A Visão Apocalíptica e a Neutralização do Adventismo

Este é um livro que todo adventista deve ler, reler e ler novamente. Imprescindível em sua biblioteca. Recomendamos fortemente!


"Eu estava tendo uma vida ruim! Tudo que eu queria estava fora do adventismo e do cristianismo. Meu único desejo era voltar ao hedonismo que aproveitara durante a minha juventude. [...]"
Fiquei seis anos sem ler a Bíblia, seis anos sem orar, seis anos vagueando espiritualmente...
Durante esses longos anos estudei filosofia em meu doutorado. Mas, na ocasião em que recebi diploma, eu já havia chegado à conclusão de que a filosofia falhava em responder às questões mais básicas da vida. Esse processo foi muito importante, pois iniciei meus estudos com a esperança de encontrar o 'real sentido' da vida que tinha sido frustrada em minha experiência com o adventismo.
[...] meu orientador, um agnóstico existencialista de ascendência judaica disse que se não fosse judeu não seria ninguém. Essa declaração, vinda de um homem que rotineiramente espezinha a religião em sala de aula, apanhou-me de surpresa.
[...]
Josh me ajudou a enxergar o que eu deveria ter descoberto em Mateus 13 a respeito do joio e do trigo existentes em cada comunidade religiosa até o dia da colheita. Ele me ajudou a entender que todas as comunidades religiosas são formadas por duas classes de membros os fiéis e os adeptos culturais. [...] Sua orientação religiosa era sua vida, mesmo não sendo um 'fiel. Tratava-se de sua história sua cultura, seu convívio social, Josh de amava e respeitava sua comunidade religiosa por todas essas razões.
[...]
Meu primeiro professor de religião foi 'convidado' para almoçar em minha casa. A ideia não foi minha, mas não tive como escapar. [...] Ele, no entanto, não me deu sermão, nem conselhos, nem advertências. Simplesmente revelou uma atmosfera de serena confiança em sua fé e me tratou com bondade e amor. Naquele dia, encontrei Jesus na pessoa de Robert W Olson. Assim que foi embora falei para minha esposa que aquele homem tinha o que eu precisava.
[...] A partir daquele momento, passei a ser espiritualmente ativo no adventismo novamente. Não voltei porque a teologia adventista era perfeita, mas porque sua teologia era mais próxima da Bíblia do que de qualquer outra igreja que eu conhecia. Em resumo, fui e sou adventista por convicção, e não por escolha.
[...] Para ter qualquer valor, nosso adventismo deve estar imerso no cristianismo. Sem esta imersão, o adventismo não é melhor do que qualquer outro 'ismo' ilusório.
[...] minha mente vagueia em direções estranhas. Mas a conclusão de minha jornada deixou-me em três perguntas inevitáveis que têm conduzido minha vida existencial e intelectualmente.
• Qual o sentido da vida pessoal e no contexto do Universo?
• Por que ser cristão?
• Por que esse adventista do sétimo dia?"


Adventistas ou Meramente evangélicos?

[...] se o adventismo perder sua visão Apocalíptica, perderá a razão de sua existência como igreja e como sistema educacional.
[...] Apesar das instituições adventistas serem boas instituições ninguém pode afirmar que sejam necessárias. Há diferença entre ser uma boa escola e afirmar que sejam necessárias e ter uma importância que a distingue como instituição.
[...]
Qual é a razão da existência da Igreja Adventista do Sétimo Dia? Qual é sua função ou utilidade? É ela importante ou mesmo necessária ? Será meramente mais outra denominação, apenas um pouco diferente das demais por 'não abrir mão' do Sétimo Dia, de certas questões ligadas a dieta alimentar?
Essas perguntas trazem à tona temas complexos relacionados à natureza do adventismo e ao equilíbrio adequado entre esses aspectos e o sistema de crenças que nos torna cristãos, aquele que nos torna adventistas e como tudo isso se encaixa. [...]
[...] a luta por um adventismo equilibrado esteve no centro do desenvolvimento histórico da teologia adventista. Ao longo do tempo, temos oscilado entre enfatizar com exagero os aspectos de nosso sistema de crenças que nos tornam iguais a Cristo e aqueles que nos distinguem como adventistas. Temos hoje na igreja o que chamo de adventistas adventistas, aqueles que encaram tudo o que a denominação ensina como algo unicamente adventista e ficam irritados quando somos chamados de evangélicos. No outro extremo estão os adventistas que podemos chamar de cristãos cristãos. As pessoas nesse polo da denominação ficam felizes em ser consideradas evangélicas e esquivam-se de Ellen White, das implicações escatológicas do Sábado, do Santuário Celestial, e assim por diante. No centro, felizmente, estão aqueles que podemos designar como adventistas cristãos, cujo adventismo encontra significado na estrutura evangélica que partilhamos com outros cristãos.
Em outras palavras, houve um tempo em que Ellen White observou que alguns adventistas estavam tão centrados na lei que haviam se tornado áridos como os montes de Gilboa. Hoje talvez ela dissesse algo semelhante sobre aqueles que estão tão focados na graça e perdem de vista a lei. Equilíbrio é o objetivo, mas evidentemente isso é algo difícil de ser atingido e quase impossível de ser mantido em um mundo desequilibrado. Isso não quer dizer, porém, que não devemos procurar aproximar esses dois extremos em nosso ministério."

