Capítulo 4 — Lidando com o medo

Por Ellen White

Atados pelo medo

Milhões de criaturas humanas acham-se presas a falsas religiões, na escravidão de um temor servil, de estulta indiferença, trabalhando como animais de carga, destituídos de esperança, alegria ou inspiração, e tendo apenas um tolo temor do além. E unicamente o Evangelho da Graça de Deus que pode dar sentido à vida. — O Desejado de Todas as Nações, 478.

Não confiando em Deus

Muitos negligenciam juntar para si um tesouro no Céu, fazendo o bem com os recursos que Deus lhes emprestou. Desconfiam de Deus e tem mil temores acerca do futuro. Como os filhos de Israel, eles tem um mau coração de incredulidade. Deus proveu este povo com abundância, à medida que suas necessidades o requeriam, mas eles tomaram emprestadas dificuldades para o futuro. Em suas viagens queixavam-se e murmuravam, dizendo que Moisés os libertara para matá-los de fome, bem como a seus filhos. Necessidades imaginarias cerravam-lhes os olhos e o coração, para não verem a bondade e as misericórdias de Deus em seu jornadear, e foram ingratos para com todas as Suas bençãos.

Assim também e o descrente professo povo de Deus nesta época de incredulidade e degeneração. Receia vir a passar necessidades, ou que seus filhos se tornem necessitados, ou que seus netos fiquem desamparados. Não ousam confiar em Deus. Não tem genuína fé nAquele que lhes confiou as bençãos e generosidades da vida, e lhes deu talentos para usar para Sua glória, na promoção de Sua causa. — Testemunhos para a Igreja 2:656 e 657.

Satanás governa pelo medo

Deus nunca força a vontade ou a consciência; porem o recurso constante de satanás, para alcançar domínio sobre os que de outra maneira não pode seduzir, e o constrangimento pela crueldade. Por meio do medo ou da forca, procura reger a consciência e conseguir para si mesmo homenagem. Para realizar isso, opera tanto pelas autoridades eclesiásticas como pelas seculares, levando-as a imposição de leis humanas em desafio a lei de Deus. — O Grande Conflito, 591.

Consultar temores fortalece-os

Se tomarmos conselho com as nossas dúvidas e temores, ou procurarmos solver tudo que não podemos compreender claramente, antes de ter fé, as dificuldades tão-somente aumentarão e se complicarão. Mas, se chegarmos a Deus convencidos de nosso desamparo e dependência, tais quais somos, e com humilde e confiante fé fizermos conhecidas nossas necessidades Aquele cujo conhecimento e infinito, e o qual tudo vê na criação, governando todas as coisas por Sua vontade e Palavra, Ele pode atender e atendera ao nosso clamor, e fara a luz brilhar em nosso coração. Pela oração sincera somos postos em ligação com a mente do Infinito. Não temos, no mesmo momento, evidencia notável de que a face do nosso Redentor se inclina sobre nós em compaixão e amor; mas e realmente assim. Podemos não sentir Seu contato visível, mas Sua mão está sobre nós em amor e compassiva ternura.— Caminho a Cristo, 96 e 97.

Causa da enfermidade

O que traz doença do corpo e da mente a quase todos são os sentimentos de descontentamento e as murmurações de quem está insatisfeito. Não tem a Deus, não tem aquela esperança que é “como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu”. Hebreus 6:19. Todos os que possuem essa esperança hão de purificar a si mesmos, assim como Ele e puro. Esses se acham livres de desassossegados anseios, murmurações e descontentamento; não estão continuamente esperando o mal e aninhando emprestadas aflições. Vemos, porém, muitos que estão passando antecipadamente por um tempo de angústia; a ansiedade estampa-se em cada feição; parecem não encontrar consolo, e apresentam um aspecto de contínuo temor na expectativa de algum terrível mal. — Testemunhos para a Igreja 1:566.

Temor não traz alívio

E necessário ter uma clara compreensão do evangelho. A vida religiosa não e de melancolia e tristeza, mas de paz e regozijo unidos a dignidade crista e santa solenidade. Não somos por nosso Salvador animados a entreter dúvidas e temores, nem perspectivas desanimadoras; isso não traz alívio e deve ser repelido, e jamais alimentado.  Podemos ter regozijo inefável e glorioso. — Evangelismo, 180.

Como cresce a fé

O Senhor frequentemente nos coloca em posições difíceis para estimular-nos a maior aplicação. Em Sua providência, as vezes ocorrem contrariedades especiais para testar nossa paciência e fé. Deus nos dá lições de confiança. Ele deseja ensinar-nos onde buscar auxílio e forças em tempo de necessidade. Assim obtemos conhecimento prático de Sua divina vontade, de que muito carecemos em nossa experiencia de vida. A fé se fortalece através do sério conflito com a dúvida e o medo. — Testemunhos para a Igreja 4:116 e 117.

