Continuando sobre a visão do Quarto Animal de Daniel 7 (Parte 2)



Com comentários de Siegfried J. Schwantesa e José Carlos Ramosb

Minha compreensão a respeito das profecias de Daniel 7 e Apocalipse 13, relativas à besta, se referem particularmente a um poder, um sistema religioso, não a pessoas individualmente, não aos irmãos cristãos católicos. Embora, eu possa compreender que esse sistema esteja ligado à Roma Papal.

Penso que precisamos compreender que Apocalipse 13:11-17 descreve simbolicamente o engano final do mundo no futuro. A formação da ‘imagem’ da besta ainda é uma realização incompleta. Da mesma forma, a marca da besta ainda não foi imposta à humanidade. A compreensão dessa abordagem nos ajuda a evitar dogmas.

O livro de Daniel está muito relacionado com o livro de Apocalipse, sendo possível traçarmos um paralelo entre Daniel 7 e Apocalipse 13:


A besta de Daniel 7


“E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão, [...] Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, [...] Depois disto, eu continuava olhando, em visões noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.



Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas. Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, sobremodo terrível, com dentes de ferro e unhas de bronze; o qual devorava, fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobrava; e também a respeito dos dez chifres que ele tinha na cabeça, e do outro que subiu e diante do qual caíram três, isto é, daquele chifre que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e parecia ser mais robusto do que os seus companheiros. Enquanto eu olhava, eis que o mesmo chifre fazia guerra contra os santos, e prevalecia contra eles, até que veio o ancião de dias, e foi executado o juízo a favor dos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. Assim me disse ele: O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.”

     
A besta de Apocalipse 13: 1-7


“Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade.





Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta, e adoraram o dragão, porque deu à besta a sua autoridade; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses. 
E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu. Também lhe foi permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe autoridade sobre toda tribo, e povo, e língua e nação. E adora-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.







Características do chifre pequenoc:

(1) Um poder que se levantaria do Império Romano. Segundo o que o profeta viu na visão, o chifre pequeno não se manifestou no primeiro, no segundo, nem no terceiro animal, mas no quarto, precisamente aquele que simboliza o Império Romano.” Nem se apresenta como um quinto reino, mas um poder que nasce do 4º animal.

(2) Um poder que se levantaria na parte ocidental do Império. Se os dez chifres do quarto animal representam as tribos bárbaras que invadiram e dividiram a parte ocidental do Império Romano, e se o chifre pequeno surgiu "entre eles" (v. 8), temos que convir que este símbolo representa um poder também ocidental.

(3) Um poder que se levantaria após a queda do império ocidental. A profecia previu que o chifre pequeno não surgiria apenas "entre" os dez, mas "depois" deles (v. 24). Se a invasão bárbara do império ocidental culminou com a queda de Roma em 476 d.C., então o poder representado por esse chifre se projetaria no cenário da História particularmente após este ano.

(4) Um poder mais forte. Embora o chifre pequeno haja aparecido "entre" os dez e "depois" deles, nos é dito que ele seria um reino "diferente" (v. 24), isto é, distinto dos primeiros, naturalmente na forma e natureza do domínio exercido, bem como em força e influência. A profecia afirma que ele "parecia mais robusto que os outros" (v. 20).

(5) Um poder supressivo. A profecia previu que o chifre pequeno chegaria ao pleno domínio com a derrubada de três dos dez primeiros chifres (vs. 8, 20 e 24). Isto implica, naturalmente, que os reinos representados por esses três chifres não perdurariam. Na verdade, mais de três destas tribos tiveram duração curta, mas exatamente três não vingaram por influência direta do poder representado pelo chifre pequeno.”b

“A guerra movida pelo chifre pequeno aos santos é antes de tudo uma guerra religiosa. Não é questão apenas de perseguição, prisão e morte. É questão de distorção de seu caráter e de sua crença. Com efeito, o primeiro dever dos inquisidores era demonstrar a natureza herética das crenças e práticas dos acusados. Seu caráter cristão era posto em dúvida, e seu direito de se chamarem cristãos negado. [...]

Os reformadores e os intérpretes, em geral, até o final do séc. XVIII, não tinham dúvida de que este chifre simbolizava Roma Papal, a qual, diferente de outras potências, exercia tanto autoridade política como religiosa. [...]

A extensão das pretensões papais é ilustrada pela encíclica ditada pelo Papa Leão XIII, em 10 de janeiro de 1890, na qual afirma que "o pedagogo supremo na Igreja é o Pontífice romano. A união das mentes, portanto, exige... completa submissão e obediência voluntária à Igreja, e ao Pontífice Romano, como ao próprio DEUS". No quinto concílio Laterano em 1512, Cristófer Marcelo disse ao Papa: "Tu é o Pastor, tu é o Médico, tu és o Governador, tu é o Vinhatei­ro, tu és outro deus na terra" (J. D. Mansi, Ed., Sacrorum Concilio­rum... Collectio, 32:761).

Além de suas pretensões blasfematórias, o "chifre pequeno" perseguiria os santos do Altíssimo, e isto por "um tempo, dois tempos e metade de um tempo". O papado admite ter perseguido os hereges, e defende o ato como um exercício legítimo de sua autoridade. 

