Criação e Redenção

Qual a verdade fundamental das Escrituras? São muitas as possíveis respostas. Eu gosto de pensar em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Cristo é o ‘cordeiro’ morto desde antes da fundação do mundo. Mesmo sabendo que a criação da Terra implicaria em Sua morte, Ele seguiu em Seu plano criador. Morreria por Sua criação...  

Apesar disso, Ele criou um lindo lar, perfeito para a existência do ser que Lhe desobedeceria, que se rebelaria contra Seus princípios. Não, não estou falando apenas de Adão e Eva, falo de Judas,  de Pedro, de Ruth e de você. Foi por cada um de nós. Ainda que sabendo tudo, absolutamente tudo, sobre a Sua missão Ele soprou o Seu fôlego de vida, trazendo a existência Sua criação... Que estranho amor!

Pois seu marido é o seu Criador, Senhor dos Exércitos é o seu nome. O Santo de Israel é seu Redentor. Ele será chamado o Deus de toda a terra.” (Isaías 54:5)

E por que? Foi para revelar a essência da Sua própria natureza, mas foi também porque muitos aceitariam ser argumentos vivos de Sua justiça e de Seu amor. 
Sim, é também correto afirmar “que a criação é a verdade fundamental das Escrituras. Todos os ensinamentos bíblicos, incluindo a encarnação de Cristo, Sua morte na cruz, Sua segunda vinda e todos os outros ensinos estão fundamentados na verdade de que nosso mundo foi criado por Jesus Cristo. Que Ele é o grande Criador que ama relacionar-Se com Sua criação e que só tem bons pensamentos acerca de nós.

Paulo não somente ligou o Adão literal ao Jesus literal (Romanos 5:14), mas o contexto de Romanos 5 relaciona essa ligação ao plano da salvação, doutrina fundamental que entendemos no sentido mais literal: somos seres caídos e estamos literalmente diante da destruição eterna ou da vida eterna.1

Davi em oração revela que reconhecia a redenção como uma manifestação do poder criador de Deus: “Cria em mim um coração puro, ó Deus; renova-me com um espírito determinado [...] Devolve-me a alegria de tua salvação.” (Salmo 51:12-14)

“porque em conexão com ele foram criadas todas as coisas – no céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, senhorios, governantes, ou autoridades; todos foram criados por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas, e sustem conjuntamente todas as coisas.” (Colossenses 1:16-17)

Nosso relacionamento com Jesus, o Criador, não está firmado numa fé cega.  Crer na existência de um Deus Criador e nos perceber como criaturas Suas, traz exigências de compromisso com Ele, com os outros seres que respiram e com o planeta que lhe foi dado como presente e moradia. Por outro lado, não crer cria um falso aspecto de liberdade, liberdade para a morte. Afinal, que perspectiva tem de futuro os que atribuem ao acaso e à coincidência os equilíbrios incrivelmente bem ajustados entre as forças da natureza que tornam possível a vida na Terra?

Substituir o poder do Deus Criador pela influência de uma força impessoal vai de encontro, literalmente, aos fundamentos do Evangelho, pois a redenção é verdadeiramente uma nova criação, onde Deus é pessoalmente o autor. Aquele que é o responsável desde a origem da primeira criação é também o instigador da regeneração espiritual do homem. A criação original, operada por Cristo aconteceu pela palavra divina; a nova criação, ou redenção, é realizada da mesma maneira.

A teoria da evolução finda por rejeitar as grandes verdades bíblicas concernentes ao pecado, ao sacrifício de Cristo e a necessidade do homem de tornar-se nova criatura pela fé no poder criador de Jesus.

Gostaria de propor a você, querido leitor, que acompanhe nossas reflexões sobre esse tema tão instigante. Estaremos publicando as atualizações, durante as próximas 13 semanas, dessas reflexões em nossa página do facebook. Compartilhamos também com você, agora, a nota de nosso amigo e Pr. Matheus Cardoso2:

“O diálogo a respeito de Evolução e Criação é complexo e envolve muitas áreas do conhecimento. Abaixo, está uma lista dos que, em minha opinião, são os melhores livros sobre as duas correntes. Obviamente, poderiam ser acrescentados outros livros, principalmente sobre a Teoria da Evolução.