Medo revela incredulidade

Como Jesus descansou pela fé no cuidado do Pai, assim devemos repousar no de nosso Salvador. Houvesse os discípulos confiado nEle, e teriam permanecido calmos. O temor, no momento do perigo, revelou sua incredulidade. No esforço para se salvarem, esqueceram-se de Jesus; e foi apenas quando, deixando de confiar em si mesmos, se voltaram para Ele, que os pode socorrer. Quantas vezes se repete em nós a experiencia dos discípulos! Quando as tempestades das tentações se levantam, fuzilam os terríveis relâmpagos e as ondas se avolumam por sobre nossa cabeça, sozinhos combatemos contra a tormenta, esquecendo-nos de que existe Alguém que nos pode socorrer. Confiamos em nossa própria forca até que nos foge a esperança, e vemo-nos quase a perecer.

Lembramo-nos então de Jesus, O invocamos para nos salvar e não ficamos decepcionados. Embora reprove, magoado, a incredulidade e a confiança em nós, nunca deixa de nos conceder o auxílio de que necessitamos. Seja em terra ou no mar, se temos no coração o Salvador, nada há a temer. A fé viva no Redentor acalma o mar da vida, e Ele nos protege do perigo da forma que sabe ser a melhor. — O Desejado de Todas as Nações, 336.

Não manifestar temor ao enfermo

Os que tratam dos doentes devem compreender a importância da cuidadosa atenção as leis da saúde. Em parte alguma tem mais importância a obediência a essas leis do que no quarto do enfermo. Em nenhum caso a fidelidade as pequenas coisas, da parte dos assistentes, tem maiores consequências. Em situação de doença grave, a menor negligência, a mais ligeira falta de atenção as necessidades especiais ou perigos particulares do enfermo, toda a manifestação de medo, agitação ou impaciência, até uma falta de simpatia, pode fazer pender o fiel da balança que oscila entre a vida e a morte, e causar a descida a sepultura de um doente que doutra forma poderia ter-se curado.— A Ciência do Bom Viver, 219.

Ofende o Espírito Santo

A fé toma a Deus em Sua palavra, não buscando compreender o significado das aflitivas experiencias que sobrevêm. Muitos há, porém, que possuem pouca fé. Estão continuamente temendo, e tomando emprestadas aflições. Estão dia a dia cercados de provas do amor de Deus, fruem cada dia as bondades de Sua providência; mas eles passam por alto essas bençãos. E as dificuldades que encontram, em lugar de os conduzir para Deus, dEle os separam, porque despertam desassossegos e queixas. … Jesus e seu Amigo. Todo o Céu se acha empenhado em seu bem-estar, e seu temor e queixas ofendem o Espírito Santo. Não e porque vejamos ou sintamos que Deus nos ouve que devemos crer. Devemos confiar em Suas promessas. Quando chegamos a Ele com fé, devemos crer que toda petição penetra no coração de Cristo. Quando temos pedido Sua benção, devemos crer que a receberemos, e agradecer-Lhe porque a temos.

Entreguemo-nos então aos nossos deveres, certos de que a benção virá quando dela mais necessitarmos. Quando houvermos aprendido a fazer assim, saberemos que nossas orações são atendidas. Deus fara por nos “muito mais abundantemente” (Efésios 3:20), “segundo as riquezas da Sua glória” (Efésios 3:16), e “a operação da forca do Seu poder”. Efésios 1:19. — Obreiros Evangélicos, 261 e 262.

Libertação do medo

Arão, assim como o povo, recuava de Moisés, temendo “chegar-se a ele”. Êxodo 34:30. Vendo sua confusão e terror, mas sem saber a causa, insistiu com eles para que se aproximassem. Apresentou-lhes a garantia da reconciliação com Deus, e lhes assegurou o restabelecimento de Seu favor. Nada perceberam em sua voz a não ser amor e solicitude, e finalmente aventurou-se um a aproximar-se dele. Muito atônito para que pudesse falar, silenciosamente apontou para o rosto de Moisés e então para o céu. O grande chefe compreendeu o que queria dizer. Em sua consciente culpa, sentindo-se ainda sob o desagrado divino, não podiam suportar a luz celestial, a qual, se houvessem eles sido obedientes a Deus, tê-los-ia enchido de alegria. O medo acompanha a culpa. A alma que está livre de pecado não deseja esconder-se da luz do Céu. — Patriarcas e Profetas, 329 e 330.