Quanto a pormenores da perseguição do papado aos albigenses, valdenses, hussitas, lolardos e aderentes da Reforma no Países Baixos, Espanha, Itália, França, etc., ver O conflito dos Séculos, cap. 4, 5 e 6. 

Quanto à legitimidade da Inqui­siç­ão que resultou na condenação de milhares de assim chamados hereges à prisão e à morte, A Enciclopédia Católica diz: "Na bula 'Ad extirpanda' (1252) Inocêncio IV declara: 'Quando aqueles julgados culpados de heresia tiverem sido entregues ao poder civil pelo bispo ou seu representante, ou pela Inquisição, o podesta ou magistrado principal da cidade os prenderá imediatamente, e dentro de cinco dias no máximo executara as leis feitas contra eles'... Nem pode haver dúvida sobre que regras civis se tem em mente, porque as passagens que ordenam queimar os hereges impenitentes foram inseridas nos decretos papais das constituições imperiais 'Comissis nobis' e 'Incosutibilem tunicam'. 

A bula 'Ad extirpanda' permaneceu desde então um documento fundamental da Inquisição, renovado ou reforçado por diversos papas, Alexandre IV (1254-61), Clemente IV (1265-68), Nicolao IV (1288-1292), Bonifácio VIII (1294-1303), e outros. As autoridades civis, portanto, eram ordenadas pelos papas, sob pena de excomunhão, de executar as sentenças legais que condenavam os hereges à fogueira."3

(6) Um poder insolente. Por quatro vezes a profecia anunciou que o poder representado pelo chifre pequeno seria blasfemo, proferindo "palavras insolentes contra o Altíssimo" (vs. 8, 11, 20 e 25).

(7) Um poder usurpador. Além de blasfemar contra Deus, esse poder usurparia prerrogativas divinas, cuidando em mudar os tempos e a lei de Deus (v. 25). Assim como é Deus quem muda os tempos (ver 2:21), igualmente Ele apenas pode alterar Sua lei, devesse ela, de fato, ser alterada. Mas, por ser um transcrito do caráter dEle, a exemplo de Deus, ela, não muda (ver Malaquias 3:6). Foi por isso que Jesus afirmou: "É mais fácil passar o Céu e a Terra do que cair um til sequer da lei" (Lucas 16:17).

(8) Um poder opressor – Além de blasfemar contra Deus e de se levantar contra os tempos e Sua lei, o poder representado pelo chifre pequeno também se oporia aos Seus fiéis, chamados "santos do Altíssimo" na profecia (vs. 22 e 25).

(9) Um poder que dominaria por determinado tempo – A profecia estabeleceu também o período durante o qual o poder representado pelo chifre pequeno dominaria: um tempo, dois tempos e metade de um tempo (v. 25), o equivalente a 1.260 dias/anos.

O período profético de "um tempo, tempos e metade de um tempo", indica o período de supremacia papal, quando sua autoridade na Europa estava no auge. Apocalipse 12:14 parece referir-se aos mesmos eventos, pois aí é dito que o dragão, a saber Satanás, por intermédio de potentados terres­tres, perseguiria a Igreja também por "um tempo, tempos e metade de um tempo". O mesmo período aparece em Apocalipse 12:6 como "mil duzentos e sessenta dias", e em Apocalipse 13:5 como "42 meses". 

Esses 1.260 dias são, na realidade, 1.260 anos, se levarmos em conta que, na profecia de gênero apocalíptico, um dia profético equivale a um ano literal (cf. Ezequiel 4:7). Calculando esse período a partir de 538 d.C., quando o terceiro chifre foi arrancado (isto é, os ostrogodos arianos foram derrotados por Belizário e expulsos de Roma), chegamos a 1798, quando ocorreu o aprisionamento do papa por Berthier, a mando de Napoleão Bonaparte. Assim os 1.260 anos da supremacia medieval do papado terminaram em 1798.c

É claro que esta afirmação é feita à luz de Apocalipse 11:3; 12:6, 14 e 13:5, passagens que nos permitem concluir que o ano profético contém 360 dias:

1 tempo     + tempos + ½ tempo = 3,5 x 360 = 1260
42 meses x 30 dias = 1260


"Como a profecia é escrita em lingua­gem simbólica, é razoável supor que o termo "dias" seja aqui tomado simboli­camente. Tomado literalmente um período de 1260 dias, ou três anos e meio, seria irrisório considerando o vasto intervalo de tempo coberto por estas profecias. Basta dizer que os vários impérios que aparecem neste capítulo exerceram seu poder durante vários séculos. E se esta profecia, como seu paralelo no capítulo 2, deve atingir o final da história, quando DEUS estabelece Seu eterno reino, então o período de 1260 dias deve ser interpretado em termos de um dia por um ano, como vários textos bíblicos o sugerem (Números 14:34; Ezequiel 4:6, etc). Teríamos então um período de 1260 anos para o floruit da suprema­cia papal, o que se enquadra nos fatos históricos perfeitamente.

Quanto a pormenores sobre a interpretação deste período proféti­co, ver o SDABC, vol. IV, pp. 834, 835. Para a validade da equivalência dia-ano em matéria de interpretação profética ver William H. Shea, Selected Studies of Prophetic Interpretation, pp. 56 a 85. [...]

