Testemunhos Seletos Volume 2: A Reunião Campal – Capítulo 51

por Ellen White

É de importância que os membros de nossas igrejas assistam às reuniões campais. Os inimigos da verdade são muitos; e porque pouco é o nosso número, cumpre-nos apresentar uma frente tão forte quanto possível. Necessitais, individualmente, dos benefícios da reunião, e Deus vos convida a serdes os primeiros nas fileiras da verdade.

Dirão alguns: “É dispendioso viajar, e nos seria preferível economizar o dinheiro e dá-lo para o avançamento da obra onde é tão necessário.” Não raciocineis assim; Deus vos chama a ocupar o lugar que vos pertence nas fileiras de Seu povo. Tanto quanto vos for possível fortalecei a reunião estando presentes, vós e vossa família. Fazei esforço extraordinário para assistir à reunião do povo de Deus.

Irmãos e irmãs, muito melhor vos seria deixar que os negócios sofressem do que perder o ensejo de ouvir a mensagem que Deus tem para vós. Não arranjeis nenhuma desculpa que vos impeça de obter toda vantagem espiritual possível. Necessitais todo raio de luz. Precisais habilitar-vos a dar a razão da esperança que há em vós, com mansidão e temor. Não vos podeis permitir a perda de um privilégio assim.

Antigamente o Senhor instruiu Seu povo a se reunir três vezes por ano para tributar-Lhe culto. A essas santas convocações ia o povo de Israel, levando dízimos, ofertas pelo pecado e ofertas de gratidão à casa do Senhor. Encontravam-se para contar as misericórdias de Deus, tornar-Lhe conhecidas as Suas maravilhosas obras e dar louvores e ações de graças ao Seu nome. E deviam unir-se no serviço sacrifical que apontava a Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Assim deviam eles ser guardados do poder [379] corruptor da mundanidade e da idolatria. A fé, o amor e a gratidão deviam ser* mantidos vivos no coração deles e, por meio de sua associação nesse sagrado serviço, deviam ser mais estreitamente ligados a Deus e uns aos outros. [*Testimonies for the Church 6:38-46 (1900).]

Nos dias de Cristo, essas festas eram assistidas por vastas multidões de gente de todas as terras; e, houvessem elas sido conservadas como era intenção do Senhor, no espírito do verdadeiro culto, e a luz da verdade poderia haver sido comunicada por meio deles a todas as nações do mundo.

Para os que moravam distante do tabernáculo, mais de um mês de cada ano deve ter sido empregado em assistir a essas santas convocações. O Senhor viu que essas reuniões eram necessárias à vida espiritual de Seu povo. Precisavam desviar-se de seus cuidados terrenos para comungar com Deus, e contemplar as realidades invisíveis.

Se os filhos de Israel necessitavam dessas santas convocações em seu tempo, quanto mais as necessitamos nós nesses dias finais de perigo e conflito! E se o povo do mundo então precisava da luz que Deus confiara a Sua igreja, quanto mais dela necessitarão eles agora!

O tempo atual é de molde a todos irem em socorro do Senhor,em socorro do Senhor contra os poderosos. Avigoram-se as forças do inimigo, e, como um povo, somos falsamente apresentados. Desejamos que opovo se relacione com nossas doutrinas e obra. Queremos que saibam o que somos e o que cremos. Precisamos abrir caminho ao coração deles. Que o exército do Senhor se ache em campo a fim de representar a obra e a causa de Deus. Não alegueis desculpas. OSenhor necessita de vós. Ele não faz Sua obra sem a cooperação do instrumento humano. Ide à reunião campal, ainda que isto vos custe um sacrifício. Ide dispostos a trabalhar. E fazei todo esforço para levar vossos amigos a ir, não em vosso lugar, mas convosco, para estarem ao lado do Senhor e obedecer-Lhe os mandamentos. Ajudai os que mostram interesse em ir, provendo-lhes, se necessário, comida e alojamento. Os anjos comissionados a ministrar aos herdeiros da salvação, vos farão companhia. Deus fará grandes coisas [380] por Seu povo. Abençoará todo esforço para honrar-Lhe a causa e promover o avançamento de Sua obra.

O preparo do coração

Precisamos lembrar que, nessas reuniões, há duas forças em operação. Uma batalha invisível a olhos humanos está sendo travada. Está em campo o exército do Senhor, buscando salvar almas. Satanás e suas hostes também estão em atividade, buscando por todos os meios possíveis, enganar e destruir. O Senhor ordena-nos: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Efésios 6:11, 12. Dia a dia prossegue a batalha. Se nossos olhos se pudessem abrir para ver em operação os instrumentos bons e os maus, não haveria frivolidades e vaidades, nem gracejos e chocarrices. Se todos se revestissem de toda a armadura de Deus e combatessem varonilmente as batalhas do Senhor, obter-se-iam vitórias que fariam tremer o reino das trevas.

