Jó 4 e 5 – O Discurso de Elifaz: Jó é reprovado (Diálogos – 4:1-5:27) – O Primeiro Ciclo

Capítulos 4:1-5:27 : 

Elifaz repreende a Jó – 4: 1-21

Chegou a sua vez de sofrer

1Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse:

2“Se alguém tentar falar,

você terá paciência para ouvir?

Mas quem poderá conter

as palavras?

3Veja bem! Você ensinou a muitos

e fortaleceu mãos cansadas.

4As suas palavras sustentaram

os que tropeçavam,

e você fortaleceu

joelhos vacilantes.

5Mas agora,

quando chega a sua vez,

você perde a paciência;

ao ser atingido,

você fica apavorado.

6Você não tem confiança

no seu temor a Deus?

Não tem esperança na integridade

dos seus caminhos?

7Pense bem: será que algum

inocente já chegou a perecer?

E onde os retos foram destruídos?

8Segundo eu tenho visto,

os que lavram a iniquidade

e semeiam o mal,

isso mesmo eles colhem.

9Com o hálito de Deus perecem;

e com o sopro da sua ira

são consumidos.

10Cessa o bramido do leão

e a voz do leão feroz,

e os dentes dos leõezinhos

são quebrados.

11O leão morre,

porque não há presa,

e os filhos da leoa

andam dispersos.”

Pode um mortal ser justo diante de Deus?

12“Uma palavra me foi trazida

em segredo,

e os meus ouvidos perceberam

um sussurro dela.

13Entre pensamentos

de visões noturnas,

quando o sono profundo

cai sobre as pessoas,

14sobrevieram-me

o espanto e o tremor,

e todos os meus ossos

estremeceram.

15Então um espírito passou

por diante de mim;

e se arrepiaram os cabelos

do meu corpo.

16Ele parou, mas não reconheci

a sua aparência.

Um vulto estava

diante dos meus olhos;

houve silêncio, e ouvi uma voz:

17‘Pode um mortal ser justo

diante de Deus?

Pode alguém ser puro

diante do seu Criador?

18Eis que Deus não confia

nos seus servos

e aos seus anjos

atribui imperfeições;

19quanto mais àqueles

que habitam em casas de barro,

cujo fundamento está no pó,

e que são esmagados

como a traça!

20Nascem de manhã

e à tarde são destruídos;

perecem para sempre,

sem que ninguém

se importe com isso.

21Se o fio da vida lhes é cortado,

morrem e não alcançam

a sabedoria.’”

Elifaz exorta Jó a que busque a Deus

O ser humano nasce para o sofrimento

1“Grite agora, para ver

se há quem responda!

E para qual dos santos anjos

você se voltará?

2Porque a ira mata o insensato,

e a inveja destrói o tolo.

3Eu mesmo vi o insensato

lançar raízes,

mas logo declarei maldita

a sua habitação.

4Os filhos dele estão longe

do socorro;

são oprimidos nos tribunais,

e não há quem os livre.

5A sua colheita,

o faminto a devora,

arrebatando até o que se encontra

no meio de espinhos;

e o sedento suga os seus bens.

6Porque a aflição não vem do pó,

e o sofrimento não brota do chão.

7Mas o ser humano nasce

para o sofrimento,

como as faíscas das brasas

voam para cima.”

Há esperança para os pobres

8“Quanto a mim,

eu buscaria a Deus

e a ele entregaria a minha causa.

9Deus faz coisas grandes

e insondáveis,

maravilhas que não se podem

enumerar.

10Faz chover sobre a terra

e envia águas sobre os campos.

11Põe os abatidos num lugar alto

e conduz os enlutados

a um lugar seguro.

12Deus frustra os planos

dos astutos,

para que não possam realizar

seus projetos.

13Ele apanha os sábios

na própria astúcia deles,

e o conselho dos que tramam

não chega a vingar.

14De dia eles encontram as trevas,

e ao meio-dia andam tateando

como se fosse noite.

15Porém Deus salva da espada

que lhes sai da boca,

salva os necessitados

das mãos dos poderosos.

16Assim, há esperança

para os pobres,

e a iniquidade tapa

a sua própria boca.”

As mãos de Deus curam

17“Bem-aventurado é aquele

a quem Deus disciplina!

Portanto, não despreze a disciplina

do Todo-Poderoso.

18Porque ele faz a ferida

e ele mesmo a faz sarar;

ele fere, e as suas mãos curam.

19De seis angústias ele o livrará,

e na sétima o mal

não tocará em você.

20Na fome ele livrará você

da morte;

na guerra, do poder da espada.

21Você estará abrigado

do açoite da língua

e, quando vier a destruição,

não ficará com medo.

22Da destruição e da fome

você dará risada

e dos animais da terra

não terá medo.

23Porque com as pedras do campo

você fará aliança,

e os animais selvagens viverão

em paz com você.

24Saberá que a sua tenda

está em paz;

percorrerá as suas posses

e não achará falta de nada.

25Saberá que a sua descendência

se multiplicará,

e que a sua posteridade será

como a erva da terra.

26Em robusta velhice

você descerá à sepultura,

como se recolhe o feixe de trigo

no tempo certo.

27Veja bem!

Isto é o que investigamos,

e assim é.

Ouça e medite nisso

para o seu bem.”

Note as palavras de Elifaz para seu amigo Jó:

“eis que tens ensinado a muitos e tens fortalecido mãos fracas. As tuas palavras têm sustentado aos que tropeçavam, e os joelhos vacilantes tens fortificado. Mas agora, em chegando a tua vez, tu te enfadas; sendo tu atingido, te perturbas” (Jó 4.3-5).

lembra-te: acaso, já pereceu algum inocente? E onde foram os retos destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam” (Jó 4.7-8).

queres seguir a rota antiga, que os homens iníquos pisaram?” (Jó 22.15).

quanto a mim, eu buscaria a Deus e a ele entregaria minha causa” (Jó 5.8), “escuta-me, mostrar-to-ei; e o que tenho visto te contarei” (Jó 15.17).

