ou Ruína e restauração, ou Intervalo grande, ou Lacuna): Segundo este modelo “a vida foi criada por Deus na Terra em passado distante. Mais tarde, depois de Satanás ser julgado, Ele destruiu essa vida. Tal destruição foi seguida pela criação descrita em Gênesis 1 e 2”1.

2. Criação Progressiva (os conceitos de Dia-Era e Dia-Revelação podem ajustar-se a esta classificação)

Neste modelo, “Deus realizou múltiplos eventos de criação distribuídos por longos períodos de tempo. [...]. A modificação do dia-era propõe que cada dia da criação descrito no relato do Gênesis representa uma era bastante longa. O conceito do Dia-Revelação sugere que a criação levou um longo tempo; mas a revelação dessa criação ao autor do Gênesis levou somente sete dias. [...]”1. Segundo este modelo, “a presença de predação generalizada (por exemplo, os dinossauros carnívoros) antes do ser humano no registro fóssil sugere que o mal, na forma de predação, aparece antes do advento da humanidade”1.

2- Evolução Deísta

Este modelo “nega a revelação das Escrituras, mas admite algum tipo de Deus que esteve ativo, principalmente no princípio”1.

3- Evolução Panteísta

Neste modelo “Deus é tudo e tudo é Deus. [...] A natureza é especial, e Deus progride com a evolução”1.

4- Evolução Teísta (Evolução Teológica, Criacionismo Evolucionista e evolucionismo Bíblico)

Neste modelo, “Deus dirige o contínuo processo de evolução do mais simples ao mais complexo. A ideia se ajusta bem facilmente a muitos conceitos da teoria geral da evolução e ainda permite a atividade de Deus. Também, Deus está disponível para superar algumas das difíceis barreiras que a evolução depara, como o problema da origem da vida, o desenvolvimento dos sistemas biológicos complexos e integrados, e a origem das faculdades mais elevadas do ser humano”1.

As outras teorias, segundo o modelo evolucionista, que não admitem a presença de Deus são:

1- Ancestral do Espaço (Criação cósmica ou Panspermia Dirigida)

Neste modelo “pode ser incluída um variedade de ideias, [...] basicamente, postulam formas livres extraterrestres originando ou modificando a vida terrestre”1.

2- Evolução (Evolução Mecanicista ou Evolução Naturalista)

Neste modelo, “as várias formas de vida desenvolveram-se como resultado da operação das leis naturais. Nenhum desígnio inteligente está envolvido [...] Formas avançadas resultaram de mutações aleatórias ou mutações conjugadas com a seleção natural”1.

Em um próximo texto refletiremos sobre a relação das várias interpretações com a informação científica e com a Bíblia. 

Qual a relação disto tudo com Romanos 5? Você deve estar se perguntando. A questão principal repousa no fato de que Romanos 5 apresenta o homem numa relação pessoal e direta com Deus. De todos esses modelos apenas o modelo da criação conta com apoio bíblico. O único ponto de ligação entre os modelos que admitem a existência de Deus é o próprio conceito de um Deus no controle.

Em Romanos 5 Deus é revelado como um Deus de amor (v.8). Um amor que é a fonte e não a consequência de Sua intervenção na história humana. Jesus, Deus encarnado na matéria humana e ‘por quem temos a paz com Deus’ (v.1), não surge na história da humanidade para impressionar Deus a nos perdoar, mas porque Deus nos ama. Romanos 5 fala de justificação e justificação é o resultado prático do perdão de Deus, que é a intervenção de Deus na história do pecado na Terra.

