A Força Maior


Creiam em Mim (parte 2)


Você deve estar se perguntando como pude escolher tal imagem para ilustrar um título que fala de força maior. Poderia ter sido um leão, uma águia, um urso, um lutador de MMA (risos)... Mas, eu escolhi uma ovelhinha. E o que é mais surpreendente, talvez pense você, ela está atada.

Na Bíblia Jesus é identificado pelo Leão, mas paradoxalmente também pela ovelhinha. Como alguém pode ser Leão e Cordeiro? Analise as possíveis diferenças e você encontrará as possíveis semelhanças. Conversamos um pouco sobre isto neste texto aqui

A Bíblia apresenta Jesus também representado pelos nomes: Altíssimo, Poderoso, o Eterno, O Grande Eu Sou, Alfa e Ômega, o Princípio e o Fim, Pai, Deus. Por isso, Ele pôde dizer de Si mesmo que Ele era o cordeiro de Deus e o Bom Pastor. Já li muitos textos correlacionando o cristão à águia. A Bíblia também correlaciona Satanás ao agir do leão, mas não diz que ele é um como o leão. É interessante que na tentativa de levantar sua autoestima nenhum cristão se compara às passivas ovelhas, somente às águias, aos leões...

Em março de 2006 o jovem chinês Fu Xuepeng de 23 anos sofreu um acidente de carro que o deixou tetraplégico. Como seus pais têm pouco recursos financeiros não podem bancar as despesas com uma internação hospitalar do filho. Desde então eles se revezam na tarefa contínua, em todo o período de 24 horas, de pressionar um dispositivo para ajudar o filho a respirar. Atualmente uma luz no fim do túnel surge para essa família.


“O casal chegou a ficar dois anos consecutivos bombeando o aparelho sem parar, o que acabou deformando suas mãos. A situação apenas obteve alguma melhora quando parentes construíram um ventilador mecânico caseiro para Xuepeng. A máquina, no entanto, não trouxe total descanso para o casal, pois ela costuma consumir muita energia. Ela permanecia ligada apenas durante a noite, enquanto a família dormia. De dia, o casal voltava a bombear o dispositivo para o filho. [...] Após o caso ser amplamente divulgado pela mídia, a família recebeu uma grande quantidade de doações, inclusive consultas em um hospital local. Em relação a todo esforço dos pais pelo filho, o jovem diz: "não sei se terei uma chance nesta vida de pagar de volta aos meus pais o que eles fizeram por mim".1

Não há sentimentos mais nobres do que o amor e a gratidão. Esses sentimentos deveriam superabundar em nossos corações como cristãos. Não é sem fundamentação que se encontra registrado na Bíblia que “a observância religiosa que Deus, o Pai, considera pura e irrepreensível é esta: cuidar dos órfãos, e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar contaminar pelo mundo”. (Tiago 1:27)

E como se não bastasse está escrito nas Escrituras Sagradas essas palavras de Jesus: “Vocês ouviram o que foi dito aos nossos pais: ‘ Ame seu próximo – e odeie seu inimigo! Mas, eu lhes digo: amem seus inimigos; orem por quem os persegue! Então vocês se tornarão filhos do Pai Celestial. Porque ele faz seu sol brilhar, da mesma forma, sobre pessoas boas e más e envia chuva, igualmente, para justos e injustos. Que recompensa obterão se amarem só quem ama vocês? [...] E se vocês forem amáveis só com seus amigos, o que há de extraordinário?[...] Portanto, sejam perfeitos, como o Pai celestial de vocês é perfeito.” (Mateus 5:43-48)

Conheço muitos cristãos que se vangloriam por seus gestos de bondade em relação aos seus, porém eu vi Cristo, pelo menos Sua representatividade, de maneira mais contundente nos gestos de quem amou e cuidou do que não era ‘seu’. Aqui vi perdão, amor sem interesse. Vi misericórdia e compaixão. E o mais interessante, é absurdamente diferente o agir nesta circunstância, quando o gesto é de coração e não por obrigação. Eu sei disso porque sou casada com um homem que é assim...

