Perdão temporal e perdão para a vida eterna

por Pr. Benedito Muniz
Este texto é uma transcrição adaptada. Você pode ver e ouvir o sermão original aqui

O pecado judia das pessoas.

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos; volte-se ao Senhor, que se compadecerá dele; e para o nosso Deus, porque é generoso em perdoar.” (Isaías 55:6-7)

O que é ser generoso, rico em perdoar?

. é ser transbordante em perdoar;

. é perdoar mesmo antes de se suplicar perdão;

. é não ter mágoa de ninguém;

. é querer ter consigo aquele que machuca e ofende.

“Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente;” (Gênesis 2:16-17). Deus disse isso a Adão como representante da raça humana.

Acontece que o ser humano pecou, transgrediu a vontade de Deus e sua Lei e não morreu.  E não há essa interpretação de que ele não morreu fisicamente, mas morreu espiritualmente porque ela é secundária.

Quando Deus falou ‘certamente morrerás’, Ele estava falando de eliminação. O ser humano viraria gás cósmico! Então, a pergunta que surge é: por que o ser humano não foi eliminado se o Senhor faz cumprir a Sua Palavra? Só temos uma resposta: ele não foi liquidado porque foi perdoado para continuar respirando.

Adão e Eva continuaram respirando por causa do perdão de Deus que se antecipou ao pecado. A sentença de morte foi suspensa por causa da decisão do Senhor Jesus de ficar no lugar do homem.

Existe um pilar na doutrina da salvação: pecado não se perdoa, pecado se paga. Nunca Deus perdoou o pecado de ninguém! Tudo isto que a gente lê na Bíblia de perdão dos nossos pecados, na verdade é perdão à nossa pessoa, não aos nossos pecados.

O pecado nunca admitiu e jamais admitirá o perdão. Ele só admite paga. Foi isso que o Senhor Jesus fez: pagou os nossos pecados. Convido-lhe para meditarmos nas palavras de Jesus na cruz: ‘está consumado’!

O que Jesus disse foi uma expressão muito conhecida no Seu tempo.  Quando um servo terminava um trabalho ele chegava para o seu senhor e lhe dizia:‘tetelestai’, está concluída a obra.

Numa transação comercial quando a dívida era quitada, o produto era pago. Um dos dois dizia ‘tetelestai’. Normalmente era quem estava pagando.

Quando Jesus morreu na cruz Sua morte é antecedida desta declaração extraordinária: ‘tetelestai’, está concluída a obra e o preço alcançou o pagamento. O pecado da humanidade está pago. Quem entrava debaixo desse grito de Cristo? Toda a humanidade, ninguém ficou de fora.

O pecado não pegou Deus de surpresa. Adão e Eva devem ter ficado muito surpresos por não terem sido fulminados. O pecador vive por graça. Respiramos porque o Senhor Jesus assumiu o nosso lugar: estamos perdoados. Na história da humanidade esse é o único caso em que o remédio se antecipa à doença. A cura antecede à patologia.

Este é o perdão temporal. Limitado dentro do tempo. É uma emergência para se conseguir o definitivo.

O perdão não beneficia apenas aquele que se entrega humildemente a Jesus. Na verdade neste mundo não há ninguém que não esteja perdoado. Ninguém passou por este mundo que não tenha sido perdoado!

Entretanto, a maioria está perdoada apenas para os anos de sua vida, 70, 80 anos! O Evangelho é comunicar às pessoas que já existe perdão à disposição. Perdoar é coisa da eternidade.

Olha que zona de conforto fica a igreja! O equivoco do cristianismo é sair balançando a bandeira denominacional! Nós balançamos a bandeira do perdão de Deus.

O coração bate por causa da graça.

Perdão temporal é geral. É impessoal. Todos se beneficiam. A criancinha nasce perdoada, senão ela morreria! Se ela não tivesse debaixo desse toldo da graça. Se não houvesse esse calção de misericórdia, o ser humano não respirava.

“... porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração.” (Atos 17:28)
Paulo atacou isto de forma precisa neste discurso dele aos epicuristas  históricos, a elite intelectual de Atenas.

Para receber o perdão temporal Deus não exigiu e nem exige arrependimento e confissão dos pecados. Ele só credita a vida e diz pode viver.  Ai vem o ser humano arrogante e metido e diz: ‘a vida é minha, eu vivo a vida do jeito que eu quero.’

Coitado! Não sabe que vive por graça. O Evangelho tem esse compromisso de colocar o ser humano em seu verdadeiro lugar: um dependente absoluto de Deus. Depois coloca-lo no seu devido lugar que é no colo do Pai por toda a eternidade.

