Quem tem a Verdade a Ciência ou a Escritura?


por Ariel A. Roth

 “Uma coisa é desejar ter a verdade do nosso lado, outra é desejar sinceramente estar do lado da verdade” Richard Whaterly

Prefácio 

“Alguns consideram a tentativa de relacionar a ciência com a Bíblia uma tarefa impossível. Este livro desafia essa ‘impossibilidade’. Ele tenta demonstrar que a dicotomia entre a ciência e a Bíblia não é o que em geral se insinua, e que há uma harmonia razoável entre ambas. [...]

Começando com a história do conflito entre ciência e a religião, o livro passa a considerar interpretações biológicas, paleontológicas e geológicas. Seguem-se então avaliações da ciência, da Bíblia e de pontos de vistas intermediários entre o conceito bíblico da criação e o modelo evolucionista da ciência. [...]

Uma das premissas deste tratado é a de que a verdade deve fazer sentido. Em outras palavras, a verdade resistirá a investigação; não obstante, esta investigação deve ser suficientemente abrangente para ser significativa às questões apresentadas.  Um dos aspectos decepcionantes da natureza humana é que, mais frequentemente do que muitos de nós estamos dispostos a admitir, cremos naquilo que desejamos crer, e não no que os dados estão dizendo. Por isso, em nossa busca da verdade, é tão importante evitar nos basear em conjecturas e prestar atenção particular aos pontos mais sólidos de apoio que possamos encontrar. Como um cientista atuante, levo a ciência muito a sério. Como alguém que dá valor ao que tem sentido e à religião, também levo a Bíblia muito a sério. [...]

Minha conclusão é que há muito mais informação científica que confirma a Escritura do que geralmente se imagina. Embora uma soma razoável de dados científicos esteja sendo interpretada como favorecendo a evolução, a cosmovisão evolucionista é limitada e deixa muitas perguntas sem resposta, inclusive o significado da existência. Parece-me que, quando o quadro total é considerado, a criação explica mais que a evolução. Opiniões sobre as origens que tentam combinar partes da criação e da evolução não são muito satisfatórias. Falta-lhes definição, bem como autenticidade científica ou bíblica, ou autenticidade de qualquer outra fonte de informação. [...].


Uma Pergunta Persistente 

[...] Tantos os evolucionistas como os criacionistas aceitam os dados da ciência, porém dão interpretações diferentes. Por exemplo, os evolucionistas ensinam que as semelhanças na estrutura bioquímica e na anatomia das células de diferentes tipos de animais e plantas devem-se a uma origem evolucionista comum, enquanto os criacionistas veem os mesmos dados e os interpretam como representando a marca de um único projetista, que é Deus.

[...] Por dois séculos tem havido conflito aberto entre interpretações científicas e a Bíblia. Essa é uma das maiores batalhas intelectuais de todos os tempos. Os instrumentos da batalha são a pena e a língua, e o campo da batalha é a mente do homem. Essa questão afeta nossa cosmovisão básica, nossa razão para a existência, e nossa esperança para o futuro. Não é uma questão que possa ser levianamente deixada de lado.

A ciência, provavelmente a maior realização intelectual do humanidade – corretamente requer elevado grau de respeito. [...] Não precisamos nos demorar muito falando dos êxitos da ciência.

A poderosa comunidade científica geralmente endossa o conceito evolucionista de que o Universo e a vida se desenvolveram por si mesmos, enquanto, ao mesmo tempo, questiona ou ignora o conceito de Deus como projetista. Esta abordagem coloca a comunidade científica em conflito com aqueles que acreditam no relato apresentado nas escrituras (Bíblia) da história da Terra. Neste relato, considerado por muitos como uma revelação histórica, Deus é o criador de tudo, e o crente encontra nele alguma razão e sentido para a realidade. Por contraste, uma evolução naturalista (ou seja, não sobrenatural) tende a reduzir a realidade a conceitos mecanicistas [...].

Se a Bíblia fosse entretenimento, sua popularidade poderia até ser explicada nessa base. Mas, a Bíblia dificilmente é entretenimento – às vezes, registra mensagens rigorosas aos leitores. Sua popularidade baseia-se, pelo menos em parte, na confiança que ela inspira por sua franqueza e significado.

Em vista da ampla aceitação tanto da ciência quanto da Bíblia e dos pontos de vista contrastantes abraçados por ambas, não é de surpreender que haja uma controvérsia entre elas. Muitos com sinceridade, querem saber qual é a fonte de verdade confiável. [...] Há muitas evidências que respaldam esses dois modelos. [...]