Muitos dos antigos intérpretes protestantes viam o começo do período dos 1260 anos em 538 a.D., quando os Ostrogodos foram forçados a levantar o cerco de Roma, desaparecendo assim a última ameaça à autorida­de papal na Itália. Os ostrogodos, como os hérulos e os vândalos, tinham abraçado a forma ariana do cristianismo, e não reconheciam a autoridade do papa em assuntos eclesiásticos. Muitos intérpretes creem que os 3 reis do v.24, representam exatamente os” reinos arianos dos “ostrogodos, os hérulos e os vândalos, os quais foram abatidos um após o outro, deixando o papado livre para estender sua influência sobre áreas cada vez maiores na Europa.”a Afinal, enquanto estas potências arianas eram influentes, o papado não podia exercer autoridade completa na Europa.

“Esta influência foi grandemente cerceada pela Reforma Protestante no séc. XVI, e de novo em 1798, quando o General Berthier, obedecendo ordens do Diretório em Paris, prendeu o Papa Pio VI, enviando-o para o exílio em Valência na França, onde morreu dois anos depois.4 Embora outro papa fosse eleito em 1800, grande foi a perda de prestígio para o papado. Quanto aos pormenores da ascensão e queda do papado ver SDABC, vol. IV, pp. 834-838 ”a

(10) Um poder aparentemente favorável a Deus – Na visão, o chifre pequeno possui olhos "como os de homem", e uma boca que fala (v. 8), portanto, é humana também. Em Daniel 7, o elemento simbólico humano representa poderes favoráveis a Deus. No caso do chifre pequeno, porém, essa atitude favorável é apenas aparente, pois os olhos e boca "humanos" do chifre agem explicitamente contra Deus, Suas instituições e Seu povo. Observemos que, segundo o verso 8, não nos é dito que o chifre pequeno possui olhos de homem, mas "como os de homem".b

“Depois do surgimento do chifre pequeno, que veio depois dos animais que o precederam, a profecia apresenta um grande juízo no Céu, antes da segunda vinda. O mais importante aqui é que, de acordo com esta profecia, o juízo no Céu vem depois do período de 1.260 dias proféticos, alguns dias depois daquela fase de perseguição que terminou no fim do século 18 ou início do século 19, antes da segunda vinda. Assim, dentro da interpretação, temos evidência histórica para nos ajudar a entender a contagem de tempo desse juízo, que leva ao fim do chifre pequeno e ao fim deste mundo. [...]

Seus traços religiosos são delineados no v.25. Seria uma potência blasfematória que arrogaria para si títulos e prerrogativas que perten­cem a DEUS somente. Paulo deve ter tido em mente o mesmo poder, quando descreveu a apostasia que ocorreria na Igreja num futuro tão distante (II Tessalonicenses 2:4-12). João no Apocalipse também se refere a uma "besta" que proferia arrogâncias e blasfêmias (Apocalipse 13:5). A linguagem é quase idêntica a de Daniel 7.”a

(verso 12) O que aconteceu com os outros animais? Seu domínio já tinha sido tirado, à medida que cada um foi superado pela potência mundial seguinte. [...] Mas embora cada animal tivesse sido suplanta­do pelo seguinte, "foi-lhes dada prolongação de vida por um prazo e um tempo". Na transição de uma entidade política para outra nunca se dá uma exterminação total da população em causa, nem há perda total das reali­zações culturais. Deste modo alguns elementos de cada império sobrevivem no seguinte. [...]

Versos 15 a 18 - Estes versos contêm o primeiro pedido de Daniel que se lhe desse uma interpretação sobrenatural dos momentos críticos na grande controvérsia entre a luz e as trevas. Como outros comentários no livro mostram o profeta sempre sofria fisicamente e emocionalmente o efeito dessas visões (7:28; 8:27; 10:8, 16 e 18). Mas nada impede que ele peça a um dos anjos presentes o significado das coisas que acabava de ver. A réplica é extremamente breve, e aparentemente não continha mais do que o vidente podia suportar naquele momento. O anjo explica que os 4 animais representam 4 reis (reinos). Segue-se a afirmação promissora: "Mas os santos do Altíssimo receberão o reino". [...]

Versos 19 a 22 - A curiosidade de Daniel volta-se agora para o quarto animal, cuja aparência retorna à sua mente com pormenores adicio­nais. Os versos 2 a 8 continham apenas um esboço muito breve da história universal. O profeta recorda agora pormenores que escaparam à sua atenção da primeira vez. A ponta que tinha "olhos com os de homem, e uma boca que falava com insolência" é vista fazer guerra aos santos e prevalecer sobre eles (v.21). A cena do julgamento também se lhe torna mais clara. Os santos podem sofrer perseguição da parte da ponta pequena, mas se lhes assegura que no tribunal divino a sentença será pronunciada a seu favor, e que afinal eles receberiam o reino, reino este que jamais passará (v.22). É preferível ler com o aramaico, "o Ancião de dias tomou Seu lugar" no tribunal celeste, em vez de simplesmente "veio". Trata-se neste verso de se fazer justiça aos santos, e não de entregar o julgamento aos santos. de acordo com o Novo Testamento somente depois de sua própria vindicação é que aos santos se dá o poder de julgar o mundo e os anjos (I Coríntios 6:2-3; Apocalipse 20).