No perdão temporal Deus não espera resposta ética. Deus não espera que o ser humano O obedeça só porque Ele lhe deu o oxigênio e a água. Ele diz viva!

O perdão temporal garante para o ser humano as bênçãos da vida temporal: a fertilidade da terra, a diversidade das frutas, legumes e cereais, etc.

Foi num contexto da graça que Ele disse a Noé: olha para a nuvem e o arco-íris da graça estará ali. Enquanto houver homem na face da Terra não faltará semente e sementeira. E isto é para todos. Isto é perdão, é graça.

A vocação acadêmica, a inteligência, a escolha romântica, tudo é benção do perdão. A maternidade e a paternidade são dons de Deus. A capacidade de empreender é dom do perdão temporal. Todas as bênçãos do perdão temporal fazem parte desse pacote de misericórdia.

Leia o Salmo 73 

Asafe era preconceituoso! Ele achava que Deus tinha que ser bom apenas para o povo de Israel. Ele não concordava com a prosperidade dos filisteus. Asafe não entendia o perdão temporal. A teologia de Davi era mais equilibrada e mais ajustada: ‘O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.’ (Salmo 145: 9)

Jesus nos ensinou: ‘Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.’ (Mateus 5: 44-45)

Como entendemos isto? Pelo perdão temporal.
‘Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus.’ (Lucas 6:35)
Deus maravilhoso! Esse é o caminho para falar do amor de Deus. As pessoas precisam saber que elas estão vivendo pela graça de Deus. A decisão de salvar tinha tanto poder de salvar como quando Ele disse: tetelestai.

Quem viveu e foi salvo antes da cruz foi salvo na força da promessa. A força da decisão que garantiu o perdão temporal e todas as bênçãos dele.

No contexto temporal as bênçãos de um simples copo com água, bebe tanto o santo como o criminoso; o justo, como o injusto; O puro, como o devasso. Isto é amor de Deus.

Qual o objetivo do perdão temporal?

Viver 60, 70 anos? Estudar, concluir uma Universidade? Fazer um mestrado, um doutorado, um pós-doutorado? Ganhar dinheiro, empreender? Se apaixonar, casar, ter filhos? Tudo faz parte na vida, mas não é a essência! A essência da vida é que nesse mundo do perdão temporal eu descubro a vida eterna.

Para Deus só existe um tipo de vida: a eterna. Isto que a gente chama de vida temporal a Bíblia chama de morte.

Perdão para a vida eterna. Ele também é geral, é amplo no sentido de providência e de oferenda.
‘Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.’ (João 3:16)
Ao contrário do perdão temporal, em que o ser humano recebe o crédito sem se arrepender e confessar para entrar no nível da vida eterna é preciso arrependimento e confissões de pecados.
‘O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.’ (Provérbios 28:13)
A doutrina do arrependimento e confissão vai ficando escassa neste cristianismo semi pagão do século 21 que tenta acasalar pecado e graça: pecado eu confesso, perdão eu aceito!

Continua vivendo vida comum quem assim pensa. Agora quem confessa e deixa, alcança a dimensão da vida superior. Quanto a Deus o trato dEle com o pecado foi o pagamento. Ele pagou!

Quanto a nós, nossa relação com o pecado é: pecado eu confesso, perdão eu aceito! Quando Cristo pagou a dívida da humanidade desde a sua decisão, cujo ponto culminante foi na cruz, a dívida estava paga e o perdão oferecido.

Se o pecado não se perdoa, se o pecado se paga por outro lado podemos concluir com segurança que o Senhor Deus não perdoou nossos pecados, Ele pagou pra que pudesse perdoar a nós. Quem é o objeto do perdão de Deus? Nós! Quem é o objeto do perdão de Deus? Eu!

Deus pagou meus pecados e me deu perdão. Eu posso aceitar ou rejeitar. E isto vai determinar salvação ou perdição. O homem não é salvo ou perdido porque ele deixa de fazer ou faz o que é bom ou ruim. Sua salvação depende do que ele faz ou não faz com o que Cristo providenciou para ele.

No coração de Deus não existe um ser humano que não esteja perdoado. No coração de Deus!

O Evangelho anuncia: existe perdão. Aceitem, confessem-se, arrependam-se e recebam perdão. Perdão de Deus não se suplica, perdão de Deus se aceita.  Se eu quiser ajustar bem a teologia da salvação eu vou dizer: perdão de Deus não se pede, se acolhe, se aceita!

Ninguém comove a Deus a perdoar. Ninguém! Deus não é comovido a perdoar quando uma pessoa clama aos prantos arrependida. Não! Ele perdoou porque quis!

