por Michael Reeves
Editora Monergismo

“Jesus, então, não mantem um tipo de associação vaga com Seu povo, um acordo que depende de nossa fidelidade. Como o pão e o vinho que ingerimos em nosso corpo na Comunhão, Ele entra em nós pelo Espírito Santo e se torna um conosco. […]
O maior benefício da união com Cristo é o próprio Cristo. […] A união com Ele é o fundamento, o começo: a comunhão com Ele é o alvo. […]
Para Paulo o céu não seria o céu e a salvação não seria salvação sem Cristo. […]
Você não tem como separar a salvação e o viver cristão – ou a justificação e a santificação – pois ambos referem-se a Ele, e Ele não pode ser dividido. Deus não possui pedaços de ‘justiça’ ou ‘santificação’ que Ele joga lá do Céu. O que Ele possui é Seu Filho Justo. […] Jesus é a salvação: nEle está toda justiça e conhece-LO é o âmago da santidade. […]
Deus não está interessado em nossas virtudes manufaturadas; Ele não deseja nenhuma obediência ou moralidade externas se isto não flui de um verdadeiro amor a Ele. Ele quer que compartilhemos de seu prazer em Seu Filho. […]
Mas, como podemos nós, sem hipocrisia, abraçar a Cristo como nosso mais querido e estimado tesouro? Unicamente quando percebemos Seu insondável amor por nós, como Ele é e tem sido amável e misericordioso, o quanto Ele sofreu para sermos perdoados, como Ele é de fato melhor que todas as outras coisas das quais corremos atrás. ‘Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro’ (1 João 4:19) Em outras palavras aquilo que nossos esforços não puderem alcançar, o amor aos outros com sinceridade, liberdade e espontaneidade. Eu começo a sentir prazer na santidade e a odiar o pecado porque sinto prazer nEle e odeio aquilo que está contra Ele em toda a Sua bondade, verdade e beleza.
[…] é assim que acontece com aqueles que estão em Cristo. Esta é a vida para a qual são chamados os filhos de Deus. Com corações plenos de amor para com o Pai, com um vigor que vem do Espírito e não de si mesmos, eles compartilham da compaixão do Filho e Sua piedade pelos fracos e perdidos. O Espírito nos remodela de forma que começamos a descobrir a alegria do próprio Filho em ser como nosso Pai, com seu interesse pelo mundo.
[…] à medida que o Espírito age de forma tão bondosa em mim, começo a desfrutar dessa verdade também de forma subjetiva em minha experiência diária. Quanto mais percebo que sou verdadeiramente filho de Deus, e quanto maior se torna minha visão de Cristo, tanto mais me percebo morto para o pecado. Ele ainda me atrai, mas não como antes. Percebo os velhos desejos pecaminosos morrendo e novos de4sejos santos brotando: descubro que estou desejando, anelando ser liberto dos pecados a que antes me agarrava ternamente. Afinal de contas, tenho um novo coração – o coração de um filho de Deus – e ele sente e deseja de forma diferente. Como Cristo. Na verdade, em tudo eu sou uma nova criatura: tenho novos ouvidos, que ouvem de forma diferente; uma nova mente, que pensa de forma diferente; novas mãos, que agem de forma diferente, e uma nova língua, que fala de forma diferente.
[…] Nossa alegria, nossas orações, nossa missão, nossa santidade, nosso sofrimento, nossa esperança: tudo é uma participação da vida do Filho. Nós não recebemos simplesmente uma coisa chamada ‘vida eterna’, sendo então enviados para nos virarmos com ela. Nós não somos percussores com responsabilidade final. Ele é o primogênito; nós vivemos em Seu vácuo.
Isto significa que, à medida que você vive, pode usufruir do alívio de saber que não por conta própria, diante de uma lista de tarefas. O que quer que faça, você não é a pessoa indispensável. Você está simplesmente entrando na vida do Filho, participando de Suas agonias, Seus interesses, Seus sentimentos e Suas alegrias. Com Ele.
[…] Não é que o nosso sofrimento seja sempre consequência de atos específicos nossos pelos quais precisamos ser disciplinados (apesar de, às vezes, ser esse o caso!). A questão é que deus usa até mesmo o sofrimento para, no fim das contas, nos fazer o bem. Ele fez exatamente isto na cruz.: foi por meio daquele dia tenebroso, daquele mais profundo abismo de sofrimento, que Ele definitivamente destruiu e derrotou a própria raiz das trevas e do sofrimento. Por meio daquela morte, ele derrotou a morte; por meio de nossos sofrimentos comparativamente mais leves, Ele consegue derrotar nossa independência egoísta e nossos estúpidos desvios e nos fazer mais parecidos com Seu livre e vitorioso Filho. Para aqueles que vislumbram a irrestrita beleza de Jesus, esse pensamento enche de entusiasmo a nossa alegria. Pois tendo visto nEle o que é ser livre do poder paralisante do pecado, queremos ser iguais a Ele! Por isso, em Atos 5, quando Pedro e os apóstolos foram açoitados diante do Sinédrio, eles saíram ‘regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofre afrontas por esse Nome (o precioso nome de Jesus)’. Não é que as chicotadas não doessem. É que o desejo deles de serem como Jesus era mais forte. Eles encontraram alegria em participar dos sofrimentos de Cristo. […] quanto mais encontramos nosso prazer nEle, mais dispostos nos tornamos a sofrer com Ele.
