Daniel 7: A visão do Quarto Animal (parte 1)


Comentários de Siegfried J. Schwantesa e  José Carlos Ramosb 



O quarto animal impressionou muito Daniel, que o descreveu como "terrível, espantoso e sobremodo forte", com  "grandes dentes de ferro" . Essa descrição nos lembra a monarquia férrea em Daniel 2

"O avanço inexorável dos exércitos romanos encontra eco na frase, 'devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava'. Esta descrição é muito parecida com a do capítulo 2: 'como ferro quebra todas as cousas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará' (v.40).

Em vista do paralelismo que salta aos olhos nas profecias dos cap. 2, 7 e 8, a interpretação dos sucessivos impérios deve ser coerente. Se no cap. 2 a cabeça de ouro é interpretada como Babilônia (vv. 37-38), e no cap. 8 o carneiro simbolizava o império seguinte, a saber a Medo-Pérsia (v.20), e este por sua vez é sucedido pelo império da Grécia (v.21), segue-se que nestes 3 capítulos o quarto império deve ser Roma.

O desejo de escapar desta conclusão inspira-se não numa exegese objetiva do texto, mas no conceito de que um escrito do segundo século nada podia saber quanto ao futuro papel de Roma. Em resposta a esta objeção, poder-se-ia dizer que ao passo que é apropriado falar das "quatro cabeças" do leopardo como simbólicas do desmembramento do Império de Alexandre em 4 partes, seria contrário aos fatos dizer o mesmo do Império Persa. Nunca se dividiu em 4 reinos como a profecia de Daniel 8:22 prediz da Grécia. Além disso, se o leopardo representa a Grécia, como comentaristas liberais mantêm, o quarto animal teria 10 chifres de acordo com Daniel 7:7 e 4  de acordo com 8:22. Seria uma maneira altamente confusa de interpretar os símbolos. Tudo se entrosa, porém, se o terceiro animal é interpretado como a Grécia, e o quarto como Roma. Isto corresponderia à ordem história dos grandes impérios, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma, na qual não há lugar para um império medo fictício.”a

“Existe um importante paralelo entre Daniel 2 e Daniel 7 que não devemos perder. Em Daniel 2, o ferro, o quarto poder, surgiu depois da Grécia (vs. 32, 3339-45) e, embora tomando outra forma, permaneceu até o fim. Só foi destruído quando Deus instalou Seu reino.

Em Daniel 7, com o quarto animal, o quarto poder, acontece a mesma coisa. O quarto animal, que surgiu depois da Grécia (vs. 6 e 7), permanece até o fim do tempo (embora sob outra forma), quando é destruído no estabelecimento do reino eterno de Deus (vs. 19-27).

Deste modo, tanto em Daniel 2 como em Daniel 7, o quarto poder, que surgiu depois da Grécia, permanece até o fim do mundo.”b

“Os "dez chifres" corresponderiam então aos dez dedos da estátua do cap.2, onde simbolizavam as nações da Europa nas quais o Império Romano do Ocidente se desmembrou sob o impacto das invasões bárbaras. Com o rolar dos séculos o foco de atenção na profecia muda gradualmente do oriente para o ocidente, do mesmo modo que o centro de gravidade do mundo político mudava na mesma direção.

Verso 8: Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados pelas raízes. Neste chifre havia olhos semelhantes aos olhos humanos, e sua boca falava com arrogância.” (versão Bíblia Judaica Completa)

À medida que o drama da história se desdobra, sua conotação religiosa se torna cada vez mais clara. Este verso marca de fato uma transição de considerações meramente seculares - uma sucessão de impérios - para as implicações religiosas da visão que é o assunto do resto do capítulo. Como já foi observado, o livro de Daniel é acima de tudo um livro religioso. Sua mensagem é antes de tudo uma mensagem religiosa. O contexto histórico constitui apenas um quadro de referência para suas afirmações teológicas.