Quando temeroso

Unicamente a percepção da presença de Deus pode banir aquele receio que faria da vida um peso a tímida criança. Fixe ela em sua memória esta promessa: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem e os livra.” Salmo 34:7. Leia a maravilhosa história de Eliseu na cidade rodeada de montanhas e, entre ele e o exército de inimigos armados, uma poderosa multidão de anjos celestiais. Leia sobre como o anjo apareceu a Pedro na prisão, condenado a morte, e como, depois de passarem pelos guardas armados e as portas maciças e grandes portões de ferro com seus ferrolhos e travessas, o anjo guiou o servo de Deus em segurança. Leia acerca daquela cena no mar, quando, aos soldados e marinheiros arremessados de um para outro lado pela tempestade, exaustos pelo trabalho, vigília e longo jejum, Paulo, como prisioneiro, em caminho para o seu julgamento e execução, falou aquelas grandiosas palavras de ânimo e esperança: “Agora, vos admoesto a que tenhais bom animo, porque não se perderá a vida de nenhum de vos. …

Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas apresentado a Cesar, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.” Atos 27:22-24. Com fé nesta promessa, Paulo afirmou a seus companheiros: “Nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.” Atos 27:34. Assim aconteceu. Como havia naquele navio um homem por meio do qual Deus podia operar, todo o contingente de soldados e marinheiros gentios foi preservado. “Todos chegaram a terra, a salvo.” Atos 27:44. — Educação, 255 e 256.

Deus trata com clareza

O Salvador não nos engana. Não nos diz: “Não tema, seu caminho está livre de perigos.” Ele sabe que há provações e perigos, e e sincero conosco. Não Se propõe tirar Seu povo de um mundo de males e pecados, mas indica-nos infalível refúgio. Sua oração em favor dos discípulos foi: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” João 17:15. No mundo, diz Ele, “tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.” João 16:33. — Caminho a Cristo, 122 e 123.

Olhar para fora de si mesmo

Olhe para fora de si mesmo, para Jesus. Reconheça que você e um pecador, que ao mesmo tempo tem o privilégio de depender de Cristo como o seu Salvador. Ele veio para chamar ao arrependimento não os justos mas os pecadores. Dificuldades e sugestões são apresentadas por satanás a mente humana para ver se consegue enfraquecer a fé e destruir o ânimo. Ele tem múltiplas tentações que despeja sobre sua mente, uma após outra; mas comprometer suas emoções e ceder aos sentimentos pode significar aceitar o mau hospede da dúvida, e assim procedendo, emaranhar-se nas dificuldades do desespero. você pode perguntar: Que farei com tão terríveis sugestões? Expulse-as da mente, olhando e contemplando as imaculadas profundezas do amor do Salvador. Não exalte seus sentimentos, falando deles e adorando-os, quer sejam bons ou maus, tristes ou animadores. — Carta 41, 1893.

Pela confiança em Jesus

Jesus nos convida a ir ter com Ele, para tirar de nossos cansados ombros a carga, colocar sobre nós o Seu jugo, que e suave; e o Seu fardo, que e leve. O trilho pelo qual Ele nos convida a andar nunca nos teria custado um tormento se sempre tivéssemos nele andado. E quando nos extraviamos do caminho do dever que este se torna difícil e espinhoso. Os sacrifícios que temos de fazer ao seguir a Cristo são apenas outros tantos passos para retornar ao caminho da luz, da paz e felicidade. As dúvidas crescem ao contemporizarmos com elas, e quanto mais contemporizarmos, tanto mais difícil e vencê-las. E seguro largar todo apoio terrestre e tomar a mão dAquele que  levantou e salvou o discípulo que se afogava no mar tempestuoso. — Testemunhos para a Igreja 4:558.

Cristo, o Portador de fardos

Exponhamos continuamente ao Senhor nossas necessidades, alegrias, pesares, cuidados e temores. Não vamos conseguir sobrecarrega-Lo nem fatiga-Lo. … Seu coração amorável se comove com as nossas tristezas, até mesmo com a menção delas. Levemos a Ele tudo que nos causa incomodo. Coisa alguma e muito difícil para Ele, pois sustem os mundos e rege o Universo. Nada que de algum modo se relaciona com a nossa paz e tão insignificante que o não observe. Não há em nossa vida capítulo demasiado obscuro para que o possa ler; perplexidade alguma por demais intrincada para que a possa resolver. Nenhuma calamidade poderá sobrevir ao mais humilde de Seus filhos, ansiedade alguma lhe atormentar o espírito, nenhuma alegria possui-lo, nenhuma prece sincera escapar- lhe dos lábios, sem que seja observada por nosso Pai celestial, ou sem que Lhe atraia o imediato interesse. … As relações entre Deus e cada pessoa são tão particulares e intimas como se não existisse nenhuma outra por quem Ele houvesse dado Seu bem-amado Filho. — Caminho a Cristo, 100. Você deve trabalhar com cautela e observar períodos de descanso. Assim procedendo, reterá seu vigor físico e mental, e tornara seu trabalho muito mais produtivo.

Depressão—Tristeza extrema e abatimento fora de proporção quanto a qualquer causa alegada. A depressão pode ser o estágio final de um longo processo ansioso, gerado pelo sentimento desculpa, pelo medo e por uma estranha sensação de vazio interior.

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