[…] se os cristãos quiserem estar à altura e mesmo regozijar-se no sofrimento com que vamos nos deparar, antes de qualquer outra coisa precisamos ouvir a respeito de Jesus. Precisamos que nossos olhos se encham da glória de Cristo – como Ele é plenamente satisfatório – de forma que O amemos e O desejemos. Somente então de fato nos regozijaremos em nossos sofrimentos, porque somente então desejaremos ser iguais a Ele.
Da mesma forma que o sofrimento em Cristo está rodeado de todos os lados pela alegria, assim ele está rodeado e condicionado pela mais animada esperança. […]
“15Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” (Gênesis 3:15) […] O apóstolo Paulo cria que isso também pode aplicar-se a todos os que estão em Cristo: “20E o Deus da paz, em breve, esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês,”. Pois, cristãos são aqueles que foram colocados em Cristo, o qual é tanto o esmagado como aquele que esmaga.
Unidos àquele que foi esmagado, os cristãos entram numa vida específica de sofrimento. Fustigados por Satanás, alvos da objeção do mundo e cada vez mais infelizes com o pecado interior que antigamente amavam, os cristãos se deparam com mais do que as comuns dores da vida. Mas. Sim, mas. Nós não estamos apenas destinados à glória, como certamente o próprio Cristo está; mesmo à medida que agora somos esmagados, nós, juntamente com o nosso irmã primogênito, em certa medida também esmagamos! Toda vez que você se regozija em Cristo, resiste ao pecado, O proclama e demonstra seu amor, você impõe a vitória de Cristo. Você esmaga a cabeça da serpente. Essa é a perspectiva maior da Escritura; jamais triunfalista, mas, definitivamente triunfante. Satanás mordisca nossos pés; nós lhe esmagamos a cabeça. “ 8Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; ficamos perplexos, porém não desanimados; 9somos perseguidos, porém não abandonados; somos derrubados, porém não destruídos. 10Levamos sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida dele se manifeste em nosso corpo.”
Uma identidade antes de todas as outras
[…] quando os cristãos se definem por alguma coisa diferente de cristo, acabam envenenando tudo à sua volta. Quando desejam poder e popularidade e os conseguem, tornam-se pretenciosos, arrogantes ou simplesmente tiranos. E, quando não os conseguem, tornam-se amargos, apáticos ou irritadiços. Quer excitados pelo sucesso ou exauridos pela falta dele, em ambos os casos o que aconteceu é que se preocuparam demais com a coisa errada. Definindo-se por algo que não fosse Cristo, tornaram-se parecidos com algo diferentes de Cristo. Péssimo.
Nossa união com Cristo, dessa forma, precisa operar profundamente em nosso coração. Ela automática e imediatamente nos concede um novo status, mas até que esse status e identidade sejam mantidos como a mais profunda verdade a nosso respeito, isso demanda uma atividade radical, contínua. Ainda que seja a identidade primária do crente., precisamos lutar contra a insidiosa ideia de que possuímos qualquer identidade – antecedentes, habilidades ou status – mais básica do que a de compartilhar da vida do próprio Filho diante do Pai.
“1 — Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o lavrador. 2Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto ele limpa, para que produza mais fruto ainda. 3Vocês já estão limpos por causa da palavra que lhes tenho falado. 4Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim vocês não podem dar fruto se não permanecerem em mim.
5 — Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada. 6Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. 7Se permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será feito. 8Nisto é glorificado o meu Pai: que vocês deem muito fruto; e assim mostrarão que são meus discípulos.”
[…] nossa parte é simplesmente permanecer? Isso soa tão passivo, tão em desacordo com Paulo, que sempre esteve combatendo o bom combate e disputando a corrida (2 Timóteo 4:7). […] Permanecer não significa ficar inerte. Permanecer significa: façam “as minhas palavras permanecerem em vós” (v.7); e significa “permanecerei no meu amor” (v.9)Aí está o terreno central da luta cristã: possuir o evangelho do amor de Cristo como nossa seiva e alimento. Isso significa estar cheio da escritura, uma vez que desconhecer a Escritura é desconhecer Cristo. Mas também significa muito mais do que isso. […] Isso significa, então que nos aproximamos da Escritura com um propósito: conhecer Cristo.
[…] a concentração em si mesmo não é o segredo da piedade. A vida, a justiça, a santidade e a redenção são encontradas por aqueles – e somente por aqueles! – que olham para Ele.
[…] É isso que o senhor faz na nova criação: o Seu amor brilha sobre a alma, Sua graça nos renova, e as coisas velhas desaparecem como algo natural […] Charles Spurgeon
[…]”