Entre os dez chifres que simbolizavam a divisão do Império Romano em dez nações surgiu 'outro pequeno'. A caracterização deste chifre como pequeno deve ser explicada por seu caráter anti-religioso. Seu papel, porém, é muito importante, pois recebe mais atenção do que qualquer outro aspecto da visão. Este chifre é dito possuir “olhos semelhantes aos olhos humanos, e sua boca falava com arrogância”. Os olhos sem dúvida denotam inteligência e sagacidade. A partir da informação suplementar que é dada nos vs.20 e 21, e da interpretação nos vs.24 e 25, é manifesto que este chifre representa uma potência política-religiosa, pois proferiria 'palavras contra o Altíssimo', perseguiria 'os santos do Altíssimo', e cuidaria 'em mudar os tempos e a lei' (v.25).”a

Daniel 7 lida mais com este poder do chifre pequeno que com qualquer dos outros poderes. Obviamente, esse chifre pequeno, que surgiu do quarto animal, e continua sendo parte dele, é considerado muito sério pelo Senhor, visto que toma tanto tempo. Este poder, embora haja surgido do quarto animal, existirá até o fim do tempo, quando – depois do juízo no Céu – Deus instalar Seu reino terrestre. Só então ele será destruído.

Daniel 7 passa de Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia para Roma pagã, a fase de Roma que surgiu logo depois da queda da Grécia. Então, ao descrever esse poder romano, Daniel 7 apresenta o surgimento do chifre pequeno, que ainda é parte do quarto animal, embora em outra fase.”b

“Leia abaixo um esquema de Daniel 7, tendo na sequência a primeira profecia apocalíptica com tempo determinado. Foram acrescentadas as épocas aproximadas em que desmoronou cada um dos impérios antecedentes. Embora os historiadores frequentemente atribuam datas específicas a esses eventos, geralmente com ênfase em batalhas militares decisivas, o colapso de um império e o surgimento de outro normalmente acontece ao longo de muitos anos, e não em apenas um (lembre-se, também, de que o quarto animal e o chifre pequeno que se ergue dele são descritos na Escritura como um só poder):


Babilônia

1º animal
Medo-Pérsia

2º animal
Grécia

3º animal
Roma pagã

4º cabeça
Roma papal

5ª cabeça
Termina na última metade do século 6 a.C.
Da última metade do século 6 a.C. até a última metade do século 4 a.C
Do meio do século 4 até o meio do século 2 a.C
Do meio do século 2 a.C. até o século 5 ou 6 d.C.
Perseguição do século 6 d.C. até os séculos 18 ou 19 d.C.

É verdade que o papado não terminou no fim do século 18 ou início do século 19, mas não é isso que a profecia diz. Em vez disso, a profecia só diz que a perseguição, ou pelo menos essa fase da perseguição, duraria esse tempo (naturalmente, Apocalipse 13 fala do ressurgimento da perseguição [...], mas este é outro assunto).

Assim, o que está claro até agora em Daniel 7 é que a cena do grande juízo no Céu, um juízo que conduz ao estabelecimento do reino de Deus, acontece algum tempo depois dos 1.260 anos de perseguição papal, algum tempo depois do fim do século 18 ou início do século 19, mas antes da segunda vinda.”c

Obs.: Em relação aos 1.260 anos estudaremos mais adiante este tema.

Propomos a você essa palestra do arqueólogo e pastor Dr. Rodrigo Silva. É uma palestra baseada na profecia bíblica de Daniel 7, especificamente sobre a visão do 4º animal, mas também fundamentada em fatos históricos comprovados. A palestra começa no tempo 11:20, caso você queira ir direto ao assunto. Vale a pena, recomendamos, pois é importante para a compreensão dos próximos textos sobre o tema:



Embora tenhamos que ser diplomáticos no trato dessas profecias e buscar compartilhar nossa compreensão bíblica de modo a não ferir outros irmãos em Cristo, seríamos infiéis ao nosso mandato bíblico (veja Apocalipse 13:1-9; 14:6-12) se, para sermos politicamente corretos, abandonássemos essa posição para adotar algo menos controverso.

