1 João 1:1-4

“As epístolas que trazem o nome de João são anônimas. A primeira não tem dedicatória nem assinatura. Há, porém, afinidades tão íntimas elas e o quarto Evangelho, no tocante ao estilo e à matéria versada, que a maioria dos eruditos concorda que os quatro escritos tinham um só autor. Até mesmo os poucos que pensam diferentemente são constrangidos a admitir que o escritor da primeira epístola deve ter sido o autor do Evangelho. [...]

A epístola foi escrita num tempo em que a falsa doutrina, do tipo gnóstico, havia surgido e até levado alguns a se afastar da igreja (2:19) O gnosticismo assumia muitas formas, porém sua ideia fundamental parece que sempre foi a seguinte: a matéria é má, só o espírito é bom, porém pelo saber (grego gnõsis), de uma espécie só conhecida pelos iniciados, o espírito do homem pode libertar-se de sua prisão material e erguer-se para Deus. Onde tal sistema se associou ou se uniu ao Cristianismo, seguiram-se resultados sérios. Em primeiro lugar, negava a possibilidade de uma real encarnação, porque, sendo Deus bom, não Lhe era possível que viesse a entrar em contato com a matéria má; e isto, por sua vez, afastava a possibilidade da expiação, porque o Filho de Deus não podia ter sofrido na cruz. Igualmente, se a salvação vinha pelo saber, podia-se sustentar que era de todo sem valor uma vida correta, e as piores formas de gnosticismo acobertavam, com a capa do saber, nojentas licenciosidades.

Esta epístola tem por finalidade, expressamente declarada, expor e refutar essas ideias errôneas. João apresenta três sinais de um verdadeiro conhecimento a respeito de Deus e de comunhão com Ele, sem o que era falsa toda pretensão de se possuírem estes altos privilégios: Justiça de vida; Amor fraternal e Fé em Jesus como Deus encarnado.

Esta epístola é orientada por dois grandes pensamentos acerca de Deus: Deus é Luz e Deus é amor.

Deus é o sol do firmamento espiritual, a fonte de luz para o espírito, e de calor para o coração dos Seus filhos. Daí procede a responsabilidade que os filhos têm de viver de acordo com os elevadíssimos padrões morais. [...]

O escritor dirige-se aos leitores com conhecimento íntimo deles, com solicitude paternal e interesse afetuoso – ‘filhinhos’, ‘amados’. (O Novo Comentário da Bíblia vol. II, Edições Vida Nova)

1:1-4: “Desde o primeiro dia, estávamos lá, participando de tudo — ouvimos com nossos ouvidos, vimos com os próprios olhos, tocamos com as mãos. A Palavra da Vida se manifestou bem diante de nós. Somos testemunhas oculares! Agora, sem floreios, contamos tudo a vocês. O que testemunhamos foi simplesmente incrível: a infinita Vida do próprio Deus tomou forma diante de nós.

Nós o vimos e o ouvimos e agora estamos contando a vocês, para que, como nós, tenham a experiência da comunhão com o Pai e o Filho, Jesus Cristo. A razão de eu estar escrevendo é apenas esta: queremos que vocês desfrutem isso também. A alegria de vocês duplicará a nossa!” (Bíblia A Mensagem)


Comentários

“João dá testemunho inestimável de que havia visto Cristo e estado com Ele. Na história da igreja apostólica, o inimigo tentou introduzir questões que levariam à dúvida e dissenção. Nesta época, o testemunho de João foi de valor inestimável para estabelecer a fé dos crentes. Ele podia dizer com segurança: Sei que Cristo viveu na Terra e posso dar testemunho quanto às Suas palavras e obras. [...]

Em sua idade avançada, João revelou a vida de Cristo em sua vida. Ele viveu até quase 100 anos e, vez após vez, repetia a história do Salvador crucificado e ressurreto. Veio a perseguição sobre os crentes, e aqueles que tinham pouca experiência muitas vezes se encontravam em perigo de afastar-se de Cristo. Mas o idoso e provado servo de Jesus conservou firmemente sua fé.” (Comentário Bíblico Adventista, pág. 1056)




“A mensagem do Evangelho está resumida na frase significativa o Verbo da Vida, ou Palavra da Vida, sendo que o Verbo lembra ‘Aquele que no princípio estava com Deus, fez-se carne’ e armou a tenda de sua habitação entre os homens; e vida lembra-nos que ‘nEle estava a vida e a vida era a luz dos homens’. Este Evangelho não era nenhuma inovação ou coisa recentemente inventada (era desde o princípio), nem se ocupava de alguma figura mitológica, como as formas vagas dos mistérios gregos, mas de uma Pessoa genuína e histórica, que fora ouvida, vista e até apalpada. A mensagem do Evangelho não é nenhuma teoria ou conto de fada, mas o registro da vida e da presença entre os homens do Deus vivo, de forma tangível na pessoa de Seu Filho.

João apresenta sua justificativa para falar assim de Jesus Cristo, a saber, que ele fala da experiência própria. Nem mesmo uma história ouvida contar de outros, mas um testemunho de primeira mão de benditos privilégios por ele mesmo gozados e por muitos outros que entraram em contato íntimo com Jesus Cristo durante os dias de Sua vida terrena. Eram noticias boas demais para eles guardarem para si só; precisavam dar testemunho.” (O Novo Comentário da Bíblia vol. II, Edições Vida Nova)


Indicamos: O Messias 


Ruth Alencar

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