“Na apresentação de seu conteúdo básico e na forma como suas previsões alcançam cumprimento histórico, os planos proféticos de Daniel obedecem a uma ordem cronológica: Chifre, juízo e reino. Há uma sequencia de dominadores que vão surgindo um após o outro até a consumação final. Embora os animais, representantes de forças oponentes a Deus e a Seu povo, pareçam triunfar em sua atividade na Terra, a vitória final pertence a Deus, pois Ele julgará e destruirá os poderes iníquos e concederá plena salvação aos que Lhe são fiéis.

Essas previsões envolvem determinados eventos, tanto na Terra como no Céu. No transe do sonho/visão, o profeta se vê envolvido em uma dimensão ambiental dupla (terrena e celestial); isso, é claro, se reflete em todo o capítulo. Evidentemente, os eventos no Céu motivam a que os eventos que tomam lugar na Terra ocorram como ocorrem. O capítulo, de fato, nos dá a garantia de que Deus tem o controle dos negócios da Terra em Suas mãos, e que as coisas vão acontecendo como passos em direção ao Seu propósito final. Neste aspecto, o quadro do juízo (vs. 9-14) é fundamentalmente decisivo.”c

“A imaginação popular concebe o quadro da segunda vinda de Jesus como coincidente com a hora do juízo final. O tradicional "credo dos apóstolos" (cuja origem nada tem a ver com o corpo apostólico) afirma que ele "há de vir para julgar os vivos e os mortos". É verdade que a manifestação de Jesus em Sua segunda vinda será feita em juízo (I Timóteo 4:1), e que este se estende para além desse grande evento (afinal o Apocalipse fala do juízo durante o milênio, período que começa com a volta de Jesus). O processo do juízo, porém, ocupa uma extensão de tempo que se inicia antes do retorno de Jesus, pois Ele, quando voltar, "retribuirá a cada um conforme as suas obras" (Mateus 16:27). Se Ele retribuirá, é porque o veredicto já está tomado. Então há, de fato, um juízo pré-advento.

Esse juízo é o mesmo de Daniel 7, principalmente por duas razões:

(1) o tribunal ali delibera que o domínio desse mundo exercido por poderes iníquos, em especial o poder representado pelo chifre pequeno, seja deles tirado e dado aos santos do Altíssimo; e

(2) esse duplo fato acontece precisamente com a volta de Jesus. É naquele glorioso dia que os ímpios terão suas pretensões chegadas ao fim, e os remidos de Deus receberão o reino (Mateus 25:31 e 34).

Além disso, Paulo afirma categoricamente que o poder representado pelo chifre pequeno será morto pelo "sopro" da boca de Jesus, e isso na "manifestação de Sua vinda" (II Tessalonicenses 2:8). Se Jesus irá fazer isso com ele, é porque o tribunal divino, previamente, assim o decidiu.”b

Continuaremos com esse tema ...

Referências

a- Siegfried J. Schwantes

b- José Carlos Ramos, Diretor de Pós-Graduação do Unasp-EC


3. Joseph Blotzer, art. "Inquisition", The Catholic Encyclopedia, Vol VIII, citado no SDABC, Vol IV, p.831.

4. L. Von Ranke, History of the Popes, Vol II, tr., pp. 458-9.




Indicamos também:

Série Santuário: Uma Nova Esperança:  Áudios
Santuário: Uma Carta de Amor Escrita com Sangue (parte 2) 

. A História do Papado,2013


Ruth Alencar




- Conversando sobre o Livro de Daniel
- por Ellen White , Profetas e Reis, Capítulo 35

- por Pr. Isaque Resende
- por pr. Ezequiel Gomes

- por Ruth Alencar com texto base de Luiz Gustavo Assis e vídeos da Tv Novo Tempo

- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo e Edward J. Young

 - por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo
- por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 1) (com comentário de Siegfried J. Schwantes)

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 2)  (Siegfried J. Schwantes) 


. capítulo 1

. capítulo 2
. Revelação e explicação do sonho de Nabucodonosor (com Comentário de Siegfried J. Schwantes) 

. O Reino da Pedra

- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes
. Um pouco mais sobre a Mensagem de Daniel 3
- comentários de C. Mervyn Maxwell e Ellen White 

. capítulo 4
- comentário de Siegfried J. Schwantes
- por Ruth Alencar com comentários de C. Mervyn Maxwel, Urias Smith e Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

. capítulo 5
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 6
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 7
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel.
- por Ruth Alencar 
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes 

- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar

- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 7  
 - por Ruth Alencar

. capítulo 8
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  C. Mervyn Maxwel
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 8  
- por Ruth Alencar 

. capítulo 9
- com comentários de Siegfried J. Schwantes
- por Matheus Cardoso

. capítulo 10
. Daniel 10: O Conflito nos Bastidores
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 11
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 12
Daniel 12 : O Tempo do Fim – Parte 1- Por Siegfried J. Schwantes

Comentários

  1. Li esta este comentário do prof. Edilson Constantino em sua página do face e achei muito interessante. Compartilho com nossos leitores:

    O Chifre Pequeno de Daniel 7 é o mesmo de Daniel 8?