No momento do arrependimento e da confissão o Senhor Deus só credita na vida o que já existe. Você pensa que está respirando oxigênio? Vc está respirando perdão.

O perdão no contexto da vida eterna é pessoal quanto ao crédito. Recebe-se individualmente. No perdão para a vida comum (perdão temporal) é impessoal.
‘Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.’ (1 João 1:9)
Essa é a condição: confissão. Se! Se eu não confessar eu continuarei apenas respirando. Agora, se eu confessar em arrependimento profundo pelo toque do Espírito de Deus eu entro na dimensão da vida eterna.
‘E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.’ ( 1 João 5:11)
Que sensação maravilhosa! O ser humano sair da dimensão comum e entrar na dimensão da vida eterna. O cristianismo está repleto de pessoas que se dizem cristãs, mas que têm a sensação, a mentalidade  de quem vive a vida comum apenas.

Há pessoas que confessaram seus pecados. Entregaram suas vidas. Têm o nome no Céu, mas também têm dificuldade de aceitar isso. Essas pessoas têm status de justo e mente de ímpio. Nunca desfrutarão, nem serão a benção que Deus planejou para elas. Deus nos livre disso!

O crédito do perdão depois do arrependimento e da confissão me coloca na dimensão da vida eterna.

Para o perdão temporal Deus não pede resposta ética. No perdão para a vida eterna Ele pede.
‘Fez sair com alegria o seu povo, e com cânticos de júbilo os seus escolhidos.  Deu-lhes as terras das nações, e eles herdaram o fruto do trabalho dos povos, PARA que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvai ao Senhor.’ (Salmo 105: 43-45)
Esse ‘para’ é a ponte que liga arrependimento com a vida cristã. Ele tirou do Egito, símbolo da escravidão do pecado, pô-los em liberdade, para/ objetivo. O objetivo do perdão, da justificação, do crédito do perdão para a vida eterna é para a obediência. É sair de uma ética para outra. É sair do desequilíbrio para o equilíbrio.

O perdão de Deus, agora no contexto da vida eterna, mais do que as bênçãos temporais garante também algumas bênçãos da vida eterna.
‘Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo.’ (Efésios 1:3)
Bençãos celestiais:

- paz de espírito que o ímpio não tem;

- equilíbrio bio psíquico;

- relacionamento saudáveis;

- senso de missão;

- esperança de ver Jesus voltar;

- família mais ajustada;

- romance mais ajustado;

- a sensação prazerosa de que vamos entrar num corpo de bênçãos que nós não temos. Em teologia chamamos isso de o , que é o Reino da Graça agora e o ainda não, que é o Reino da Glória por ocasião da volta de Jesus.

O Céu é mais que um lugar. Jesus é o Céu. Ele disse: quem me aceitar o Pai e eu faremos morada nEle. Ponha sua mão direita sobre seu peito e diga: aqui nesse peito não pulsa a vida comum. Nesse peito pulsa a vida eterna.

Vida eterna não é benção em expectativa. Vida eterna é benção desfrutada e não vai começar quando Ele aparecer em glória, e num abrir e fechar dos olhos sermos transformados. A vida eterna começa quando chega a vida que é Jesus. Quando Jesus, que desbanca o Diabo, ocupa o coração.

Você é filho ou filha eterna de Jesus. Você pode até cair da graça, mas você tem juízo e não vai querer fazer isto.

A abundância da graça foi suprida para viver a dimensão desse perdão para a vida eterna. Parece que o ser humano não tem muita dificuldade para aceitar que Cristo é capaz de resolver os pecados passados. Parece que há muita dificuldade em aceitar a questão da justificação pela fé. Onde se tem dificuldade é que Ele é capaz de me livrar de tropeçar.

O Senhor não tira você de um poço de perdição para uma vida cristã de cai, levanta, cai, levanta ...
‘Sobreveio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;’ (Romanos 5:20)
A Bíblia está dizendo aqui que o pecado encharcava a nossa vida. Desde o aspecto físico, toda a genética, todas as emoções. Porém, a graça chegou e assumiu o comando.

O perdão de Deus não é meramente um ato... transforma o coração. Aqui nesta vida livramento do pecado se refere ao comportamento ético e será livramento do pecado como natureza, mas por enquanto está tratando é do nosso dia a dia aqui. É o transbordamento do amor redentor que transforma o coração. Quem está dominado pela graça está vivendo vida sobrenatural. O Evangelho chega na nossa vida para dizer que um novo ocupante tomou lugar. Mais do que a libertação da culpa, a providência do Evangelho é para nos libertar de um proceder contrário a vontade de Deus.


 Pr. Benedito Muniz

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