O Jesus Problemático

"[...] eu gostaria de apontar a verdade óbvia de que Jesus de Nazaré não foi politicamente correto em Suas declarações. Além de afirmar que existia uma verdade e que Ele tinha a verdade, declarou também que Ele era a verdade o caminho e a vida e que ninguém poderia ir ao Pai senão por Ele. (João 14:6).
Jesus defendeu algo. [...]
Como alguém que aberta e rigorosamente defendia, Jesus não se encaixaria muito bem na cultura do século 21(incluindo muitas de nossas igrejas). Chamar pessoas, especialmente líderes religiosos e intelectuais respeitados, de hipócritas e de sepulcros caiados repletos de ossos certamente não é nada aceitável hoje em dia.
[...] Jesus também sofreu do que podemos chamar de 'arrogância santificada'. Cria tanto em Si mesmo e em Sua mensagem politicamente incorreta que comissionou doze homens relativamente não instruídos a disseminá-la ao mundo inteiro. Essa ordem abala qualquer imaginação. [...]. Eles conseguiram.
[...], ninguém faz este tipo de coisa se não estiver plenamente convicto. Ninguém entrega a vida e os bens materiais sem estar certo de que possui a verdade. Se Jesus tivesse sido politicamente correto e não possuísse arrogância santificada, o cristianismo teria durado alguns anos como uma seita judaica local e logo se reintegrado às crenças do Oriente Próximo.
Em seus primeiros anos, o adventismo sofreu profundamente dos mesmos 'defeitos culturais' de Jesus. Cria que possuía a verdade ou a verdade presente para a época. Apesar de poucos adeptos, passou a acreditar que tinha uma missão que englobava o mundo inteiro.
Logo no início do século 20, as principais denominações protestantes, ao perceberem a imensidão do campo missionário, decidiram dividir certas áreas do mundo entre os anglicanos, metodistas, presbiterianos, e assim por diante. Mas os adventistas não quiseram fazer parte dessa abordagem, por mais sensata que pudesse parecer. Rejeitaram a lógica e reivindicaram o mundo inteiro como sua esfera de ação e influência. Apesar de poucos, tinham ideias ousadas. Por quê? Porque eram impulsionados pela visão apocalíptica que provinha diretamente do centro do livro de Apocalipse e acreditavam que o mundo inteiro precisava conhecê-la. Os adventistas comunicaram às outras denominações que não poderiam dividir o trabalho, mas que enxergava cada nação como seu campo missionário.
Isso é arrogância santificada! E eles conseguiram. Através da dedicação de muitas pessoas e com muito sacrifício, o adventismo tornou-se o grupo protestante unificado mais amplamente disseminado da história do cristianismo. Esse sucesso foi alcançado devido à força e ao apoio que recebeu de compreensões politicamente incorretas a respeito da verdade e da arrogância santificada que refletiu na deficiência de outros ramos do cristianismo e na importância da mensagem divina do tempo do fim.
[...] por que qualquer um de nós deveria arriscar a vida por uma causa? Por que dedicar a vida a ela? Por que os primeiros adventistas sacrificaram seus recursos e a família para cumprir uma missão? Unicamente devido à profunda convicção de que tinham uma mensagem provinda diretamente do centro do livro de Apocalipse e que o mundo inteiro precisava ouvi-la antes de Jesus voltar nas nuvens do céu."