E é esse Deus quem autentica o relato da criação como está escrito em Gênesis: “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: “Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:8)

Em se tratando das Escrituras temos que reconhecer que ela é a “Palavra de Deus, como afirma, ou é uma coleção de sabedoria humana, posando como a Palavra de Deus. As posições teológicas liberais alegorizam os relatos da criação bíblica e do dilúvio e geralmente submetem-se em vários graus a interpretações científicas contemporâneas.”1

A Bíblia apresenta Adão e Eva como os primeiros seres humanos sobre a face da Terra, dizendo que eles foram criados por Deus à Sua imagem e semelhança. “Uma vez que Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, eles eram espirituais, intelectuais e fisicamente perfeitos. Não havia nada na natureza humana, ao sair das mãos do Criador, que tivesse propensão a pecar. Adão e Eva não tinham a tendência para o mal. [...] Eram indivíduos perfeitos em um mundo perfeito. Enquanto permanecessem em perfeita união com Seu Criador nenhum pecado, enfermidade ou morte poderia frustrar sua felicidade.”3

Eles foram formados à imagem de Deus com individualidade, o poder e a liberdade de pensar e agir. Contanto tenham sido criados como seres livres, cada um é uma unidade indivisível de corpo e mente, e dependente de Deus quanto à vida, respiração e tudo o mais. Quando os nossos primeiros pais desobedeceram a Deus, negaram essa dependência dEle, Sua imagem neles foi desfigurada e tornaram-se sujeitos à morte. Seus descendentes partilham dessa natureza caída e de suas consequências. 

A Bíblia aponta então para uma degeneração da criação, muito embora ainda rica da presença de Deus, daí porque a vida é teimosa ela existe mesmo em condições totalmente desfavoráveis a sobrevivência de um indivíduo. 

Gênesis 2:9 e 17 é extraordinário, pois evoca Deus marcando Sua Soberania. Lúcifer jamais poderia ser quem ele pretendeu ser: Deus. A imortalidade das criaturas de Deus está condicionada a presença do Senhor neles mesmos. Uma vez rompida esta relação que nutre espiritualmente a criatura, perde-se a imortalidade. E isto se fez com a decisão de Adão e Eva. E isto se faz conosco também. Isto me permite pensar que qualquer que seja o "fruto" hoje, vai dar a mesma resposta requerida a Adão e Eva: Quem é o Senhor de nossas vidas. 

A imortalidade pertence somente a Deus e Ele como fonte da vida no-la concedeu condicionalmente. Pela entrada do pecado no nosso mundo a perdemos, mas Ele prometeu que por ocasião da Sua última intervenção, na história desse mundo caído, Ele restaurará a nossa natureza desfigurada de Sua imagem. Conceder-nos-á novamente a imortalidade condicional e viveremos com Ele por toda a eternidade. 

Que princípio Deus apresentou a Adão e Eva quando os advertiu do perigo de desobediência? (Gênesis 2:15-17) Deus não disse que os abandonaria ou rejeitaria. O que Deus afirma é que eles tinham direito a uma escolha: viver ou morrer. Eles poderiam escolher. Sempre foi assim. Sempre será assim. Jesus morreu para que tivéssemos essa liberdade. E para que essa liberdade nos conduzisse à vida eterna. Muitos continuam a fazer a estulta escolha de rejeitar a eternidade em favor da vida presente. Nascidos neste mundo de pecado, somos pecadores por natureza. E a menos que o miraculoso poder de Deus interfira, nenhuma lógica ou razão nos levará a aceitar a eternidade que Deus nos oferece.

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.” (Romanos 5:12) Este verso bíblico é claroSabemos que, desde Adão, a morte vem a toda a humanidade como consequência do pecado.

Você diz leitor amigo, que o “pecado entrou ‘NO MUNDO’ e quem passou a todos os homens não foi o pecado que entrou ‘NO MUNDO’, mas a morte”.

Acontece  que a morte é consequência e isto de fato entrou no mundo, mas o pecado não é a morte, o pecado é a separação causada pela desobediência, a rebeldia, a desconfiança de Deus. Isto foi o que trouxe a morte. Jesus não morreu naquela cruz porque a morte está em nós. Ele morreu porque nos ama e quer nos trazer de volta para a amizade e relacionamento com Ele. A vida eterna será uma consequência da salvação.

A morte é o salário do pecado (Romanos 6:23). Se hoje a vida prossegue seu curso, se na terra há fertilidade, se ainda há vida em nós, apesar da maldição do pecado, é porque o perdão temporal de Deus nos sustenta. Deus em Cristo perdoou toda a humanidade e a propósito disso Ele não nos exige uma resposta ética. Por isso, o sol brilha sobre justos e injustos. Deus não é motivado por nossa adoração para ser quem Ele É, misericordioso e gracioso.

