A flexibilidade do profeta Jeremias

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O homem e a mulher tementes a Deus precisam ser muito flexíveis. Muitas vezes Deus manda fazer coisas muito óbvias ou coisas muito estranhas, coisas muito fáceis ou coisas simplesmente impossíveis. O servo obediente, o servo submisso, o servo já acostumado com estes mandos lá de cima, o servo humilde, faz tudo que ele manda e sempre dá certo.

A Noé Deus ordenou que construísse uma barca de três andares, de 133 metros de comprimento por 22 de largura por 13 de altura, longe do mar ou de algum rio (Gn 6.14-16). A Abraão Deus ordenou que ele saísse de sua própria terra e de seus parentes próximos e remotos e caminhasse para longe, para uma terra que ele mostraria mais na frente (Gn 12.1). A Moisés, quando ele e todo o povo de Israel estavam parados diante do Mar Vermelho, Deus ordenou que eles seguissem em frente (Êx 14.15). E assim por diante.

O profeta Jeremias parece ser a pessoa a quem Deus mais dava ordens, que eram sempre prontamente obedecidas. A impressão que se tem é que Deus “se intrometia” na vida de Jeremias muitas vezes e exigia uma porção de coisas diferentes e curiosas.

O Senhor ordenou a Jeremias que ficasse solteiro: “Não se case nem tenha filhos neste lugar” (16.2).

O Senhor ordenou a Jeremias que não participasse de festas: “Não entre numa casa em que há um banquete, para se assentar com eles para comer e beber” (16.8).

O Senhor ordenou a Jeremias que embebedasse os reis de todos os reinos da face da terra: “Pegue da minha mão este cálice com o vinho da minha ira e faça que bebam dele todas as nações a quem eu o envio” (25.15).

O Senhor ordenou a Jeremias que comprasse isto e aquilo: “Vá comprar um “cinto de linho” e ponha-o em volta da cintura, mas não o deixe encostar na água” (13.1), “Vá comprar um “vaso de barro” de um oleiro” (19.1). Deus mandou que o profeta comprasse também a “propriedade” de seu primo Hanameel em Anatote (32.6-12).

O Senhor ordenou a Jeremias que fosse a este e aquele lugar: “Vá à casa do oleiro e ali você ouvirá a minha mensagem” (18.1); “Coloque-se no pátio do templo do Senhor e fale a todo o povo das cidades de Judá que vem adorar no templo do Senhor” (26.2); “Vá à comunidade dos recabitas, convide-os a virem a uma das salas do templo do Senhor e ofereça-lhes vinho para beber” (35.2).

O Senhor ordenou a Jeremias que não intercedesse pelo povo eleito: “E você, Jeremias, não ore por este povo nem faça súplicas ou pedidos em favor dele, nem interceda por ele junto a mim, pois eu não o ouvirei” (7.16). Esta ordem foi repetida pelo menos mais duas vezes (11.14, 14.11).

O Senhor ordenou a Jeremias algo que pareceu ridículo: “Faça uma canga e coloque sobre o seu pescoço. Amarre a canga com pedaços de couro, como se amarra um boi para puxar um arado” (27.2, BV).

O Senhor entregou a Jeremias uma tarefa muito especial: “Pegue um rolo e escreva nele todas as palavras que lhe falei a respeito de Israel, de Judá e de todas as outras nações, desde que comecei a falar a você, durante o reinado de Josias, até hoje” (36.2).

A leitura do contexto mostra que cada ordem tinha a sua razão de ser e era dada em função do longo ministério de 47 anos do profeta (de 627 a.C. a 580 a.C.). Eram preciosos recursos didáticos e pedagógicos que tornavam os recados de Jeremias audíveis, visíveis, dramáticos e impactantes.


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