    PONTO-DE-VISTA 1:

    Em geral, os intérpretes concordam que ambos os "Chifres Pequenos" (Daniel 7 e representam a mesma realidade histórica. Os adventistas vêem o poder romano em ambas as representações; e os que vêem Antíoco Epífanes em Daniel 8 também conseguem vê-lo em Daniel 7.

    PONTO-DE-VISTA 2:

    Alguns eruditos (como Faussett, Auberlen, Zündel, Eberhardt, Hengstenberg, Gaebelein, etc.) enfatizam as diferenças e afirmam que NÃO DEVEMOS CONFUNDIR o "Chifre Pequeno" de Daniel 7 (identificado como Roma) com o "Chifre Pequeno" de Daniel 8 (identificado como Antíoco IV).

    Vejamos de perto ambas as interpretações.

    QUEM É O CHIFRE PEQUENO DE DANIEL 7?

    Qualquer identificação do "Chifre Pequeno" do capítulo 7 depende da identificação da sequência de Reinos, principalmente do "Quarto Reino"; porque o "Chifre Pequeno" surge na cabeça do Quarto Animal (Daniel 7: 19, 20).

    Muitos intérpretes preteristas identificam o "Quarto Animal" como o império Greco-Macedônico (Grécia); por isso o "Chifre Pequeno" deve ser Antíoco Epífanes.
    ................................................................................................................

    SEQUÊNCIA "PRETERISTA" DE IMPÉRIOS EM DANIEL 7:

    1. LEÃO: Babilônia.
    2. URSO: Média.
    3. LEOPARDO: Pérsia.
    4. ANIMAL INDESCRITÍVEL: Grécia (Império Greco-Helenístico).
    5. CHIFRE PEQUENO: Antíoco IV.

    OBSERVAÇÕES:

    1. Todos concordam que o LEÃO representa a BABILÔNIA.

    2. As escolas Historicista e Futurista identificam o URSO como a MEDO-PÉRSIA.

    3. A escola Preterista o identifica apenas como a MÉDIA.

    4. Enquanto as escolas Historicista e Futurista continuam sequencialmente identificando o LEOPARDO e o ANIMAL INDESCRITÍVEL como GRÉCIA e ROMA, a escola preterista fica um passo atrás, identificando esses animais como PÉRSIA e GRÉCIA.

    5. Quanto ao "Chifre Pequeno", Historicistas e Futuristas divergem. Para os primeiros, o Chifre Pequeno é Roma Papal que se levantou do Império Romano Pagão; para os segundos, que aceitam uma lacuna na história profética, trata-se do futuro Anticristo (alguns futuristas ainda concebam Antíoco, mas o vêem como um protótipo do anticristo final). Os Preteristas, que terminam sua sequência de quatro animais com a GRÉCIA, identificam o Chifre Pequeno com um poder grego, ou seja, Antíoco.

    OBSERVAÇÃO: Sempre existem pensadores "dentro dessas linhas" que entendem diferentemente certos detalhes, mas aqui estamos expondo de modo geral.


    continua...

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  2. CRITICANDO "A SEQUÊNCIA PRETERISTA" SOBRE DANIEL 7:

    O "Segundo Animal é a Pérsia sozinha, sem a Média? O "Quarto Animal" é a Grécia?

    RESPOSTA: NÃO.

    1. Embora a MÉDIA tenha precedido a PÉRSIA, ambas já estavam unificadas sob CIRO (em 550 a.C.), antes mesmo deste conquistar BABILÔNIA (em 539 a.C.).

    2. O livro de Daniel nunca separa a MÉDIA do domínio PERSA como se fossem dois impérios distintos. A BABILÔNIA foi conquistada pelos "MEDOS e PERSAS" (Daniel 5:28, 31); Dario, o Medo, executa as leis dos "MEDOS e PERSAS" (Daniel 6: 12); o Carneiro com dois chifres do capítulo 8 representa "os reis da MÉDIA e da PÉRSIA" (Daniel 8: 20). Daniel desconhece um império MEDO governando sozinho, separado, antes da PÉRSIA como querem os preteristas.

    3. PARALELISMO: O URSO MEDO-PERSA do capítulo 7 é representado de modo assimétrico e dual ("levantou-se sobre um dos seus lados" - Daniel 7: 5), do mesmo modo que o CARNEIRO MEDO-PERSA (Daniel 8: 3) possui dois chifres desproporcionais. [DETALHE: As três costelas na boca do URSO (Daniel 7: 5) mantém paralelo simétrico com as três direções geográficas das marradas do CARNEIRO (Norte, Ocidente e Sul - Daniel 8: 4) e podem respectivamente representar as principais conquistas das forças MEDO-PERSAS coligadas: LÍDIA (547 a.C.), BABILÔNIA (539 a.C.) e EGITO (525 a.C.). Esta dualidade de forma e natureza tripartite das conquistas põem ambos os símbolos (URSO e CARNEIRO) em paralelo. ogo, ambos os símbolos representam o império DUAL MEDO-PERSA.

    CONCLUSÃO PARCIAL:

    A sequência correta dos Animais-Nações (Reinos) em Daniel 7 é: BABILÔNIA, MEDO-PERSA, GRÉCIA e ROMA. Indubitavelmente, o "Quarto Animal" é Roma. Logo, o "Chifre Pequeno" tem que ser um poder romano.

