Conversando sobre 1 Pedro 3:18-21


Uma amiga nos perguntou:
“[...] estou com uma dúvida em relação a I Pe 3.19. Não consigo entender quem são esses espíritos aos quais Jesus pregou. Já que todos, tanto mortos quanto os vivos estão "dormindo" esperando a segunda volta de Jesus.”

João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca,”


Nova Tradução na Linguagem de Hoje

 “Pois o próprio Cristo sofreu uma vez por todas pelos pecados, um homem bom em favor dos maus, para levar vocês a Deus. Ele morreu no corpo, mas foi ressuscitado no espírito, e no espírito foi e pregou aos espíritos que estavam presos. Estes eram os espíritos daqueles que não tinham obedecido a Deus, quando ele ficou esperando com paciência nos dias em que Noé estava construindo a barca.”


King James Version

“For Christ also hath once suffered for sins, the just for the unjust, that he might bring us to God, being put to death in the flesh, but quickened by the Spirit: By which also he went and preached unto the spirits in prison; Which sometime were disobedient, when once the longsuffering of God waited in the days of Noah, while the ark was a preparing”


Bíblia de Jerusalém

“Com efeito, também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito, no qual foi também pregar aos espíritos em prisão, a saber, aos que foram incrédulos outrora, nos dias de Noé, quando Deus, em sua longanimidade, contemporizava com eles, enquanto Noé construía a arca, na qual poucas pessoas, isto é, oito, foram salvas por meio da água.”


Mensagem

“Afinal, o que Cristo definitivamente fez: sofreu por causa dos pecados dos outros, o Justo pelos injustos. Ele enfrentou tudo isso — foi morto e ressuscitou — para nos conduzir a Deus. Ele proclamou a salvação de Deus às gerações anteriores, que estavam na prisão por não terem escutado. Vocês sabem que, embora Deus tenha esperado pacientemente que Noé construísse uma arca,”


Versão francesa Louis Segond

« Christ aussi a souffert une fois pour les péchés, lui juste pour des injustes, afin de nous amener à Dieu, ayant été mis à mort quant à la chair, mais ayant été rendu vivant quant à l'Esprit, dans lequel aussi il est allé prêcher aux esprits en prison, qui autrefois avaient été incrédules, lorsque la patience de Dieu se prolongeait, aux jours de Noé, pendant la construction de l'arche, »


Pesquisando o tema que você me pediu, o que eu compreendi levando em conta o contexto é que a expressão ‘espíritos em prisão’ faz referência à geração presa ao pecado e à injustiça e que estava sendo muito desobediente nos dias de Noé.


Provérbios 5:22-23 "Os próprios crimes do ímpio lhe serão armadilha. Ele rapidamente será envolvido pelas cordas do seu pecado, Morrerá pela falta de disciplina; a magnitude de sua tolice o fará cambalear e cair." (Bíblia Judaica Completa)

No contexto geral da Bíblia o conceito da morte é muito bem definido: voltamos ao pó, dormimos. O que me permite concluir que Jesus não visitou um lugar, onde pudesse estar a geração perdida nos dias de Noé, chamado de inferno (hades), para pregar para eles.

A questão do termo ‘prisão’ eu compreendo como preso ao pecado. Veja o que Paulo diz na carta aos Romanos 7: 14 : “Porque sabemos que a Torah é do Espírito; quanto à mim estou preso à velha natureza, vendido ao pecado como escravo.” (Bíblia Judaica Completa)

Veja o que o pr. Alberto R. Timm escreveu sobre este tema de 1 Pedro:

Quem são os espíritos em prisão para os quais Jesus pregou, em I Pedro 3:18-21? O texto está falando da possibilidade de serem batizadas pessoas que já morreram?



“Alguns comentaristas bíblicos identificam a pregação aos “espíritos em prisão” mencionada em I Pedro 3:19 como uma suposta pregação de Cristo, após a Sua morte e antes de Sua ressurreição, aos espíritos desencarnados dos antediluvianos. Outros chegam a propor que Cristo foi pregar, após Sua ressurreição, aos anjos maus que haviam sido desobedientes nos dias de Noé.