Uma prova bíblica sólida de que nascemos pecadores é o fato de que ninguém verá o reino de Deus se não nascer de novo (S. João 3:3). Se isto é verdade, então deve haver algo errado com o nosso primeiro nascimento, não acha? A doutrina quanto à culpa do pecado original é legitimamente bíblica. Nascemos separados de Deus, no entanto, embora nasçamos separados de Deus, não somos considerados responsáveis por isso. Ninguém é responsabilizado por isso até que tenha a oportunidade de compreender inteligentemente o problema, ver sua própria condição e o que pode ser feito para corrigi-la. Então aí começa a responsabilidade. Este é o conceito bíblico de pecado original. Deus jamais nos responsabilizou por termos nascido num mundo pecaminoso. E isto é realmente uma boa nova!

Com estas considerações não posso concordar com essa sua afirmativa: “Tendo compreendido dessa perspectiva o que Davi disse, nós percebemos que não somos pecadores até que CONSCIENTEMENTE cometamos nosso primeiro pecado”!

Claro que o pecado de uma pessoa não passa para outra através dos genes e cromossomos. O que é transmitido são os efeitos do pecado: doenças, por exemplo. Entenda que o homem peca porque é pecador. Ele não é pecador porque peca. Considere novamente que a principal questão do pecado é a separação de Deus. Por isso, a morte de Jesus. Não temos que pecar para sermos pecadores; basta nascermos! É isto que Davi reconhece e diz no Salmo 51. Acho que você está confundindo causa com consequência. Pecado no singular significa uma vida separada de Deus. Este é o resultado do pecado original: a rebelião. E pecados no plural, são os erros que cometemos em resultado de vivermos separados de Deus.

A separação de Deus, portanto, é a condição pecaminosa, não importa quão bons possamos ser, é o que nos dá o status de pecadores. Há muita gente boa, de excelente moral, que vive longe de Deus. Vive, porém, em pecado. Praticando ou não coisas erradas, vive em pecado. O ser humano sem Jesus é ainda pecador. O problema real quanto ao pecado e à justiça consiste em ter ou não Jesus em nossa vida. É disto que trata essencialmente Romanos 5. Nós ainda seríamos reféns do inimigo de Deus se o Criador não houvesse intervindo através de Jesus.

E é aqui que o Criacionismo, que tem como base a informação bíblica, se sobressai em relação aos modelos evolucionistas. Ele dá respostas a questões existenciais do ser humano. Não devemos andar pela vida de cabeça baixa; podemos andar eretos pelo valor que Jesus Cristo nos deu naquela cruz, ainda que estejamos degenerados em relação à Sua semelhança. Nossa origem permanece a mesma, é divina e o Criador Se importa de fato conosco. Não temos razão para vivermos sem esperança. Nossa vida tem um sentido, um propósito. Nosso viver tem relevância para os outros.  A morte de Cristo e Sua justiça nos revelam que não somente somos incapazes de produzir justiça separados de Cristo, também não temos interesse nas coisas espirituais. A negativa da existência divina e a falta de interesse nas coisas espirituais é uma evidência de que alguém ainda vive afastado de Deus.

Todos esses modelos evolucionistas, ainda que admitam Deus, apresentam um Deus completamente diferente do revelado na Bíblia. O Criacionismo (ou Criação Recente, Criação Especial, Criação da Terra Jovem) é o único modelo que permite este relacionamento com essência de aliança e compromisso entre o Deus Criador e humanidade. Segundo este modelo “Deus realizou Seus atos criativos em seis dias literais, cada um descrito com sua própria tarde e manhã. Essa criação teve lugar poucos milhares de anos atrás. Após essa criação, o mal tornou-se tão difundido que Deus teve que suprimi-lo por um dilúvio que foi a grande catástrofe que produziu a maioria das camadas fossilíferas na superfície da Terra. O dilúvio de Gênesis é o evento que concilia o registro fóssil com uma criação em seis dias”1.

