Gênesis 11: Dispersão das Nações – A torre de Babel

. Inicio da história dos Patriarcas

“A narrativa da torre de Babel é regida por dois movimentos opostos: a intenção da humanidade de alcançar o Céu e a descida de Deus para confundir a língua do povo. O capítulo 11 descreve a existência de uma língua universal do Oriente. O desejo de alcançar o Céu e ficar a salvo de outro dilúvio sugere que os construtores não confiaram na promessa feita por Deus. A independência de Deus e a autossuficiência foram as maiores motivações. […] A genealogia dos descendentes de Sem marca uma mudança importante em Gênesis: de uma história com perspectiva universal, o texto passa para a história de um homem e de sua família.” [Bíblia Andrews]

1Em toda a terra havia apenas uma língua e uma só maneira de falar.

2Os homens partiram do Oriente, encontraram uma planície na terra de Sinar e habitaram ali. 3E disseram uns aos outros:

— Venham, vamos fazer tijolos e queimá-los bem.

Os tijolos lhes serviram de pedra, e o betume, de argamassa. 4Disseram:

— Venham, vamos construir uma cidade e uma torre cujo topo chegue até os céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.

5Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens estavam construindo. 6E o Senhor disse:

— Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que planejam fazer. 7Venham, vamos descer e confundir a língua que eles falam, para que um não entenda o que o outro está dizendo.

8Assim o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra; e pararam de edificar a cidade. 9Por isso a cidade foi chamada de Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela.

Descendentes de Sem

1Cr 1.24-27

10São estas as gerações de Sem. Ele tinha cem anos de idade quando gerou Arfaxade, dois anos depois do dilúvio. 11E, depois que gerou Arfaxade, Sem viveu quinhentos anos; e gerou filhos e filhas.

12Arfaxade viveu trinta e cinco anos e gerou Salá. 13E, depois que gerou Salá, Arfaxade viveu quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.

14Salá viveu trinta anos e gerou Héber; 15e, depois que gerou Héber, Salá viveu quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.

16Héber viveu trinta e quatro anos e gerou Pelegue; 17e, depois que gerou Pelegue, Héber viveu quatrocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas.

18Pelegue viveu trinta anos e gerou Reú; 19e, depois que gerou Reú, Pelegue viveu duzentos e nove anos; e gerou filhos e filhas.

20Reú viveu trinta e dois anos e gerou Serugue; 21e, depois que gerou Serugue, Reú viveu duzentos e sete anos; e gerou filhos e filhas.

22Serugue viveu trinta anos e gerou Naor; 23e, depois que gerou Naor, Serugue viveu duzentos anos; e gerou filhos e filhas.

24Naor viveu vinte e nove anos e gerou Tera; 25e, depois que gerou Tera, Naor viveu cento e dezenove anos; e gerou filhos e filhas.

26Tera viveu setenta anos e gerou Abrão, Naor e Harã.

27São estas as gerações de Tera. Tera gerou Abrão, Naor e Harã; e Harã gerou Ló. 28Harã morreu na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo. 29Abrão e Naor tomaram para si mulheres. A mulher de Abrão se chamava Sarai, e a mulher de Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de Iscá. 30Sarai era estéril, não tinha filhos.

31Tera tomou Abrão, seu filho, e Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã. Foram até Harã, onde ficaram. 32E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã.

Esboço

    3. A confusão das línguas em Babel, 11:1-9.

     4. As gerações de Sem a Abraão, 11:10-26.

II. Os patriarcas Abraão e Isaque, I I :27-26:35.

    A. Abrão, 11:27-16:16.

     1. Chamado e viagem para Canaã, Il:27-I2:9

Os patriarcas Abraão e !saque, I I :27-26:35.
A. Abrão, 11:27-16:16.
. Chamado e viagem para Canaã, Il:27-I2:9

Comentário Bíblico Adventista

verso 4 – Edifiquemos para nós uma cidade. Caim havia construído a primeira cidade (Gênesis 4: 17), talvez numa tentativa de evitar a vida nômade que Deus lhe havia imposto. O plano original de Deus requeria que as pessoas se espalhassem pela face da Terra para cultivar o solo (ver Gênesis 1:28). A construção de cidades representava uma oposição a esse plano. A concentração de seres humanos sempre encorajou a ociosidade, imoralidade e outros vícios. As cidades sempre foram berços de crime, pois em tal ambiente Satanás encontra menos resistência a seus ataques do que em comunidades menores onde as pessoas vivem em mais contato com a natureza. Deus havia dito a Noé que repovoasse ou enchesse a Terra (9:1). Contudo, temendo perigos desconhecidos ou imaginários, os homens desejaram construir uma cidade, na esperança de encontrar segurança nas obras de suas próprias mãos. Ignoraram que a verdadeira segurança vem somente pela confiança e obediência a Deus. Os descendentes de Noé, que experimentaram rápido crescimento, devem ter se afastado muito cedo da adoração ao verdadeiro Deus. Temendo que seus maus caminhos trouxessem novas catástrofes, buscaram proteção.

