Refletindo... Apenas refletindo um pouco sobre missão urbana


Apenas engatinhando sobre o imenso desafio dos que compreendem a importância da missão urbana. Começo a entender que talvez seja essa a missão que Cristo nos daria hoje como igreja, mas principalmente como cidadãos do Seu Reino.  Se o desafio dos primeiros discípulos foi levar ao mundo a mensagem de Cristo a nós é exigido viver essa mensagem já amplamente divulgada.

É uma missão complexa devido as grandes, rápidas e constantes transformações vividas pelas cidades e seus moradores. Vemos e convivemos com uma sociedade moldada por grupos. Há ‘tribos’ com suas particularidades para todos os gostos: desigrejados, cristãos cansados, ateus, religiosos...  E se formos ampliando contemplamos uma sociedade multifacetada: idosos, adolescentes, moradores de rua, órfãos, sem esquecer de mencionar os amantes, equilibrados ou não, da vida animal.

A missão urbana exige uma igreja que se mobiliza, que dialoga.  Requer uma igreja que compreende e percebe as dinâmicas que envolvem as cidades ou melhor, as cidades e suas dinâmicas. Hoje convivemos com um novo fenômeno, pelo menos, que se faz mais presente em nossos dias: a cidade é uma área de migrações.  Eles estão por toda parte. 

Questionamentos começam a surgir em minha mente. Como viver a experiência da espiritualidade intima a serviço do mundo? Como viver a paixão pessoal pela presença de Deus e o mandato de ser luz e sal no mundo, quando este está cada vez mais resistente aos assuntos de fé? Como conviver e viver com um mundo violento, inseguro, sem perder ou negligenciar o amor cristão e suas exigências? Confesso que às vezes a desconfiança tem ditado minhas ações. Preciso aprender mais sobre a experiência do sagrado com o estar e viver numa sociedade que se rendeu a corrupção, ao desamor, a hipocrisia. Preciso amadurecer o meu olhar para a multiplicação desenfreada de vendilhões da fé.  Como trabalhar a desconfiança na religião? Não dá para negar a constante e crescente tensão entre a realidade do agir humano e a mensagem dos princípios de Deus. Religar esses princípios ao interesse humano do homem dos nossos dias é uma tarefa vital para a Igreja, mas ela começa a partir de mim mesma como elemento construtor e componente desta Igreja.

O viver nas grandes cidades é uma experiência de confrontos. Vivemos a dualidade dos sentimentos: amamos e rejeitamos. Amamos todas as oportunidades que elas oferecem, mas odiamos o engarrafamento, o barulho, a insegurança... Irritamo-nos e nos divertimos. Tornamo-nos facilmente desconfiados. Como trabalhar essa desconfiança? Afinal, não dá para ser Igreja de longe.

Como realizar a aproximação do evangelho que já não é desconhecido, mas é fortemente desfigurado. Um evangelho mal vivido pela diversidade religiosa tão presente em todos os lares através de um simples clique na Tv. Um falso evangelho, em sua grande maioria das vezes, anunciado pelas inúmeras igrejas tão presentes em cada esquina. Como desmascarar os inúmeros e auto intitulados ‘pastores e pastoras’? Como alertar sobre os portadores de teologias baratas, falsas e enganadoras? Eles, os falsos cristos e profetas sobre os quais nos alertou Jesus enquanto aqui esteve.

Como seres humanos, olhamos e somos olhados como potencial ameaça a todas as coisas, ou pessoas que se aproximam de nós. Convivemos com zombadores da fé, da religião. E, honestamente, refletindo, muitas vezes somos responsáveis por isso e compartilhamos do mesmo sentimento. Nossas ações falam por nós.

Diante de tanto mal... Esse mal que nos aflige a todos, cristãos e não cristãos, convivemos com a crítica, com o julgar a Deus. Estamos como cristãos refletindo Deus em nossas vidas a ponto de podermos compartilhar a verdade de que Ele tem que ser amado por Quem Ele É em Sua essência? Compreendemos que não estamos na missão para atuarmos como advogados, mas para sermos testemunhas?

Cremos, como os que desconhecem o amanhã de Deus, que todas as projeções do presente e do futuro são sombrias e pessimistas? Se sim, o que estamos fazendo para contribuir com a mudança de estado de espírito? Qual o meu papel, como cristã, em uma sociedade que descrê das suas autoridades e de suas intenções? Sinceramente, meu olhar atual é de descrença também! Mas, interessante, não é de desesperança.

Então, talvez essa seja a chave. Eu preciso ser um agente da esperança. Preciso abraçar com fé a missão que Cristo deixou, que eu seja portadora, não só de uma mensagem, mas ser eu mesma uma agente do respeito ao próximo, do amor, da solidariedade, da justiça, da honestidade, da verdade no meio de um mundo que não acredita ou que olha com desconfiança para o futuro. Seria essa a missão do discípulo de Cristo, ir contra a lógica da cidade e de sua desesperança? Eu vou precisar de muita coragem para decidir mudar o que precisa ser mudado, ou pelo menos começar a agir neste sentido.

Isto passa pelo zelo na educação de nossos filhos, por mudanças em velhos hábitos que não levam em conta o direito do próximo. No cuidado e atenção às leis que estão sendo julgadas para aprovação ou rejeição nas instâncias politicas. Zelar pelos direitos legais dos mais suscetíveis ao abandono social. Estudar o caráter e personalidade dos que se apresentam em eleições para governar o país. 

‘A igreja deve exercer a cidadania a qual tem direito nesta sociedade. Ser agente que influencia a gestão e execução das políticas públicas. O investimento na missão sempre traz retornos ou frutos a longo prazo; o imediatismo é só veneno de corrupção. Criar mentalidade de cidadão que usufrua dos direitos, num horizonte de solidariedade é o alvo de nossa missão nas grandes cidades. Devemos conhecer e ser agentes de informações dos marcos legais que normatizam os direitos civis, políticos e sociais na sociedade urbana.’ Carlos Queiroz.

Estar no mundo sem ser do mundo. Sair mais do banco das igrejas e empoeirar os pés nas pegadas do Mestre. Estar mais próximo dos que estão próximos sem esquecer-se dos que se afastam



 Ruth Alencar

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