Segundo a Bíblia, o pecado hoje existente no mundo é resultado do pecado de Adão. Mas, Adão e Eva não são responsáveis por meus erros. Eu sou responsável por meus erros, tenho o meu livre arbítrio assim como eles. Quando vacilo, sou eu quem vacila, não Adão e Eva em mim.

O que você chama de “fábula parabólica” é o que eu compreendo ser o relato de uma história onde um dos personagens se camufla. A própria Bíblia o identifica também como um leão rondando, buscando a quem tragar. Também conta um fato quando ele simula ser o ‘espírito’ do profeta Samuel. Desculpa mas há muita lógica, não é apenas uma estória com animais falando. Mas, a execução de um plano diabólico, onde o adversário de Deus se camufla para melhor enganar. Você pode ver um pouco mais sobre este personagem enganador aqui .

“Ao compararmos a queda dos anjos com a queda de Adão e Eva, encontramos entre eles nítidas semelhanças. Em ambos os casos o que as criaturas inteligentes questionaram foi: O caráter do Criador, Suas Ordens e confirmaram a vontade da criatura acima da expressa vontade do Criador. O pecado – em seu cerne – é a afirmação de que a criatura é independente de Deus. O pecador se recusa a se submeter à autoridade divina, seja a rebelião numa escala cósmica, seja dentro de um único coração. O pecado é o mesmo para anjos ou pessoas: uma obstinada determinação de não se submeter a Deus, mas a si mesmo.

Adão se tornou responsável por envolver a humanidade em pecado. Sua queda afetou a humanidade de diversas formas: A morte se tornou sua sorte (Gênesis 3:19; Romanos 5:12).  O domínio da Terra passou a Satanás, durante o tempo em que Deus lhe permite exercer limitado controle. (2 Coríntios 4:4-5; João 12:31). E sua queda trouxe como resultado a depravação da natureza humana; todos os aspectos – intelecto, emoções, vontade – foram afetados (Jeremias 17:19; Efésios 4:18) Em resumo, a rebelião de Adão afastou de Deus a família humana. A humanidade tornou-se inimiga de DeusRomanos 5:10 

Deus criou o homem com um propósito. Neste propósito Adão deveria representá-LO ao lhe ser delegado o exercer autoridade sobre a Terra que o Criador acabara de criar.  Deus requereu de Adão o mesmo zelo que Ele como o Criador tinha com relação ao Universo. A base da nossa moralidade deveria ser fundamentada nesta imagem e semelhança com Deus: sim, em Sua ética. Deveríamos ser amorosos, leais, verdadeiros, perdoadores, misericordiosos, tolerantes. Foi assim que Ele determinou que o homem fosse em relação aos seus semelhantes.

Claro que imagem é imagem, não é o mesmo que igual. Então, certos atributos divinos não poderão jamais ser aplicados ao homem. Estou falando da Onisciência, Onipotência e Onipresente. Essa é a fronteira da soberania de Deus. Ele nos criou, com capacidade de decisão e escolha. Ele é um Ser espiritual e importa que O adoremos em espírito, isto é que demos respostas espirituais em nosso relacionamento com Ele e com o nosso próximo. Uma resposta espiritual que percorra o caminho da ética e da gratidão. Reconhecê-LO como Soberano, Onipotente e grande Criador faz parte disto!


Continuaremos...


________

1- Ariel A Roth, Origens: Relacionando a Ciência com a Bíblia, Casa Publicadora Brasileira, Sp.2003.

2- Frank B. Holbrook, Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, vol.9, O Grande Conflito. 

3- Aecio E. Carius – Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, vol.9 , A Doutrina do Homem.



Comentários

  1. Olá Rutinha,

    Faz tempo que não passo por aqui, não é? Rs. As atividades da faculdade tem me absorvido de modo que, realmente se torna cada vez mais difícil entrar na internet, meu perfil do facebook bloqueou, e, devido a isso, terminei por deletá-lo, pois já não tinha mais tempo de entrar.