Uma torre. Isto daria aos habitantes da cidade o desejado sentimento de segurança. Tal fortaleza os protegeria contra ataques e, segundo criam, os habilitaria a escapar de outro dilúvio – que, segundo a promessa de Deus, nunca mais ocorreria . O dilúvio havia coberto as mais altas montanhas do mundo antediluviano, mas não chegara “até aos céus”. Se, portanto, pudesse ser erigida uma estrutura mais alta que as montanhas, arrazoaram os homens, eles estariam seguros contra qualquer coisa que Deus fizesse. Escavações arqueológicas revelam que os primeiros habitantes da baixa Mesopotâmia erigiram muitos templos em forma de torre, dedicados à adoração de várias divindades idolátricas.

Tornemos célebre o nosso nome. A torre de Babel devia ser um monumento à grande sabedoria e habilidade de seus construtores. Para tornar célebre o seu nome, ou adquirir reputação, as pessoas se dispõem a enfrentar dificuldades, perigos e privações. O desejo pela fama aparentemente foi um dos motivos da construção da torre, e o orgulho pela edificação de tal estrutura tenderia, por sua vez, a conservar a unidade na realização de outros planos contrários à vontade de Deus. Segundo o propósito divino, os seres humanos deviam estar unidos através do elo da verdadeira religião. Quando a idolatria e o politeísmo quebraram esse elo espiritual interior, eles perderam não só a unidade de religião, mas também o espírito de fraternidade. Um projeto como essa torre, com o objetivo de preservar por meios exteriores a unidade interior perdida, jamais seria bem-sucedido. Obviamente só os que haviam abandonado a Deus tomaram parte nessas atividades.

verso 5 Desceu o SENHOR. Esta descida não foi semelhante à do Sinai, onde o Senhor revelou Sua presença através de um símbolo visível (ver Êxodo 19:20; 34:5; Números 11:25; etc.). É simplesmente uma descrição, em linguagem humana, do fato de que os atos humanos nunca estão escondidos de Deus. Quando os homens quiseram construir algo que chegasse até o céu e exaltar a si mesmos, Deus desceu para investigar e frustrar os planos ímpios.

Edificavam. A forma do verbo heb., no perfeito, que é aqui traduzida como “edificavam”, implica que a construção estava progredindo rapidamente rumo ao término. A expressão “filhos dos homens”, literalmente “filhos do homem”, é tão geral em sua abrangência que sugere a participação de todos no projeto, ou pelo menos da maioria dos que não mais serviam a Deus.

verso 6 – Isto é apenas o começo. A torre de Babel representava dúvida em relação à palavra de Deus e desafio à Sua vontade. Foi concebida como um monumento à apostasia e como uma fortaleza de rebelião contra Ele. Esse era apenas o primeiro passo de um plano mestre do mal para controlar o mundo. Era necessária ação rápida e decisiva para advertir as pessoas sobre o desagrado de Deus e frustrar as ímpias estratégias. Para que os seres humanos tenham certeza de que Deus não é arbitrário em Seu trato e de que não age por impulso, Ele é representado discutindo o assunto consigo mesmo. A razão para essa intervenção é positivamente declarada.

Se não fosse o poder restritivo de Deus exercido de tempos em tempos ao longo da história, os maus desígnios humanos alcançariam sucesso e a sociedade se tornaria inteiramente corrupta. A relativa ordem que existe na sociedade se deve ao poder restritivo de Deus, que definidamente limita o poder de Satanás (ver Jó 1:12; 2:6; Apocalipse 7:1).

Verso 7 Desçamos. O uso do verbo na primeira pessoa do plural indica a participação de pelo menos duas pessoas da Trindade (ver Gn 1:26).