A ovelha distingue-se do leão por sua docilidade e submissão. Jesus é Deus e com a docilidade de um amor potente entregou-Se mesmo sabendo que muitos não entenderiam, não aceitariam e até O rejeitariam conscientemente. Até Seu último suspiro Ele invocou o melhor de Si mesmo e de Sua boca registrou-se: “Pai, perdoa-lhes; eles não entendem o que estão fazendo” (Lucas 23:34)

A Bíblia diz que morte é o salário do pecado (Romanos 6:23). Jesus morreu, mas não porque tivesse pecado. O que aconteceu com Jesus foi o mesmo que acontecia com as ovelhinhas inocentes que eram levadas em sacrifício como oferta de pedido de perdão por parte do transgressor. Pobres animaizinhos tinham suas vidas tiradas e, portanto, nada de errado faziam! Eram levadas como intercessão pela morte do transgressor.  A morte é o que cada ser humano merece desde que decidiu andar separado da fonte da vida. Somos todos transgressores da ética divina. Somos ligeiros para fazer o mal.
Mas, se é a morte nossa sentença por que ainda há seres humanos com vida? A Bíblia nos ensina que se hoje a vida prossegue seu curso, se na terra há fertilidade, se ainda há vida em nós, apesar da maldição do pecado, é porque o perdão temporal de Deus nos sustenta. Deus em Cristo perdoou toda a humanidade e a propósito disso Ele não nos exige uma resposta ética. Amou-nos sem pedir nada em troca. Perdoou-nos porque não precisa ser motivado para nos amar. Simplesmente Sua essência divinal é amor puro e incondicional. Ele decidiu nos perdoar porque nos ama sem segundas intenções! Simplesmente tem prazer em nos perdoar e salvar. Por isso, o sol brilha sobre justos e injustos. Deus não é motivado por nossa adoração para nos amar, para nos perdoar, para ser quem Ele É, misericordioso e gracioso.

No relacionamento do homem com Deus e com o seu próximo (que é o resumo da vontade de Deus) há um espaço definido para a ética humana, e também para as boas obras, só não pense que elas nos conduzem à salvação. Não são meios, são consequências. Somente daqueles que aceitam Sua soberania e discernem a respeito de sua dependência do Criador Ele requererá uma resposta ética. A esses Ele dará o direito a vida eterna, não temporal, em Seu Reino. Por isso, Jesus nos pede para crermos nEle: “Não se deixem perturbar. Confiem em Deus. Confiem em mim. [...] Confiem que estou unido ao Pai e o Pai está unido a mim. Mas,  se não puderem, ao menos confiem por causa das  obras!” (João 14:1, 11)

Gosto dessa reflexão do Pr. Batista Jonh Piper: “Por que Jesus ordena que creiamos nEle? Qual o verdadeiro significado de crer nEle? Jesus nos dá este mandamento porque todos os seres humanos estão em situação desesperadora e somente Ele pode resgatar-nos. Jesus nos dá esse mandamento porque sozinhos nada podemos fazer; precisamos recorrer a Ele em busca de ajuda. Só Jesus pode salvar-nos desse perigo, e Ele ordena que confiemos nEle, para o nosso bem. [...] 

Qual é a situação desesperadora da qual só Jesus pode nos resgatar? 

Encontramo-nos em situação desesperadora, diz Jesus, porque estamos sob a ira de Deus. Esse é o preço do nosso pecado. Deus é justo, e sua ira se acende apenas contra as atitudes e comportamentos humanos que depreciam Seu valor e O tratam com menosprezo. [...] A verdade maravilhosa é que Deus enviou Seu Filho Jesus ao mundo, não para acentuar nossa condenação, mas para resgatar-nos dela. E, para resgatar-nos, Jesus tomou sobre si essa condenação e morreu em nosso lugar. Jesus não exigiu de nós atos heroicos de penitência, apenas ordenou que confiássemos nEle. (João 10:11) 

[...] Jesus ordena que creiamos nEle porque, sozinhos, não podemos fazer nada para livrar-nos da ira de Deus. Jesus tornou-Se nosso substituto. Deus imputou a Jesus os pecados que nos trariam condenação. O amor de Deus planejou esta substituição extraordinária: Jesus sofreu o que mereceríamos padecer para que pudéssemos usufruir o que Ele merecia – a vida eterna. Para usufruir essa vida, precisamos crer em Jesus. (Jão 6:47; Lucas 8:12)

Qual o verdadeiro significado de crer em Jesus?

[...] Significa, acima de tudo, crer na veracidade de certos fatos históricos. Crer não significa dar um salto no escuro. A fé tem fundamentos e conteúdo. Baseia-se em fatos históricos.

No entanto, crer em Jesus significa mais que conhecer fatos verdadeiros acerca de Jesus. Significa confiar nEle como pessoa viva que Ele É. (João 14:1; Mateus 18:6). Crer em Jesus é mais que crer em fatos acerca de Jesus. Nós confiamos nEle.