Os conselhos de Elifaz são “reconcilia-te” (Jó 22.21) e “se te converteres” (Jó 22.23), mostrando-se como alguém que tem experiência com Deus.

O problema de Jó não era pessoal, mas uma disputa jurídica num contexto cósmico. A fidelidade de Jó era o argumento jurídico de Deus. Deus não estava comprando Jó com Suas bençãos. Jó era fiel por um ato voluntário de amor. Jó amava a Deus e suplicava a intervenção divina.

O mundo jurídico da época patriarcal

Hoje temos advogado de defesa e advogado de acusação. Se Satanás chega diante de Deus como advogado de acusação, quem ele estava acusando? Qual seria o objeto de sua acusação?

Na época de Jó não havia o profissional de leis. Quem escrevia as leis era o rei que tinha a função de rei e de juiz ao mesmo tempo. Se o rei ou governante visse um lastro jurídico na demanda de alguém, o rei nomearia esse alguém de SATAN (advogado de acusação, adversário jurídico ou alguém que se torna promotor de sua própria causa.

No tempo do Antigo Testamento cada um representava a si mesmo diante do Juiz, que por sua vez fazia o papel de condenador ou de defesa da outra parte.

Quando Satanás se apresentou diante de Deus, ele apresenta uma causa, como se estivesse sendo lesado, prejudicado. E qual seria o motivo do seu prejuízo?

Ora, o mundo está repleto de todo tipo de sofrimento. É porque é mau governado. E, Satanás é este mau governante. Jesus disse no Novo Testamento que Satanás era o príncipe deste mundo. Guerras, ódio, discriminação, violência são evid~encias de que ele é o rei deste mundo.

30Já não falarei muito com vocês, porque aí vem o príncipe do mundo, e ele não tem poder sobre mim. 31No entanto, faço isso para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou.

— Levantem-se, vamos sair daqui.” [João 14:30]

Quando se estuda Legislação, a filosofia do Direito, se percebe que há algumas coisas que não são morais, porém são legais. Há demandas jurídicas que são legais , mas não são morais. Não é moral a reivindicação de Satanás, mas como Adão e Eva desobedeceram entregaram a juridição do Planeta Terra para Satanás, que os convenceu a duvidadem do Criador. Passa, então a ser legal a demanda de Satanás.

Quando em Jó 1:6-12 encontramos que Satanás se apresenta na Assembleia Sagrada dirigida pelo Criador, só o fato dele ter que brigar por seu status entre os filhos de Deus representantes de outros mundo criados, indica que ele estava se sentindo lesado. Pois, Deus, ironicamentee, lhe fizera a pergunta: “De onde vens”? Se Deus não quisesse admiti-lo como representante legal da Terra ele estaria ali para reivindicar. Ele levava, então uma causa perante o Criador e apresentava-se como Ha Satan, o advogado de acusação. Ele levou sua demanda perante o Criador. Ele questionou seu direito de estar naquela Assembléia.

Quem seria o acusado? Deus.

E Jó foi o motivo da demanda jurídica. Jó foi o objeto da disputa! Nós somos! Em Jó estava inserido cada ser humano. Ha Satan reivindicava cada ser humano. Deus tem como testemunho a fidelidade de Jó para que Satanás não tenha domínio sobre a Terra. Adão e Eva representavam 100% da humanidade , por isso ele reivindicava a humanidade como sua.

Porém, Adão e Eva se arrependeram e aceitaram a graça, o perdão e o resgate de Deus. Cada ser humano que se submete ao resgate de Deus , recusa o senhorio de Satanás. Jesus Cristo pagou o preço da nossa dívida na cruz do Calvário.

Em meio a humanidade há aqueles que resistem a Satanás e esse grupo de pessoas escolheu o Deus Criador. Este grupo testemunha que a Terra não pertence a Satanás. E, é ao clamor deste grupo que o Deus Criador vai responder intervindo na História da humanidade, expulsando da Terra Satanás e seus aliados. É neste contexto que precisamos entender a existência do mal e do sofrimento na Terra. Por isso, Lúcifer, o Satanás, não foi destruído no início do conflito. Por isso, o Criador, permite que ele ainda cause tantos problemas. Não pode haver dúvidas quanto à natureza de sua rebelião.

Com muita dor no coração Deus permitiu ao Diabo afligir Jó. Com muita dor Ele tem permitido até hoje. O Criador não compra as pessoas. Quem é fiel a Ele é fiel na chuva ou no sol. No calor ou no frio. Na bonança ou na tempestade. Somos fiel a Ele não pelo que Ele nos dá ou náo nos dá, mas por quem Ele É.

Estamos num Conflito Cósmico sem tréguas entre o bem e o mal. E os dois lados disputam cada ser humano. Qual é divisor de água? A decisão pessoal: desejo ser resgatado por Deus ou não? Não há espaço para a neutralidade. Colocar-se neutro é colocar-se em oposição contra Deus.

De acordo com a época do Antigo Testamento tudo era visto como Benção e Maldição. Qual o pensamento de Deus? Ao obediente à Sua Palavra, ao que confia nEle e crê nEle, bençãos virão por causa da Sua presença. A maldição está na ausência de Deus. Na desobediência à Sua Palavra e orientação.

Os amigos de Jó julgaram com o seu próprio código de valores. Pelo sistema de valores da época os amigos de Jó não quiseram interferir, ou impedir Deus de cumprir o Seu juízo.

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