Confundamos ali a sua linguagem. Deus não desejava destruir novamente o ser humano. A impiedade ainda não havia atingido os limites a que chegara antes do dilúvio, e Deus decidiu tratar com a situação antes que chegasse novamente a esse ponto. Confundindo a linguagem e forçando as pessoas a se separarem, Deus planejou impedir uma futura ação unida. Cada um dos grupos poderia ainda seguir um mau curso, mas a divisão da sociedade em diversos grupos evitaria uma oposição a Deus de forma conjunta. Repetidas vezes, desde a dispersão dos povos em Babel, homens ambiciosos têm procurado, sem sucesso, infringir o decreto divino de separação. Líderes brilhantes têm conseguido, às vezes, forçar as nações a se unirem artificialmente. Mas, com o estabelecimento do glorioso reino de Deus, as nações dos salvos serão verdadeiramente unidas e falarão uma única língua.

Para que um não entenda a linguagem de outro. Não é que nenhuma pessoa pudesse entender outra, pois isso tornaria impossível a vida em sociedade. Deveria haver vários grupos tribais, cada um deles com sua própria língua. Essa é a origem da grande variedade de línguas e dialetos no mundo, que ultrapassam seis mil.

A divisão das línguas, embora seja um obstáculo às estratégias humanas de cooperação política e econômica, não deveria ser um obstáculo ao triunfo da causa de Deus. O dom de línguas no Pentecostes seria um meio de superar essa dificuldade (ver Atos 2:5-12). As diferenças nacionais não impedem a unidade de fé e ação por parte dos filhos de Deus nem o avanço de Seu propósito eterno. A Palavra de Deus tem sido colocada à disposição das nações em sua própria língua, e irmãos da mesma fé, embora separados por diferenças linguísticas e étnicas, estão unidos no amor a Jesus e na devoção à verdade. A fraternidade da fé os une mais fortemente do que a posse de uma mesma língua o poderia fazer. Na unidade da igreja
o mundo deve ver evidências convincentes da pureza e do poder de sua mensagem (ver João 17:21).

verso 8 – O SENHOR os dispersou dali. O que os homens não estiveram dispostos a fazer voluntariamente e sob circunstâncias favoráveis eram agora compelidos a fazer por necessidade. A incapacidade de compreender a língua uns dos outros levou a mal-entendidos, desconfiança e divisão. Os que podiam entender-se uns aos outros formaram uma comunidade própria. Este verso indica que os construtores de Babel se dispersaram por toda parte. Como resultado, logo em seguida, representantes da família humana podiam ser encontrados na maioria das regiões do mundo. Evidências procedentes de diversas regiões testificam da presença de seres humanos ali em um período de tempo comparativamente curto depois do dilúvio. Descobertas arqueológicas apontam para o vale da Mesopotâmia como o primeiro local a desenvolver uma civilização distinta. Civilizações semelhantes surgiram logo depois, no Egito, na Palestina, Síria, Anatólia, Índia, China e outras regiões. Todas as evidências disponíveis apoiam a enigmática declaração das Escrituras Sagradas de que “o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra”.

Cessaram de edificar. A torre que devia se estender até o céu nunca foi completada. Contudo, a Bíblia e a história deixam evidente que a população local subsequentemente completou a obra de edificação da cidade.

verso 9 – Babel. Por um jogo de palavras, o hebraico liga o nome da cidade, Babel, com o verbo heb. balal, “confundir”. No entanto, derivar o nome de sua cidade de uma palavra hebraica teria sido um estranho procedimento para os babilônios. Textos babilônicos antigos interpretam Bab-ilu ou Bab-ilanu como “porta dos deuses” ou “portão dos deuses”. É possível, contudo, que esse significado fosse secundário, e que o nome viesse originalmente do verbo babilônico babalu, que significa “espalhar” ou “desaparecer”. Pode ser que os babilônios não tivessem orgulho de um nome que os lembrava do inglório clímax de planos anteriores para a cidade, e assim inventaram uma explicação que fazia com que ele parecesse ser um composto das palavras bab, “porta”, e ilu, “deus” (ver com. de Gênesis 10:10).

Muitos comentaristas explicam a história da construção da torre e da subsequente confusão de línguas como pura lenda ou como um tosco exagero de alguma tragédia que tenha ocorrido durante a construção da histórica torre templo de Babilônia, chamada zigurate. Contrariamente ao que declararam muitas obras populares sobre arqueologia bíblica, os arqueólogos não encontraram evidências de existência da torre de Babel. O tablete K3657 do Museu Britânico, que está muito fragmentado, tem sido citado com frequência como um documento que se refere à história da construção da torre de Babel e à confusão das línguas, mas na verdade ele não faz qualquer referência a esse evento, como o demonstraram os estudos subsequentes e uma melhor compreensão desse texto. Quem acredita só nas histórias bíblicas apoiadas por evidências externas se recusará a crer na história de Gênesis 11. Contudo, aquele que acredita que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus aceita esta narrativa, juntamente com todas as outras narrativas bíblicas, como autêntica.

