A natureza missionária de Deus



Por Pr. Alejandro Bullón

                                      Fonte: https://youtu.be/GeBYxe1pf_w

Neste estudo consideraremos cinco pontos:

1- O ser humano foi criado por Deus de uma maneira especial;

2- Adão e Eva foram criados com liberdade, algo que os outros seres criados não tinham;

3- Devido ao uso errado dessa liberdade, aconteceu a tragédia  que nós chamamos de pecado;

4- Deus revelou Sua natureza missionária ao sair em busca da criatura caída a fim de resgatá-la de sua triste situação;

5- Veremos algumas metáforas da missão.

Comecemos falando do ser humano no momento em que saiu das mãos do Criador. Adão era um ser perfeito. Não era o ser egoísta que busca seus próprios interesses sem se importar com a desgraça alheia. Adão era uma pessoa nobre porque refletia o caráter de Deus. A sua criação não tinha sido como a criação das outras criaturas. Explico: Até o sexto dia da criação Deus tinha usado o poder de Sua palavra para trazer a existência as coisas e os animais. Seja luz, disse. E a luz apareceu. Produzam a terra as ervas verdes, disse, e então surgiram as plantas. No quinto dia Deus disse: Que apareçam as aves o campo e as aves apareceram! Mas, no caso do ser humano não foi assim.

Antes da criação do homem as três pessoas da divindade se reuniram: Pai, Filho e Espírito Santo. Gênesis 1: 26 -27 dizem: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

À luz desse texto o homem foi criado com um plano em vista. Ele deveria ser o guardião da criação. Para isto, naturalmente deveria ser diferente de todos os outros seres criados.

O texto bíblico que acabamos de ler diz que Adão e Eva foram criados à imagem e semelhança do Criador. Não temos mais explicação com relação a esta imagem e semelhança. Mas, pelo contexto entendemos que eles refletiam o caráter do Criador. De outra forma, não poderiam ter sido guardiões ou guardiãs da Criação. Isto significa dizer que eles sabiam a diferença entre o que era bom e o que era mau. Eram seres morais!

Se o mundo lhes fora entregue e o Planeta estava sob o seu cuidado, os seres deveriam ser seres inteligentes. Capazes de cuidar da natureza e dos animais. Eles não poderiam oprimir a natureza, nem explorá-la ou abusar dela como os homens fazem nos dias de hoje. Eles deveriam ser mordomes de Deus no sentido de serem Seus representantes! E assim tomar conta da criação que o Senhor tinha colocado sob o seu domínio!

Na segunda parte deste estudo veremos que foi justamente essa diferença em relação aos outros seres criados que desencadeou a tragédia do pecado, porque Adão e Eva tinham sido criados com liberdade. Algo que os animais não possuíam! Os animais possuem instinto, mas não liberdade.

Para entender melhor este assunto precisamos ler Gênesis 2:15- 17 : “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Neste texto há pelo menos três pensamentos que precisamos considerar:

Primeiro, se Deus colocou Adão e Eva no Jardim para que cuidassem e o cultivassem. Eles tinham claro o conceito do que era moral e imoral. Cuidar do Jardim seria o correto. Descuidá-lo seria incorreto! Os animais não tinham esse conceito. Eles não sabiam o que era certo, o que era errado. Somente os seres humanos poderiam fazer isto!

Segundo, se Deus lhes disse que não tocassem na árvore do conhecimento do bem e do mal era porque eles também tinham um conceito certo do que era bom e do que era mau. A Bíblia não diz especificamente, mas o homem e a mulher foram criados com um sentido de ética do qual não poderiam fugir!

Finalmente o terceiro pensamento, eles eram livres. Livres para obedecer, ou livres para desobedecer. Foram criados livres para viver e livres para servir.  A vida para Deus não é a simples existência. Ela também inclui o serviço. O serviço que lhe dá sentido para a existência. O serviço que nasce do amor a Deus, em primeiro lugar, e ao próximo em consequência. Mas, como poderiam amar a Deus se não fossem livres? Amor por obrigação não é amor! Portanto, a vida que eles tinham recebido de Deus traziam consigo a liberdade e o amor.