Continuaremos...

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a- Siegfried J. Schwantes, o Livro de Daniel.






Ruth Alencar



- Conversando sobre o Livro de Daniel
- por Ellen White , Profetas e Reis, Capítulo 35

- por Pr. Isaque Resende
- por pr. Ezequiel Gomes

- por Ruth Alencar com texto base de Luiz Gustavo Assis e vídeos da Tv Novo Tempo

- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo e Edward J. Young

 - por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentários de Flávio Josefo
- por Ruth Alencar
- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 1) (com comentário de Siegfried J. Schwantes)

Uma Introdução ao Livro de Daniel (parte 2)  (Siegfried J. Schwantes) 


. capítulo 1

. capítulo 2
. Revelação e explicação do sonho de Nabucodonosor (com Comentário de Siegfried J. Schwantes) 

. O Reino da Pedra

- por Ruth Alencar com comentário de Siegfried J. Schwantes
. Um pouco mais sobre a Mensagem de Daniel 3
- comentários de C. Mervyn Maxwell e Ellen White 

. capítulo 4
- comentário de Siegfried J. Schwantes
- por Ruth Alencar com comentários de C. Mervyn Maxwel, Urias Smith e Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

. capítulo 5
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 6
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel

. capítulo 7
- comentários de Siegfried J. Schwantes e C. Mervyn Maxwel.
- por Ruth Alencar 
- por Ruth Alencar com comentários de Siegfried J. Schwantes 

- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  José Carlos Ramos 
- por Ruth Alencar
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 7  
 - por Ruth Alencar

. capítulo 8
- com comentários de Siegfried J. Schwantes e  C. Mervyn Maxwel
 Continuando nossos estudos sobre Daniel 8  
- por Ruth Alencar 

. capítulo 9
- com comentários de Siegfried J. Schwantes
- por Matheus Cardoso

. capítulo 10
. Daniel 10: O Conflito nos Bastidores
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 11
- Comentário de Siegfried J. Schwantes

. capítulo 12
Daniel 12 : O Tempo do Fim – Parte 1- Por Siegfried J. Schwantes

Comentários

  1. Li esta este comentário do prof. Edilson Constantino em sua página do face e achei muito interessante. Compartilho com nossos leitores:

    O Chifre Pequeno de Daniel 7 é o mesmo de Daniel 8?

    PONTO-DE-VISTA 1:

    Em geral, os intérpretes concordam que ambos os "Chifres Pequenos" (Daniel 7 e representam a mesma realidade histórica. Os adventistas vêem o poder romano em ambas as representações; e os que vêem Antíoco Epífanes em Daniel 8 também conseguem vê-lo em Daniel 7.

    PONTO-DE-VISTA 2:

    Alguns eruditos (como Faussett, Auberlen, Zündel, Eberhardt, Hengstenberg, Gaebelein, etc.) enfatizam as diferenças e afirmam que NÃO DEVEMOS CONFUNDIR o "Chifre Pequeno" de Daniel 7 (identificado como Roma) com o "Chifre Pequeno" de Daniel 8 (identificado como Antíoco IV).

    Vejamos de perto ambas as interpretações.

    QUEM É O CHIFRE PEQUENO DE DANIEL 7?

    Qualquer identificação do "Chifre Pequeno" do capítulo 7 depende da identificação da sequência de Reinos, principalmente do "Quarto Reino"; porque o "Chifre Pequeno" surge na cabeça do Quarto Animal (Daniel 7: 19, 20).

    Muitos intérpretes preteristas identificam o "Quarto Animal" como o império Greco-Macedônico (Grécia); por isso o "Chifre Pequeno" deve ser Antíoco Epífanes.
    ................................................................................................................