Declara-se, às vezes, que tanto o criacionismo como a evolução têm por base a fé; e que nenhum deles pode ser provado. Em certo sentido isto é verdade, porque ambos representam eventos passados singulares que são difíceis de testar e avaliar. Nossa fé, todavia, será mais segura se basear-se em evidências. Na realidade, temos que exercer alguma fé. Nós o fazemos quando plantamos uma semente ou voamos numa aeronave. Temos fé de que prevalecerá será o que é normal. Essa fé, porém baseia-se em experiência passada. Igualmente, nossas respostas às questões sobre as origens não deve basear-se apenas em uma fé cega. Um volume considerável de evidências está disponível e nos dá respaldo para responder à indagação persistente: Quem tem a verdade, a ciência ou a Escritura?

[...] Um dos maiores problemas que alimentam a centelha da controvérsia é que a ciência não está preocupada com a moralidade, e a evolução é percebida como um desafio à Bíblia, que se preocupa muito com os padrões morais. Por isso, o ensino da evolução é visto como um ataque aos padrões tradicionais de conduta. Isso não quer dizer que os próprios cientistas não sejam morais. Muitos deles são de retidão estrita, mas a moralidade não é uma preocupação da ciência ou da teoria da evolução, e os pais tornam-se apreensivos quando a evolução é apresentada na sala de aula como sendo de maior autoridade do que a Bíblia e sua moralidade.

[...] Pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos concernentes às origens da humanidade produziram resultados que surpreenderam a criacionistas e evolucionistas. 20 A comunidade acadêmica, especialmente os cientistas que endossavam amplamente a evolução, ficaram desanimados ao notar que somente 10% do público em geral estavam seguindo o modelo evolucionista da ciência natural (sem Deus), enquanto quase metade acreditava numa criação recente há menos de dez mil anos, principalmente para o homem. Outros seguiam pontos de vista intermediários (tabela 1.1). Alguns cientistas perguntam como é possível que, após mais de um século de educação evolucionista, tão poucos sigam a doutrina. Ouvi cientistas expressarem preocupação quanto ao poder de marketing e sobre a necessidade de melhorar o ensino. Em minha opinião, o problema não é de marketing; os cientistas são bons professores, e o evolucionismo é bem apresentado em excelentes compêndios escolares. O problema é que os evolucionistas têm um produto difícil de vender. Muitos acham difícil acreditar que o homem e todas as formas complexas de vida ao seu redor, juntamente com a Terra e um Universo que tão adequadamente os sustentam, se tornaram organizados por si mesmos. Também a nossa habilidade de pensar, perceber, esperar e ter preocupações, entre muitos outros atributos, parece estar além de um simples processo evolutivo mecanicista. Tudo isso alimenta a batalha a respeito das origens.




A batalha

Há realmente uma guerra entre a ciência e a Escritura? Não há por que tentar resolver um conflito que não é real. Com respeito a isso, as opiniões variam muito. A questão aproxima-se da pergunta persistente de ser correta a ciência ou a escritura.

Se qualquer uma delas for falsa então não há conflito. Alguns acham que o problema se resolverá por si só na medida em que a religião retroceder diante da autoridade da ciência; então, não existirá conflito. Para os que creem em Deus e na autoridade da escritura, tal pensamento é inaceitável. Alguns selecionam porções da ciência e porções da Escritura para tentar resolver o conflito. Ao fazê-lo, tendem negar a autoridade de ambas. Outros ainda resolvem o conflito negando a validade ou importância da ciência e das Escrituras, achando que elas pouco têm a dizer sobre questões vitais relacionadas com a existência e significados.

[...] Na controvérsia evolucionismo/criacionismo, precisamos manter em perspectiva os preconceitos da pretensa superioridade de nossos pontos de vista. [...]

É impossível negar a existência de um conflito, tendo muitas vezes os evolucionistas e teólogos liberais de um lado, negando a validade do relato da criação bíblica, e, do outro lado, criacionistas e teólogos conservadores afirmando-a. Muito disso gira em torno da questão de quem tem mais autoridade: a ciência ou a Escritura? Todavia, esta pergunta rapidamente deriva para questões mais específicas, tais como: é o relato bíblico da criação um mito? É a evolução apenas uma teoria? Há interpretações alternativas à narrativa bíblica da criação? É possível um meio-termo entre a criação e a evolução?


O que queremos dizer com os termos criação e evolução?