Nenhum de nós deve ir à reunião campal confiando nos ministros ou nos obreiros bíblicos para torná-la uma bênção para nós. Deus não querque Seupovodependainteiramente dos ministros. Não quer que se enfraqueçam dependendo do auxílio de criaturas humanas. Não devem, como crianças impotentes, apoiar-se em outros. Como despenseiro da graça de Deus, todo membro de igreja deve sentir sua responsabilidade individual de ter vida e raiz em si mesmo. Cada um deve sentir que, em certa medida, o êxito da reunião depende dele. Não digais: “Não sou responsável. Não terei nada que fazer nessa reunião.” Se assim sentirdes, estais dando a Satanás ensejo de operar por vosso intermédio. Encher-vos-á a mente com seus pensamentos, dando-vos alguma coisa que fazer em suas fileiras. [381] Em vez de ajuntardes com Cristo, haveis de espalhar.

O êxito da reunião depende da presença e do poder do Espírito Santo. Todo o que ama a causa da verdade, deve orar pelo derramamento do Espírito. E o quanto estiver em nosso alcance, cumpre-nos remover todo obstáculo a Sua operação. O Espírito não poderá nunca ser derramado enquanto os membros da igreja nutrirem desarmonia e amargura uns contra os outros. Inveja, ciúmes, ruins suspeitas e maledicências, são coisas de Satanás, e barram eficazmente o caminho à operação do Espírito Santo. Coisa alguma neste mundo é tão preciosa para Deus como Sua igreja. Coisa alguma é por Ele guardada com tão cioso cuidado. Coisa alguma ofende tanto ao Senhor como um ato que prejudique os que Lhe estão fazendo o serviço. Ele chamará a contas todos quantos ajudam Satanás em sua obra de criticar e desanimar. Os que são destituídos de compaixão, ternura e amor, não podem fazer a obra de Cristo. Antes de se poder cumprir a profecia: O fraco será “como Davi”, e a casa de Davi “como o anjo do Senhor” (Zacarias 12:8), os filhos de Deus precisam afastar todo pensamento de suspeita com referência a seus irmãos. Os corações devem bater em uníssono. A beneficência cristã e o amor fraternal devem ser manifestados muito mais abundantemente. Soam aos meus ouvidos as palavras: “Uni-vos, uni-vos!” A solene, sagrada verdade para este tempo, deve unificar o povo de Deus. Importa que morra o desejo de preeminência. Todos os outros objetos de emulação devem ser absorvidos por um único — quem se assemelhará mais a Cristo no caráter? Quem esconderá mais completamente em Cristo o próprio eu? “Nisto é glorificado Meu Pai”, diz Cristo, “em que deis muito fruto.” João 15:8. Se há um lugar em que os crentes devam dar muito fruto, é em nossas reuniões campais. Nessas reuniões são observados nossos atos, nossas palavras e o espírito que mostramos, e nossa influência é de tão vasto alcance como a eternidade. Atransformação do caráter deve ser perante o mundo, o testemunho do amor de Cristo no coração. O Senhor espera que Seu povo manifeste que o poder redentor da graça pode operar sobre o [382] caráter faltoso, e fazer com que ele se desenvolva em simetria, sendo abundantemente frutífero. Afimdecumprirmos os desígnios de Deus, porém, há uma obra preparatória a fazer. O Senhor nos pede que esvaziemos o coração do egoísmo que é a raiz de toda alienação. Ele anseia derramar sobre nós Seu Santo Espírito em fartas medidas, e que aplainemos o caminho mediante a renúncia. Quando o próprio eu for entregue a Deus, nossos olhos serão abertos para ver as pedras de tropeço que nossa dessemelhança com Cristo tem posto no caminho dos outros. Tudo isso Deus nos manda remover. Diz Ele: “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis.” Tiago 5:16. Então poderemos ter a certeza experimentada por Davi quando, depois de confessar o seu pecado, orou: “Torna a dar-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e os pecadores a Ti se converterão.” Salmos 51:12, 13. Quando a graça de Deus reinar no interior, a alma será circundada por uma atmosfera de fé, ânimo e amor cristão, atmosfera revigoradora para a vida espiritual de todos os que a respiram. Então podemos ir à reunião campal, não somente para receber, mas para comunicar. Todo aquele que é participante do amor perdoador de Cristo, todo o que foi esclarecido pelo Espírito de Deus e convertido à verdade, por essas preciosas bênçãos sentir-se-á devedor a toda alma com quem se põe em contato. Os que são humildes de coração serão usados pelo Senhor para alcançar almas de quem o ministro ordenado não se pode aproximar. Serão impulsionados a proferir palavras que revelam a salvadora graça de Cristo. E, beneficiando aos outros, serão eles próprios abençoados. Deus nos dá oportunidade de comunicar graça, para que nos possa encher novamente de mais graça. A esperança e a fé se robustecerão à medida que o instrumento de Deus opera com os talentos e os recursos fornecidos por Ele. Terá uma instrumentalidade divina a [383] cooperar com ele. … Aobra dos ministros Os presidentes de associação e os ministros devem dedicar-se aos interesses espirituais do povo, e portanto serem dispensados do trabalho mecânico que acompanha as reuniões. Os ministros devem estar prontos para agir como mestres e guias na obra do acampamento, quando a ocasião o exija, mas não ser levados ao ponto de exaustão. Devem sentir-se refrigerados, em animada disposição de espírito, pois isto é essencial ao máximo benefício da reunião. Devem ser capazes de proferir palavras de animação e coragem, e lançar sementes de verdade espiritual no solo dos corações sinceros, de modo a brotarem e produzirem precioso fruto. Os ministros devem ensinar o povo a se aproximarem do Senhor e a conduzirem outros a Ele. Devem-se adotar métodos, delinear planos pelos quais a norma seja elevada, e o povo seja ensinado quanto à maneira por que podem purificar da iniquidade e elevar-se pela adesão aos princípios puros e santos.