    Retornei até aqui devido ao fato de ter baixado um livro na internet, cuja tradução foi feita por você, chamado: Lire Ellen White. Eu "baixei" e imprimi para dar a minha mãe para ler, disse a ela, orgulhoso, que uma amiga minha havia feito a tradução! Rsrs.

    Bem, vou aproveitar para comentar seu texto, achei interessante que ele tenha sido uma resposta ao nosso diálogo, e, antes de qualquer coisa, quero lhe dizer do meu apreço em poder sempre dialogar contigo, não é sempre que tenho oportunidades tão boas como as que você me proporciona, pois são sempre positivas e creio que é mútua a proposição de novas ideias e possibilidades de interpretação.

    Não tocarei em todos os pontos, mas apenas nos que eu considero significativos.

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    1. Oi Italo, nossa faz tempo sim, mas imaginei que o tempo era algo precioso para vc agora que vc não está mais de férias. É sempre muito legal conversar com vc.

      Quanto a esse livro ele irá ser publicado até 2015, pelo menos foi o que me disseram. Não fui eu quem publicou a tradução, foi um amigo comum, meu e seu, que o fez sem me dizer que iria fazê-lo. Eu compartilhei com ele a cópia da tradução e ai deu no que deu... Quando cuidei já estava publicado na net. Espero que isto não atrapalhe na publicação.

      De qualquer forma tenho lido muitos comentários positivos. Acho que esta obra já deveria está à disposição da comunidade adventista. Penso que muitos adventistas não compreendem direito a missão e obra de Ellen White. Diga a sua mãe que envio um grande abraço para ela.

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  2. Continuação...

    1º. Acho interessante que, em qualquer diálogo que decorre de questões sobre literalidade, a pessoa que trata o texto em bases literais quase sempre despreza os detalhes. Por exemplo, você menciona que a bíblia trata Adão como um personagem literal, bem, como seria possível então dizermos que "[...] por um homem entrou o pecado no mundo [...]" se, em realidade, Eva foi a primeira a pecar? oO

    2º. Quando Paulo expressa a ideia de que "o pecado entrou por um homem", como é para você pensar que ele está ignorando a história que você está tomando como literal e simplesmente passa por cima do fato de ter sido Eva a primeira a pecar? Aqui, você tem algumas alternativas, mas entre elas, você pode admitir que a Revelação está banhada pela cultura, e que, portanto, a mesma não expressa o pensamento de Deus com a "clareza" e "limpidez" que costumamos tratar a Palavra de Deus, porém, a mesma, traz os traços da cultura humana na mensagem, e isso se nota por um Paulo que ignora a suposta literalidade da história da criação e fala do pecado entrando por um homem e não por uma mulher, como já dito.

    Ou você também pode pensar que Paulo não estava sendo preconceituoso, e, portanto estava apenas tratando Adão (que não foi o primeiro a pecar) como sendo a humanidade que posteriormente seria redimida em Cristo!

    Há outras possibilidades de leitura, sim, claro, não vamos aqui incorrer na falácia da falsa dicotomia, mas acho muito improvável que outras tenham maior plausibilidade que essas duas, embora, essas duas me pareçam mutuamente excludentes, pois ou Paulo estava sendo preconceituoso ou simplesmente Adão (que não foi o primeiro a pecar) era uma figura, cujo nome era um termo "guarda-chuva" para a humanidade.

    3º. Pensar que adotar a Evolução Teísta significa dizer que não temos origem divina, não faz jus aos fatos.

    Primeiramente, pelo simples fato de que a Evolução não diz que nós viemos do macaco, ou mesmo, que temos apenas um ancestral comum com os demais primatas, a Evolução afirma mais, afirma que nós somos macacos, porém, macacos modelados por processos naturais que de modo algum significam que não são da parte de Deus.