Introdução à Esterilização

"[...]
Ricos e munidos de concepções politicamente corretas, perdemos a arrogância santificada que no passado nos levou a crer que possuíamos uma mensagem que o mundo inteiro tinha que ouvir.
[...]
Parte do problema é que o adventismo perdeu, em grande escala, a base apocalíptica de sua mensagem. [...]
[...] no momento em que a igreja se torna politicamente correta em todas as suas reivindicações e perde a quantidade adequada de arrogância santificada em relação à sua mensagem e missão, torna-se estéril, mesmo que continue a vangloriar-se de sua potência.
[...]
O melhor exemplo de esterilização religiosa no mundo moderno é o liberalismo protestante, que na década de 1920, renunciou às ideias 'primitivas' do cristianismo, como a imaculada conceição, a ressurreição de Cristo, o sacrifício expiatório, os milagres, o segundo advento, criacionismo e, claro a inspiração divina da Bíblia, no sentido de que suas informações ultrapassam o entendimento humano e, por isso, foram obtidas por meio da revelação divina.
A razão humana apresentou-se como a fonte do conhecimento, a doutrina tornou-se irrelevante, se não desagradável, e Jesus, de Salvador que morreu em nosso lugar, passou a ser visto como uma pessoa excepcionalmente boa, um exemplo digno de ser imitado. No processo, o cristianismo deslocou-se consideravelmente do campo da religião para o da ética.
Diante dessas façanhas do intelecto humano, o liberalismo protestante eficazmente perdeu a mensagem cristã distintiva que possuía. [...] ele se auto esterilizou.
O resultado final foi a redução de milhões de membros das principais denominações protestantes norte-americanas. [...]
Além da redução, a idade média dos membros aumentou e consequentemente, o ânimo despencou. A revista Newsweek reportou, de forma branda, que 'as principais denominações talvez estejam morrendo devido à perda de sua integridade teológica'. Stanley Hauerwas, professor na Duke Divinity School, demonstrou a mesma coisa de maneira mais clara ao afirmar: 'Deus está matando as principais denominações protestantes da América e nós merecemos'.
[...]
Na obra The Churching of América, 1776 - 1990: Winners and Losers in Ours Religions Economy [ A Igreja da América, 1776 - 1990: Ganhadores e Perdedores em Nossa Economia Religiosa] Roger Finke e Rodney Stark discorrem sobre a tese ultrajante de que 'as organizações religiosas são mais fortes de acordo com a imposição de cobranças significativas em termos de sacrifício e até mesmo do estigma lançado sobre os membros. [...]. As pessoas tendem a valorizar a religião de acordo com o quanto lhes custa para pertencer àquele grupo - quanto maior é o sacrifício a fim de obter uma boa posição, maior valor atribui à religião'.
Além dessas obras, há também aquela que ė considerada a originadora da morte vagarosa do liberalismo: Why Conservative Churches Are Growing [Por que as Igrejas Cibservadoras Estão Crescendo], de Dean Kelley. O autor (Metodista) demonstra-se muito sincero em suas respostas. Em síntese, as igrejas conservadoras estão crescendo porque representam algo. De acordo com Kelley, se alguém decide se unir a uma igreja é porque essa igreja representa uma verdade especial e sabe disso. Ou seja, as pessoas estão em busca de uma igreja que esteja acima da cultura, que seja arrogante o suficiente para crer que há erro e verdade e que ela possui a verdade.
Se não há uma verdade especial, por que se unir à Igreja? [...] Sem encontrar razão suficiente para permanecer, grande número de pessoas encontrou sentido em sua vida e deixando as principais denominações. O mesmo pode ser dito hoje de muitos adventistas.
A palavra chave para o protestantismo liberal na década de 1960 foi a 'relevância'. As denominações protestantes procuraram ser relevantes para a cultura em que estavam inseridas. O que provaram, no entanto, foi que o atalho para irrelevância é a mera relevância. Afinal, quem precisa obter mais daquilo que pode ser encontrado na cultura predominante?
Não há nada de errado em ser relevante do ponto de vista bíblico, mas a mera relevância é o caminho para se aculturar ou ser absorvido pela cultura predominante. O cristianismo saudável deve, por necessidade, estar acima da cultura predominante e se apegar às verdades que a cultura julga detestáveis. Talvez o documento contracultural mais conhecido da história seja o Sermão do Monte. O sistema de valores apresentado por ele difere radicalmente daquele adotado pelo mundo e pela maioria das igrejas.
[...] a relevância não é a resposta. Como cristãos, não devem nos defender apenas a verdade, mas também aquilo que é importante para o tempo em que vivemos. É justamente nesse ponto que o adventismo pode contribuir. O adventismo fortaleceu-se ao proclamar que possuía uma mensagem profética para o nosso tempo. É exatamente essa mensagem remodelada para o século 21 que fortalecerá o adventismo no presente do futuro.
Por outro lado, se descobrimos que o adventismo não possui algum único e valioso para oferecer, devemos ser honestos desarmar ao acampamento e encontrar algo útil pra fazer na vida. O adventismo não pode escapar do dilema entre ser significativo ou ser estéril. Não tem como ser os dois."

Continua...



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