    SEQUÊNCIA "PRETERISTA" DE IMPÉRIOS EM DANIEL 7:

    1. LEÃO: Babilônia.
    2. URSO: Média.
    3. LEOPARDO: Pérsia.
    4. ANIMAL INDESCRITÍVEL: Grécia (Império Greco-Helenístico).
    5. CHIFRE PEQUENO: Antíoco IV.

    OBSERVAÇÕES:

    1. Todos concordam que o LEÃO representa a BABILÔNIA.

    2. As escolas Historicista e Futurista identificam o URSO como a MEDO-PÉRSIA.

    3. A escola Preterista o identifica apenas como a MÉDIA.

    4. Enquanto as escolas Historicista e Futurista continuam sequencialmente identificando o LEOPARDO e o ANIMAL INDESCRITÍVEL como GRÉCIA e ROMA, a escola preterista fica um passo atrás, identificando esses animais como PÉRSIA e GRÉCIA.

    5. Quanto ao "Chifre Pequeno", Historicistas e Futuristas divergem. Para os primeiros, o Chifre Pequeno é Roma Papal que se levantou do Império Romano Pagão; para os segundos, que aceitam uma lacuna na história profética, trata-se do futuro Anticristo (alguns futuristas ainda concebam Antíoco, mas o vêem como um protótipo do anticristo final). Os Preteristas, que terminam sua sequência de quatro animais com a GRÉCIA, identificam o Chifre Pequeno com um poder grego, ou seja, Antíoco.

    OBSERVAÇÃO: Sempre existem pensadores "dentro dessas linhas" que entendem diferentemente certos detalhes, mas aqui estamos expondo de modo geral.


    continua...

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  2. CRITICANDO "A SEQUÊNCIA PRETERISTA" SOBRE DANIEL 7:

    O "Segundo Animal é a Pérsia sozinha, sem a Média? O "Quarto Animal" é a Grécia?

    RESPOSTA: NÃO.

    1. Embora a MÉDIA tenha precedido a PÉRSIA, ambas já estavam unificadas sob CIRO (em 550 a.C.), antes mesmo deste conquistar BABILÔNIA (em 539 a.C.).

    2. O livro de Daniel nunca separa a MÉDIA do domínio PERSA como se fossem dois impérios distintos. A BABILÔNIA foi conquistada pelos "MEDOS e PERSAS" (Daniel 5:28, 31); Dario, o Medo, executa as leis dos "MEDOS e PERSAS" (Daniel 6: 12); o Carneiro com dois chifres do capítulo 8 representa "os reis da MÉDIA e da PÉRSIA" (Daniel 8: 20). Daniel desconhece um império MEDO governando sozinho, separado, antes da PÉRSIA como querem os preteristas.

    3. PARALELISMO: O URSO MEDO-PERSA do capítulo 7 é representado de modo assimétrico e dual ("levantou-se sobre um dos seus lados" - Daniel 7: 5), do mesmo modo que o CARNEIRO MEDO-PERSA (Daniel 8: 3) possui dois chifres desproporcionais. [DETALHE: As três costelas na boca do URSO (Daniel 7: 5) mantém paralelo simétrico com as três direções geográficas das marradas do CARNEIRO (Norte, Ocidente e Sul - Daniel 8: 4) e podem respectivamente representar as principais conquistas das forças MEDO-PERSAS coligadas: LÍDIA (547 a.C.), BABILÔNIA (539 a.C.) e EGITO (525 a.C.). Esta dualidade de forma e natureza tripartite das conquistas põem ambos os símbolos (URSO e CARNEIRO) em paralelo. ogo, ambos os símbolos representam o império DUAL MEDO-PERSA.

    CONCLUSÃO PARCIAL:

    A sequência correta dos Animais-Nações (Reinos) em Daniel 7 é: BABILÔNIA, MEDO-PERSA, GRÉCIA e ROMA. Indubitavelmente, o "Quarto Animal" é Roma. Logo, o "Chifre Pequeno" tem que ser um poder romano.