    Não pensar assim é o mesmo que achar que para cada evento do Universo, Deus teria que estar paranoicamente envolvido, não sendo capaz de criar leis que governassem esses eventos, ou seja, o que realmente limita Deus é a crença de que, para que Deus seja Deus, seria necessário eles estar por detrás, pessoalmente, de cada mínimo evento do mundo, no final das contas, quem termina por limitar Deus, não é a Evolução Teísta, mas aqueles que creem que Deus não tem Poder para criar leis que governem a natureza, já o Cristão Evolucionista Teísta pensa que é justamente o fato de Deus ter criado Leis para governarem a natureza, sendo a evolução uma dessas Leis, que Deus é extremamente poderoso, sendo que, suas Leis naturais precindem da necessidade de ação direta Dele mesmo, Que Maravilhoso Poder!

    Bem, não falarei sobre seu desenvolvimento teológico ao longo do texto, pois é uma ode à interpretação que tem por base a crença extra-bíblica do Criacionismo, mas penso que o primeiro ponto que coloquei é suficiente para lançar questionamentos mais profundos sobre trabalhar uma interpretação dessa natureza baixo o pressuposto de que o Adão paulino foi um induvíduo literal.

    Super beijo carinhoso,
    Italo Fabian.

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    Respostas
    1. Ítalo, compreendo que a abordagem da evolução teista, ao aceitar de certa forma a premissa básica da evolução, traga um certo conforto para os que consideram que assim algumas respostas possam ser dadas a algumas questões não respondidas pelo modelo evolucionista. Como se trazendo a presença de Deus possíveis lacunas estariam resolvidas.

      Fico com o pensamento de outros teólogos adventistas quando afirmam que a ‘evolução teista é um artigo humanista dentro da religião [...]”

      Não há um modelo único no pensamento adventista, quanto a mim, creio que Deus não está submisso à Sua criação. Sendo que Ele é o Criador de todas as coisas são elas que Lhe estão submissas não o contrário. Ellen White mesmo afirma que “Deus não é obrigado a usar a matéria preexistente, nem depende dela em Sua atividade criadora, e que as leis da natureza não agem por si mesmas, mas são a contínua expressão da vontade de Deus e de Seu poder Criador.”

      Por que estou abordando isto, que parece tão distante de sua pergunta?

      Para mim a Bíblia dá o seu próprio testemunho. O poder criador que fez o Adão literal é o mesmo que agiu na ressurreição de Lázaro. A diferença é que o primeiro veio sem um modelo preexistente. E o segundo surgiu da capacidade de recriação dAquele que em Si mesmo é vida pura! Não estou aqui dizendo que vc duvide dopoder criador de Deus.

      Honesta e sinceramente falando, compartilho o pensamento de que “os líderes eclesiásticos que propuseram uma doutrina da criação que não permitia a variação nos seres vivos devem, junto com aqueles que reduziram os 11 primeiros capítulos de Gênesis a um mito ou metáfora, dividir a responsabilidade pelo prejuízo causado a pessoas e sociedades como resultado da teoria da evolução”.

      Por que digo que a Bíblia dá testemunho de si mesma? Veja o que é dito em 2 Pedro 3:5-6: “Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; ”

      Jesus em muitas ocasiões citou o livro de Gênesis, isto por si mesmo traz autoridade para ele:
      Mateus 19;4-5
      Marcos 2:9
      Marcos 12:26
      Lucas 17: 26-29
      João 8:37

      Os discípulos tb o referendavam como escrito inspirado:

      Romanos 4:17
      Gálatas 3:8 ; 4:30
      Hebreus 4:4
      Tiago 2:23

      Todas essas declarações embora evidenciem a autoria de Moisés, ao serem citadas trazem em si mesmas a consideração a respeito de sua autenticidade. Eles não fariam referência a elas se fossem apenas ‘uma fábula metafórica”.

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    2. Uma questão muito séria para mim no que se refere a Adão é o fato de que o mesmo tenha recebido de Deus o fôlego divino e tenha ido criado à Sua imagem e semelhança. Não cabe aqui, para mim, um personagem fictício.

      Gênesis 5:2 diz: “Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no dia em que foram criados.” A palavra ‘homem’ em hebraico é ‘Adam’, o próprio vocábulo Deus utilizou para dar o nome ao pai da raça humana. Não parece lógico, analisando sob o ponto de vista de Deus, que isto se refira a um mito.