A paixão dos povos mesopotâmicos pela construção de altas torres não cessou com a primeira tentativa frustrada de erigir uma que “chegue até os céus”. Ao longo de toda a Antiguidade, eles continuaram construindo torres templos ou zigurates. Ainda existem várias dessas em ruínas. A melhor preservada está em Ur, a terra natal de Abraão. A exata localização da torre original é desconhecida. Provavelmente a subsequente torre templo de Babilônia a tenha substituído. Uma antiga tradição judaica, provavelmente baseada por equívoco numa ruína do 7° século, localizava a torre de Babel em Borsippa, uma cidade 14 km a sudoeste de Babilônia. Uma imponente ruína de 47,5 m de altura é tudo o que resta da antiga torre de Borsippa que outrora consistia de sete estágios, no topo dos quais se encontrava um templo. Inscrições feitas por Nabucodonosor, descobertas sob os alicerces do edifício, declaram que ele completou a construção dessa torre, que havia sido começada por um rei anterior. O historiador judeu Josefo atribui a torre a Ninrode, uma tradição que foi perpetuada pela população local no nome que deram a ela: Birs-Nirn.rud. Como todos os edifícios babilônicos, essa torre foi construída de tijolos e betume, e as ruínas mostram as marcas de numerosas descargas de relâmpagos que a atingiram no passado. A ação do calor fundiu os tijolos superiores e o piche numa sólida massa. Há séculos, viajantes têm descrito os efeitos do fogo celeste sobre a torre, geralmente com referência aos eventos descritos em Gênesis 11. Não se deve esquecer, porém, que a torre de Borsippa só foi construída no r século a.C. por Assurbanipal e Nabucodonosor. Qualquer que tenha sido a localização da primeira torre de Babel, todos os vestígios da estrutura original já desapareceram.

É mais provável que a antiga torre de Babel fi casse no sítio da torre-templo da cidade de Babilônia, que antes fic ava na área do templo de Marduque, na margem oriental do Eufrates. Tradições babilônicas afirmavam que seu alicerce havia sido lançado em tempos muito remotos. Vários reis restauraram a torre durante o curso de sua história, e o último a fazê-lo foi Nabucodonosor. Essa torre é descrita em detalhes pelo historiador grego Heródoto, e também por um texto cuneiforme babilônico, como tendo sete lances e uma altura total de 76 m. O rei persa Xerxes a destruiu completamente, juntamente com a cidade de Babilônia, em 478 a.C. Planejando reconstruir a torre, Alexandre o Grande mandou tirar o entulho, mas morreu antes de concluir seu plano. Não resta absolutamente nada da mais alta e famosa torre-templo da antiga Mesopotâmia, exceto as pedras do alicerce e os degraus mais baixos de sua velha escadaria. O fato de que desde o tempo de Xerxes já não se podia ver nada dessa torre, enquanto que a que ficava na vizinha Borsippa permanecia de pé, talvez seja a razão pela qual tanto judeus quanto cristãos ligaram a história de Gênesis 11 às ruínas de Borsippa.

verso 10 – As gerações de Sem. Este é o título usual para uma genealogia (ver Gênesis 5:1; 6:9 [ARC]; 10:1; etc.). Moisés volta à linhagem de Sem, cuja discussão foi interrompida pelo relato da confusão das línguas. Os v. 10-26, porém, não são uma continuação da lista das nações do cap. 10; apresentam a genealogia da linhagem patriarcal de Sem a Abraão. O cap. 10 apresenta a relação étnica das várias tribos e nações e sua descendência comum a partir de Noé, enquanto que Gênesis 11:10-26 apresenta a descendência exata do povo escolhido de Deus ao longo das muitas gerações intermediárias. Essa é uma continuação da lista de gerações
de Adão a Noé, dada no cap. 5. Os primeiros quatro descendentes de Sem, já enumerados na parte semita da lista das nações, são aqui repetidos para mostrar a descendência direta dos filhos de Tera por meio de Pelegue.

Ele era da idade de cem anos. Esta declaração mostra que Sem era dois anos mais novo que Jafé (ver com. de Gênesis 5:32).