    * Definitivamente, Antíoco não se encaixa na profecia de Daniel 7, pelos seguintes motivos:

    1. Antíoco não veio de Roma (verdadeira identificação do quarto animal).

    2. Antíoco não governou entre 10 reis (10 Chifres do quarto animal). Ele foi o oitavo rei da dinastia selêucida. [Lembrete: A profecia requer 10 chifres contemporâneos e não sucessivos].

    3. Ele não era "diferente" de seus predecessores (v. 24).

    4. Antíoco, até onde sabemos, não "arrancou três reis" (v. 8, 24).

    5. Antíoco não foi "mais robusto" que os demais (v. 20). Seu Pai, Antíoco III, o Grande, é que foi o maior da dinastia selêucida. A carreira de Antíoco foi medíocre.

    6. Sua perseguição contra o povo de Deus não durou "três tempos e meio" (v. 25).

    7. Não foi julgado pelo Ancião de Dias, cuja culminância de seu Juízo é a entrega do Reino Eterno aos Santos do Altíssimo (v. 9-14, 26, 27). O reino que veio depois do reino greco-macedônico foi o romano, não o reino de Deus (v. 27). [muito menos o "Reino da Graça" instituído por Jesus. Trata-se de um domínio "debaixo de todo céu" que será entregue aos santos no final].

    8. Suas insolentes palavras não foram a causa da destruição do animal macedônico (v. 11).

    Muitos eruditos já aceitaram essa conclusão e ensinam que o "Chifre Pequeno" do capítulo 7 é Roma; mas ainda sustentam que Antíoco é representado pelo "Chifre Pequeno" do capítulo 8.


    continua....

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  3. O que dizer, então, deste ponto-de-vista?

    ......................................................................................................................

    O "CHIFRE PEQUENO" DE DANIEL 8 É DIFERENTE DO CHIFRE DE DANIEL 7?

    Poderiam esses dois símbolos proféticos representarem entidades históricas diferentes?

    RESPOSTA: Penso que NÃO. Seguem alguns motivos.

    1. O MESMO SÍMBOLO é usado para ambos: um Chifre (A mesma palavra, tanto em Aramaico [Qeren - Dan. 7] como em Hebraico [Qeren - Dan. 8]). A Septuaginta (versão grega do AT) também utiliza a mesma palavra (Kerás) para ambos os Chifres. Isto sugere, a princípio, uma conexão entre ambos os símbolos. Se Daniel pretendia uma distinção histórica poderia ter usado um símbolo diferente.

    2. Ambos são descritos como "Pequenos" no início (7:8 - 8:9).

    3. Ambos tornam-se "Grandes" mais tarde (7:20 - 8:9).

    4. Ambos são descritos como "perseguidores" dos Santos (7:21, 25, 27 - 8:10, 24).

    5. Ambos são "blasfemos" (7:8, 11, 20, 25 - 8:10-12. 25).

    6. Ambos possuem inteligência (7:8 - 8:23-25).

    7. Ambos têm suas atividades limitadas por tempo profético (7:25 - 8:13, 14).

    8. As atividades de ambos estendem-se até o tempo do fim (7:25, 26 [12:7-9] - 8:17, 19).

    9. Ambos são destruídos de forma sobrenatural (7:11, 26 - 8:25).

    10. Ambos estão, provavelmente, em relação paralela na descrição da sequência dos poderes mundiais da profecia.

    OBSERVAÇÃO: Há também diferenças entre os dois símbolos. Contudo, a maioria dessas diferenças são superficiais e tem a ver com a "origem" (temporal e geográfica) dos Chifres, algo que será elucidado no momento oportuno. Por enquanto, o que temos de concreto é que o número de correspondências entre eles (o Chifre pequeno de Daniel 7 e o de Daniel é bem maior e nenhuma das características individuais (distintivas) são mutuamente exclusivas.