    * Definitivamente, Antíoco não se encaixa na profecia de Daniel 7, pelos seguintes motivos:

    1. Antíoco não veio de Roma (verdadeira identificação do quarto animal).

    2. Antíoco não governou entre 10 reis (10 Chifres do quarto animal). Ele foi o oitavo rei da dinastia selêucida. [Lembrete: A profecia requer 10 chifres contemporâneos e não sucessivos].

    3. Ele não era "diferente" de seus predecessores (v. 24).

    4. Antíoco, até onde sabemos, não "arrancou três reis" (v. 8, 24).

    5. Antíoco não foi "mais robusto" que os demais (v. 20). Seu Pai, Antíoco III, o Grande, é que foi o maior da dinastia selêucida. A carreira de Antíoco foi medíocre.

    6. Sua perseguição contra o povo de Deus não durou "três tempos e meio" (v. 25).

    7. Não foi julgado pelo Ancião de Dias, cuja culminância de seu Juízo é a entrega do Reino Eterno aos Santos do Altíssimo (v. 9-14, 26, 27). O reino que veio depois do reino greco-macedônico foi o romano, não o reino de Deus (v. 27). [muito menos o "Reino da Graça" instituído por Jesus. Trata-se de um domínio "debaixo de todo céu" que será entregue aos santos no final].

    8. Suas insolentes palavras não foram a causa da destruição do animal macedônico (v. 11).

    Muitos eruditos já aceitaram essa conclusão e ensinam que o "Chifre Pequeno" do capítulo 7 é Roma; mas ainda sustentam que Antíoco é representado pelo "Chifre Pequeno" do capítulo 8.


    continua....

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  3. O que dizer, então, deste ponto-de-vista?

    ......................................................................................................................

    O "CHIFRE PEQUENO" DE DANIEL 8 É DIFERENTE DO CHIFRE DE DANIEL 7?

    Poderiam esses dois símbolos proféticos representarem entidades históricas diferentes?

    RESPOSTA: Penso que NÃO. Seguem alguns motivos.

    1. O MESMO SÍMBOLO é usado para ambos: um Chifre (A mesma palavra, tanto em Aramaico [Qeren - Dan. 7] como em Hebraico [Qeren - Dan. 8]). A Septuaginta (versão grega do AT) também utiliza a mesma palavra (Kerás) para ambos os Chifres. Isto sugere, a princípio, uma conexão entre ambos os símbolos. Se Daniel pretendia uma distinção histórica poderia ter usado um símbolo diferente.

    2. Ambos são descritos como "Pequenos" no início (7:8 - 8:9).

    3. Ambos tornam-se "Grandes" mais tarde (7:20 - 8:9).

    4. Ambos são descritos como "perseguidores" dos Santos (7:21, 25, 27 - 8:10, 24).

    5. Ambos são "blasfemos" (7:8, 11, 20, 25 - 8:10-12. 25).

    6. Ambos possuem inteligência (7:8 - 8:23-25).

    7. Ambos têm suas atividades limitadas por tempo profético (7:25 - 8:13, 14).

    8. As atividades de ambos estendem-se até o tempo do fim (7:25, 26 [12:7-9] - 8:17, 19).

    9. Ambos são destruídos de forma sobrenatural (7:11, 26 - 8:25).

    10. Ambos estão, provavelmente, em relação paralela na descrição da sequência dos poderes mundiais da profecia.

    OBSERVAÇÃO: Há também diferenças entre os dois símbolos. Contudo, a maioria dessas diferenças são superficiais e tem a ver com a "origem" (temporal e geográfica) dos Chifres, algo que será elucidado no momento oportuno. Por enquanto, o que temos de concreto é que o número de correspondências entre eles (o Chifre pequeno de Daniel 7 e o de Daniel é bem maior e nenhuma das características individuais (distintivas) são mutuamente exclusivas.

    CONCLUSÃO PARCIAL:

    O "Chifre Pequeno" de Daniel 7 nasce na cabeça do animal romano e, portanto, não pode ser Antíoco IV. Se o "Chifre Pequeno" do capítulo 8 representa a mesma entidade histórica, então, de forma alguma pode ser identificado com Antíoco. Deve também ser um poder romano.

    ......................................................................................................................

    Neste post me dediquei mais ao capítulo 7 de Daniel. No próximo Post tratarei do Capítulo 8. Veremos primeiramente os ARGUMENTOS A FAVOR DE ANTÍOCO e depois os ARGUMENTOS CONTRA ANTÍOCO. E, no final, explicarei o significado da palavra "Chifre" e da palavra "Determinadas" (9:24).

    Lembrem-se: isto é apenas um resumo. Vasculhem a literatura especializada sobre o assunto. Estudem bastante.

    Até logo.

    Edílson Constantino (Natal-RN).

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  4. QUEM É A "PONTA PEQUENA" DE DANIEL 8?

    ANTÍOCO OU ROMA? [PARTE 3]

    Olá, pessoal. Após as notas introdutórias, analisemos Daniel 8 e vejamos agora os ARGUMENTOS A FAVOR E CONTRA ANTÍOCO IV EPÍFANES.