A lista, sem dúvida, apresenta nomes pessoais, não tribais, pois dá a idade exata de cada pessoa por ocasião do nascimento do filho por meio de quem a linhagem continua, e a extensão de sua vida depois disso. Embora nomes como Arfaxade e Héber também sejam tribais, como é o caso em Gênesis 10:21 e 22, isso não contradiz o fato de que as pessoas ali mencionadas eram reais.

verso 11 – Depois que gerou a Arfaxade. Uma vez que a fórmula usada por Moisés nos v. l0 e ll é um modelo para os breves esboços biográficos que vêm a seguir, não é necessário comentar detalhadamente os v. 12-26. Uma notável diferença entre a fórmula usada aqui e a do cap. 5 é a omissão da idade total de cada pessoa mencionada no cap. 11. Porém, não se perde nada com isso, porque em cada caso a idade total pode ser facilmente computada somando-se os anos da idade da pessoa por ocasião do nascimento de seu filho com os anos restantes de sua vida. É desconhecida a razão por que Moisés fez essa diferença entre o estilo das duas listas.

verso 12 – Arfaxade. Antes do dilúvio a idade média de paternidade era de 117 anos (a mais baixa, 65, e a mais alta, 187 anos). Mas, a partir de então, diminuiu para 30-35 anos, alcançando extensões incomuns somente nos casos de Tera e Abraão (ver com. de Gênesis 10:22).

A mesma diminuição é vista na idade total das pessoas após o dilúvio. Embora o próprio Noé tenha alcançado a idade antediluviana de 950 anos, a idade de Sem foi de 600 anos apenas e a de seu filho Arfaxade, de 438 anos. O processo continuou em gerações subsequentes, de forma que Naor, o avô de Abraão, chegou só a 148 anos. Essa média de vida grandemente abreviada pode ser devida, em parte, a mudanças climáticas. Ainda mais importante foi a mudança no regime alimentar, do vegetarianismo para um regime que incluía carne (PP, 107; CRA, 391). A cada nova geração, a raça humana se afastava mais e mais da vigorosa herança física de Adão e dos revigorantes efeitos do fruto da árvore da vida.

verso 13 – Salá. “Aquele que é enviado.” Este é um nome semita, usado também entre os colonizadores fenícios de Cartago, no norte da África.

verso 14 – Héher. “Aquele que atravessa.” Uma vez que os descendentes de Héber cruzariam o Eufrates e migrariam na direção da Síria e da Palestina, esse nome pode indicar discernimento profético por parte de seus pais (ver com. de Gênesis 10:21).

verso 16 – Pelegue. Significa “divisão” (ver com. de Gênesis 10:25).

verso 18 – Reú. Significa “amigo” ou “amizade”. Possivelmente seja uma abreviação de Reuel, “amigo de Deus”; é o nome de vários personagens bíblicos (Gênesis 36:4; Êxodo 2:18; Número 2:14, KJV).

verso 20 – Serugue. Pode significar “o que está entrelaçado”, “o que está emaranhado” ou “ramo de videira”. Não há certeza sobre que significado deve ser aplicado ao nome.

verso 22 – Naor. “O que resfolega.” Talvez houvesse algum tipo de impedimento em sua fala.

verso 24 – Tera. Não tem significado no hebraico, mas na língua ugarítica, que pertence à mesma família de idiomas, significa “noivo”.

verso 26 – Viveu Tera setenta anos. Este texto parece indicar que Abraão, Naor e Harã eram trigêmeos, nascidos quando seu pai Tera tinha 70 anos. No entanto, esse não é o caso, pois: (1) Tera morreu em Harã com a idade de 205 anos (Gênesis 11:32). (2) Abraão partiu para Canaã com a idade de 75 anos (12:4). (3) O chamado para Abraão sair de Harã se deu após a morte de seu pai, como é declarado em Atos 7:4.

Assim, Abraão não podia ter mais de 75 anos por ocasião da morte de seu pai, e Tera tinha pelo menos 130 anos quando Abraão nasceu. Portanto, Gênesis 11:26 indica que Tera começou a gerar filhos quando tinha 70 anos. Sendo o mais jovem dos três filhos, Abraão é mencionado primeiro por causa de sua importância como ancestral dos hebreus. Embora não seja certo qual dos outros dois filhos de Tera (Naor ou Harã) era o mais velho, o fato de Naor se casar com a filha de Harã (Gênesis 11:29) pode indicar que Harã era o mais velho (cf. com. de Gênesis 5:32).

Abrão. “Pai de elevação” ou “pai exaltado”, apontando para sua honrada posição como ancestral do povo escolhido de Deus. Seu nome foi mais tarde mudado por Deus para Abraão (Gênesis 17:5). Esse nome aparece em registros egípcios como o de um governante amorreu de uma cidade palestina na mesma época em que Abraão viveu. Aparece também num documento cuneiforme contemporâneo, de Babilônia, mostrando que não era um nome incomum.

