Quando a ciência cometeu o seu maior erro?


por Ariel A. Roth1


“E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem.” (Eclesiastes 1:13)

A ciência é poderosa no campo experimental. Infelizmente, essa ciência com muita frequência parece satisfeita com um sistema naturalista de explanações e desconsidera outros campos da realidade quando chega a conclusões. Esse exclusivismo torna a ciência naturalista vulnerável a acusações de entendimento simplista. Para muitos, parece haver mais na realidade do que o mero sistema de causa e efeito da ciência naturalista. Como disse um cientista: ‘É tempo de tentar restabelecer um equilíbrio entre a ciência e a espiritualidade, permitindo à humanidade encontrar novamente um lugar em seu universo.”33

O problema não é somente o evolucionismo. Em certo sentido, o evolucionismo  é apenas um importante sintoma de uma questão mais profunda. A questão é mais se a ciência naturalista persistirá em tentar proporcionar respostas a todas as perguntas dentro de seu próprio sistema fechado de explicações. Como a ciência se meteu nessa camisa de força intelectual?

A ciência cometeu o seu maior erro quando rejeitou a Deus e tudo o mais, exceto explicações mecanicistas. Ao deixar de reconhecer as suas limitações, a ciência tentou responder a quase tudo dentro de uma filosofia puramente naturalista. A evolução, portanto, tornou-se o modelo mais plausível das origens. A ciência não estaria agora defrontando os desafios aparentemente insuperáveis para a evolução se não houvesse adotado posição tão vigorosa e exclusiva. Os conceitos da criação da vida seriam ainda uma explicação possível como foram para os pioneiros da ciência moderna.

Em contraste, a Bíblia, que foi descartada pela ciência naturalista, revela muito mais inclusividade. Ela oferece informações científicas, como a de que as águas do dilúvio subiram 15 cúbicos acima das montanhas (Gênesis 7:19-21) e a sombra do sol recuou 10 graus ( 2 Reis 20:10). Ela também promove uma espécie de metodologia científica, recomendando: ‘mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom;’ ( 1 Tessalonicenses 5:21). A Bíblia incentiva a investigação (Eclesiastes 1:13; Daniel: 1:11- 16). A Bíblia também se vale da natureza como evidência, lembrando que ‘os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento  anuncia as obras das Suas mãos’ (Salmo 19:1). Ela declara que não há desculpas para não acreditar no poder de Deus quando podemos evidenciá-lo claramente nas coisas que Ele fez.

Apesar de a ciência naturalista ter rejeitado a Bíblia, a Bíblia não rejeita a ciência metodológica como meio de descobrir  a verdade sobre a natureza. A Bíblia é também inclusiva em religião, moralidade, propósitos últimos, história e significado da existência. Ela representa uma abordagem mais ampla que inclui mais da realidade que vemos ao nosso redor. Como tal, ela aparece mais adequada a tratar das grandes questões de origem e significado.

O exclusivismo na ciência desenvolveu-se de modo gradual e, paradoxalmente, tem suas raízes na corrente de livre pensamento do Iluminismo do século 18. A ciência naturalista, como uma filosofia limitante, foi aceita no século 19 com a obra de notáveis como Laplace, Hultton, Lyell, Darwin e Huxley, entre muitos outros.

Pode-se apenas especular quanto às causas desse exclusivismo. Mencionarei apenas duas possibilidades. O muito respeitável filósofo científico Michael Polanyi sugeriu uma reação excessiva sobre as limitações do pensamento medieval. Diz ele: ‘É aí que vejo o problema, onde um distúrbio profundo entre a ciência e qualquer outra cultura parece existir. Creio que este distúrbio originalmente estava inerente no impacto libertador da ciência moderna sobre o pensamento medieval, e mais adiante tornou-se patológico.

A ciência rebelou-se contra a autoridade. Rejeitou a dedução [raciocínio baseado em premissas] das primeiras causas, em favor de generalizações empíricas [percepção sensorial]. Seu ideal último foi uma teoria mecanicista do Universo.”40

Uma segunda causa pode estar enraizada no êxito  da ciência experimental. A ciência lida com fatores sólidos, como matéria e energia, e produz explicações impressionantes como as da mecânica celeste e da genética. É difícil discutir com o êxito, e , se a ciência tem tanto êxito em alguns campos, não deveria também ser bem-sucedida quando adota uma filosofia naturalista para a realidade como um todo? Infelizmente, uma das características do autoritarismo é a falha em reconhecer a si próprio. O sucesso da ciência em algumas áreas tem incentivado os cientistas e mesmo o público em geral a pensar que a ciência é todo-poderosa e a única fonte genuína da verdade. Tal sucesso pode eclipsar outras explicações menos tangíveis, porém, mais importantes, da realidade que oferecem sentido e propósito ao ser humano e à natureza. As realizações da ciência podem levar uma pessoa a satisfazer-se com explicações mais percebíveis e também mais simples, que podem não refletir plenamente a realidade.

Uma legião de outras razões para a forte postura naturalista da ciência poderia ser mencionada, e sem dúvida um complexo de causas a conduzem a isso. 


Conclusões e uma sugestão

Apesar de a ciência ser extraordinariamente bem-sucedida, o processo científico tem suas limitações. Ultimamente, tornou-se evidente que, entre outros problemas, o modelo evolucionista da ciência naturalista enfrenta sérios obstáculos científicos. Entretanto, a ciência tem dificuldade em encontrar uma saída desse labirinto por ter adotado uma firme postura naturalista e não se abrir para alternativas como a da criação. “Envolver propósito é, aos olhos dos biólogos, o pecado científico.”41 A evolução é o melhor modelo que a ciência naturalista pode proporcionar. Por outro lado, o grande número de sérios desafios à evolução que está surgindo dentro da comunidade científica42 e a decadência do positivismo e mesmo do empirismo dão esperança de que a ciência pode estar se emancipando de seu restrito repertório de explicações.

Espero que a ciência naturalista adote uma posição inclusiva para com outras áreas de pesquisa e incorpore uma gama maior de possibilidades em seu sistema de pensamento. A ciência deve voltar-se mais para a filosofia que ela possuía quando os fundamentos da moderna ciência foram estabelecidos. Naquele tempo, a ciência metodológica era a descoberta dos princípios da natureza que Deus havia estabelecido em Sua criação. Essa perspectiva ajudaria a resolver alguns dos principais questionamentos que a ciência naturalista enfrenta. Isto também proporcionaria uma base mais ampla para chegar à verdade e daria à ciência uma imagem e maior abertura e compreensão.



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1-Ariel A. Roth, Origens, relacionando a Ciência com a Bíblia, capítulo 20, pág. 323- 326, Casa Publicadora Brasileira.

33- Mousseau N. 1994. ‘ Searching for Science criticism’s sources: letters’. Psysics Today 47: 13 e 15.

40- Grene M, editor. 1969. Knowing and Being: Essay by Michael Polany. Chicago: University of Chicago Press, pág. 41.

41- Hoyle F, Wickramasinghe NC. 1981. Evolution from Space: A Theory of Cosmic Creationism. Nova York: Simon e Schuster, pág. 32

42- Ver capítulo 8


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