Observe que Jesus não Se oferece a nós como mero resgatador em quem devemos confiar, mas como água viva para saciar a sede. Ele também Se oferece a nós como Pastor (Mateus 26:31), Noivo (Mateus 9:15), Tesouro (Mateus 13:44), Rei (João 18:36), e assim por diante. [...] Em outras palavras, crer em Jesus e beber a água da vida eterna têm o mesmo significado (João 7:37; 4:14)

Crer em Jesus quando Ele Se oferece a nós como doador da água da vida não significa simplesmente crer que essa água dá vida. A água dá vida quando a bebemos. Jesus dá vida quando confiamos nEle. Portanto, confiar em Jesus como água significa beber a água. Significa receber Jesus e toda a graça de Deus que dá vida, graça que vem a nós por meio dEle. (Mateus 10:40; João 13:20). Crer em Jesus implica em beber a Jesus como a água da vida que sacia a sede da alma. Significa apreciar tudo o que Deus é por nós em Jesus e estar satisfeito com isso. [...]”2

Jesus foi o único ser humano que viveu segundo o padrão de Deus. É sob este princípio que Deus julga o ser humano. Jesus é Deus na natureza humana, porém, Ele ao viver sob a natureza humana não se desfez de Sua natureza também divina. Ele apenas não podia usar essa natureza divina em benefício próprio. Ele a subjugou para poder cumprir o plano da redenção do ser humano. Ele teve que suportar, na Sua natureza humana, todas as lutas e conflitos que todo ser humano enfrenta em sua existência. Ele morreu, mas não pode ser retido pela morte porque nEle está a vida.

“Jesus veio não apenas para nos resgatar da condenação, mas também para que usufruíssemos a vida eterna, e isso significa que, em Jesus, podemos sentir tudo o que Deus é para nós. (João 17:3)”2
Não importa a maneira negligente com que vivemos nossa vida. Quando discernimos a necessidade da presença de Jesus em nossa vida e O buscamos Ele nunca, jamais, nos virará Seu rosto. Quando O buscamos com humildade o Senhor não Se importa com o nosso passado. Ele nos aceita e nos regenera a vida em seu sentido mais complexo. Afinal, com Jesus ainda que morramos seremos abraçados pela vida. A melhor dela. A eterna: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”.

“Foi isso que Jesus nos veio conceder, e essa dádiva chega a nós apenas de uma forma: crendo nEle. É esta a razão de Ele ordenar ao mundo: ‘Creiam em mim’”2

A esta, acrescentamos Sua outra ordenança: ‘Permaneçam em mim”.
“Jesus sabe que o fascínio do mundo sempre há de buscar a reconquista da nossa mente, então Ele insiste como quem sabe o melhor: ‘Permanecei em Mim’. Cristo é o ponto final de nossas buscas. Não precisamos mais de aventuras; Ele é nossa ventura. Não precisamos de outras caminhadas; Ele é o Caminho. Nada de outras filosofias de vida; Ele é verdade. Nada de crises existenciais; Ele é o amigo presente! Ele é a Rocha onde construímos nossa casa espiritual! Nós permanecemos em Cristo, mais por vontade do que por desejo. Desejo é querer passivo, vontade é querer ativo. Desejo é querer contemplativo, vontade é querer que decide; nós decidimos querer ir a Ele, e decidimos permanecer nEle. Permanecemos como eternos... supridos, Ele permanece como Supridor. Nós os carentes da vida, Ele como a fonte inesgotável da vida. De nossa parte é preciso querer receber. Da parte de Jesus a disposição em abastecer nosso tanque espiritual é constante e Seu poder inesgotável. Quem decide permanecer encontra a Sua firme e prazerosa declaração: ‘Eu permanecerei em vós’. Que sintonia! Que projeto infalível! Isso é o Éden espiritual restaurado! Absoluta religação.”3

Em hebraico a expressão Hoshana Rabbch “significa literalmente, ‘grande Hosana’, o ‘grande salve-nos’. Esse termo refere-se ao último dia de Sukkot (que dura uma semana), quando nos dias do Templo, trazia-se água da piscina de Shiloach (Siloé) para uma cerimônia magnífica. Esse dia ainda hoje é mencionado no judaísmo moderno.4 E é interessante porque segundo João 7: 37-43 o contexto era esse, o último dia da festa [ Sukkot : celebração à tomada de Jericó]. Por isso, que Jesus ao ouvir os clamores deles no Templo disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba! Quem deposita a confiança em mim, como dizem as escrituras, rios de água viva fluirão de seu interior [...] Ao ouvir essas palavras, algumas pessoas da multidão disseram: ‘certamente este homem é ‘o profeta’ ‘; outras disseram: ‘Este é o Messias’. Ainda outras disseram: é possível que o Messias venha de Galiléia? [...] Assim, o povo ficou dividido por causa dele.”

E você o que diz de Jesus?


2- Pr. John Piper, “O Que Jesus Espera de seus Seguidores: Mandamentos de Jesus ao Mundo”, Editora Vida

3. Pr. Benedito

4- Bíblia Judaica Completa

Ruth Alencar

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