    I. A FAVOR DE ANTÍOCO:

    1. O CHIFRE PEQUENO VEIO DE "UM DOS CHIFRES" DO BODE GREGO (v. 8, 9). Antíoco foi o oitavo rei da dinastia selêucida (uma das divisões do império grego, isto é, um dos chifres do bode grego).

    2. O CHIFRE PEQUENO É BLASFEMO E PERSEGUIDOR (v. 10-12). De fato, Antíoco profanou o Templo de Jerusalém, aboliu o ritual do santuário e seu sacrifício contínuo, perseguiu duramente os judeus fieis e quase destruiu a religião judaica mediante suas campanhas helenizantes.

    II. CONTRA ANTÍOCO:

    1. A NATUREZA DO CHIFRE PEQUENO: UM REINO, NÃO UM REI INDIVIDUAL.

    O que simboliza "um Chifre"? REI ou REINO?

    A palavra hebraica para REI (Melekh) é diferente do termo para REINO (Malkuth), mas isso não altera em nada a discussão. Porque embora uma palavra possua seu próprio significado, ela pode ser usada em um contexto tão amplo que seu significado seja alterado. todos sabemos o que significa a palavra "Fera", mas certamente percebemos diferenças semânticas entre as frases: "Vi uma fera no zoológico" e Fulano é uma fera em Matemática". A palavra "Flor" possui seu próprio campo semântico, mas é o contexto da afirmação quem define o significado, não o léxico simplesmente. "peguei uma flor no jardim" é diferente de "Você é uma flor delicada e meiga". Logo, é contexto quem deve estabelece o sentido da palavra REI na literatura profética.

    Embora Daniel 8:23 chame o "Chifre Pequeno" de "Rei" (Melekh), há várias razões que nos levam a identificá-lo como "Reino", uma entidade corporativa, não um indivíduo.

    continuaremos...

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  5. Vejamos:

    a) O "Chifre Pequeno" surge depois da visão dos "Quatro Chifres Notáveis" do Bode Grego. O Anjo-intérprete identifica os "Quatro Chifres" como "Quatro REINOS" (v. 22). É de se esperar, portanto, que o Chifre Pequeno também represente um REINO.

    b) Os dois "Chifres" do Carneiro representavam "os reis da MÉDIA e da PÉRSIA" (v. 20); isto é, as casas dinásticas que governaram essas nações. Não se trata de reis individuais, mas de todo o sistema político-ideológico por eles representados.

    c) Os intérpretes da Profecia de Daniel 7 geralmente aceitam que os 10 chifres da cabeça do quarto animal (Roma) representam 10 nações bárbaras germânicas que fragmentaram a unidade do Império Romano Ocidental na Idade Média. Portanto, 10 Reinos, não 10 reis individuais.

    d) Os quatro animais (Bestas) de Daniel 7 (Leão, Urso, Leopardo e Animal Indescritível) são identificados pelo anjo como "quatro REIS que se levantarão da terra" (7:17). Embora todos concordem que são REINOS.

    e) Quando o anjo interpreta "o quarto animal", diz ao profeta que se trata de "um quarto REINO na terra, o qual será diferente de todos os REINOS" (v. 23).

    f) No capítulo 2, Nabucodonosor é identificado como a "Cabeça de Ouro" da Estátua metálica das Nações. Contudo, sabemos que as porções metálicas da imagem representam REINOS, não monarcas individuais. Nabucodonosor era um símbolo para representar todo o vasto império babilônico por ele administrado. Mas é evidente que a "Cabeça de Ouro" ia além do rei individual para abranger todos os seus sucessores; caso contrário como poderíamos explicar a profecia quando diz: "Depois de ti, se levantará OUTRO REINO, inferior ao teu...". Claro que o império medo-persa não se levantou hegemonicamente após a morte de Nabucodonosor como rei individual.

    g) A palavra "rei" é usada como um símbolo profético para representar um REINO. [DETALHE: Em Daniel 2:44, falando sobre os 10 dedos da estátua (os quais mantém paralelo com os 10 chifres do quarto animal no capítulo 7), diz-se que "nos dias destes REIS..." mas no mesmo verso é-nos dito que o Reino de Deus (representado pela Pedra) "consumirá todos estes REINOS". Logo, os 10 dedos, e consequentemente os 10 chifres, são reinos-nações, não indivíduos.

    h) A Besta Apocalíptica (Apoc. 13 e 17) também possui 10 chifres, mas são vistos claramente como chifres-nação, entidades coletivas de governo [O tema da Besta de Apocalipse 17 será tratado em posts futuros].

    h) O único lugar da Bíblia onde "Chifre" parece se referir a um REI individual é Daniel 8:8, 21. Alguns vêem aqui uma referência a ALEXANDRE MAGNO porque o verso 21 diz: "... e o Chifre Grande entre os olhos é o seu PRIMEIRO REI". Mas tal interpretação não é necessária, nem correta. NEM O "CHIFRE GRANDE" DO BODE GREGO É ALEXANDRE (ENQUANTO INDIVÍDUO), NEM OS "QUATRO CHIFRES NOTÁVEIS", QUE LHE SUBSTITUÍRAM, SÃO OS SEUS QUATRO GENERAIS INDIVIDUAIS: CASSANDRO, LISÍMACO, PTOLOMEU E SELÊUCO. MAS OS REINOS POR ELES REPRESENTADOS. O "Chifre Grande" é o Império Helenístico iniciado por Felipe II, Rei da Macedônia, e desenvolvido por seu Filho, Alexandre Magno e ainda mantido, até 301 a.C., por Antígono e o filho póstumo de Alexandre após a sua morte em 323 a.C. E os "quatro chifres" que surgem em seu lugar são as casas dinásticas completas iniciadas pelos quatro generais de Alexandre. Nada de interpretação individualizante; sempre estão em foco entidades corporativas.

    continuaremos...