    CONCLUSÃO PARCIAL:

    O "Chifre Pequeno" de Daniel 7 nasce na cabeça do animal romano e, portanto, não pode ser Antíoco IV. Se o "Chifre Pequeno" do capítulo 8 representa a mesma entidade histórica, então, de forma alguma pode ser identificado com Antíoco. Deve também ser um poder romano.

    ......................................................................................................................

    Neste post me dediquei mais ao capítulo 7 de Daniel. No próximo Post tratarei do Capítulo 8. Veremos primeiramente os ARGUMENTOS A FAVOR DE ANTÍOCO e depois os ARGUMENTOS CONTRA ANTÍOCO. E, no final, explicarei o significado da palavra "Chifre" e da palavra "Determinadas" (9:24).

    Lembrem-se: isto é apenas um resumo. Vasculhem a literatura especializada sobre o assunto. Estudem bastante.

    Até logo.

    Edílson Constantino (Natal-RN).

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  4. QUEM É A "PONTA PEQUENA" DE DANIEL 8?

    ANTÍOCO OU ROMA? [PARTE 3]

    Olá, pessoal. Após as notas introdutórias, analisemos Daniel 8 e vejamos agora os ARGUMENTOS A FAVOR E CONTRA ANTÍOCO IV EPÍFANES.

    I. A FAVOR DE ANTÍOCO:

    1. O CHIFRE PEQUENO VEIO DE "UM DOS CHIFRES" DO BODE GREGO (v. 8, 9). Antíoco foi o oitavo rei da dinastia selêucida (uma das divisões do império grego, isto é, um dos chifres do bode grego).

    2. O CHIFRE PEQUENO É BLASFEMO E PERSEGUIDOR (v. 10-12). De fato, Antíoco profanou o Templo de Jerusalém, aboliu o ritual do santuário e seu sacrifício contínuo, perseguiu duramente os judeus fieis e quase destruiu a religião judaica mediante suas campanhas helenizantes.

    II. CONTRA ANTÍOCO:

    1. A NATUREZA DO CHIFRE PEQUENO: UM REINO, NÃO UM REI INDIVIDUAL.

    O que simboliza "um Chifre"? REI ou REINO?

    A palavra hebraica para REI (Melekh) é diferente do termo para REINO (Malkuth), mas isso não altera em nada a discussão. Porque embora uma palavra possua seu próprio significado, ela pode ser usada em um contexto tão amplo que seu significado seja alterado. todos sabemos o que significa a palavra "Fera", mas certamente percebemos diferenças semânticas entre as frases: "Vi uma fera no zoológico" e Fulano é uma fera em Matemática". A palavra "Flor" possui seu próprio campo semântico, mas é o contexto da afirmação quem define o significado, não o léxico simplesmente. "peguei uma flor no jardim" é diferente de "Você é uma flor delicada e meiga". Logo, é contexto quem deve estabelece o sentido da palavra REI na literatura profética.

    Embora Daniel 8:23 chame o "Chifre Pequeno" de "Rei" (Melekh), há várias razões que nos levam a identificá-lo como "Reino", uma entidade corporativa, não um indivíduo.

    continuaremos...

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  5. Vejamos:

    a) O "Chifre Pequeno" surge depois da visão dos "Quatro Chifres Notáveis" do Bode Grego. O Anjo-intérprete identifica os "Quatro Chifres" como "Quatro REINOS" (v. 22). É de se esperar, portanto, que o Chifre Pequeno também represente um REINO.

    b) Os dois "Chifres" do Carneiro representavam "os reis da MÉDIA e da PÉRSIA" (v. 20); isto é, as casas dinásticas que governaram essas nações. Não se trata de reis individuais, mas de todo o sistema político-ideológico por eles representados.

    c) Os intérpretes da Profecia de Daniel 7 geralmente aceitam que os 10 chifres da cabeça do quarto animal (Roma) representam 10 nações bárbaras germânicas que fragmentaram a unidade do Império Romano Ocidental na Idade Média. Portanto, 10 Reinos, não 10 reis individuais.