Naor. Este filho de Tera recebeu o nome do avô.

Harã. Nome sem significado no hebraico. É semelhante a Haran, a cidade onde Tera se estabeleceu. O nome da cidade, que está relacionado a uma raiz assíria que significa “estrada”, pode indicar sua localização de ambos os lados de uma das principais rotas de comércio entre a Mesopotâmia e o Mediterrâneo.

Como ocorre com a cronologia antediluviana, o Pentateuco Samaritano e a LXX atribuem aos patriarcas que viveram desde o dilúvio até o nascimento de Abraão uma vida consideravelmente mais longa do que diz o texto hebraico e versões contemporâneas, baseadas neste (ver com. de Gênesis 5:32). Enquanto a ARA fala de 352 anos entre o dilúvio e o nascimento de Abraão, a LXX fala de 1132 ou 1232 anos (conforme a variante adotada; ver p.158).

Contudo, a inserção de Cainã entre Arfaxade e Salá, na LXX, talvez seja justificável. Nisso a LXX é confirmada por Lucas, que também alista Cainã nessa posição (Lucas 3:35, 36). Apesar da aparente desarmonia entre Moisés (em 1Crônicas 1:24), por um lado, e Lucas e a LXX, por outro, não há uma dificuldade real. As Escrituras contêm muitos e notáveis exemplos de omissão de nomes nas listas genealógicas. Ao traçar sua própria linhagem até Aarão, Esdras, por exemplo, omite pelo menos seis nomes (ver Esdras 7:1-5; cf. 1Crônicas 6:3-15).

A CRONOLOGIA DE GÊNESIS 11

Séculos depois, a genealogia de Jesus, em Mateus, omite quatro reis de Judá e possivelmente outros ancestrais do Senhor (ver com. de Mateus 1:8, 17). Portanto, a possível omissão, por parte de Moisés, do nome de Cainã na lista de Gênesis 11 :10-26, não deve ser considerada uma incorreção, mas um exemplo de uma prática comum entre os escritores hebreus.

Seja como for, a lista dada por Moisés deve ser considerada no mínimo razoavelmente completa. Ellen White menciona (PP, 125) uma “linha ininterrupta” de homens justos – de Adão a Sem – que transmitiram o conhecimento de Deus herdado por Abraão. Alguns consideram que isso implica o fato de Abraão ter sido instruído pessoalmente por Sem. Se for assim, então, Abraão teria nascido alguns anos antes da morte de Sem, que é datada de 500 anos depois do dilúvio.

Essa conclusão, baseada na citação anterior, infere que o texto confirma a cronologia hebraica do período, em oposição tanto à cronologia samaritana como à da LXX. Subentende ainda que ela torna impossível qualquer número considerável de omissões da lista genealógica de Moisés. Até que haja informações mais definidas, deve-se considerar a cronologia dos acontecimentos anteriores ao nascimento de Abraão como sendo aproximada. A partir da chegada do patriarca Abraão, há um fundamento mais sólido sobre o qual se pode construir uma cronologia .

verso 27 – Tera. Até este ponto Moisés narrou a história de toda a humanidade. A partir de então, o relato foc a quase exclusivamente a história de uma única família: o povo escolhido de Deus. Durante todo o restante do AT, em geral, é dada atenção só a outras nações na medida em que elas entram em contato com o povo de Deus.

Harã gerou a Ló. Ló, “o oculto”, é apresentado por causa do papel que irá desempenhar como companheiro de Abraão na terra de Canaã e como ancestral dos moabitas e amonitas.

verso 28 – Morreu Harã [ … ]estando Tera, seu pai, ainda vivo. Literalmente, “na face de seu pai”, significando “enquanto seu pai ainda era vivo” ou “na presença de seu pai”. Esta é a primeira menção (não necessariamente o primeiro caso) da morte de um filho antes da morte do pai.