A compreensão usual do termo criação é o modelo bíblico. No relato da criação, um Deus todo-poderoso prepara a Terra para a vida e cria vários tipos de organismos vivos em seis dias de 24 horas, cada dia descrito com sua própria tarde e manhã. Da cronologia bíblica tradicional decorre que essa criação parece ter ocorrido há menos de 10 mil nos. No entanto, a Bíblia não aborda diretamente a questão de uma data precisa para a criação. Alguns criacionistas creem que o Universo também veio à existência durante a semana da criação, enquanto outros acreditam que ele existia muito antes deste tempo e que somente o mundo vivo foi criado durante a semana da criação. O foco principal do relato bíblico é a criação da própria vida e dos fatores importantes para a vida, como a luz, o ar e a terra seca. Relacionada com essa criação ocorre uma catástrofe de dimensões mundiais – o dilúvio de Gênesis – que sepultou muitos organismos que agora formam as camadas fossilíferas da Terra. Esse dilúvio explica o registro fóssil no contexto de uma criação recente e, como tal, é um importante elemento do conceito bíblico da criação.31

O termo evolução tem muitos significados. Alguns o equiparam com as pequenas mudanças em tamanho ou cor, etc., que frequentemente se observam nas coisas vivas. Contudo, tanto os criacionistas como os evolucionistas reconhecem isso como variabilidade biológica normal. O sentido mais geral do termo evolução refere-se ao progresso das formas simples de vida em direção às mais complexas. O conceito é geralmente ampliado para concluir a origem da vida e o desenvolvimento do Universo. É uma abordagem mecanicista para as questões das origens. Geralmente, Deus de nenhum modo está envolvido como um fator explanatório. O desenvolvimento ocorre naturalmente segundo nosso entendimento de causa e efeito. No cenário evolucionista, o Universo foi formado por causas naturais muitos anos atrás. A vida simples surgiu espontaneamente na Terra há alguns bilhões de anos, e formas de vida avançadas evoluíram de formas simples especialmente durante as últimas centenas de milhões de anos. Há muitas variações para este tema geral.32


Entre os dois pontos de vista de criação e evolução, existe uma variedade de conceitos que geralmente incorporam porções de ambos. Eles vêm sob designações tais como evolução teista, criação progressiva, ou evolução deísta. Esses modelos rejeitam os pontos de vista puramente mecanicistas da evolução. Endossam um desenvolvimento progressivo da vida que frequentemente envolve a obra de algum tipo de Deus, mas rejeitam o relato bíblico de uma criação recente. [...] 





Nossos pressupostos afetam os nossos processos de pensamentos. Devemos, logicamente, ser tolerantes para com os pontos de vista alheios, mas tem havido tanta desinformação nessa controvérsia que devemos nos assegurar de estarmos baseando nossa análise na informação correta.

[...] nossos pontos de vista particulares podem não ser verdadeiros. A verdade é a verdade, gostemos dela ou não. [...] O fato de que alguns estão dispostos a inventar ‘dados’ para apoiar sua cosmovisão indica a intensidade do conflito. O modo de evitar ser enganado é não ser tão ingênuo, mas isso nem sempre é fácil.


Conclusões

A ciência é uma das realizações intelectuais de maior êxito da humanidade. A escritura também é altamente respeitada, e a Bíblia é de longe o livro mais aceito no mundo. Os cientistas seculares têm proposto para as origens um modelo evolucionista lento e com períodos longos de tempo, enquanto a escritura fala de uma criação recente por Deus. A busca em avaliar esses modelos das origens tem seguido um percurso interessante, contenciosos e, às vezes, enganoso. Uma variedade de esquemas tem sido proposta para conciliar esses dois modelos básicos das origens; contudo, esses meio-termos não têm funcionado muito bem e são confundidos por definições pouco claras. Muitos sinceramente se indagam se a verdade final concernente às origens deve ser primeiramente encontrada na ciência ou na Escritura. Essas indagações não têm uma resposta simples."

Ariel A. Roth

Notas de Referência:

Fonte: Origens: Relacionando a Ciência com a Bíblia. Prefácio, Pág. 17- 30 Casa Publicadora Brasileira.

20- Para maiores detalhes e interpretações, ver Roth AA. 1991, “Creation holding its own”. Origins 18: 51-51.

31-Informações adicionais sobre conceitos da criação são apresentadas nos capítulos 10, 12, 19 e 21.

32- Discussão adicional do conceito evolucionista pode ser encontrada nos capítulos 4, 5, 8 e 11.

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