Entretanto, a liberdade tem um preço, um alto preço, pois envolve a responsabilidade. Você é livre para fazer o que quiser, mas é responsável por seus atos! Nada passará por alto! Tudo será trazido a juízo, diz a Palavra de Deus.

Na terceira parte deste estudo veremos que o pecado de Adão e Eva não foi tão inocentes como poderia parecer o simples fato do comer de um fruto. Não tinha nada de moral ou imoral no fato de comer do fruto. A moralidade estava envolvida na atitude. A eles, Adão e Eva, não lhes cabia determinar o que era bom e mau. Eles eram livres para escolher entre o bem e o mal, mas não para determinar o que é certo e errado. Essa era uma atribuição exclusivamente divina. A liberdade do ser humano consistia em escolher entre o bem e o mal determinado por Deus.

Agora se o homem ou a mulher se colocassem a definir o que era bom e o que era mau eles estariam se colocando no lugar de Deus, porque só a Deus cabe determinar o que é certo e o que é errado.

Mas, o que aconteceu com o ser humano? Ah! Ele não apenas comeu da fruta, mas também assumiu uma atitude desafiadora: Determinou que aquilo que estava fazendo era melhor para ele!

Gênesis 3:6 diz: ‘Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.’

Observe que ela viu que o fruto era bom. Este verbo VER não é ver com os olhos, mas sim chegar a conclusão, concluir, determinar. E que logicamente ao fazê-lo eles se colocaram no lugar de Deus. Por isso, depois do pecado Deus disse: “Eis que o homem se tem tornado como um de nós, sabendo o bem e o mal.” (Gênesis 3:22)

Este verbo ‘SABER’ é o mesmo usado em 1 Samuel 2:3, quando se diz : “Não multipliqueis palavras de altivez, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o Senhor é o Deus do conhecimento, e por ele são as obras pesadas na balança.”

Ah! De acordo com essa declaração só Deus é o Deus do conhecimento no sentido de determinar tudo! Ele pondera as ações. Ele determina as coisas. As obras são determinadas por Ele. Ele é o Deus do conhecimento. E o ser humano que se atrever a fazer aquilo que só Deus deve fazer, é soberbo, presunçoso, insolente. Esta foi a atitude de Adão e Eva no Jardim!

Eles não se limitaram a escolher entre o bem e o mal. Mas, se atreveram a chamar o mal de bem! A atitude deles foi muito parecida com o homem moderno, que não se limita a escolher o certo e o errado, ele é livre para isso. Mas, ele se coloca no lugar de Deus para dizer isto é bom, isto é ruim sem se importar com aquilo que Deus diz.

E ao fazê-lo naturalmente o ser humano se coloca no lugar de Deus. Vira-se contra o próprio Deus! Torna-se ele o seu próprio Deus! O resultado do atrevimento humano no Éden foi terrível! Eles tiveram que abandonar o Jardim. E talvez essa ação divina possa parecer injusta, mas é verdade.  

Na verdade é que foi mais uma demonstração do amor e da misericórdia de Deus, porque se ficassem no Jardim teriam acesso a árvore da vida e jamais morreriam.  Agora você já imaginou como seria uma vida de pecado se não existisse a morte? Aonde chegaria o ser humano, se hoje ele faz tudo o que faz sabendo que vai morrer? Imagina o que ele faria se soubesse que não vai morrer.

Vejamos agora a atitude de Deus diante do ser humano. Esta é a quarta parte do nosso estudo.

Vejamos agora a atitude de Deus diante do ser humano. Esta é a quarta parte do nosso estudo. Deus poderia ter abandonado a humanidade ao seu triste destino? Ela mesma, a humanidade, tinha escolhido a morte. Ninguém a tinha obrigado a pecar, mas o Senhor chegou ao Jardim procurando por Adão e Eva. A Sua natureza missionária O levou a procura-los.