Ur dos caldeus. Como demonstram documentos literários e escavações arqueológicas, a cidade natal de Harã teve uma longa e gloriosa história. As ruínas de Ur são conhecidas há muito tempo pelo nome moderno de Tell el-Muqayyar e estão situadas a meia distância entre Bagdá e o golfo Pérsico. Entre 1922 e 1934, uma expedição conjunta entre Inglaterra e Estados Unidos fez o que foi uma das mais frutíferas de todas as escavações mesopotâmicas. As tumbas reais de uma dinastia antiga revelaram seu fabuloso depósito de tesouros. As bem preservadas ruínas de casas, templos e de uma torre-templo forneceram rico material que permite aos pesquisadores reconstruir a diversificada história dessa cidade que desempenhou papel tão importante desde os primórdios da história até o tempo do império persa. No início do segundo milênio a.C., quando Abraão morava ali, a cidade exibia uma cultura excepcionalmente elevada. As casas eram bem construídas e geralmente tinham dois andares. Os cômodos do andar térreo eram agrupados em torno de um pátio central, e uma escada levava ao segundo andar. A cidade tinha um eficiente sistema de esgotos, melhor do que o existente em algumas cidades daquela região atualmente. Nas escolas de Ur se ensinavam leitura, escrita, aritmética e geografia, como evidenciam muitos exercícios escolares recuperados. No AT, essa cidade é geralmente chamada de “Ur dos caldeus”, expressão ainda não encontrada em textos cuneiformes da Mesopotâmia. Nestes, ela é simplesmente chamada de “Ur”. Sabe-se, porém, que a região de Ur foi mais tarde habitada por tribos caldeias aramaicas, e talvez elas já tivessem chegado lá havia tempo (ver com. de Gn 10:22). Essas tribos estiveram intimamente relacionadas com a família de Tera, e ambos eram descendentes de Arfaxade. A recordação desse relacionamento era mantida pela referência ao lar original da família como Ur na Caldeia ou “Ur dos caldeus”. O avançado nível cultural de Ur, no tempo de Abraão, silencia os que estigmatizam Abraão como um nômade ignorante. Sua juventude foi passada numa cidade altamente aculturada e sofisticada, e ele era filho de cidadãos abastados e, sem dúvida, era um homem culto. Abraão também devia ser familiarizado com a vida religiosa de Ur, que, como as escavações demonstraram, era politeísta. Josué declara que Tera, o pai de Abraão, havia servido a outros deuses em Ur (Js 24:2). Presume-se que os outros filhos de Tera também o fizeram, pois Raquel, a esposa de Jacó, roubou ídolos de seu pai Labão que era neto do irmão de Abraão, Naor (Gn 31:19). É um milagre Abraão ter sido preservado das influências pagãs que o cercavam.

verso 29 – Abrão e Naor tomaram para si mulheres. A esposa de Naor, chamada Milca, era filha de seu irmão Harã, e, portanto, sua sobrinha. Sarai, a esposa de Abraão, era sua meia-irmã, sendo filha de Tera com outra esposa que não a mãe de Abraão (ver Gn 20: 12). O casamento com uma meia-irmã e com outros parentes próximos foi mais tarde proibido pelo código civil mosaico, embora aparentemente ainda fosse permitido no tempo de Abraão (ver Lv 18:6, 9, 14).

Iscá. Não fica claro por que Iscá, outra filha de Harã, é mencionada aqui. Seguindo uma antiga tradição judaica, alguns comentaristas têm visto esse nome como outro nome de Sara, a esposa de Abraão. Outros acham que ela era a esposa de Ló. Não há base factual para essas suposições.

verso 30 – Sarai era estéril. Esta declaração parece indicar um contraste com Milca, a cunhada de Sara (ver Gênesis 24:24), e prefigura a importância da esterilidade de Sara no teste de fé de Abraão.

verso 31 – Saiu com eles. As Escrituras deixam claro que foi a Abraão que Deus Se revelou em Ur dos caldeus, e não a Tera, como se poderia inferir desta passagem (PP, 127). Estêvão disse a seus ouvintes que Abraão havia saído da “Mesopotâmia, antes de habitar em Harã”, em resposta a uma explícita ordem de Deus dada a ele pessoalmente (Atos 7:2, 3). Posteriormente, Deus lembrou a Abraão que o havia tirado de Ur dos caldeus (Gênesis 15:7), não de Harã (ver também Neemias 9:7). Concluí-se que o chamado de Abraão ocorreu em dois estágios. O primeiro chamado, quando ele vivia em Ur, era para deixar sua tribo ancestral. O segundo, em Harã, era para que abandonasse os parentes imediatos, até mesmo a casa do pai (ver Gênesis 12: 1). Quando o primeiro chamado chegou a Abraão, ele obedeceu imediatamente e saiu do antigo ambiente para encontrar um novo lar na terra que Deus prometera lhe dar. Ele devia ter considerável influência sobre o pai Tera, o irmão Naor e o sobrinho Ló, porque todos eles escolheram acompanhá-lo. Naor não é mencionado como um dos que saíram de Ur, com Tera e Abraão, nesse tempo. Mas ele deve ter saído pouco pois (ver Gênesis 24: 10)

Embora o chamado tenha sido para Abraão, ele ainda vivia sob o teto do pai e esperava que o pai tomasse a mesma iniciativa caso estivesse disposto a fazê-lo. Tera evidentemente aceitou o chamado, e, como cabeça da casa, tomou a frente com relação à mudança. O costume oriental requereria que Tera recebesse o crédito por agir como cabeça da casa. Seria impróprio dizer que Abraão levou consigo seu pai Tera.