    d) Os quatro animais (Bestas) de Daniel 7 (Leão, Urso, Leopardo e Animal Indescritível) são identificados pelo anjo como "quatro REIS que se levantarão da terra" (7:17). Embora todos concordem que são REINOS.

    e) Quando o anjo interpreta "o quarto animal", diz ao profeta que se trata de "um quarto REINO na terra, o qual será diferente de todos os REINOS" (v. 23).

    f) No capítulo 2, Nabucodonosor é identificado como a "Cabeça de Ouro" da Estátua metálica das Nações. Contudo, sabemos que as porções metálicas da imagem representam REINOS, não monarcas individuais. Nabucodonosor era um símbolo para representar todo o vasto império babilônico por ele administrado. Mas é evidente que a "Cabeça de Ouro" ia além do rei individual para abranger todos os seus sucessores; caso contrário como poderíamos explicar a profecia quando diz: "Depois de ti, se levantará OUTRO REINO, inferior ao teu...". Claro que o império medo-persa não se levantou hegemonicamente após a morte de Nabucodonosor como rei individual.

    g) A palavra "rei" é usada como um símbolo profético para representar um REINO. [DETALHE: Em Daniel 2:44, falando sobre os 10 dedos da estátua (os quais mantém paralelo com os 10 chifres do quarto animal no capítulo 7), diz-se que "nos dias destes REIS..." mas no mesmo verso é-nos dito que o Reino de Deus (representado pela Pedra) "consumirá todos estes REINOS". Logo, os 10 dedos, e consequentemente os 10 chifres, são reinos-nações, não indivíduos.

    h) A Besta Apocalíptica (Apoc. 13 e 17) também possui 10 chifres, mas são vistos claramente como chifres-nação, entidades coletivas de governo [O tema da Besta de Apocalipse 17 será tratado em posts futuros].

    h) O único lugar da Bíblia onde "Chifre" parece se referir a um REI individual é Daniel 8:8, 21. Alguns vêem aqui uma referência a ALEXANDRE MAGNO porque o verso 21 diz: "... e o Chifre Grande entre os olhos é o seu PRIMEIRO REI". Mas tal interpretação não é necessária, nem correta. NEM O "CHIFRE GRANDE" DO BODE GREGO É ALEXANDRE (ENQUANTO INDIVÍDUO), NEM OS "QUATRO CHIFRES NOTÁVEIS", QUE LHE SUBSTITUÍRAM, SÃO OS SEUS QUATRO GENERAIS INDIVIDUAIS: CASSANDRO, LISÍMACO, PTOLOMEU E SELÊUCO. MAS OS REINOS POR ELES REPRESENTADOS. O "Chifre Grande" é o Império Helenístico iniciado por Felipe II, Rei da Macedônia, e desenvolvido por seu Filho, Alexandre Magno e ainda mantido, até 301 a.C., por Antígono e o filho póstumo de Alexandre após a sua morte em 323 a.C. E os "quatro chifres" que surgem em seu lugar são as casas dinásticas completas iniciadas pelos quatro generais de Alexandre. Nada de interpretação individualizante; sempre estão em foco entidades corporativas.

    continuaremos...

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  6. 2. ANTÍOCO NÃO PODERIA SER UM CHIFRE (REINO) SEPARADO, MAS ERA APENAS UM MONARCA DO CHIFRE "SELÊUCIDA" (UM DOS QUATRO CHIFRES NOTÁVEIS DA CABEÇA DO BODE GREGO). ELE FOI O OITAVO REI DA SÍRIA (UM DOS QUATRO CHIFRES), NÃO UM CHIFRE A PARTE.

    3. ANTÍOCO NÃO SE TORNOU "EXCESSIVAMENTE GRANDE PARA O SUL, PARA O ORIENTE E PARA A TERRA GLORIOSA" (v. 9). Quem afirma o contrário desconhece absolutamente a história de Antíoco conforme relatada pelo historiador romano Lívio (História de Roma, livros 44 e 45), pelo historiador grego Políbio (Histórias, livros 26 e 27) e pelo escritor dos livros apócrifos de 1 e 2 Macabeus.

    INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE ANTÍOCO (175 - 164 a.C.):

    A. NÃO FOI ANTÍOCO IV QUE ANEXOU A PALESTINA AO TERRITÓRIO SELÊUCIDA, FOI SEU PAI ANTÍOCO III, EM 198 a.C., NA BATALHA DE PANEIAS, CONTRA AS FORÇAS PTOLOMAICAS. ANTÍOCO IV, DE FATO, PERSEGUIU OS JUDEUS E PROFANOU O TEMPLO JUDAICO, MAS APÓS UM CURTO PERÍODO INSURGIU A "REVOLTA DOS MACABEUS" QUE EXPULSOU AS TROPAS DE ANTÍOCO DEFINITIVAMENTE DA PALESTINA. SEU SUCESSO "NA TERRA GLORIOSA" FOI PARCIAL.

    B. ANTÍOCO IV FOI RAZOAVELMENTE BEM SUCEDIDO EM SUA CAMPANHA PARA O SUL, CONTRA O EGITO, 170-168 a.C. CONQUISTOU BOA PARTE DO DELTA DO NILO EM 169 a.C.; MAS FRACASSOU NO ANO SEGUINTE QUANDO TENTOU TOMAR ALEXANDRIA. UMA ORDEM DOS ROMANOS O OBRIGOU A ABANDONAR SEUS PLANOS CONTRA O EGITO. PORTANTO, TEVE SUCESSO APENAS PARCIAL "PARA O SUL".

    C. ANTÍOCO III CONQUISTOU BOA PARTE DO ORIENTE ENTRE 210-206 a.C. MAS DEPOIS QUE OS ROMANOS DERROTARAM ANTÍOCO III, EM MAGNÉSIA, ESSAS NAÇÕES ORIENTAIS TORNARAM-SE NOVAMENTE INDEPENDENTES. ANTÍOCO IV TENTOU RECUPERAR OS DOMÍNIOS DE SEU PAI NO ORIENTE. DEPOIS DE ALGUNS PEQUENOS SUCESSOS MILITARES NA ARMÊNIA E NA MÉDIA, MORREU (APARENTEMENTE DE CAUSAS NATURAIS) EM 164 a.C., DURANTE SUA ÚLTIMA CAMPANHA CONTRA A MÉDIA. OU SEJA, NÃO "CRESCEU EXCESSIVAMENTE PARA O ORIENTE" COMO DIZIA A PROFECIA.

    4. AS ATIVIDADES ANTI-TEMPLO DE ANTÍOCO IV NÃO CUMPRE AS ESPECIFICAÇÕES DA PROFECIA. ELE NÃO DESTRUIU (LANÇOU ABAIXO) O TEMPLO DE JERUSALÉM; NÃO REMOVEU APENAS O TAMID (SERVIÇO DIÁRIO), MAS O ANUAL TAMBÉM; NÃO SUSPENDEU O SERVIÇO DO TEMPLO POR 2300 TARDES E MANHÃS, SOB QUALQUER CÁLCULO PRECISO; ETC.

    CONCLUSÃO:

    ANTÍOCO NÃO CUMPRE A PROFECIA DO CAPÍTULO 8 DE DANIEL.

    OBSERVAÇÃO: DESCULPE-ME IRMÃOS, PRETENDIA EXPOR ESSA QUESTÃO EM APENAS TRÊS POSTS; MAS TENHO QUE SAIR AGORA. POSTAREI UMA QUARTA PARTE DESSE MATERIAL E EXPLICAREI O SIGNIFICADO DA PALAVRA "DETERMINADAS" (DANIEL 9:24)

    ESTUDEM!

    ABRAÇO.

    Edílson Constantino.

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