      Vc pergunta: “como seria possível então dizermos que [...] por um homem entrou o pecado no mundo [...]" se, em realidade, Eva foi a primeira a pecar?

      1 Timóteo 2:14 diz: “E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão;”

      2 Coríntios 11;3 : “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo.”

      Compreendo que a Bíblia é um livro contextualizado com uma mensagem universal. Porém, essas passagens bíblicas me falam claramente sobre a compreensão de que Eva fora enganada. Aqui a atitude parece ser mais de defesa do que necessariamente de rebaixamento moral. Eva me parece defendida. No entanto, embora ela tenha sido enganada isto não significa que foi desculpada. Ela transgrediu pq cobiçou a possibilidade de poder como Deus. O que não deixa de ser uma ofensa a Deus. Portanto, um pecado.

      Ela recebeu um castigo particular duplo:

      . sua vida sexual passou a envolver sofrimento e dor;
      . foi posta em sujeição a seu marido.

      Sabe, uma das bênçãos do Evangelho às mulheres dos países ocidentais é a mitigação dessa sujeição. (rsrsrsrsr)

      A questão de Adão, porém, foi mais grave. Ele não foi enganado. Ele conscientemente decidiu desobedecer as ordens de Deus.

      É assim que compreendo. Se no caso da mulher foi o incidente do pecado que foi tratado, no caso do homem foi o princípio do pecado que foi posto em consideração, afial ele era o cabeça da raça humana. O primogênito, no sentido de primeiro.

      O que me dá base para fazer essa diferenciação? O v. 17: “E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.”
      As palavras de Deus são em relação ao pecado de Adão. Não tenho dúvidas sobre isto.

      A Bíblia como a Palavra de Deus não comporta um relato filosófico ou especulativo. Ela não joga com a informação, nem com a verdade. A Redenção exige que a Verdade esteja presente. Na qualidade de livro da Redenção, ela descreve de forma autêntica o modo como o pecado entrou na esfera da experiência humana. É de fato um relato histórico sobre a queda do homem.

      É preciso que não nos esqueçamos que o mito, mesmo em seu sentido técnico, não é requerido na narração de acontecimentos históricos. Os expositores que invocam o conceito de mito na narrativa bíblica precisam definir o próprio conceito que têm da bíblia.

      O que interessa para mim na Bíblia é o seu conceito teológico e o ponto teológico importante no relato de Gênesis é que ele ensina que a tentação veio do exterior e que o pecado foi um intruso na vida do homem.

      Excluir
    3. Vc disse: "a Evolução não diz que nós viemos do macaco, ou mesmo, que temos apenas um ancestral comum com os demais primatas, a Evolução afirma mais, afirma que nós somos macacos, porém, macacos modelados por processos naturais que de modo algum significam que não são da parte de Deus."

      Vc pode até incluir Deus nisso, mas com certeza não é o Deus retratado na Bíblia.
      A Bíblia é clara quanto a isso quando diz em Gênesis 3:22:

      "Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós, conhecendo o bem e o mal."

      Isto nada mais é do que a afirmação de que o homem (homem e mulher) tinham adquirido um estado de determinação moral.

      A grande verdade é que eles não passavam de crianças e que num instante o estado adulto lhes sobreveio. Pelo menos é isso que entendo ao ler 1 João 2:16: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo."

      A criação do homem é o apogeu da obra criadora de Deus: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra." (Gênesis 1:26) Não cabe aqui a ideia de "macacos modelados por processos naturais". Este argumento é completamente antibíblico, sinto muito, mas essa é a realidade. Aceite vc ou não! (rsrsrsrs)

      Tenho compreendido que "A nossa imagem e semelhança" são sinônimos e compreendem-se à face do paralelismo da poesia hebraica. Trata-se de uma semelhança natural e moral. E é dessa semelhança com Deus que deriva todo o domínio do homem sobre as criaturas, inclusive do macaco. (rsrsrsrs)

      Excluir

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