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  6. 2. ANTÍOCO NÃO PODERIA SER UM CHIFRE (REINO) SEPARADO, MAS ERA APENAS UM MONARCA DO CHIFRE "SELÊUCIDA" (UM DOS QUATRO CHIFRES NOTÁVEIS DA CABEÇA DO BODE GREGO). ELE FOI O OITAVO REI DA SÍRIA (UM DOS QUATRO CHIFRES), NÃO UM CHIFRE A PARTE.

    3. ANTÍOCO NÃO SE TORNOU "EXCESSIVAMENTE GRANDE PARA O SUL, PARA O ORIENTE E PARA A TERRA GLORIOSA" (v. 9). Quem afirma o contrário desconhece absolutamente a história de Antíoco conforme relatada pelo historiador romano Lívio (História de Roma, livros 44 e 45), pelo historiador grego Políbio (Histórias, livros 26 e 27) e pelo escritor dos livros apócrifos de 1 e 2 Macabeus.

    INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE ANTÍOCO (175 - 164 a.C.):

    A. NÃO FOI ANTÍOCO IV QUE ANEXOU A PALESTINA AO TERRITÓRIO SELÊUCIDA, FOI SEU PAI ANTÍOCO III, EM 198 a.C., NA BATALHA DE PANEIAS, CONTRA AS FORÇAS PTOLOMAICAS. ANTÍOCO IV, DE FATO, PERSEGUIU OS JUDEUS E PROFANOU O TEMPLO JUDAICO, MAS APÓS UM CURTO PERÍODO INSURGIU A "REVOLTA DOS MACABEUS" QUE EXPULSOU AS TROPAS DE ANTÍOCO DEFINITIVAMENTE DA PALESTINA. SEU SUCESSO "NA TERRA GLORIOSA" FOI PARCIAL.

    B. ANTÍOCO IV FOI RAZOAVELMENTE BEM SUCEDIDO EM SUA CAMPANHA PARA O SUL, CONTRA O EGITO, 170-168 a.C. CONQUISTOU BOA PARTE DO DELTA DO NILO EM 169 a.C.; MAS FRACASSOU NO ANO SEGUINTE QUANDO TENTOU TOMAR ALEXANDRIA. UMA ORDEM DOS ROMANOS O OBRIGOU A ABANDONAR SEUS PLANOS CONTRA O EGITO. PORTANTO, TEVE SUCESSO APENAS PARCIAL "PARA O SUL".

    C. ANTÍOCO III CONQUISTOU BOA PARTE DO ORIENTE ENTRE 210-206 a.C. MAS DEPOIS QUE OS ROMANOS DERROTARAM ANTÍOCO III, EM MAGNÉSIA, ESSAS NAÇÕES ORIENTAIS TORNARAM-SE NOVAMENTE INDEPENDENTES. ANTÍOCO IV TENTOU RECUPERAR OS DOMÍNIOS DE SEU PAI NO ORIENTE. DEPOIS DE ALGUNS PEQUENOS SUCESSOS MILITARES NA ARMÊNIA E NA MÉDIA, MORREU (APARENTEMENTE DE CAUSAS NATURAIS) EM 164 a.C., DURANTE SUA ÚLTIMA CAMPANHA CONTRA A MÉDIA. OU SEJA, NÃO "CRESCEU EXCESSIVAMENTE PARA O ORIENTE" COMO DIZIA A PROFECIA.

    4. AS ATIVIDADES ANTI-TEMPLO DE ANTÍOCO IV NÃO CUMPRE AS ESPECIFICAÇÕES DA PROFECIA. ELE NÃO DESTRUIU (LANÇOU ABAIXO) O TEMPLO DE JERUSALÉM; NÃO REMOVEU APENAS O TAMID (SERVIÇO DIÁRIO), MAS O ANUAL TAMBÉM; NÃO SUSPENDEU O SERVIÇO DO TEMPLO POR 2300 TARDES E MANHÃS, SOB QUALQUER CÁLCULO PRECISO; ETC.

    CONCLUSÃO:

    ANTÍOCO NÃO CUMPRE A PROFECIA DO CAPÍTULO 8 DE DANIEL.

    OBSERVAÇÃO: DESCULPE-ME IRMÃOS, PRETENDIA EXPOR ESSA QUESTÃO EM APENAS TRÊS POSTS; MAS TENHO QUE SAIR AGORA. POSTAREI UMA QUARTA PARTE DESSE MATERIAL E EXPLICAREI O SIGNIFICADO DA PALAVRA "DETERMINADAS" (DANIEL 9:24)

    ESTUDEM!

    ABRAÇO.

    Edílson Constantino.

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