A primeira dessas teorias é inaceitável, pois contraria o claro ensino bíblico (1) de que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9:27); e (2) de que os mortos permanecem inconscientes na sepultura até o dia da ressurreição (ver Jó 14:10-12; Sl 146:4; Ec 9:5, 10; I Co 15:16-18; I Ts 4:13-15). Seria, portanto, completamente antibíblico pretender que Cristo, enquanto repousava na sepultura ou mesmo após Sua ressurreição, haja descido ao inferno para estender uma nova oportunidade de salvação aos pretensos espíritos desencarnados dos antediluvianos.

Já a teoria de que Cristo pregou, após Sua ressurreição, aos anjos maus que haviam sido desobedientes nos dias de Noé não consegue responder satisfatoriamente algumas questões básicas: que necessidade haveria de Cristo pregar aos anjos caídos, sendo que estes já não tinham mais acesso à salvação (Jd 6)? Como conciliar o fato de I Pedro 3:20 qualificar esses “espíritos em prisão” como havendo sido desobedientes “noutro tempo” com o conceito bíblico de que os anjos maus continuam desobedientes até hoje (Ef 6:12; I Pe 5:8)?

Analisando detidamente o conteúdo de I Pedro 3:18-21, percebe-se, em primeiro lugar, que a pregação “aos espíritos em prisão” foi levada a efeito por Cristo em Sua condição original glorificada. Esta interpretação é sugerida pela própria construção da frase “morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (verso 18). A expressão grega traduzida como “vivificado no espírito” (verso 18), tomada isoladamente, pode ser vertida também como “vivificado pelo Espírito” (com referência ao Espírito Santo). Mas quando aplicada especificamente a Cristo, e usada em contraste com a expressão “na carne”, a tradução mais apropriada é “vivificado no espírito”.

Nesse caso, “morto sim, na carne” refere-se à condição de humilhação de Cristo durante Sua encarnação; enquanto “vivificado no espírito” é uma alusão ao Seu estado original de exaltação, reassumindo após Sua ressurreição (Rm 1:3-4; I Tm 3:16). Assim, o fato da pregação “aos espíritos em prisão” ser associada no verso 19 ao Cristo “vivificado no espírito” nos impede de ver qualquer cumprimento dessa pregação durante o Seu estado de humilhação ou encarnação.

Já os “espíritos em prisão” (verso 19), que foram o alvo da pregação de Cristo, são identificados no verso 20 como sendo os “desobedientes” antediluvianos dos “dias de Noé”. O termo “espírito” (grego pneuma) é usada neste texto, e em outras partes do Novo Testamento (I Co 16:18 e Gl 6:18), como uma referência a pessoas vivas capazes de ouvirem e aceitarem o convite da salvação. Por sua vez, a expressão “em prisão” refere-se obviamente, não a uma prisão literal, mas à prisão do pecado em que se encontra a natureza humana carnal não regenerada (ver Rm 6:1-23; 7:7-25).

Diante disso, somos levados à evidente conclusão de que a pregação de Cristo aos antediluvianos impertinentes foi efetivada através de Noé “divinamente instruído” por Deus (Hb 11:7) e qualificado pelo próprio apóstolo Pedro como “pregador da justiça” para os seus contemporâneos (II Pe 2:5).

Pedro evoca, então, à lembrança a analogia de Cristo entre os “dias de Noé” e os últimos dias (ver Mt 24:37-39). Assim como Noé e sua família foram salvos da morte “através da água” do dilúvio pela arca (I Pe 3:20), os cristãos são salvos da morte espiritual através do “batismo” “por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (verso 21; ver Rm 6:4-14). Portanto, vivas, que previamente se arrependeram de seus pecados (At 2:38) e creram em Jesus Cristo (Mc 16:15-16).”

Muito legal sua pergunta, gostei muito, pois me fez pesquisar e oportunizou um aprendizado para mim.

Comentários

  1. Obrigada por sua disposição! Que Deus a abençoe sempre!!!

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  2. Então significa somente que o mesmo Espírito que anunciava o evangelho através de Jesus, era o mesmo que assim o fazia através de Nóe. É isso?

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    Respostas
    1. Sim. Jesus está presente conosco antes mesmo da fundação do Mundo. Quando Ele decidiu morrer por nós não Se fez presente apenas por ocasião de Seu nascimento, mas em todo o Antigo Testamento está registrada a Sua presença. E Ele esteve com Noé espiritualmente tocando sensibilizando os homens quanto a advertência da destruição.

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