Para ir à terra de Canaã. Isto indica que, desde o princípio, o destino era Canaã. Havia duas rotas possíveis de viagem a partir de Ur, no sul da Mesopotâmia, até Canaã. Uma rota atravessava diretamente o grande deserto da Arábia, mas era impossível que uma caravana de rebanhos de ovelhas e gado e muitos servos cruzasse esse território. A outra rota subia o Eufrates, atravessava o estreito deserto do norte da Síria, e depois o vale do Orontes em direção ao sul, até Canaã . Este era obviamente o caminho pelo qual eles precisavam viajar.

Foram até Harã. Harã está situada às margens do rio Balikh, no norte da Mesopotâmia, a meio caminho entre Ur e Canaã. Não é dada a razão para essa interrupção da jornada, mas ela pode ter sido ocasionada pela atratividade da região, ou, mais provavelmente, pela idade avançada
e a fragilidade de Tera. Para a maior parte da famíli a, Harã se tornou um lugar permanente de habitação, o que pode indicar que a atratividade da região tenha levado à decisão de parar ali. Os vales do Balikh e do Chabur têm férteis pastagens. É possível que toda a região fosse esparsamente povoada, e que parecesse oferecer possibilidades de aumento da riqueza da família antes de prosseguirem para Canaã. Qualquer que fosse a razão, Tera e sua família se acamparam num lugar que chamaram de Harã, talvez em honra a seu filho e irmão que havia
morrido em Ur. Devido a uma ligeira diferença de ortografia, no hebraico, entre o nome do filho de Tera, chamado Harã, e o nome da cidade de Harã, a relação entre os dois é incerta.

As evidências de que os teraítas criaram fortes raízes em seu novo lar podem ser vistas no fato de vários nomes de seus familiares fic arem associados a cidades da região por séculos e, em alguns casos, por milênios. Harã, que foi uma importante cidade durante o segundo e primeiro milênios a.C., pode ter recebido seu nome em honra de Harã, como foi sugerido acima. A memória de Pelegue permaneceu no nome da cidade Paliga, na desembocadura do rio Chabur. Naor deu seu nome à cidade de Naor (Gn 24:10, mais tarde chamada Til-Nahiri, perto de Harã). O nome de Serugue é refletido na cidade vizinha, Sarugi, e o sítio Til-sha-turahi, às
margens do rio Balikh, talvez tenha perpetuado o nome de Tera. Esses nomes de lugares são clara evidência de que a família de Tera ocupou essa região em tempos antigos.

verso 32 – Tera [ … ] morreu em Harã. Não há indicação de quanto tempo Tera viveu em Harã. Em vista da proverbial prontidão de Abraão em obedecer a Deus, parece provável que ele tenha permanecido em Harã muitos anos, sabendo que o Senhor desejava que ele fosse para Canaã, se não fosse a idade ou enfermidade de seu pai. É mais provável que Tera tenha se detido durante um período no rio Balikh para recuperar as forças, e não que a atratividade da região o tenha levado a se esquecer de seu objetivo. A piedade filial, sob tais circunstâncias, teria mantido Abraão cuidando solicitamente do pai. Todos teriam, assim, permanecido em Harã com a expectativa de reiniciar a viagem após a recuperação de Tera. Quando ele morreu, Abraão e Ló prosseguiram com seu plano original. Outros membros da família, no entanto, ficaram encantados com a fertilidade da região e não quiseram partir.

Como Moisés séculos mais tarde , Tera não conseguiu entrar na terra da promessa . Isso nos faz lembrar da condição de peregrinos, pelo fato de muitos dos fiéis de Deus morrerem a caminho da Canaã celestial. A seriedade da morte de Tera, porém, não foi nada em comparação com a decisão de Naor de permanecer em Harã. Ele e sua família voluntariamente se separaram das promessas de Deus ao se recusarem a acompanhar Abraão até a terra prometida. Em resultado disso, eles e seus descendentes finalmente des apareceram do palco da história, enquanto que Abraão e sua posteridade permanecem por milênios como recipientes do favor especial de Deus e como canais de Sua bênção para o mundo.

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