Chegou no Jardim com uma pergunta existencial: Adão onde estás? Esta é a pergunta que todos temos que responder um dia. Quando as coisas andam mal na tua vida, você se sente às vezes só, triste. Acha que não tem mais saída. Nestes momentos jamais se pergunte onde está Deus, pergunte-se onde está você, porque Deus está no mesmo lugar onde Ele sempre esteve. Deus nunca abandonou você.

Desde aquele dia Deus tem procurado o ser humano. Tem buscado o ser humano o ser humano ao longo da história, sempre chamando onde você está? Onde você está?

A Sua natureza missionária é tão forte que um dia o Filho, a segunda pessoa da divindade, Se fez homem e saiu dos Céus para salvar e buscar o que tinha se perdido.

A salvação do ser humano não era apenas um assunto de encontrá-lo. O homem tinha escolhido a morte. Tinha pecado merecia morrer. Mas, não queria morrer. O que fazer então para salvá-lo? Aqui entra o mistério da encarnação. E também o mistério da justificação.

Paulo diz em 2 Coríntios 5:21 :  “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.”

Paulo aqui está falando de uma transferência. O ser humano é pecador, merece morrer. Jesus é justo merece viver. Mas, por amor ao ser humano, Deus coloca em Jesus todos os pecados do ser humano e faz do pecador um ser justo como se nunca tivesse pecado. Como pode ser isto?

Bom, esse é o mistério do amor. O ser humano jamais poderá entender, só precisa crer e aceitar.

Chegamos no fim deste estudo, falando de algumas metáforas da missão. A missão é a iniciativa divina de salvar o pecador arrependido. E esta iniciativa é motivada unicamente pelo amor de Deus. Não existe outra razão. Este amor levou o Pai a enviar o Seu Filho para redimir a humanidade. E antes de voltar para os Céus Jesus reuniu os Seus discípulos e lhes disse: Assim como meu Pai me enviou, assim Eu envio vocês. A conclusão é clara. Sendo que saímos das mãos de um Deus missionário é lógico que sejamos também missionários. Sendo que refletimos o caráter do Pai, e a natureza do Pai é missionária, o resultado natural é que também nós nasçamos no Reino de Deus, com a natureza missionária.

Por isso, em Mateus 5 Jesus apresentou duas metáforas da natureza missionária da Sua Igreja: o sal e a luz. É impossível que a luz não ilumine. Se cada cristão é uma lâmpada acesa, se o Evangelho se fez carne em nossa vida, se cada um reflete a glória de Deus é impossível que o mundo deixe de ser evangelizado.

A primeira coisa que precisamos no mundo é de cristãos que tenham encarnado o Evangelho nas suas vidas. E iluminem!

Se acreditamos que isto é óbvio, que cada cristão está fazendo o seu trabalho e achamos que isto é obvio e então estamos mais preocupados em descobrir estratégias e métodos para aumentar o número de membros, então começamos de forma errada e com toda certeza fracassaremos.

O Senhor Jesus repetiu essa condição de evangelização de muitas formas.

Em outra ocasião Ele disse: Vós sois o sal da Terra. Qual é a missão do sal? Dar sabor aos alimentos. E como o sal cumpre a sua missão? Ah! Não realiza nenhuma campanha, simplesmente se dilui entre os elementos da comida e transforma o seu sabor.

Nós somos o sal desta Terra. Precisamos andar entre os seres humanos. Refletindo a glória de Deus e transformaremos então até as próprias estruturas do mundo. Nenhum desses elementos que simbolizam a Igreja de Deus cumpre a sua missão através de campanhas. Nem o sal, nem a luz.

Agora enquanto os membros não assumem o seu papel de luz e de sal ai viveremos inventando métodos como substituição da missão evangelizadora que Cristo deixou para Sua Igreja.

Nós os lideres temos a responsabilidade de não esquecer qual é o plano de Deus tem para a Sua Igreja. Que Deus lhe abençoe.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

3º Dia: Por que as coisas pioram quando mais buscamos a Deus?

O Rio Jordão: As Águas de Naamã

Revelação e Explicação do Sonho de Nabucodonosor - Capítulo 2