Deve haver tempo para exame do coração,para a cultura da alma. Quando a mente está ocupada com assuntos de negócios deve haver necessariamente carência de poder espiritual. A piedade pessoal, a verdadeira fé, a santidade do coração, devem ser conservados diante do espírito até que o povo compreenda sua importância.

Precisamos possuir o poder de Deus em nossas reuniões campais, do contrário não nos será possível prevalecer sobre o inimigo das almas. Cristo diz: “Sem Mim, nada podeis fazer.”

Os que se ajuntam nessas reuniões campais devem ser impressionados com o fato de que o objetivo das mesmas é atingir a uma experiência cristã mais elevada, crescer no conhecimento de Deus, fortalecer-se com vigor espiritual; e a menos que isto compreendamos, as reuniões nos serão infrutíferas.

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Não pode haver influência mais prejudicial a uma reunião campal ou a qualquer outra reunião para culto religioso, do que os muitos encontros e a conversa descuidosa de uns com os outros. Frequentemente homens e mulheres se reúnem em grupos, e empenham-se em conversa acerca de assuntos comuns que não se relacionam com a reunião. Alguns trouxeram consigo suas lavouras, outros sua casa, e estão a fazer planos para construções. Alguns dissecam o caráter de outros, e não têm tempo ou disposição para esquadrinhar o próprio coração, para descobrir os defeitos do próprio caráter, a fim de corrigir-lhe os erros, e aperfeiçoar a santidade no temor de Deus.

Se todos quantos professam ser seguidores de Cristo aproveitassem o tempo fora das reuniões para conversar sobre a verdade, para deter-se na esperança do cristão, em examinar-se a si mesmos e em fervorosa oração diante de Deus, rogando-Lhe a bênção, muito maior seria a obra realizada do que já temos visto. Os incrédulos, que acusam falsamente os que crêem na verdade, seriam convencidos por causa de sua “boa conversação em Cristo”. Nossas palavras e atos são o fruto que produzimos; “portanto, pelos seus frutos os conhecereis”. — Testimonies for the Church 2:597, 598 (1871).

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Oobjetivo de uma reunião campal é levar todos a se afastarem dos cuidados, dos negócios e das preocupações, e a consagrarem alguns dias exclusivamente a buscar ao Senhor. Devemos ocupar o tempo em exame interior, esquadrinhando intimamente o coração, fazendo contritas confissões de pecado, e renovando nossos votos ao Altíssimo. Se alguém vai a essas reuniões com objetivos menos dignos, esperamos que o caráter das reuniões seja de molde a levarlhes a mente a objetivos apropriados. — Testimonies for the Church 2:601 (1871). Muitos cristãos vacilarão na fé, caso negligenciem constantemente reunirem-se para conferência e oração. Caso lhes fosse impossível fruir esses privilégios religiosos, então Deus enviaria diretamente luz do Céu por meio de Seus anjos, a fim de animar, alegrar [385] [386] e abençoar Seu povo disperso. Ele, porém, não Se propõe operar ummilagre para sustentar a fé de Seus santos. Exige-se deles que amemaverdade osuficiente para se darem a alguns incomodozinhos para obter os privilégios e bênçãos a eles estendidos por Deus. O mínimo que eles podem fazer é consagrar alguns dias por ano a um esforço unido para levar avante a causa de Cristo e trocarem amistosos conselhos e compassivo interesse. — Testimonies for the Church 4:106, 107 (1876).

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