Esta lista tem um duplo objetivo. Por um lado, cristãos criacionistas que não possuem formação científica, mas que se interessam pelo assunto, devem adquirir um conhecimento básico sobre a Teoria da Evolução. Por outro lado, cientistas que pretendem criticar o criacionismo devem, antes, conhecer as melhores obras a respeito do assunto, escritas por cientistas com formação acadêmica.


1- Teoria da Evolução

Leitura básica:

. Brian e Deborah Charlesworth. Evolução. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

. Michael J. Benton. História da vida. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

. Richard Dawkins. O maior espetáculo da Terra: as evidências da evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.


Leitura acadêmica:

Mark Ridley. Evolução. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006.

. Douglas J. Futuyma. Biologia evolutiva. Ribeirão Preto, SP: Funpec Editora, 2009.


2- Criacionismo

Melhores obras:

Leonard R. Brand. Faith, Reason, and Earth History: A Paradigm of Earth and Biological Origins by Intelligent Design. 2ª edição. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009. (Acadêmica.) A primeira edição foi publicada em português como Fé, razão e história da Terra: um paradigma das origens da Terra e da vida por planejamento inteligenteEngenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2005.

. Leonard R. Brand e David C. Jarnes. Beginnings: Are Science and Scripture Partners in the Search for Origins? Boise, ID: Pacific Press, 2006. (Popular.)

. Fernando L. Canale. Creation, Evolution, and Theology: The Role of Method in Theological Accommodation. Berrien Springs, MI: Andrews University Lithotec, 2005. (Acadêmica: filosofia da ciência e método teológico.) 


Populares:

. Michelson Borges. A história da vida: de onde viemos, para onde vamos. Edição revisada. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011.

.  L. James Gibson e Humberto M. Rasi (organizadores). Understanding Creation: Answers to Questions on Faith and Science. Boise, ID: Pacific Press, 2011. Será lançado em português pela Casa Publicadora Brasileira.


Leitura intermediária:

. Ariel Roth. Origens: relacionando a ciência com a Bíblia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003.

. Harold Coffin, Robert H. Brown e L. James Gibson. Origin by Design. Edição revisada. Hagerstown, MD: Review and Herald, 2005.


Nesse diálogo, precisamos ter o cuidado de não superenfatizar as diferenças entre evolução e criacionismo. O biólogo e paleontólogo criacionista Leonard R. Brand esclarece:

A palavra “evolução” significa mudança. Há suficiente evidência de que esse processo evolutivo (ou alguma variação dele) realmente acontece e produz novas variedades e novas espécies. [...] Em quase todos os aspectos, intervencionistas [ou criacionistas] e evolucionistas naturalistas concordam sobre a maneira como esses processos acontecem. [...]

Embora os intervencionistas sejam com frequência representados como antievolucionistas, o fato é que eles aceitam [a existência de] um processo de mudança morfológica. [...]

É interessante ponderar sobre isso quando participo de encontros anuais de organizações científicas como a American  Society of Mammalogists [Sociedade Americana de Mastozoologia] ou a Geological Society of America [Sociedade Geológica Americana]. A maioria dos cientistas presentes nesses encontros rejeitaria o intervencionismo, e a maioria provavelmente presume que intervencionistas não podem ser cientistas eficazes. Contudo, provavelmente 80 ou 90 por cento da pesquisa relatada poderiam ser desenvolvidos por qualquer intervencionista com formação na área.

Mesmo na área da evolução, a maior parte do que é estudado se limita a microevolução, especiação e os aspectos da macroevolução aceitos também por intervencionistas. Isso é verdade também em relação à maioria dos aspectos das ciências da terra, especialmente as áreas relacionadas à pesquisa experimental ou à comparação com os processos atuais. Nesses temas científicos, há coleta de dados relevantes e teste de hipóteses eficazes, independentemente da filosofia pessoal. (Leonard R. Brand, Faith, Reason, and Earth History: A Paradigm of Earth and Biological Origins by Intelligent Design, 2ª edição [Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009], p. 175-176, 190, 299)” 

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Ruth Alencar


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